Ilha Terceira vai ter mini-fábrica de laticínios para investigação

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O Parque de Ciência e Tecnologia da Ilha Terceira (Terinov), nos Açores, deverá ter “em breve” uma mini-fábrica de laticínios para permitir testar os produtos em investigação no Laboratório de Inovação em Produtos Lácteos instalado no local.

“Será uma mini-fábrica para testar os nossos produtos que ainda estão num protótipo numa escala laboratorial, para passar para uma escala semi-industrial”, explicou, em declarações aos jornalistas, a investigadora Célia Silva, do Instituto de Investigação em Tecnologias Agrárias e do Ambiente da Universidade dos Açores.

O Terinov está em funcionamento desde 2019, mas o Laboratório de Inovação em Produtos Lácteos ainda não está totalmente equipado.

A secretária regional da Cultura, Ciência e Transição Digital, Susete Amaro, disse esta terça-feira, 16 de novembro, que os equipamentos para a “mini-fábrica” deverão ser instalados “em breve”.

“Estamos já com o processo a decorrer. Temos um investimento previsto à volta de meio milhão de euros e, muito em breve, teremos os equipamentos aqui prontos a ser instalados”, avançou, à margem de uma visita ao local.

Questionada sobre o atraso, Susete Amaro lembrou que o Governo regional da coligação PSD/CDS/PPM tomou posse em novembro de 2020, mas admitiu que o primeiro concurso lançado por este executivo ficou deserto.

“Colocámos os equipamentos a concurso. Numa fase inicial o concurso ficou deserto, mas agora vamos proceder a um novo lançamento por ajuste direto e, à partida, estamos a contar muito em breve ter tudo a funcionar”, adiantou.

O Governo regional tem um protocolo com a Universidade dos Açores, que é responsável pela gestão do espaço.

Desde setembro que estão já instalados alguns equipamentos no laboratório, utilizados pelo grupo de ciência dos alimentos e saúde do Instituto de Investigação em Tecnologias Agrárias e do Ambiente da Universidade dos Açores.

“Precisamos da parte mais industrial. Está projetada uma linha de produção de queijo e uma linha de produção de iogurtes para testarmos os nossos produtos”, salientou Célia Silva.

Para além da investigadora da Universidade dos Açores, a equipa integra duas alunas de doutoramento e uma de pós-doutoramento, que estão a trabalhar em três linhas de investigação, nas instalações da academia açoriana em Angra do Heroísmo e no laboratório do Terinov.

Entre os produtos em investigação está, por exemplo, “uma película comestível para o queijo fresco e para o queijo maturado, que possui bactérias que impedem o crescimento de outras bactérias patogénicas e de fungos deteriorantes”.

Está também a decorrer uma investigação sobre “os polissacáridos produzidos pelas bactérias isoladas” do queijo de São Jorge e do queijo do Pico, que podem funcionar como probióticos e melhorar a textura de iogurtes e gelados.

Em colaboração com uma unidade de produção de laticínios da ilha Terceira, as investigadoras estão também a desenvolver “produtos probióticos com bactérias que têm efeitos benéficos na saúde”.

“Quando nós propusemos este projeto à Quinta dos Açores, eles foram muito recetivos e mostraram-se muito interessados e, por isso, temos este projeto em colaboração com eles”, salientou Célia Silva.

Lusa/ DL

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