{"id":163836,"date":"2026-05-11T20:29:06","date_gmt":"2026-05-11T20:29:06","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodalagoa.pt\/?p=163836"},"modified":"2026-05-11T20:41:04","modified_gmt":"2026-05-11T20:41:04","slug":"ceramica-vieira-eu-nao-vejo-isto-em-parte-nenhuma-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodalagoa.pt\/fr\/ceramica-vieira-eu-nao-vejo-isto-em-parte-nenhuma-do-mundo\/","title":{"rendered":"Cer\u00e2mica Vieira: \u00abeu n\u00e3o vejo isto em parte nenhuma do mundo\u00bb"},"content":{"rendered":"<h3 class=\"wp-block-heading\">\u201cA nossa cer\u00e2mica n\u00e3o \u00e9 uma mera f\u00e1brica\u201d , confessa Manuela Vieira, s\u00f3cia-gerente da Cer\u00e2mica Vieira, a mais antiga da ilha de S\u00e3o Miguel. Ela e a irm\u00e3, Teresa Vieira, tamb\u00e9m s\u00f3cia-gente, gerem o neg\u00f3cio da fam\u00edlia que j\u00e1 vai na quinta gera\u00e7\u00e3o. O Di\u00e1rio da Lagoa esteve \u00e0 conversa com ambas na f\u00e1brica onde \u201co Homem sonha e a obra nasce\u201d, parafraseando Fernando Pessoa, que conquistou uma medalha de ouro atribu\u00edda pela Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Cidades e Vilas de Cer\u00e2mica<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"720\" src=\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/irmas-da-ceramica-vieira-2026-dl.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-163837\" srcset=\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/irmas-da-ceramica-vieira-2026-dl.jpg 960w, https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/irmas-da-ceramica-vieira-2026-dl-300x225.jpg 300w, https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/irmas-da-ceramica-vieira-2026-dl-768x576.jpg 768w, https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/irmas-da-ceramica-vieira-2026-dl-16x12.jpg 16w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sup>Teresa e Manuela Vieira lideram a Cer\u00e2mica Vieira que foi fundada em 1862<\/sup> <mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\"><sup>\u00a9 DL<\/sup><\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<p><b>DL: Todos os anos fazem uma cole\u00e7\u00e3o nova. Como \u00e9 que \u00e9 o processo criativo?<\/b><br \/>Manuela Vieira (MV): Vamos criando, vamos vendo, vamos vendo tamb\u00e9m a necessidade e a procura do cliente e muitas das vezes somos n\u00f3s a criar.Este ano agora cri\u00e1mos, para o dia 1 de junho, uma cole\u00e7\u00e3o de banda desenhada para crian\u00e7as e adultos, porque os adultos tamb\u00e9m apreciam muito a banda desenhada e ent\u00e3o t\u00eam uns conjuntinhos com banda desenhada, com o panda, com o le\u00e3o, enfim. E o ano passado fizemos o lan\u00e7amento das pe\u00e7as pintadas a preto, com uma parte no pr\u00f3prio barro cozida e h\u00e1 dois anos fizemos o lan\u00e7amento das pe\u00e7as todas coloridas, com muita flor, com muita cor e pronto, e mesmo que o lan\u00e7amento seja feito, por exemplo, na primavera, o ver\u00e3o acaba por nos levar as pe\u00e7as todas. No Natal fazemos tamb\u00e9m as lou\u00e7as decorativas com motivos de Natal e para os namorados quer\u00edamos sempre marcar as datas.<\/p>\n<p><b>DL: E como \u00e9 que foi receber esta distin\u00e7\u00e3o de medalha de ouro por parte da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Cidades e Vilas de Cer\u00e2mica?<\/b><br \/>MV: Foi com muito orgulho, porque n\u00f3s n\u00e3o est\u00e1vamos \u00e0 espera. Temos consci\u00eancia plena de que a nossa cer\u00e2mica n\u00e3o \u00e9 uma mera f\u00e1brica, n\u00e3o, infelizmente h\u00e1 quem o considere, mas n\u00e3o \u00e9. Tem aqui muita cultura, muito patrim\u00f3nio, \u00e9 porque h\u00e1 mais de um s\u00e9culo imenso, 164 anos, sempre a trabalhar, para n\u00e3o falar que vem sempre na mesma fam\u00edlia, vai na quinta gera\u00e7\u00e3o. E chegar aqui, uma associa\u00e7\u00e3o que n\u00f3s at\u00e9 desconhecemos, e que nos d\u00e1 o galard\u00e3o de ouro em competitividade com outras cer\u00e2micas a n\u00edvel nacional, \u00e9 um orgulho, \u00e9 um reconhecimento do nosso trabalho e bem haja a quem realmente tem olhinhos na cara e v\u00ea que realmente somos merecedores de tal pr\u00e9mio.