Hospital Internacional dos Açores tem 96 camas e 160 profissionais de saúde

Abertura faseada deverá estar concluída em pleno a meados do mês. Investimento de quase 40 milhões de euros reforça capacidade de resposta da região na área da saúde

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É um dos maiores investimentos alguma vez feitos na Lagoa e um dos mais significativos, em termos de saúde, nos Açores.

O edifício de traços modernos adapta-se à geografia do espaço onde se insere, na Alameda do Conhecimento, na zona do Tecnoparque, na Lagoa. Tem três pisos envoltos nos muitos vidros que o suportam onde estão 41 especialidades disponíveis para quem é de cá e do estrangeiro.

Depois de quase três anos de planeamento e obras, as portas do Hospital Internacional dos Açores (HIA) já se abriram à Lagoa, às nove ilhas e ao mundo neste primeiro dia de março. Apesar da inauguração oficial só estar prevista para o dia 8 deste mês, a abertura do primeiro hospital privado da região acontece de forma faseada deste o início deste mês. Numa primeira fase, arrancam “as consultas externas e alguns meios complementares de diagnóstico, sendo que contamos ter a totalidade dos serviços abertos até dia 15 de março”. A informação é avançada ao Diário da Lagoa pelo presidente do Conselho de Administração do HIA.

Com um investimento de “quase 40 milhões de euros”, com aposta em tecnologia de ponta e equipamentos de última geração, a nova unidade de saúde apresenta-se como uma mais valia para a saúde dos açorianos já que “aumenta bastante a capacidade instalada da região, assim como a diferenciação da mesma. Este facto pode contribuir para o aumento significativo da atividade assistencial da região”, garante Luís Miguel Farinha, natural do Alentejo, que coordena o projeto nos Açores.

Os números ajudam a perceber a dimensão do impacto que uma infraestrutura desta natureza, de iniciativa privada, poderá ter. O HIA tem “96 camas, cerca de 50 consultórios, cinco salas cirúrgicas, uma unidade de cuidados intensivos de adultos, uma unidade de cuidados intensivos neonatais, maternidade, hospital de dia, imagiologia, laboratório de analises clínicas e de anatomia patológica, entre outros”, destaca o responsável do HIA, ao Diário da Lagoa. A lista de especialidades médicas e serviços disponíveis é longa e variada. Inclui também oncologia médica, radiologia imagiológica ou até cirurgia plástica, reconstrutiva e estética. Ainda assim, há doentes açorianos que continuarão a ter de ser enviados para o exterior para serem tratados. “Ainda existem áreas onde a viagem ao continente é uma realidade para tratamentos que o HIA pretende colmatar.

Não deixaríamos de destacar a cirurgia cardíaca e alguns procedimentos oftalmológicos como a vitrectomia, assim como alguns procedimentos na área da urologia”, destaca o responsável.

Novo hospital conta com profissionais de saúde dos Açores e continente

Captar mão de obra qualificada para ocupar os muitos consultórios vazios do edifício da Alameda do Conhecimento foi um dos principais desafios de quem gere o novo hospital. “Por vezes existe uma dificuldade adicional com a questão da distância, mas a riqueza e a atratividade da região também se pode tornar, por vezes, uma vantagem”, destaca Luís Miguel Farinha. Sem avançar quantos profissionais vieram do continente para os Açores, o responsável diz apenas que são vários: “nesta fase inicial iremos ter profissionais em áreas tão variadas como dermatologia, cardiologia, urologia, cirurgia plastica e medicina estética, oftalmologia ou cirurgia geral”, assegura. No total são 160 profissionais de saúde, sendo 100 das mais diversas áreas e 60 médicos.

O turismo de saúde é uma das apostas do novo hospital instalado na Lagoa sendo o mercado norte-americano aquele que mais interessa aos investidores.

Numa altura em que a pandemia veio testar e pressionar, ao mais alto nível, os sistemas de saúde das regiões e dos países, de uma maneira geral, Luís Miguel Farinha acredita que sobretudo nesta altura o HIA assume ainda mais importância: “num momento em que as unidades instaladas – nomeadamente os hospitais públicos – necessitam de ter espaços dedicados à covid 19, a existência do HIA é a garantia de que, caso necessário, existe uma unidade preparada para toda a atividade assistencial que a região precise”.

Assumindo um carácter internacional, até no nome, mas também regional e local, “seria um projeto importante para qualquer região”. O responsável do conselho de administração do hospital não tem dúvidas de que, na Lagoa, o hospital “insere-se nitidamente na estratégia de crescimento e consolidação económica que o município tem introduzido na sua gestão”.

Sara Sousa Oliveira

(Artigo publicado na edição impressa de março de 2021)

Categorias: Reportagem

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