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Quando a decisão é morrer em casa no Fim de Vida…

Margarida Pinheiro
Enfermeira

Os Cuidados Paliativos são um conjunto de ações e cuidados que visam proporcionar conforto, dignidade e bem-estar ao doente e sua família em qualquer fase de uma doença grave e incurável.

O foco está no alívio do sofrimento e da qualidade de vida.

Os cuidados Paliativos devem ou precisam ser compreendidos como uma Política Pública e se integrar a todos os níveis de complexidade da saúde.

Devem ser uma grande aposta para garantir um serviço de 24 horas, que permita uma assistência atempada para quem decide morrer em casa com dignidade junto dos seus familiares sem sofrimento.

Enquanto não existirem acordos entre os Cuidados Paliativos e as equipas de Cuidados Domiciliários de cada Concelho, numa modalidade de avançarem para aliviar o sofrimento vão continuar a morrer em casa com sofrimento.

Infelizmente tive uma experiência recente, em que os Cuidados Paliativos dos Cuidados de Saúde Primários (CSP) estão sujeitos a um horário restrito, por escassez de recursos humanos, nomeadamente médicos, enfermeiros entre outros. Quando encerra os Paliativos dos CSP, a alternativa é contatar os Paliativos do Hospital. E contatei, mas a resposta foi transportar o familiar para a urgência do Hospital para o doente, em fase terminal, ser avaliado.

Mas a opção foi morrer em casa junto da sua família com dignidade, mas sem sofrimento. E o doente decide, mais uma vez, não ser transportado para a urgência.

E os momentos finais surgiram fora do horário, dos Cuidados Paliativos nos Cuidados de Saúde Primários, sim porque não existe apoio direto 24 horas, no domicílio.

A decisão do doente foi morrer em casa com os familiares, com muita dignidade, mas em sofrimento porque a tal oferta de suporte direto não existiu por não se enquadrar no horário estipulado.

A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos está disponível para colaborar com os decisores políticos. Tem que ser o mais célere possível porque tratam-se de Vidas Humanas que na fase final das suas Vidas têm o direito adquirido de falecer com assistência digna e tranquila junto dos seus familiares, com o possível conforto para uma partida serena e sem sofrimento.

Ponta Delgada acolhe exposição “Vozes e Vidas”

© ANDRÉ SAUDADE

O Parque Atlântico, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, associa-se às Jornadas Internacionais de Cuidados Paliativos dos Açores e às V Jornadas de Investigação da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos com a exposição “Vozes e Vidas”, uma mostra fotográfica que celebra a dedicação das equipas desta área da Saúde.

Patente entre 1 e 8 de novembro, no Piso 0 do centro comercial, a iniciativa nasce do encontro entre a arte e o cuidado, revelando o olhar de quatro fotógrafos que se uniram para dar rosto e voz ao trabalho desenvolvido por profissionais que acompanham, diariamente, pessoas em situação de maior vulnerabilidade.

Através de um registo sensível e intimista, “Vozes e Vidas” procura “mostrar o quotidiano, a empatia e a dignidade que definem a prática dos Cuidados Paliativos, convidando o público a refletir sobre a importância desta especialidade. Cada fotografia é um testemunho e uma história partilhada”, refere o comunicado de imprensa.

“Enquanto espaço de encontro e de comunidade, o Parque Atlântico tem procurado apoiar e dar visibilidade a iniciativas que valorizam as pessoas e o seu bem-estar. É um privilégio associarmo-nos às Jornadas e acolher esta exposição que nos recorda a beleza que existe no cuidar e a importância deste campo da Saúde”, refere João Pedro Mota, diretor do Parque Atlântico.

A entrada é livre e a exposição pode ser visitada durante o horário de funcionamento do centro comercial.