{"id":125526,"date":"2023-07-14T00:33:05","date_gmt":"2023-07-14T00:33:05","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodalagoa.pt\/?p=125526"},"modified":"2024-02-26T13:46:59","modified_gmt":"2024-02-26T13:46:59","slug":"a-radio-nao-e-para-ouvir-e-para-sentir-as-pessoas-comigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodalagoa.pt\/fr\/a-radio-nao-e-para-ouvir-e-para-sentir-as-pessoas-comigo\/","title":{"rendered":"\u201cA r\u00e1dio n\u00e3o \u00e9 para ouvir, \u00e9 para sentir as pessoas comigo\u201d"},"content":{"rendered":"<h3 class=\"wp-block-heading\">Sid\u00f3nio Bettencourt, jornalista com quase meio s\u00e9culo de r\u00e1dio, \u00e9 figura e voz que dispensa mesmo apresenta\u00e7\u00f5es. Fic\u00e1mos a saber que tem um novo livro, prestes a sair para o mundo. Mas antes disso, quisemos conhecer um pouco mais do mundo de um dos mais ic\u00f3nicos comunicadores a\u00e7orianos no mundo<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"640\" src=\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/sidonio-bettencourt-2023-01-acacio-mateus.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-125522\" srcset=\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/sidonio-bettencourt-2023-01-acacio-mateus.jpg 960w, https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/sidonio-bettencourt-2023-01-acacio-mateus-300x200.jpg 300w, https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/sidonio-bettencourt-2023-01-acacio-mateus-768x512.jpg 768w, https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/sidonio-bettencourt-2023-01-acacio-mateus-18x12.jpg 18w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sup>Sid\u00f3nio tem 68 anos e \u00e9 voz na r\u00e1dio h\u00e1 49 anos<mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\"> \u00a9 AC\u00c1CIO MATEUS<\/mark><\/sup><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<p><b style=\"font-size: revert; color: initial;\">DL: \u00c9 um a\u00e7oriano de quantas ilhas?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De todas as ilhas e comunidades a\u00e7orianas espalhadas pelo mundo. Sou ilh\u00e9u. Um ilh\u00e9u que tem orgulho nisso porque a condi\u00e7\u00e3o de ser portugu\u00eas ilh\u00e9u \u00e9 diferente. Obrigam-nos a ter uma perspetiva a partir do Atl\u00e2ntico em todos os sentidos. Como a profiss\u00e3o tamb\u00e9m o exige, n\u00f3s acabamos por ter que perceber bem cada uma das ilhas. S\u00e3o diferentes, h\u00e1 comportamentos diferentes, h\u00e1 origens diferentes do povoamento e essa paix\u00e3o pelas ilhas, essa rela\u00e7\u00e3o com a realidade, com a hist\u00f3ria e com a geografia.<\/span><\/p>\n<p><b>DL: A sua origem \u00e9 a causa dessa paix\u00e3o?<\/b><b><br><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Eu nasci na freguesia dos Arrifes, em casa, porque o meu pai era militar, estava c\u00e1, e a minha m\u00e3e tamb\u00e9m. Depois, aos cinco anos, com a ida do meu pai para a guerra, em Angola, em 1961, n\u00e3o fazia sentido ficar aqui, n\u00e3o t\u00ednhamos c\u00e1 ningu\u00e9m de fam\u00edlia. Fomos para casa do meu av\u00f4, com a minha m\u00e3e, morei com o meu av\u00f4 nas Lajes do Pico, onde cri\u00e1mos as primeiras amizades, na catequese e na escola. Ainda hoje tenho essa imensa paix\u00e3o pelas Lajes do Pico. Na ilha do Pico aprendemos o que era o isolamento, o que era fugir \u00e0 guerra. Tive os meus primos que a determinada altura fugiram para o Canad\u00e1, outros para a Calif\u00f3rnia. Emigraram, tamb\u00e9m, muito cedo. Isso obriga-nos a perceber o que \u00e9 n\u00e3o ter luz, o que \u00e9 n\u00e3o ter comunica\u00e7\u00f5es, o que \u00e9 a subsist\u00eancia, o que \u00e9 criar os porcos, o que \u00e9 ter o milho e as terras.