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“Homem dos sete instrumentos” homenageado pelo Instituto Cultural

Exposição inaugura a 10 de maio. Estarão patentes instrumentos musicais feitos por João Octávio de Lima, bem como fotografias e textos sobre a sua vida

© ARQUIVO FAMÍLIA LIMA
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Estará patente, na Casa da Cultura Carlos César, na Lagoa, a partir de 10 de maio, a exposição “Gente da Nossa Gente: João Octávio de Lima – Um homem dos sete instrumentos,” em homenagem ao músico e criador de instrumentos musicais lagoense João Octávio de Lima. Vai estar parente até 24 de junho.

No século passado, a família Lima, popularmente conhecida como “família dos Saramagos,” dedicou-se afincadamente à música e era presença assídua em festas e serões de São Miguel. O gosto pela música foi fomentado na família durante várias gerações. João Octávio de Lima, que também a muitos ensinou a arte de tocar, ficou na memória de muitas pessoas, não só da Lagoa, como de toda a ilha e hoje é recordado como “o homem dos sete instrumentos”.

Na exposição estarão patentes instrumentos feitos pelas mãos de João Octávio de Lima, como um violino, violoncelo, bandolim e cavaquinho, bem como fotografias do homenageado e da sua família, e ainda um ecrã onde se poderá assistir a uma parte de um concerto de 2009, em que atuaram os descendentes de João Octávio de Lima, também músicos.

A iniciativa e organização é do Instituto Cultural Padre João José Tavares (ICPJJT), com apoio da Câmara Municipal da Lagoa. A inauguração está marcada para 10 de maio, às 18h30, e contará com a presença do neto do homenageado, Octávio Lima, que reside no continente português.

Palmira Bettencourt, presidente do ICPJJT, explica ao Diário da Lagoa (DL) que “esta exposição é uma forma de homenagear João Octávio Lima, que muita gente não sabe quem é. É uma pessoa que vale a pena dar a conhecer ao público. É nesta perspetiva que pretendemos fazer esta exposição. Naquela altura, havia poucos músicos na ilha e a família Lima tinha muito impacto. Era sempre ela que tocava, naquela época.”

A presidente do Instituto Cultural Padre João José Tavares, que também confraternizou e tocou música com o homenageado, na igreja do Rosário, lembra ainda que “João Octávio Lima era o homem dos sete instrumentos. A visão que eu tinha dele, tendo o conhecido pessoalmente, era como um grande músico. Não só tocava, como também construia instrumentos musicais, mas também há muitas outras facetas dele interessantes, que vão estar em exposição.”

Octávio Lima lembra o avô

Sobre a homenagem ao avô, Octávio Lima, em declaração ao DL, considera que “é sempre bom saber que muita gente aprecia o que as pessoas fazem de bem por uma comunidade, como foi o caso do meu avô.”

Pelas palavras do seu descendente, João Octávio de Lima “ensinou música a muita gente, teve uma tuna, que animou muitas festas e muitos serões. Ele também colaborou em teatro. Quando faltava trabalho, entretinha-se na oficina a fazer instrumentos musicais, fez bandolins, violões, violinos… Também afinou pianos, concertou órgãos de igreja. Lembro-me de ele falar muito nos órgãos das Feteiras e dos Mosteiros, que ele concertou nos últimos anos de vida. Foi também nos últimos anos de vida que teve um grande desafio: ajudar a fundar a tuna da Ribeira Chã. Fez também instrumentos para os músicos dessa tuna e ensinou-lhes a tocar”. João Octávio de Lima tinha ainda aptidão para os trabalhos manuais e a pintura, repintando portas e janelas.

Sobre os hábitos do homenageado, o seu neto recorda: “Fumou durante toda a sua vida, mas não era qualquer tabaco que fumava. Nunca teve um carro, nem bicicleta, nem mota. Andou sempre a pé. Fazia trabalhos para Ponta Delgada e ia e vinha a pé.”

Octávio Lima ainda guarda um violão feito pelo avô: “Penso que foi o último que ele fez.” Nascido em 1897, João Octávio de Lima faleceu em 1988, com 90 anos de idade.

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Mariana RovoredoJornalista estagiária

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