Harpa e flauta pautam celebração dos 500 anos da Lagoa com “concerto inédito”

O concerto de harpa e flauta, pelas mãos de Joana Ribeiro e Yuriy Pankiv, foi um momento “inédito” no concelho, garante a presidente do Instituto Cultural Padre João José Tavares, que prepara já uma gala de ópera para o final do ano

Músicos Yuriy Pankiv e Joana Ribeiro são professores no Conservatório de Ponta Delgada © CORTESIA PALMIRA BETTENCOURT

Já há muito tempo que Palmira Bettencourt, presidente e membro fundadora do Instituto Cultural Padre João José Tavares, queria trazer um concerto de harpa a São Miguel.

“Como eu costumava ver concertos no Teatro Nacional São Carlos [em Lisboa] com harpa, e sou muito ligada à música clássica, tinha muito gosto de fazer este concerto com harpa, para ser diferente, porque as pessoas aqui na ilha praticamente não conhecem”, conta ao Diário da Lagoa.

Do instrumento, acha bonitos, não só “o som”, como também “as movimentações dos dedos”, por isso foi com muito agrado que viu ser aceite, enquanto membro da comissão organizadora do programa de celebração dos 500 anos de elevação da Lagoa a concelho e vila, a proposta de um concerto de harpa e flauta.

“Para mim, foi um concerto inédito, porque nunca se tinha tocado harpa de pedal num concerto, pelo menos na Lagoa. Desde que nasci, nunca vi isto aqui na ilha, e é muito bom terem adquirido esse instrumento, é mais um instrumento musical bonito e diferente, também. Foi bom para a Lagoa”, afirma a dirigente.

A harpista Joana Ribeiro, natural de São João da Madeira, em Aveiro, e professora do Conservatório Regional de Ponta Delgada, juntou-se ao flautista e pianista de formação, o ucraniano Yuriy Pankiv, também professor no Conservatório de Ponta Delgada.

O programa do concerto que encerrou a sessão solene dos 500 anos da Lagoa, que aconteceu no auditório do Nonagon a 11 de abril, foi curado por Palmira Bettencourt, que tem sempre “a preocupação de escolher músicas que caem bem no ouvido de qualquer pessoa”.

A escolha recaiu sobre “Ave Maria” de Johann Sebastian Bach, dedicada a todos os lagoenses que habitaram o território ao longo de 500 anos, incluindo aqueles que emigraram, mas também obras de Haydn, Beethoven, Debussy, Schubert, Nicanor Zabaleta, Mendelssohn e Tchaikovsky.

No cumprimento da sua “função de levar a cultura ao concelho da Lagoa”, o Instituto Cultural Padre João José Tavares traz ainda para a programação dos 500 anos da sede de concelho uma gala de ópera, que se realiza a 01 de dezembro, no Cine Teatro Lagoense.

“O programa já está feito, os músicos já estão estudando. Tem sido cada vez mais rico, e é bastante rico porque se trata de óperas bastante difíceis, temos uma variedade grande. Umas alegres e outras mais tristes, porque mete Puccini, que é triste, mas muito bonito. Mete Verdi, também temos Jules Massenet, e todas elas são muitas bonitas, muito ricas, e difíceis, também”, desvenda.

Esta será a quarta gala de ópera que o instituto organiza. Palmira Bettencourt conta que decidiu avançar com estes eventos porque “há na Lagoa sopranos formadas em canto muito boas”.

“Porque não aproveitar o talento dessas lagoenses? Primeiro temos de pensar na nossa terra, não é?”

Estas iniciativas contribuíram para a formação de públicos no concelho, “porque é aberto a qualquer pessoa”.

“Nós temos uma certa cultura, temos de dar às pessoas, e elas gostam. Se não dermos cultura, as pessoas não têm cultura”.

Com a experiência, a responsável ficou “admirada” com o facto de “pessoas completamente analfabetas em relação à música clássica terem começado a aprender quem é Verdi, Beethoven, Puccini, porque nunca tinham ouvido falar nesses nomes”.

“Eu explicava, e antes de apresentar a ária, a ópera em si. Era pedagógico, já se inteiravam… não era só apreciarem o canto, também apreciam o teatro, a encenação em si, a história”.

Inês Linhares Dias

Artigo publicado na edição impressa de maio de 2022

Categorias: Cultura

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