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">O meu av\u00f4 era baleeiro, era um homem do mar e da terra. Habituei-me a ter uma paix\u00e3o por essa gente de subsist\u00eancia. O fator de estar longe do meu pai obrigou-me a ter um carinho especial pelas pessoas que lutavam por igualdades. Isso ajudou-me, talvez, a ser jornalista, a ser voz e a questionar. Ainda hoje, ao fim destes anos todos, continuo a tentar aperfei\u00e7oar e perceber o que \u00e9 que n\u00f3s somos. Nos A\u00e7ores ainda temos umas lacunas enormes ao n\u00edvel do desenvolvimento, quer no todo das ilhas, quer ao n\u00edvel da pobreza, ao n\u00edvel da desertifica\u00e7\u00e3o das ilhas, dos postos de trabalho e da produ\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><b>DL: Como regressa a S\u00e3o Miguel?<\/b><b><br><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Pela via militar do meu pai. O meu pai n\u00e3o podia estar no Pico. Quando vem de \u00c1frica, vem para S\u00e3o Miguel para o quartel general. Eu fa\u00e7o ainda dois anos de escola, mas depois ele vai para a escola de sargentos para ser oficial e vamos todos para \u00c1gueda. L\u00e1 crio uma rela\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m diferente. Uma crian\u00e7a fica deslumbrada com a televis\u00e3o, com a r\u00e1dio e com os jornais. Como os meus amigos estavam longe de \u00c1gueda, eu ia para o liceu, aos 10 anos, todos os dias de comboio e quando chegava a casa o meu deslumbramento era ver os programas de televis\u00e3o, porque eu era um ilh\u00e9u que nunca tinha visto televis\u00e3o. Esse prazer criou gosto em mim.<\/span><\/p>\n<p><b>DL: Como surge o jornalismo?<\/b><b><br><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Primeiro vem a r\u00e1dio, a paix\u00e3o pela r\u00e1dio e gostar de ouvir a r\u00e1dio. Sou ouvinte de r\u00e1dio. A televis\u00e3o, apanho uma televis\u00e3o muito forte na altura. Tudo isso ajudou a cultivar em mim uma ideia do que \u00e9 trabalhar naquele meio. Aos 17\/18 anos vim pedir para fazer um programa de r\u00e1dio e fiz uns testes. O jornalismo vem porque sempre gostei de pol\u00edtica. Eu era filho de militar, questionava muito os \u201cporqu\u00eas\u201d. Quando entro na r\u00e1dio, mediante concurso p\u00fablico, \u00e9 na altura em que o jornalismo radiof\u00f3nico come\u00e7a a ser reconhecido. N\u00e3o havia na r\u00e1dio, nessa altura, jornalistas. Embora estivesse na reda\u00e7\u00e3o a fazer not\u00edcias. Portanto, n\u00f3s faz\u00edamos um pouco de tudo. Essa vis\u00e3o plural de quem gosta de r\u00e1dio, deu-me a vis\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o radiof\u00f3nica e a vis\u00e3o do jornalismo. Quando entro de facto, h\u00e1 uma primeira forma\u00e7\u00e3o em jornalismo, come\u00e7a a haver o jornalista de r\u00e1dio e eu optei por ficar na reda\u00e7\u00e3o, sem nunca descurar aquilo que \u00e9 a paix\u00e3o pela r\u00e1dio no seu todo. A informa\u00e7\u00e3o foi a minha especialidade durante anos e anos.<\/span><\/p>\n<p><b>DL: De 1996 a 2000 dedica-se \u00e0 pol\u00edtica. Porqu\u00ea?