Governo regional reforça investimento na saúde e gera 75 ME para pagar dívidas

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O Serviço regional de Saúde dos Açores vai ser reforçado no Plano e Orçamento para 2021 e vão ser disponibilizados 75 milhões de euros para o pagamento de dívidas, anunciou hoje o presidente do Governo regional.

“O Serviço regional de Saúde está protegido pelo Governo regional dos Açores. Terá um reforço de apoio já neste plano e orçamento 2021, combatendo progressivamente o seu subfinanciamento crónico, sendo ainda disponibilizados cerca de 75 milhões de euros para o pagamento de dívidas em atraso, que dificultam a sua gestão diária, quer na valorização dos recursos humanos – dos profissionais de e da saúde – quer na disponibilização a estes dos materiais e equipamentos necessários para a sua atividade clínica”, declarou José Manuel Bolieiro.

O líder do executivo açoriano, que falava na inauguração do Hospital Internacional dos Açores, o primeiro privado dos Açores, em Lagoa, disse ainda que o Governo regional “não deixará de rever e dignificar os valores da diária para a deslocação de doentes” da região e manifestou-se convicto que, com a criação da ‘tarifa Açores’, haverá uma “mais-valia na acessibilidade aos cuidados de saúde oferecidos nos Açores”.

“Por menos da metade do valor de uma deslocação ao continente, com o conforto, acolhimento e apoio comunitário que tanto nos caracteriza, conseguem ter a mesma qualidade de resposta de saúde entre nós”, frisou, numa referência ao novo hospital inaugurado esta segunda-feira, 8 de março.

José Manuel Bolieiro considerou que, com a nova unidade hospitalar, se pode “diminuir a necessidade de deslocações para o continente, por vezes em condições muito difíceis, com desconhecimento do local, com falta de suporte familiar e comunitário, com um apoio da diária que é manifestamente insuficiente porque, em muitos casos, apenas cobre o alojamento ou os transportes”.

A “redundância de capacidade instalada nos Açores em matéria de saúde é virtuosa, pois aumenta o grau de confiança na oferta de serviços de saúde no sistema, entre outros, por exemplo, com salas de hemodinâmica e de ressonância”, disse.

Ainda sobre o novo hospital, o governante declarou que o projeto é “importante para os açorianos, porque têm agora mais uma valência na área da saúde à qual podem recorrer”, uma vez que vai ajudar a reduzir o tempo de espera e de deslocações no acesso a estes cuidados”.

“Temos mais uma oferta qualificada e robusta, que dá oportunidade aos açorianos de acederem a soluções mais próximas e céleres, evitando a inevitabilidade de deslocação para o exterior da região. Com mais esta resposta, espera-se diminuir constrangimentos no acesso aos cuidados de saúde”, salientou o presidente do Governo regional de maioria PSD/CDS-PP/PPM.

De acordo com o líder do executivo açoriano, a par do “essencial reforço do Serviço regional de Saúde, que prioritariamente vai-se concretizar, poder-se-á, de forma coordenada e convencionada, aumentar o acesso a consultas, exames ou cirurgias”.

José Manuel Bolieiro apontou ainda que, “com a aposta efetiva na retoma dos cuidados de saúde e determinação nos incentivos à fixação dos respetivos profissionais, pode-se promover estabilização dos quadros clínicos” e espera-se “minimizar dificuldades no acesso aos cuidados de saúde, nos tempos máximos de resposta garantida, nas necessidades de deslocações ao continente para realização de tratamentos.

A proposta de Orçamento dos Açores para este ano é de cerca de 1.900 milhões de euros, disse na sexta-feira à Lusa o secretário regional das Finanças.

Dos cerca de 1.900 milhões de euros previstos para este ano, 720,8 milhões correspondem ao Plano de Investimentos, dos quais 165,7 milhões de euros canalizados para o transporte aéreo e para a reestruturação da SATA.

Dos 720,8 milhões de euros, à competitividade empresarial e à qualificação profissional e o emprego estão destinados 44 milhões de euros.

Devido ao atual contexto motivado pela pandemia, Saúde, Economia e Solidariedade Social são áreas que terão um reforço das verbas, “através do “fortalecimento do Serviço regional de Saúde e da recapitalização do tecido económico empresarial neste período que antecede a retoma económica”, segundo uma nota do Governo regional também divulgada na sexta-feira.

“A conjugação do Plano e Orçamento para 2021 preveem um substancial aumento dos gastos na Saúde, que atingem 419 milhões de euros, um crescimento de 17% face a 2020 e de 38% face a 2019, onde estão incluídos o Cirurge, o Vale Saúde, a deslocação de doentes e a radioterapia”, lia-se na nota.

O Governo regional referia ainda que, “tendo em consideração que os Planos anteriores continham muita despesa de funcionamento, iniciou-se o processo de correção desta anomalia, transitando para o Orçamento, como despesas de funcionamento, 13,2 milhões de euros, sendo do setor da saúde 11,1 milhões e da RIAC (Rede Integrada de Apoio ao Cidadão) 2,1 milhões de euros, que anteriormente estavam no Plano”.

Lusa/ DL

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