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Heróis precários

01.02.2024

Clife Botelho
Diretor do Diário da Lagoa

Foram já vários os editoriais em que escrevi sobre a década que colocara como meta. E aqui, finalmente, estamos em pleno mês de aniversário.

É no próximo dia 21 de fevereiro que este jornal celebra o que considero serem duas mãos cheias de razões para agora apontarmos como alvo a década seguinte. Até aqui o desafio foi gigantesco e passaram por esta casa colaboradores, cronistas e jornalistas que nos deixam orgulhosos pela bonita história que escrevemos juntos. Não deixamos os nossos leitores de parte, construímos comunidade e queremos proximidade. Por isso, este mês é tempo de agradecer a todos, sem exceção, porque todos são Diário da Lagoa, quando acreditam que é possível. E foi, passaram-se dez longos anos.

Nesta casa estou desde dezembro de 2019, altura em que privei, embora por pouco tempo, com o fundador, Norberto Silveira Luís. Cumpri a promessa com muito sacrifício, esforço pessoal e dedicação. E estou satisfeito mas ciente de que é possível ir mais longe quebrando dogmas e preconceitos, mostrando que o jornalismo e os jornais podem ser sustentáveis numa altura em que 16 órgãos de comunicação social açorianos assinaram uma carta — enviada aos partidos políticos a apelar a um pacto de regime — que peca por excluir todos os outros. O jornalismo perde com a desunião da classe e pelo egoísmo de muitas das entidades proprietárias que se comportam como se fossem uma elite. Recusam incluir, inovar e arriscar, ignoram quando outros como nós já passaram também por momentos difíceis, assobiando para o lado, fingem, também, não ver quando agora dizemos que conseguimos. São apenas dez anos, é certo, mas todas as dificuldades que encontramos foram como as tais pedras com que se constroem castelos. Entre parcerias, como as que temos com outros, que como nós acreditam, juntos mostramos que os pequenos quando se unem, conseguem ser maiores, na humildade e na essência do que consideramos ser o que nesta profissão realmente conta.

Não quero ser diretor para sempre, o meu sonho era apenas ser jornalista, mas enquanto fizer sentido liderar, contem com a nossa dedicação, resiliência e esperança, contribuindo, assim, não para unir proprietários mas toda uma classe, os jornalistas. E para sermos sustentáveis, acreditem, só precisamos de perceber que não só é possível, como mais à frente no tempo, estaremos a olhar este momento para reconhecer muitos dos heróis precários que todos os dias fazem história ao defender e fazer avançar a Democracia.

Comentários

  1. avatar Paulo Melo 02-02-2024 16:42:16

    Parabéns, Clife! Abraço!

  2. avatar Octávio Lima 01-02-2024 16:49:30

    Parabéns! Uma efemérida digna de figurar ao lado de outras como o lançamento da primeira locomotiva no País de Gales (1804), da patente da primeira máquina de costura (1842), da publicação do Manifesto Comunista (1948), da primeira edição daa New Yorker (1925) ou do lançamento da primeira câmara de revelação instantânea (1947). Haja saúde, pertinácia e visão para enfrentar e resolver os desafios futuros. Venham mais dez!

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