<\/b><b><br><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o h\u00e1 nenhum jornalista que n\u00e3o goste de pol\u00edtica. Eu n\u00e3o quero ser pol\u00edtico, nem tenho prepara\u00e7\u00e3o para o ser provavelmente. Mas acho que a pol\u00edtica \u00e9 uma atividade nobre. H\u00e1 um lado c\u00edvico que \u00e9 a defesa da nossa terra. A determinada altura fui convidado, comecei como independente nas listas de um partido, acabei por aceitar. Havia desafios para a r\u00e1dio e para o futuro da r\u00e1dio e da televis\u00e3o e do desporto. Sempre estive ligado ao desporto e havia mat\u00e9rias que estavam no parlamento que por mais que eu pregasse c\u00e1 fora, nunca mais resolvia. Ent\u00e3o aceitei e disse: \u201cvamos \u00e0 sede pr\u00f3pria discutir essas coisas\u201d. Dei o meu contributo c\u00edvico. N\u00e3o fez mal nenhum. N\u00e3o \u00e9 a minha voca\u00e7\u00e3o estar l\u00e1 permanentemente porque sempre quis continuar a vida de jornalista. Hoje tenho uma vis\u00e3o muito mais s\u00e9ria e abrangente do que \u00e9 a atividade e o que \u00e9 a vida institucional a\u00e7oriana. N\u00e3o me tirou nada, acrescentou-me mais alguma coisa.<\/span><\/p>\n<p><b>DL: Fundou a Semana dos Baleeiros na ilha do Pico. Como correu essa experi\u00eancia?<\/b><b><br><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Eu que n\u00e3o nasci l\u00e1, hoje sou mun\u00edcipe honor\u00e1rio das Lajes do Pico porque fiz a Semana dos Baleeiros durante 12 anos. Fundamos a Semana dos Baleeiros e isso d\u00e1-me uma grande alegria. Foi uma experi\u00eancia muito rica. Foi talvez o maior curso de produ\u00e7\u00e3o que alguma vez podia ter. Ainda hoje pergunto como \u00e9 que fiz, eu e a equipa. Eu era no fundo o produtor e organizava as coisas. Levava um ano inteiro a preparar aquilo que podia ser do ponto de vista cultural, criativo e musical. N\u00f3s criamos uma semana que tocasse nos itens todos que tivessem a haver com a ess\u00eancia da balea\u00e7\u00e3o. A balea\u00e7\u00e3o \u00e9 religiosidade, \u00e9 economia, \u00e9 etnogr\u00e1fica, \u00e9 biologia. Cri\u00e1mos uma semana que tivesse a haver com as ilhas. Foi uma experi\u00eancia fant\u00e1stica. Deu-me imenso trabalho, mas talvez foi das coisas que mais alegria me deu. Marcou e ainda hoje existe.<\/span><\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"640\" src=\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/sidonio-bettencourt-2023-02-acacio-mateus.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-125523\" srcset=\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/sidonio-bettencourt-2023-02-acacio-mateus.jpg 960w, https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/sidonio-bettencourt-2023-02-acacio-mateus-300x200.jpg 300w, https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/sidonio-bettencourt-2023-02-acacio-mateus-768x512.jpg 768w, https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/sidonio-bettencourt-2023-02-acacio-mateus-18x12.jpg 18w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sup>Sid\u00f3nio apresenta os programas \u201cInter-ilhas\u201d, na r\u00e1dio de servi\u00e7o p\u00fablico e &#8220;Atl\u00e2ntida&#8221; na RTP A\u00e7ores, RTP Madeira e RTP Internacional <mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">\u00a9 AC\u00c1CIO MATEUS<\/mark><\/sup><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<p><b>DL: Trabalha para a r\u00e1dio e para a televis\u00e3o. Qual \u00e9 a que mais gosta?