<\/p>\n<p><b>DL: Como \u00e9 que foram contactadas?<\/b><br \/>MV: Passou aqui um equipa desta associa\u00e7\u00e3o, no inverno passado, e visitamos a f\u00e1brica. E como \u00e9 de costume, n\u00f3s quando temos uma entidade acompanhamos a visita. E h\u00e1 coisa de um m\u00eas atr\u00e1s recebemos um telefonema, deste mesmo senhor que vem c\u00e1, a dizer que t\u00ednhamos sido escolhidas, a cer\u00e2mica, para ganhar o galard\u00e3o de ouro de cer\u00e2micas e que seria a entrega dos trof\u00e9us em Vila Real. E claro, n\u00e3o hesitamos.\u00a0<\/p>\n<p><b>DL: Foram l\u00e1 as duas a Vila Real?<\/b><br \/>MV: Sim.\u00a0<\/p>\n<p><b>DL: E como \u00e9 que foi esse momento? <\/b><br \/>Teresa Vieira (TV): Foi muito bom, foi uma alegria imensa, as pessoas muito simp\u00e1ticas, muito acolhedoras. Sentimos um bem-estar mesmo com n\u00f3s pr\u00f3prias, porque aquilo foi tudo, foi o m\u00e1ximo, com as pessoas ao nosso redor, com a preocupa\u00e7\u00e3o, com tudo, foi muito bom.<\/p>\n<p><b>DL: Portanto foi uma cerim\u00f3nia aberta ao p\u00fablico?<\/b><br \/>TV: Sim,sim, com muita gente relacionada com a cer\u00e2mica.<\/p>\n<p><b>DL: De todo o pa\u00eds?<\/b><br \/>TV: Sim, todo o pa\u00eds, todo o pa\u00eds. Foi muito bom, muito bom, muito bom.<\/p>\n<p><b>DL: E agora quais \u00e9 que s\u00e3o os vossos desafios neste momento tendo em conta o neg\u00f3cio deste tamanho, o patrim\u00f3nio que ele representa e a import\u00e2ncia que tem na Lagoa, na ilha e nos A\u00e7ores?<\/b><br \/>MV: O principal desafio \u00e9 lutar sempre e fazer sempre o que temos vindo a fazer at\u00e9 agora. E mostrar que para al\u00e9m de termos sempre os nossos motivos tradicionais, cl\u00e1ssicos, \u00e9 preciso,\u00a0 como disse h\u00e1 bocado, inovar, vir, escutar o cliente, perceber o que \u00e9 que os jovens querem. Porque tamb\u00e9m temos de abrir o leque aos jovens. Ter sempre o cuidado, o m\u00e1ximo cuidado, em perceber a org\u00e2nica aqui da f\u00e1brica, se est\u00e1 tudo bem, se n\u00e3o est\u00e1 tudo bem a n\u00edvel das compras, das despesas, dos lucros, portanto temos de ter muito cuidado. E s\u00f3 assim \u00e9 que n\u00f3s podemos ir mantendo o neg\u00f3cio. \u00c9 ter estes dois \u00e2ngulos de vis\u00e3o:\u00a0 n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ok, agora vou fazer mil e uma coisa, mas \u00e9 preciso perceber se estas pe\u00e7as v\u00e3o-te dar um retorno econ\u00f3mico, porque se n\u00e3o for assim.\u00a0<\/p>\n<p><b>DL: N\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel.<\/b><br \/>N\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel, claro.<\/p>\n<p><b>DL: A f\u00e1brica, este momento, tem bastante movimento em termos do turismo?<\/b><br \/>MV: Sim, depois da pandemia passar, foi devagarinho, o turismo foi crescendo e foi equilibrado e agora neste momento podemos dizer que estamos como antes da pandemia.<\/p>\n<p><b>DL: Em m\u00e9dia, quantos turistas \u00e9 que recebem por dia?<\/b><br \/>MV: Mais de mil.<\/p>\n<p><b>DL: Por dia?<\/b><br \/>TV: Sim. \u00c9 muita gente que passa aqui.