
Maria João Pereira
Farmacêutica
As infeções sexualmente transmissíveis (ISTs) são infeções causadas por bactérias, parasitas, vírus ou fungos que se transmitem, principalmente, por contacto sexual. São um problema de saúde a nível mundial e afetam milhões de pessoas todos os anos. Muitas vezes surgem de forma silenciosa – o que dificulta a sua deteção e tratamento atempado.
Em Portugal, as ISTs mais prevalentes são o vírus do papiloma humano (HPV), vírus da imunodeficiência humana (VIH), a gonorreia, a sífilis e a clamídia – sendo que esta três últimas têm vindo a aumentar, sobretudo em jovens adultos.
A sífilis, a gonorreia e a clamídia são infeções causadas por bactérias e, muitas vezes, são assintomáticas no início, o que favorece o contágio. Quando diagnosticadas podem ser tratadas com antibióticos específicos, mas a prevenção continua a ser a melhor forma de evitar complicações como a infertilidade ou a doença inflamatória pélvica, por exemplo.
A infeção pelo HPV também se pode apresentar silenciosa no início e, em alguns casos, regredir espontaneamente. Existem diferentes tipos de vírus do papiloma humano, sendo uns de baixo risco (causadores de doença benigna) e outros de alto risco (associados a cancros como o do cólo do útero, vaginal e anal). Existe uma vacina incluída no Plano Nacional de Vacinação que protege contra os tipos mais comuns e de maior risco de HPV.
Le VIH, vírus causador da SIDA, é uma IST crónica sem cura, mas que pode ser controlada com tratamento antirretroviral, que atualmente permite às pessoas viver com qualidade de vida. Os sintomas de infeção por VIH são inespecíficos, tornando o diagnóstico precoce difícil. Existe, como uma das medidas preventivas, a profilaxia pré-exposição (PrEP), indicada para pessoas que apresentam risco acrescido de contrair a infeção, que reduz significativamente a probabilidade de transmissão. Contudo, a PrEP protege apenas contra o VIH e não confere proteção contra outras ISTs.
A transmissão das ISTs ocorre durante práticas sexuais sem preservativo, sendo elas vaginais, anais ou orais, através do contacto direto com sangue, sémen, secreções vaginais ou feridas, pela partilha de seringas ou objetos cortantes contaminados e pela chamada transmissão vertical – da mãe para o filho durante a gravidez, parto ou amamentação.
A forma mais eficaz de prevenção é a prática de sexo seguro, com recurso ao preservativo (masculino ou feminino) – o único método capaz de proteger simultaneamente contra gravidezes indesejadas e contra ISTs. Trata-se do chamado método barreira. Além disso, é necessário realizar testes regulares para deteção de ISTs, não partilhar acessórios sexuais ou, se usados, higienizá-los e protegê-los com preservativo e evitar relações sexuais até avaliação médica sempre que haja suspeita de infeção.
As ISTs ainda carregam consigo muitos tabus e preconceitos. É importante compreender que qualquer pessoa pode contrair uma IST, independentemente da idade, género, estilo de vida ou classe social. Não estão associadas a promiscuidade ou falta de higiene e fazem parte da realidade da vida sexual. Procurar informação, fazer o despiste junto do médico de família e falar abertamente sobre o tema não deve ser motivo de vergonha, mas sim um ato de cuidado e responsabilidade.
Cuidar da sua saúde sexual é cuidar de si e daqueles com quem partilha intimidade. É tempo de deixar os estigmas de lado e falar de saúde sexual com naturalidade.