{"id":84127,"date":"2020-06-06T12:53:53","date_gmt":"2020-06-06T12:53:53","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodalagoa.pt\/?p=84127"},"modified":"2025-09-27T21:47:10","modified_gmt":"2025-09-27T21:47:10","slug":"vida-triste-ha-100-anos-em-agua-de-pau-a-febre-espanhola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodalagoa.pt\/fr\/vida-triste-ha-100-anos-em-agua-de-pau-a-febre-espanhola\/","title":{"rendered":"Vida triste h\u00e1 100 anos em \u00c1gua de Pau \u2013 A Febre Espanhola"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/FotodeRM_AguadePau.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-84129\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Passos e vozes do outro lado da porta silenciaram-nos. Apenas ouviam-se os roncos do nosso est\u00f4mago.<br>&#8211; S\u00e3o as raparigas \u2013 disse Maria da Luz.<br>O vento soprou uma m\u00e3o cheia de \u00abescalhada\u00bb, que se instalou no ch\u00e3o e nos cobertores, assim que a porta se fechou atr\u00e1s das minhas irm\u00e3s. Germina chorava.<br>&#8211; Temos p\u00e3o, m\u00e3e \u2013 disse ela. \u2013 E duas cebolas.<br>Ningu\u00e9m reagiu.<br>&#8211; Trouxemos p\u00e3o para toda a gente \u2013 repetiu Germina, com a voz a tremer. \u2013 Chega para todos. V\u00e1, venham comer. \u2013 A minha irm\u00e3 parecia tr\u00e9mula.<br>Deixou-se cair ao lado da m\u00e3e, cobriu a cara com as m\u00e3os e chorou desalmadamente.<br>&#8211; Germina \u2013 murmurou a minha m\u00e3e. Era como se quisesse question\u00e1-la, mas n\u00e3o se atrevesse. \u2013 Germina \u2013 tornou. \u2013 Mas\u2026<br>&#8211; Estamos a morrer de fome \u2013 alegou Germina, com as faces h\u00famidas. \u2013 Todos.<br>Com apenas oito anos, percebi o que se passava. As minhas irm\u00e3s tinham-se deitado com homens, desconhecidos, e permitido que eles lhes tocassem, em troca de comida. O nosso desespero chegara ao ponto em que tudo o que aprend\u00earamos nada significava, nem a palavra de Deus. N\u00e3o roubar e n\u00e3o mentir eram meras palavras, escritas algures onde as pessoas n\u00e3o passavam fome nem frio, n\u00e3o estavam doentes nem cansadas. O certo e o errado n\u00e3o importavam, e eu tinha tanta fome que nada fazia diferen\u00e7a.<br>O meu pai estava destro\u00e7ado, quebrado; perdera a concentra\u00e7\u00e3o, a sua consci\u00eancia desvanecia-se, a sua vida esfumava-se. J\u00e1 n\u00e3o era o homem que me levava \u00e0 igreja da Senhora dos Anjos ao domingo nem \u00e0 terra para desviar a praga dos melros. Esse desaparecera e eu sentia a falta dele. Ansiava pelas suas hist\u00f3rias e pelo seu toque. Receava que j\u00e1 nem sequer me reconhecesse, ou \u00e0 minha m\u00e3e ou irm\u00e3os. N\u00e3o sei como, mas sabia-o condenado. Por um momento, achei que est\u00e1vamos todos condenados.<br>&#8211; Amanh\u00e3, levo o J\u00falio \u2013 decidiu a minha m\u00e3e, e abra\u00e7ou-me. \u2013 T\u00eam raz\u00e3o. N\u00e3o podemos esperar mais tempo.<br>Fiquei sem f\u00f4lego, como se tivesse levado um murro no est\u00f4mago. O sangue latejava-me nos ouvidos. N\u00e3o sabia ao que ela se referia, mas tinha a certeza de que fosse para onde fosse que pensasse levar-me, eu n\u00e3o queria ir. A minha fam\u00edlia era a minha vida; tudo o que sabia, e tudo o que alguma vez quisera saber, ouvira-o da boca deles. O que seria eu sem eles? O que seria de mim? Alguma coisa me dizia, contudo, que, se a minha m\u00e3e pretendia levar-me para algum lado, era porque queria que eu ficasse bem e melhor do que estava com eles; desejava proteger-me da fome e do infort\u00fanio, que em breve a febre espanhola poderia provocar. N\u00e3o queria que eu visse nenhum dos meus irm\u00e3os ou irm\u00e3s morrer. Eu era ainda uma crian\u00e7a. Tinha de ser salvo.