Jornal da Escola Secundária de Lagoa completa 100 edições

Desde 2003 que o Neurónio sai uma vez por mês no Açoriano Oriental e é feito pelos alunos que participam de forma voluntária no projeto

Alexandre Oliveira é o professor responsável pelo jornal que vai ter um novo espaço. Foto: DL

Tem quase tantos anos quanto os da escola de paredes multicolores. O jornal escolar Neurónio nasceu em 2003, dois anos depois da Escola Secundária de Lagoa (ESL). Nos últimos 17 anos, dezenas de alunos foram relatando como olham para a escola e para o mundo. O jornal escolar, que não saiu todos os meses, ainda não tem sede, mas o espaço já está reservado no “Press Media Center Neurónio” . A sala, na Biblioteca da ESL, “ajuda a que haja uma marca e a focar”, explica o responsável pelo jornal nos últimos dois anos, Alexandre Oliveira. O professor de português explica que o espaço “já era para estar em funcionamento, temos alunos inscritos para trabalharem connosco, mas precisamos que a escola abra as portas não sabemos é exatamente quando vai ser”.
Mesmo com a escola de portas fechadas, devido à pandemia, o Neurónio não deixou de fazer pensar. No último sábado de cada mês, o jornal Açoriano Oriental (AO) integra as quatro páginas do jornal escolar da ESL no interior da sua edição. Alexandre Oliveira coordena e integra os trabalhos que chegam, todos os meses, num programa de paginação do AO que segue depois para impressão. “Eles ficam muito orgulhosos de ver o seu texto e a sua fotografia no jornal, já tivemos experiências muito giras de professores a relatarem que havia alguma disputa sobre quem é que naquele mês ia ter artigo no jornal”, explica o docente.

Jornal é escrito pelos alunos
Diogo Silva, que acabou de completar o 9º ano, confirma quando via o seu nome no jornal se sentia “orgulhoso e capaz”. O aluno diz que o jornal, com o qual colabora há dois anos, abriu-lhe “portas para um universo diferente”. Beatriz Baptista, aluna do mesmo ano, considera que o facto de escrever para o jornal a fez “evoluir na escrita” já que se preocupa mais “com a riqueza das palavras, variando-as, para fazer um texto com conteúdo interessante”. Alexandre Oliveira não tem dúvidas de que a mais valia do jornal é mesmo essa: “o português tem ganho muito, o facto de eles trabalharem a notícia, estarem atentos à realidade fez deles alunos diferentes”, sublinha o docente.
As duas últimas edições do Neurónio foram feitas a partir de casa, mas nem por isso deixaram de ser menos dinâmicas. “Tivemos uma chuva de trabalhos, uma vontade de comunicarem, expressarem o que muitas vezes não se lhes conheciam. Em alunos do sétimo ano, por exemplo, nota-se uma maturidade impressionante sobre a pandemia, por exemplo”, realça o responsável pelo jornal.
O Neurónio conta com as contribuições de um grupo que varia entre os 20 e os 25 alunos do 7º ao 12º ano. Os professores de português fazem a ponte entre os alunos e o jornal escolar que todos os meses, aborda uma temática diferente relacionada, de forma direta ou indireta com o universo escolar. “O mais difícil é fazer com que eles cumpram os prazos, felizmente nunca tive buracos mas há artigos que ainda hoje estou à espera e nunca mais vão chegar”, conta a sorrir o coordenador do projeto. Alexandre Oliveira lamenta que a edição 100 do Neurónio, assinalada este mês, tenha de ser preparada à distância e sem o envolvimento físico dos alunos, mas a nova realidade assim o impõe.
Para o início do próximo ano-letivo está previsto um seminário sobre a imprensa escolar, na ESL, que ainda não tem data definida.

Sara Sousa Oliveira

(Artigo publicado na edição impressa de julho de 2020)

Categorias: Local

Deixe o seu comentário