Governo dos Açores quer formação de pescadores para colmatar “escassez de mão de obra”

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O Governo dos Açores vai promover a partir de abril ações de formação para pescadores para colmatar a “escassez de mão de obra”, anunciou hoje o secretário regional do Mar e das Pescas, Manuel São João.

“A formação de marítimos tem sido umas principais reivindicações do setor e nessa medida nós vamos dar início à formação no início do mês de abril, da formação base em termos de segurança, do suporte básico de vida, aquilo que é reputado como essencial”, afirmou Manuel São João.

O governante falava hoje na comissão de Economia, na Assembleia Regional, na cidade da Horta, onde foi ouvido no âmbito do Plano e Orçamento da região para 2021.

As declarações de São João foram suscitadas por uma questão do deputado do CDS-PP Rui Martins, sobre a formação dos profissionais da pesca.

São João considerou a formação dos pescadores como “fundamental”, uma vez que só se pode colmatar a falta de mão de obra garantido os “mínimos de segurança”.

“Nalgumas ilhas já se vive algum tempo uma escassez de mão de obra que importa colmatar rapidamente, mas só o podemos fazer com os mínimos de segurança. É isso que está aqui em causa”, apontou.

O secretário do Mar e Pescas avançou que a formação vai arrancar na ilha Terceira, passando depois para as ilhas Graciosa e São Miguel.

 “Quando a Escola do Mar estive a funcionar em pleno”, disse, “será um parceiro muito importante” para a formação dos profissionais da pesca.

Em janeiro, foi anunciado que a Escola do Mar dos Açores, inaugurada há oito meses na cidade da Horta, pelo ministro do Mar, Ricardo Serrão Santos, não está ainda certificada como estabelecimento de ensino e não tem também licença de utilização.

Na comissão, o social-democrata Jaime Vieira referiu que o orçamento da região está a dar a “importância a um setor que foi muitas vezes o parente pobre” da governação anterior, liderada pelo socialista Vasco Cordeiro, e enalteceu a importância da formação aos pescadores.

O deputado do PS Carlos Tomé fez questão de salientar que na última legislatura foram dadas formações a mais de 1.140 pescadores e apontou a “ausência de referências” no Plano e Orçamento quanto à “gestão dos recursos” marinhos.

O parlamentar do Chega Carlos Furtado questionou São João sobre a “aposta” da aquicultura, tendo o governante referido que numa “primeira fase” aquela produção será “praticada em condições de segurança e com respeito ambiental”.

Já Pedro Neves, do PAN, citou o Instituto do Mar (IMAR) para salientar que “não há peixe” no mar, criticando a “estratégia errada” do executivo açoriano que dá “esperanças vãs” aos pescadores.

Durante esta semana decorrem, na cidade da Horta, no Faial, as audições aos membros do Governo Regional, de coligação PSD/CDS-PP/PPM (com o apoio parlamentar do Chega e Iniciativa Liberal), no âmbito do Plano e Orçamento da região para 2021.

Este é o primeiro Plano e Orçamento do executivo açoriano liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro.

A proposta de Orçamento dos Açores para este ano é de cerca de 1.900 milhões de euros, dos quais 165,7 milhões destinados ao transporte aéreo e à reestruturação da SATA.

Lusa/ DL

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