<br \/>MV: Sim e v\u00eam de autocarro, outros v\u00eam mesmo por si, v\u00eam de carro, v\u00eam de moto, v\u00eam a p\u00e9, de bicicleta, e isto \u00e9 todo o dia, um vai e vem de pessoas. \u00c9 muita gente. E depois temos essa coisa que n\u00e3o cobramos entradas, as pessoas entram, est\u00e3o \u00e0 sua vontade, s\u00e3o livres de fotografar, de filmar, contactam mesmo com os nossos colaboradores, fazem perguntas, elas tamb\u00e9m s\u00e3o super simp\u00e1ticas, claro, sabem isto de tr\u00e1s para a frente e de frente para tr\u00e1s, explicam como \u00e9 que se faz, como \u00e9 que n\u00e3o se faz, e as pessoas saem daqui deslumbradas. \u00c9 um orgulho para n\u00f3s, depois quando eles chegam aqui \u00e0 parte da sec\u00e7\u00e3o de vendas, e eles virem mesmo felizes, contentes, e dizerem, \u00abeu n\u00e3o vejo isto em parte nenhuma do mundo\u00bb.Porque aqui a gente trabalha como se trabalhava antigamente, modificamos duas coisas apenas que foi a prepara\u00e7\u00e3o dos barros, que \u00e9 uma m\u00e1quina que se prepara, e \u00e9 a cozedura.<\/p>\n<p><b>DL: Para o qu\u00ea?<\/b><br \/>Dar mais rentabilidade. Enquanto se preparava barros antigamente numa semana, agora consigo preparar num dia, v\u00e1 l\u00e1, dois dias. E as cozeduras, se eu quiser posso cozer dia sim dia n\u00e3o, n\u00e3o digo todos os dias, porque o forno tem que arrefecer, mas se quisermos a gente pode cozer todos os dias, dia sim dia n\u00e3o. At\u00e9 as ferramentas com que se trabalha, s\u00e3o as mesmas com que se trabalhavam antigamente. Feitas aqui, tudo por n\u00f3s. E claro, chega aqui o turista, que hoje em dia estamos virados para a tecnologia. (8:09) Chegam aqui e veem a maneira com que n\u00f3s trabalh\u00e1mos \u00e0 m\u00e3o. Ficam deslumbrados. E n\u00f3s, claro, orgulhosos de que a visita foi feita com sucesso. E tamb\u00e9m \u00e9 preciso que se diga que isto aqui \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 uma mera f\u00e1brica, mas tamb\u00e9m uma f\u00e1brica de muita cultura. Temos aqui muita, muita hist\u00f3ria. E \u00e9 isso que nem todas as pessoas s\u00e3o capazes de olhar para n\u00f3s como um centro de cultura.<\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"720\" src=\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/fachada-ceramica-vieira-2026-dl.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-163838\" srcset=\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/fachada-ceramica-vieira-2026-dl.jpg 960w, https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/fachada-ceramica-vieira-2026-dl-300x225.jpg 300w, https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/fachada-ceramica-vieira-2026-dl-768x576.jpg 768w, https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/fachada-ceramica-vieira-2026-dl-16x12.jpg 16w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\"><sup>\u00a9 DL<\/sup><\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<p><b>DL: A cer\u00e2mica \u00e9 mais do uma f\u00e1brica.<\/b><br \/>MV: \u00c9 muito mais do que isso. \u00c9 muito mais do que isso. H\u00e1 muita hist\u00f3ria.\u00a0<\/p>\n<p><b>DL: Em termos de hist\u00f3ria, o que \u00e9 que destacam aqui? O que \u00e9 que mais gostam nesta f\u00e1brica?<\/b> <br \/>TV: Eu gosto de tudo. Desde a parte dos barros, da pintura, de tudo. Da vidragem, \u00e9 tudo. Tudo tem uma liga\u00e7\u00e3o. E isto, para n\u00f3s, \u00e9 \u00f3timo. H\u00e1 bocadinho estive a preparar barros. Se eu n\u00e3o preparasse os barros, n\u00e3o havia barros para elas poderem trabalhar.\u00a0<\/p>\n<p><b>DL: Ent\u00e3o colocam a m\u00e3o na massa. <\/b><br \/>TV:\u00a0 Sim, sim. Estive a preparar barros para elas poderem trabalhar. Portanto, isto \u00e9 uma liga\u00e7\u00e3o cont\u00ednua. Tintas, vidrados, densidades, viscosidades. Fa\u00e7o mais essa parte. N\u00e3o quer dizer que eu tamb\u00e9m n\u00e3o venha ajudar a minha irm\u00e3. E ela tamb\u00e9m, quando \u00e9 preciso, tamb\u00e9m vai-me ajudar. Mas a minha parte \u00e9 esta. \u00c9 a parte mais interior da f\u00e1brica.<\/p>\n<p><b>DL: Est\u00e3o dentro do neg\u00f3cio.<\/b><br \/>TV: Sim, estamos dentro da fabrica\u00e7\u00e3o. Do in\u00edcio ao fim. Estamos dentro da org\u00e2nica, da parte econ\u00f3mica. N\u00f3s tamb\u00e9m estamos muito dentro da parte de fabrica\u00e7\u00e3o.