<\/b><b><br><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Eu sou da r\u00e1dio, um apaixonado pela r\u00e1dio. Acho que na r\u00e1dio domino a mat\u00e9ria, posso n\u00e3o desempenh\u00e1-la bem ou melhor, mas acho que domino os segredos da r\u00e1dio. Na televis\u00e3o, fui sempre um colaborador, uso aquilo que sei da r\u00e1dio e a sensibilidade ao servi\u00e7o da televis\u00e3o. Se me tirarem a r\u00e1dio, tiram-me a vida. A r\u00e1dio n\u00e3o \u00e9 para ouvir, \u00e9 para sentir as pessoas comigo. Eu adoro estar fechado num quarto e sentir que na Alemanha, em Boston, dentro de um carro ou quem est\u00e1 a bordo de um navio me manda mensagens. Ainda h\u00e1 pouco tempo, recebi uma mensagem de um senhor, um cientista, que estava fora de Mo\u00e7ambique, num barco da universidade. Ele tinha estado na Horta cinco anos e passados dois, tr\u00eas anos, ainda ouvia o Inter-ilhas. E, ent\u00e3o, n\u00e3o resistiu, sentiu-se comovido e mandou-me uma mensagem de Mo\u00e7ambique, em mar alto, dentro do barco a dizer quem era e que apreciava o trabalho e que sempre que podia era no Inter-ilhas que sintonizava. Tenho a hist\u00f3ria, tamb\u00e9m, de um senhor que nunca veio aos A\u00e7ores, que vive e trabalha no centro de Lisboa, naqueles escrit\u00f3rios em que sai do metro e entra no escrit\u00f3rio, e que a r\u00e1dio dele \u00e9 o inter-ilhas. Ele diz que consegue viajar, ver v\u00e1rias coisas, imaginar o que s\u00e3o os A\u00e7ores e porque tem m\u00fasica portuguesa e m\u00fasica a\u00e7oriana que ele n\u00e3o conhecia. Ele p\u00f5e a RTP A\u00e7ores atrav\u00e9s da internet e fica a ouvir o Inter-ilhas. Uma pessoa que nunca veio c\u00e1. Isso para mim \u00e9 chegar ao ponto mais alto. Fazer pessoas, que n\u00e3o t\u00eam nada a haver com isto, serem fi\u00e9is ouvintes do Inter-ilhas.<\/span><\/p>\n<p><b>DL: No programa Inter-ilhas como surgem \u201cOs olheiros do tempo\u201d?<\/b><b><br><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">O olheiro do tempo nasce naturalmente porque um dia algu\u00e9m me enviou uma fotografia e disse: \u00abolha, aqui em S\u00e3o Miguel, \u00e0 minha janela, est\u00e1 um dia de mau tempo, espero que nas outras ilhas estejam bem\u00bb. E algu\u00e9m mandou: \u201caqui n\u00e3o est\u00e1 a chover\u201d e eu disse \u201cnas Lajes do Pico est\u00e1 a chover\u201d, outro disse \u201cna Terceira est\u00e1 sol\u201d. De uma coisa t\u00e3o espont\u00e2nea lancei o repto e come\u00e7aram a mandar mensagens, enquanto dizia o nome das pessoas. Eu disse que se quisessem podiam mandar uma mensagem para o telefone tal. Foi t\u00e3o simples assim. Por causa dos olheiros do futebol, eu disse \u201cvoc\u00eas s\u00e3o verdadeiros olheiros do tempo\u201d. A express\u00e3o j\u00e1 dura anos sem fim. J\u00e1 n\u00e3o consigo fazer um Inter-ilhas sem os olheiros do tempo.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><b>DL: Qual \u00e9 a viagem que mais o marcou?<\/b><b><br><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Muitas. As elei\u00e7\u00f5es americanas, a chegada de Bill Clinton, onde fiz uma reportagem que foi distinguida pela Funda\u00e7\u00e3o Luso-Americana. Fiz \u201cA Am\u00e9rica e as arquipela\u00e7\u00f5es\u201d. Essa marcou-me muito porque estava em direto para a antena nacional. Como me marcou, por exemplo, ir fazer um recital de poesia em Luanda no Dia de Portugal, de Cam\u00f5es, no meio dos militares a convite da embaixada. Ir ao Uruguai, que era um sonho antigo, fazer um recital de poesia a convite do presidente do governo. No dia da cria\u00e7\u00e3o do comit\u00e9 das regi\u00f5es, em Bruxelas, eu estava l\u00e1, eu vi toda a tramita\u00e7\u00e3o no interior daquele comit\u00e9 para saber quem era o porta-voz e como \u00e9 que aquilo politicamente se desfez. A ida \u00e0 Finl\u00e2ndia e \u00e0 Su\u00e9cia, para ver as televis\u00f5es europeias de servi\u00e7o p\u00fablico e depois estar com a malta da BBC. As idas a Washington, estar com o senador Kennedy no gabinete dele, estar em grandes jornais norte-americanos.