Governo dos Açores investe anualmente meio milhão de euros em projetos de monitorização de recursos pesqueiros

O Diretor Regional das Pescas alertou, em Lisboa, para o facto de os oceanos, “a maior fonte de proteína selvagem para os seres humanos”, estarem a sofrer em alguns locais do planeta “os impactos de uma exploração pouco responsável”, salientando que o Governo dos Açores “está atento e tem consciência da importância que o mar tem para a economia da Região, mas também da sensibilidade dos ecossistemas e dos recursos marinhos”.

Luís Rodrigues que falava no simpósio internacional ‘Sangue na Guelra’, referiu que o Governo Regional investe anualmente cerca de meio milhão de euros em projetos de investigação científica relacionados com a monitorização de recursos marinhos e de stocks pesqueiros, considerando que esta informação “é determinante para uma melhor gestão”.

O Diretor Regional, que fez uma apresentação intitulada ‘Sustentabilidade dos Oceanos e dos seus Recursos – modelos e estratégias de gestão para a valorização dos produtos da pesca nos Açores’, deu a conhecer os modelos de gestão implementados no arquipélago para algumas espécies emblemáticas, como é o caso do goraz, referindo que, “apesar de se terem registado menos capturas no ano passado, esta espécie criou mais rendimento na primeira venda em lota”.

Em 2018, o goraz rendeu nos Açores 6,4 milhões de euros, na primeira venda.

Luís Rodrigues referiu também o plano de gestão para os ‘Beryx’ (imperador e alfonsim), frisando que, no ano passado, estas espécies renderam na primeira venda um milhão e 650 mil euros, “mais meio milhão de euros do que em 2017”.

Este valor foi atingido com a mesma quantidade de pescado capturado e com um maior número de embarcações a poderem pescar estas espécies, referindo, neste sentido, o Diretor Regional que o rendimento “foi distribuído de forma mais equitativa por embarcação e por pescador”.

Luís Rodrigues destacou ainda o Plano para a Valorização do Atum, do Governo dos Açores, frisando que “este ano há a expectativa de se criar mais valor por cada quilo de atum capturado”.

A iniciativa ‘Pesca na Ilha’, que junta pescadores, investigadores, gestores e responsáveis da restauração numa discussão sobre produtos da pesca em cada ilha, bem como o projeto ‘Valorizar o Mar dos Açores’, ligado à formação de chefes de cozinha, foram também apresentados como narrativas de boas práticas para a promoção do pescado dos Açores.

Durante o encontro, a Direção Regional das Pescas comprometeu-se a participar na divulgação do Manifesto para o Futuro da Cozinha Portuguesa, um código de conduta para o consumo e a promoção de produtos e de práticas sustentáveis na gastronomia.

O simpósio ‘Sangue na Guelra’ é um movimento para a nova cozinha portuguesa, que arrancou, em 2013, como Festival Internacional de Gastronomia, onde participam chefes de cozinha, investigadores, jornalistas, consumidores e investidores de vários países, e que pretende promover a sustentabilidade na gastronomia e na restauração.

DL/Gacs

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