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Lagoa inicia projeto “Entrelaçar Fibras Vegetais” com residência artística

© CM LAGOA

A Câmara Municipal de Lagoa irá promover o projeto “Entrelaçar Fibras Vegetais”, com o objetivo de garantir a sustentabilidade e perpetuação da arte e técnicas de entrelaçados com fibras vegetais, segundo nota enviada pela autarquia.

O projeto arranca com uma residência artística, a cargo da artista Sofia de Medeiros, entre 26 de agosto e 30 de setembro, no Centro Comunitário João Bosco Mota Amaral, em Água de Pau, e entre 2 e 6 de setembro, na residência da artesã, na freguesia da Ribeira Chã.

Na vila de Água de Pau, a artista vai privar com o artesão Alcídio Andrade e, na Ribeira Chã, com a artesã Lurdes Couto, onde irá aperfeiçoar a manipulação de algumas fibras vegetais (vime, espadana e folha de milho), fazendo contraste com o ferro, uma das matérias-primas preferenciais da artista para a criação das suas esculturas, lê-se, na mesma nota.

Estima-se que, a nível do trabalho com os artesãos, a residência artística tenha a duração de três semanas. O resultado desta residência vai ser incorporado nas peças que integram a coleção de arte da Câmara Municipal de Lagoa, “sem prejuízo de estar exposto em outros espaços culturais geridos pela autarquia”, explica o comunicado.

Sofia de Medeiros nasceu em Ponta Delgada, em 1975, onde reside e trabalha atualmente. É licenciada em Artes Plásticas – Escultura pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa e bacharel em Escultura pela Faculdade de Belas Artes do Porto. É mestre em História da Arte pela Universidade Lusíada de Lisboa. Expõe coletiva e individualmente desde 1997, em diversos locais como Porto, Lisboa, Guimarães, Coimbra, Nazaré, Óbidos, Ponta Delgada, Angra do Heroísmo. Está representada, ainda, em várias coleções públicas. 

Alcídio Andrade, natural de Água de Pau, nasceu, em 1980, tendo aprendido a arte de cestaria com o pai, João Andrade, e tem vindo a ministrar diversas formações, na ilha, e por todo o arquipélago dos Açores. Para além disso, participa em diversas feiras de artesanato nos Açores, no continente e no estrangeiro. Os seus trabalhos destacam-se por executar peças tradicionais e contemporâneas.

Lurdes Couto nasceu e cresceu na Ribeira Chã. Durante um período emigrou para as Bermudas. Foi empresária, tendo um estabelecimento de construção civil, ao longo de mais de 30 anos. Trabalha, essencialmente, no ramo do artesanato com várias fibras vegetais, entre as quais a espadana e folha de milho. Realizou trabalhos em espadana para um resort em São Miguel.

“Atualmente, no concelho de Lagoa, é reduzido o número de artesãos que se dedicam à arte de trabalhar as fibras vegetais, mostrando-se primordial investir na formação de novos artesãos e contribuir para a continuidade desta forma de arte, apostando na transmissão de saberes e técnicas às novas gerações”lê-se ainda na nota.

O projeto “Entrelaçar Fibras Vegetais” assenta em dois eixos de ação: o primeiro é dirigido à comunidade escolar; o segundo à comunidade em geral. Assim, no próximo ano letivo 2024/2025, na Escola Básica Integrada de Água de Pau, a componente de trabalho das fibras vegetais, nomeadamente o vime integra o plano curricular da disciplina de Educação Tecnológica, do 2.º e 3.º ciclos.