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Depois h\u00e1 as viagens inter-ilhas como no Corvo estar a escrever um poema enquanto chove, \u00e0 luz da vela, numa casa onde s\u00f3 se v\u00ea o farol ao longe das Flores. Tamb\u00e9m \u00e9 uma alegria imensa. Tudo isso \u00e9 marcante.<\/span><\/p>\n<p><b>DL: J\u00e1 lan\u00e7ou v\u00e1rios livros. Est\u00e1 a escrever algum neste momento?<\/b><b><br><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Tenho coisas j\u00e1 escritas que tenho que reorganizar para escrever. Tenho dois livros para sair. Um \u00e9 o \u201cBaleeiros em terra\u201d, que \u00e9 a reportagem vencedora do pr\u00e9mio que foi representar Portugal em Barcelona, a reportagem de r\u00e1dio que n\u00f3s transformamos agora em livro. Para mim \u00e9 a consolida\u00e7\u00e3o de um projeto, porque \u00e9 uma homenagem \u00e0quelas pessoas que eu j\u00e1 ouvi e que j\u00e1 morreram quase todas e que falam em discurso direto. E tenho um livro com o meu sobrinho, Dr. S\u00e9rgio \u00c1vila, que \u00e9 um com quem j\u00e1 fiz \u201cA balada das baleias\u201d, agora \u00e9 uma coisa sobre os A\u00e7ores no seu todo, \u00e9 uma viagem pelas ilhas a partir do Corvo. Vai-se chamar \u2014 j\u00e1 est\u00e1 basicamente feito, j\u00e1 existe e est\u00e1 impresso, faltam pormenores de edi\u00e7\u00e3o \u2014 \u201cA\u00e7ores, o poema da luz\u201d.<\/span><\/p>\n<p><b>DL: Pelas contas do Estado, j\u00e1 podia estar reformado. O que \u00e9 que o faz continuar?<\/b><b><br><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Pois\u2026 esta foi toda a minha vida. Isto \u00e9 muito intenso [emociona-se]. No dia seguinte, quando fecharem as luzes todas, como \u00e9 que eu vou aguentar? \u00c9 que foi a vida toda, desde pequenino, a querer ser isto. Agora eu sinto que muitas coisas s\u00e3o por estarem no fim. Claro que h\u00e1 coisas para fazer, mas eu enquanto puder conciliar a r\u00e1dio, sobretudo a r\u00e1dio, a televis\u00e3o, quando entender, tudo bem. Mas se deixar de entrar o dia, se deixar de ver os e-mails, se deixar de ver os CDs, se deixar de ouvir as pessoas\u2026 Eu quando ficar sozinho l\u00e1 no meio dos livros que tenho em casa \u2014 eu tenho muita coisa \u2014 vou sentir um vazio e uma solid\u00e3o que n\u00e3o sei se vou ter energia para acabar aquilo que preciso fazer. Eu preciso deste reboli\u00e7o todo e de n\u00e3o ter tempo. Se calhar para o ano, em que fa\u00e7o 50 anos de r\u00e1dio e 69 de idade, ser\u00e1 a altura de dar lugar a outro.<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">A lei tamb\u00e9m n\u00e3o permite mais do que os 70. Vamos com calma e sair serenamente.<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sid\u00f3nio Bettencourt, jornalista com quase meio s\u00e9culo de r\u00e1dio, \u00e9 figura e voz que dispensa mesmo apresenta\u00e7\u00f5es. Fic\u00e1mos a saber que tem um novo livro, prestes a sair para o mundo. 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