<br \/>N\u00f3s temos tudo sob controle, todas as sec\u00e7\u00f5es. Todos os dias vamos ver o que \u00e9, o que n\u00e3o \u00e9.Tudo est\u00e1 ligado.<\/p>\n<p><b>DL: Acompanham todo o processo.<\/b><br \/>TV: Sim, a gente basta passar por um s\u00edtio, e vemos que aquilo n\u00e3o est\u00e1 bem. E temos que chamar a aten\u00e7\u00e3o daquilo que n\u00e3o est\u00e1 bem. Ou o vidrado ficou mais grosso, ou o vidrado ficou mais alto. Basta a gente passar para ver. Como elas est\u00e3o ali todo o dia, n\u00e3o d\u00e3o por isso. A pessoa que vem depois, como n\u00e3o est\u00e1 ali todo o dia, passa ali e nota para aquilo. Mas aqui tudo se ratifica, tudo se faz.<\/p>\n<p><b>DL: E acham que, pelo fato de serem duas mulheres a liderar uma f\u00e1brica, isso d\u00e1 uma pujan\u00e7a extra ao neg\u00f3cio?<\/b><br \/>MV: Sim. Fomos habituadas a trabalhar sempre desde muito novas. Lembro-me perfeitamente quando and\u00e1vamos a estudar ainda no liceu, v\u00ednhamos fazer as f\u00e9rias da funcion\u00e1ria das vendas.Fomos sempre muito criadas dentro do neg\u00f3cio. N\u00e3o houve aquele medo de ficar com o neg\u00f3cio nas m\u00e3os. Trabalh\u00e1mos muitos anos com o meu pai. O meu pai foi um grande professor. A n\u00edvel de tudo, tanto da parte industrial como da parte econ\u00f3mica. Uma pessoa com grande olho para o neg\u00f3cio. Foi uma escola. Pegamos nisso com leveza porque j\u00e1 v\u00ednhamos de tr\u00e1s com muita bagagem. E agora, por sermos mulheres e sermos as primeiras destas gera\u00e7\u00f5es todas a manter o neg\u00f3cio, \u00e9 claro que sim. Ainda nos d\u00e1 mais vontade de assegurar o neg\u00f3cio e de fazer um bom trabalho em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s gera\u00e7\u00f5es anteriores.<\/p>\n<p><b>DL: Portanto, s\u00e3o as primeiras duas mulheres a liderar a f\u00e1brica em cinco gera\u00e7\u00f5es?<\/b><br \/>MV: Sim, sim. Antigamente, mulheres no neg\u00f3cio, esquece.N\u00e3o havia. O que fundou, n\u00e3o tinha filhos. Era casado, mas n\u00e3o tinha filhos. Veio com uma sobrinha, de Vila Nova de Gaia. Depois essa sobrinha, casa c\u00e1 j\u00e1 com o nosso bisav\u00f4. Do casamento do bisav\u00f4, nascem tr\u00eas mulheres. Claro, mulheres, esquece, n\u00e3o v\u00e3o para o neg\u00f3cio. Mas depois s\u00f3 o meu av\u00f4 \u00e9 que ficou sozinho com o neg\u00f3cio. Do casamento dos meus av\u00f3s, nasce o meu pai e a minha tia. Claro, a minha tia \u00e9 mulher. Era s\u00f3cia, aten\u00e7\u00e3o, era s\u00f3cia, mas ficou em casa. O meu pai \u00e9 que geria o neg\u00f3cio. O meu pai teve tr\u00eas mulheres, filhas. E ele n\u00e3o tinha a que fugir. E pronto, j\u00e1 eram outras \u00e9pocas. J\u00e1 se via muitas mulheres \u00e0 frente de grandes neg\u00f3cios e ent\u00e3o, n\u00f3s fic\u00e1mos com o neg\u00f3cio. E hoje em dia, pelo aquilo que o meu pai diz, \u00e9 assim, minhas ricas filhas.\u00a0<\/p>\n<p><b>DL: E o que \u00e9 que esperam para o futuro?<\/b><br \/>MV:Muita coisa. <br \/>TV:Muita coisa. <br \/>MV: Que isto n\u00e3o morra, que tenho a certeza que n\u00e3o vai morrer. Porque h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es seguintes que tamb\u00e9m foram criadas aqui. E que t\u00eam um certo carinho. E quando \u00e9 preciso ajuda, eles est\u00e3o presentes. Temos sempre algu\u00e9m que nos d\u00e1 a sua opini\u00e3o, que nos ajuda. Agora, claro, isto \u00e9 um neg\u00f3cio que n\u00e3o pode ter a fam\u00edlia toda a trabalhar. Estamos n\u00f3s as duas e depois logo se v\u00ea. E tamb\u00e9m esperamos trabalhar at\u00e9 muito tarde. D\u00e1 muita vida. Assim ser\u00e1, Deus quiser.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA nossa cer\u00e2mica n\u00e3o \u00e9 uma mera f\u00e1brica\u201d , confessa Manuela Vieira, s\u00f3cia-gerente da Cer\u00e2mica Vieira, a mais antiga da ilha de S\u00e3o Miguel. 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