<br>Os meus pais levaram-me a p\u00e9 pela serra de \u00c1gua de Pau, subindo o boqueir\u00e3o, atravessando as terras dum lugar que dava pelo nome de \u00abJardim das Murtas\u00bb e depois de grande canseira chegamos aos Lourinhos, lugar frondoso de castanheiros com vista sobre a nossa vila. Um casal de camponeses lavrava a terra. A minha m\u00e3e dirigiu-se a eles e suplicou-lhes que a ajudassem. Os Silvas conheciam meus pais de longa data. Quando rapazes, cavaram juntos muita terra do Ti-Silva velho. Ele fora para o Brasil e regressara \u00e0 ilha com umas \u00abpatacas\u00bb bem acrescentadas e investira na sua vila em propriedades, nos Vales, Junqueiras, Lourinhos e Terra da Forca.<br>A mulher virou-se para o marido, nas suas costas, \u00e1 espera de orienta\u00e7\u00e3o. Ele desviou o olhar e regressou ao trabalho, pensativo. A quinta era grande, e, apesar do ar frio, senti o cheiro da terra e dos animais. Deixei que o ar deslizasse pela minha l\u00edngua, na esperan\u00e7a de que, de alguma maneira, me enchesse o est\u00f4mago. Isso n\u00e3o aconteceu, portanto, olhei em redor. Ansiava por ver p\u00e3o a arrefecer num peitoril ou sopa a fervilhar numa panela de ferro suspensa sobre o lume. Ao inv\u00e9s, vi dois rapazes embrulhados em cachec\u00f3is e casacos pesados de l\u00e3 a consertar uma veda\u00e7\u00e3o de madeira, \u00e0 dist\u00e2ncia. Um olhou para tr\u00e1s e acotovelou o irm\u00e3o para lhe chamar a aten\u00e7\u00e3o para n\u00f3s junto ao est\u00e1bulo.<br>Observei a casa. As pedras cinzentas que se encavalitavam para formar as paredes davam-lhe um aspeto robusto, e imaginei que o interior fosse quente e seco. O fumo que se elevava da chamin\u00e9 somou-se aos meus desvaneios, mas a m\u00e3o da mulher a apertar-me as faces despertou-me. Inspecionou-me, virando-me a cabe\u00e7a ora para um lado ora para o outro.<br>&#8211; Est\u00e1 imundo \u2013 concluiu.<br>&#8211; N\u00e3o temos onde lavar-nos \u2013 respondeu a minha m\u00e3e.<br>&#8211; Onde vivemos n\u00e3o podemos faz\u00ea-lo\u2026<br>&#8211; Manda-os embora \u2013 disse o marido sem tirar os olhos do arado.<br>&#8211; Por favor, s\u00f3 o meu filho. Por favor, deixe o rapaz ficar aqui.<br>&#8211; Eu quero ir com voc\u00eas \u2013 pedi, em voz baixa, \u00e0 minha m\u00e3e.<br>&#8211; Caluda \u2013 ordenou ela.<br>&#8211; Est\u00e3o doentes? Apanharam a febre espanhola? &#8211; Cheiram t\u00e3o mal.<br>&#8211; Matam-nos a todos se tiverem apanhado a febre.<br>&#8211; N\u00e3o tivemos ainda. Mas, n\u00e3o temos \u00e9 comida para as bocas da nossa casa. A gente, os mais velhos enfrentaremos o nosso destino. Mas, o Julinho n\u00e3o por favor, ele \u00e9 t\u00e3o novinho! Pelo amor de Deus!?<br>Ambos os rapazes nos observavam. Um tinha uma p\u00e1 e apoiou o queixo sobre as m\u00e3os, entrela\u00e7adas em redor do comprido cabo da mesma. O outro sorriu para mim e encolheu os ombros. Pela altura deles, percebi que eram mais velhos do que eu, embora a dist\u00e2ncia e o volume da roupa dificultassem a identifica\u00e7\u00e3o exata da sua idade.<br>&#8211; Deixe-o ficar, pai \u2013 gritou o rapaz, sorridente, desde a estrema do serrado de terra.<br>&#8211; N\u00e3o leram os letreiros na Pra\u00e7a? \u2013 A febre, essa peste espanhola, ou l\u00e1-qui\u00e9, est\u00e1 a alastrar-se! Aqui em cima, nos Lourinhos, estamos seguros at\u00e9 ao dia em que ela chegar aqui tamb\u00e9m.<br>Os rapazes regressaram de imediato ao trabalho.<br>Hav\u00edamos caminhado muito at\u00e9 chegar \u00e0 quinta dos Silvas. A luz do dia j\u00e1 esmorecia. Tinha os p\u00e9s molhados e frios e do\u00edam-me as m\u00e3os por causa dos ventos que sopravam desde manh\u00e3. Entretanto, do\u00edam-me as faces tamb\u00e9m, dos belisc\u00f5es da mulher. Esfreguei a cara com a costa das m\u00e3os para mitigar a dor.<br>&#8211; H\u00e1 letreiros por todos os lados n\u2019\u00c1gua de Pau e n\u2019\u00e1Lagoa \u2013 disse a mulher \u00e0 minha m\u00e3e.