(in) segurança das populações

Frederico Sousa
Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lagoa

Torna-se óbvio que as alterações climáticas são uma realidade e que só conseguirão ser mitigadas através de políticas de incentivo à redução de emissões de gases nocivos para a atmosfera e uma redução da pegada ecológica nas mais diversas áreas. O facto é que temos assistido nos Açores a um intensificar de fenómenos atmosféricos adversos que colocam em causa a segurança das nossas populações.

Há cerca de dois anos assistimos à tragédia que foi a passagem do furacão Lorenzo, provocando elevadíssimos prejuízos e enormes constrangimentos, principalmente para quem vive no grupo ocidental. Esse foi um dos muitos avisos que a natureza nos deu, e que felizmente não teve vítimas a lamentar, algo que teria elevado o grau de devastação para um patamar inimaginável, pois muitos de nós ainda tem bem presente algumas das tragédias que ocorreram nos Açores, decorrentes de causas naturais, que lamentavelmente ceifaram prematuramente vidas humanas. Na minha opinião, o facto de nesse caso “só” termos a lamentar prejuízos materiais, deveu-se em muito à existência de um conjunto de instrumentos e planos regionais de planeamento do território, que previnem os impactos de fenómenos naturais, mas também a uma rápida ação do anterior Governo Socialista, que soube na altura, em articulação com diversas entidades, minimizar o impacto dessa tempestade.

Ora, recentemente temos assistido a fenómenos de forte pluviosidade que têm provocado incidentes relacionados com deslizamento de terras, derrocadas e cheias, atingindo não só vias de comunicação essenciais, mas também atingindo zonas urbanas, colocando em causa a segurança de pessoas. Esses incidentes, têm como principais causas, por um lado, as más práticas diárias na manutenção de linhas de água desimpedidas, por outro lado, uma utilização excessiva de solos para pastagem em altitude. Assim, a necessidade de ajustes nas práticas agrícolas, da diversificação de utilização do solo e a criação de regueiras naturais aquando da lavragem do solo para promover a drenagem para poços absorventes e\ou para as linhas de água existentes, podem ser medidas eficazes na prevenção de saturação dos solos. Torna-se ainda necessário proceder-se a médio prazo ao ajuste no planeamento e ordenamento do território, privilegiando o regresso à florestação, com espécies endémicas, principalmente em altitude, promovendo a retenção de águas e evitando o perigo de deslizamento de terras. Outro aspeto essencial é garantir de imediato que as linhas água são novamente mantidas desimpedidas, evitando práticas de obstrução e tapamento de linhas, aconselhando-se inclusive ao reforço da utilização de novas tecnologias para a monotorização e aviso em caso de subida do nível nas ribeiras.

Só conseguiremos garantir a segurança de pessoas e bens com a conjugação de ações e articulação entre diversas entidades. Paralelamente a responsabilidade também é individual, nomeadamente na prevenção ativa da manutenção das linhas de água, que devem estar livres e limpas, já que ações de poucos podem contribuir para insegurança de muitos.

Artigo de opinião publicado na edição impressa de fevereiro de 2022

Categorias: Opinião

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