Gui Menezes defende que os Açores devem ser exemplo na conservação da biodiversidade

Segundo o Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia vive-se atualmente uma “época crítica” em que a perda de biodiversidade a nível global atingiu “valores sem precedentes”, devido, na sua maioria, à ação direta do homem, frisando que “as alterações climáticas constituem uma das maiores ameaças à diversidade biológica”, e defendendo que “é urgente inverter esta tendência”.

Gui Menezes, que falava na sessão de abertura do ‘Spring Seminar 2019 – Bio Isle’, um encontro sobre biodiversidade organizado pelo CIBIO-Açores, frisou que a Região dos Açores reúne “uma diversidade e variabilidade de espécies e ecossistemas que fazem do arquipélago um sítio especial no que respeita à biodiversidade, tanto terrestre como marinha”.

“Reconhecemos que a biodiversidade representa um ativo incomensurável para a manutenção da vida no planeta”, afirmou, referindo as áreas classificadas e reconhecidas internacionalmente “por razões ambientais e científicas”, como é o caso da Rede Natura 2000, as Áreas RAMSAR e as Áreas Marinhas Protegidas, ao abrigo da Convenção OSPAR, entre outras de âmbito nacional e internacional, que “contribuem para a manutenção da biodiversidade” nos Açores.

O Secretário Regional, citando Miguel Bastos Araújo, cientista que se debruça sobre questões relacionadas com a biodiversidade e as alterações climáticas, a quem foi atribuído o Prémio Pessoa 2018, referiu que “nem sempre é fácil” que exista “coerência entre as políticas setoriais” dos governos, mas garantiu que o Executivo açoriano tem trabalhado nesse sentido.

Gui Menezes referiu vários projetos que estão ou estiveram a decorrer nos Açores na esfera da biodiversidade, que representam um valor de investimento global de cerca de três milhões de euros, repartidos por várias entidades, mas, em especial, pela Universidade dos Açores e pelo Fundo Regional de Ciência e Tecnologia (FRCT).

O projeto MOVE, integrado na ação 5 da Estratégia de Biodiversidade da União Europeia, coordenado pelo FRCT, e com a coordenação científica da Universidade dos Açores, os projetos MISTIC SEAS e BEST III foram alguns dos projetos apontados.

O governante destacou ainda o LIFE Natura, “o maior projeto de conservação alguma vez concebido para os Açores”, com um investimento de 19,1 milhões de euros ao longo dos próximos nove anos, destinados às componentes marinha e terrestre, considerando-o de “grande importância para as políticas públicas de conservação da natureza nos Açores”.

O Secretário Regional referiu ainda o programa Blue Azores, que envolve o Governo dos Açores, a Fundação Oceano Azul e a Fundação Waitt, que tem como um dos objetivos criar uma área marinha protegida que abrange 15% do mar dos Açores.

Na sua intervenção, referiu a criação de vários mecanismos de financiamento por parte do Executivo açoriano para projetos de investigação e para a internacionalização do Sistema Científico e Tecnológicos dos Açores, por exemplo, na realização de reuniões científicas.

O Secretário Regional destacou ainda o programa DOC-PROF, anunciado na semana passada pelo Presidente do Governo, que pretende que os recém-doutorados da Região possam ter uma primeira experiência em contexto real de trabalho, em empresas e em centros de investigação.

Para além das medidas dirigidas à comunidade científica, Gui Menezes referiu ainda algumas medidas relacionadas com a divulgação científica e com o aumento da cultura científica nos Açores, com o objetivo de envolver a sociedade em geral e, sobretudo, os mais jovens.

Neste âmbito, destacou o trabalho realizado pelos seis Centros de Ciência dos Açores, frisando que as suas ações junto do público mais jovem se centram em “questões ligadas à biodiversidade e à conservação da natureza”.

DL/Gacs

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