<br>&#8211; \u00abCUIDADO, A FEBRE ESPANHOLA EST\u00c1 EM TODA A ILHA\u00bb \u00e9 o que dizem. Est\u00e3o afixados por todo o lado. Se a apanharmos, matam-nos at\u00e9 antes de morrermos da doen\u00e7a. \u2013 Olhou de relance para o marido.<br>&#8211; Maria do C\u00e9u \u2013 disse o marido, transigindo. \u2013 Est\u00e1 bem. Leva-os para dentro e d\u00e1-lhes qualquer coisa para comer. Assim c\u2019m\u00e1ssim, somos todos filhos de Deus e Ele n\u00e3o vai deixar de nos ajudar se n\u00e3o ajudarmos essa fam\u00edlia. Como te chamas rapaz? \u2013 perguntou.<br>&#8211; O nome dele \u00e9 J\u00falio \u2013 respondeu a minha m\u00e3e.<br>&#8211; E ele n\u00e3o tem l\u00edngua? \u2013 indagou o agricultor, num tom brincalh\u00e3o.<br>&#8211; O meu nome \u00e9 J\u00falio Senhor \u2013 disse eu. \u2013 E gostaria de comer qualquer coisa, se n\u00e3o se importasse.<br>&#8211; M\u00e3e, como vamos nos tornar a ver quando esta febre acabar? \u2013 perguntei \u00e0 minha m\u00e3e, junto \u00e0 veda\u00e7\u00e3o que conduzia ao caminho das Junqueiras \u00e0s Escaninhas at\u00e9 ao nosso casebre coberto de palha. A minha m\u00e3e agachou-se e observou com aten\u00e7\u00e3o o meu rosto. Passou as m\u00e3os pelos meus bra\u00e7os e ombros, acariciou-me as faces e ro\u00e7ou-me os olhos com os polegares.<br>&#8211; A febre vai passar e ainda vamos voltar a viver todos juntos de novo meu rico filho \u2013 disse ela.<br>Tinha os olhos cheios de l\u00e1grimas. Aqui ficar\u00e1s em seguran\u00e7a e longe desta doen\u00e7a maldita \u2013 garantiu, falando t\u00e3o baixinho que quase n\u00e3o se ouvia. \u2013 Um dia tornaremos a juntar-nos. Prometo &#8211; Prometo. \u2013 Beijou-me a testa. \u2013 Amo-te J\u00falio.<br>P\u00f4s-se de p\u00e9, deu meia volta e afastou-se pelo caminho abaixo o mais depressa que p\u00f4de.<br>Come\u00e7ara a chover. Parte de mim sabia que n\u00e3o voltaria a v\u00ea-la, embora s\u00f3 v\u00e1rios anos mais tarde o tenha admitido.<br>J\u00falio adivinhara, pois jamais se reencontrou com os pais e os irm\u00e3os. Faleceram todos com o surto da febre espanhola, que assolou, n\u00e3o s\u00f3 a ilha de S\u00e3o Miguel, mas os A\u00e7ores, Portugal inteiro e o mundo todo.<br>Adotado pelos Silvas como um filho, J\u00falio cresceu e fez-se homem robusto, honesto e casou-se. Um dia, na cozinha, com a mulher e os seus sete filhos, no aconchego do calor vindo do forno a cozer p\u00e3o, duma das casas da rua do Foral Novo, que deram lugar aos antigos casebres cobertos de palha das Escaninhas, contou-lhes um \u00abcauso\u00bb &#8211; a hist\u00f3ria da sua vida. Pediu a Deus que seus filhos n\u00e3o viessem nunca a conhecer tal castigo como a pandemia da febre espanhola que assombrou a sua e milhares de fam\u00edlias em 1919\/1920 por todo o mundo.<br>Cem anos depois, em 2019 e 2020, nova doen\u00e7a pand\u00e9mica regressa e alastra-se pelo mundo, com origem agora na China \u2013 o coronav\u00edrus.<br>Felizmente a terra do J\u00falio, a Vila de \u00c1gua de Pau at\u00e9 ao dia 8 de maio era das poucas terras dos A\u00e7ores e de Portugal onde ningu\u00e9m ainda tinha sido apanhado ou infetado. Gra\u00e7as a Deus e ao seu povo que soube isolar-se, proteger-se e ser coerente, gosto de pensar.<\/p>\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile\" style=\"grid-template-columns:33% auto\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/RoberTo-MedeirOs-_DR.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-83287\"\/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p><strong>Por: RoberTo MedeirOs<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>(<em>Cr\u00f3nica publicada na edi\u00e7\u00e3o impressa de junho de 2020<\/em>)<\/p>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passos e vozes do outro lado da porta silenciaram-nos. 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