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Água de Pau concorre com biscoitos “Baceirinhos” a Academia Empreendedora

© CM LAGOA

A Casa do Povo de Água de Pau está a participar, pela segunda vez, no projeto Academia Empreendedora – Escola de Líderes, com uma ideia inovadora, um biscoito denominado “Baceirinhos”, segundo comunicado da Câmara Municipal da Lagoa.

O nome “Baceirinhos” foi atribuído pelos utentes da valência do Centro de Desenvolvimento e Inclusão Juvenil Trevo – CDIJT, da Casa do Povo de Água de Pau, para o projeto que será apresentado no Concurso Regional I9.Açores, promovido pela Direção Regional dos Açores, que irá decorrer de 21 a 25 de maio, na ilha de Santa Maria.

Como se lê na mesma nota, “os ‘baceirinhos’ são os típicos biscoitos, reinventados com sabores da terra, nomeadamente funcho, alecrim e pimenta da terra. A ideia, inovadora, de aliar os sabores da terra aos biscoitos, demonstra ter potencial para se apresentar a concurso, valorizando ainda o trabalho dos jovens que diariamente frequentam esta valência”.

A iguaria foi apresentada à presidente, Cristina Calisto, e ao vice-presidente, Frederico Sousa, da autarquia da Lagoa, que marcaram presença na apresentação do projeto, de acordo com a mesma nota. Foi também promovido um momento de convívio com os alunos que apoiaram o desenvolvimento da ideia. Houve ainda espaço para a degustação do produto e troca de impressões.

A autarquia refere também que de forma a enriquecer este projeto, foi desenvolvida, em conjunto com um habitante da vila de Água de Pau, uma máquina reutilizável que permite, de forma mais prática e cómoda, fazer os biscoitos ganharem forma, e que dá primazia à sustentabilidade e reutilização. Esta iniciativa foi desenvolvida pelos jovens integrados no CDIJ Trevo. No ano passado, participaram com uma queijada de limão galego, lembra o comunicado.

“A Casa do Povo de Água de Pau participa novamente no concurso, com esta iguaria que tem o nome original e que representa a história da população de Água de Pau”, finaliza a Câmara Municipal da Lagoa.

Se a avó Júlia emigrasse, não seria minha avó

Avó Júlia F. Simas e avô Mariano Lima por trás de sua filha Maria Lia e marido Manuel Egídio de Medeiros. Padrinhos: Ernestina e Alexandre Amaral – Rui Barreto Tavares do Canto e Engrácia de Medeiros © D.R.

Dou por mim a recordar a minha avó Julinha, as suas histórias e o tempo alegre da minha infância nas vindimas da casa da Galera, na Caloura da Vila de Água de Pau. Vou abrir uma janela no seu passado, para recordar a história que sua irmã mais nova, a Maria José, me contou sobre ela.

A minha mãe um dia avisou-me que preparasse o carro para ela, eu e meus irmãos irmos à Água D’Alto, sua terra natal, visitar sua tia Maria José, chegada da Califórnia. Tia Maria José emigrara para a Califórnia e de lá fizera carta de chamada aos irmãos Francisco, Manuel, Victorino e à irmã Rosário. Permaneceram em Água D’Alto as duas irmãs Júlia e a Maria de Jesus. Foi só em setembro de 1973 que a irmã Maria José regressou, pela primeira vez, à ilha de S. Miguel, desde que a deixara. Ela prometera regressar à Água D’Alto para abraçar Maria de Jesus, a sua única irmã ainda viva.

Naquele ano de 1973, eu tirara a carta de condução e dirigi o nosso Volkswagen até à porta da casa da tia Maria de Jesus, irmã da avó Júlia, falecida alguns anos antes. A sensação com que fiquei na altura foi que titia Maria José mostrou seu afeto por sua sobrinha Maria Lia, mas minha mãe demonstrou ainda maior alegria por a ver e abraçar. Desde criança, ouvíamos minha mãe falar com saudade, de seus tios e tias. Sempre gostei de ouvir histórias antigas da nossa família, e por isso, aproximei-me da tia Maria José da Califórnia, pedindo-lhe que me contasse a sua história de emigrante, pois fora a primeira dos irmãos a chegar à Califórnia. O seu semblante mudou, o sorriso desapareceu e em seu lugar a sua face enrijeceu e desagradada com o meu interesse, afastou-se. Envergonhado e sem perceber o que dissera que a deixara zangada, livrei-me do ambiente e fui para o balcão no exterior da casa esperar que terminasse a visita. Na hora de regressarmos a casa, nem me aproximei da tia Maria José para me despedir. Ela não gosta de mim, pensei. Mas ela veio ter comigo, puxou-me e disse-me, baixinho: “- Vou partir daqui a cinco dias, na terça-feira à tarde. Vem amanhã pelas nove horas e conto-te a história que querias saber.” E, nisso, agarrou-me e deu-me um beijo na face. No outro dia, sentados no balcão, em frente à porta do quintal, a tia Maria José avisou-me que me contaria a sua história, mas que não a poderia contar antes dela partir para a América. Prometi e só, anos mais tarde, pude contar o segredo que me confiou.

Na primeira metade do século XX, minha avó Júlia, e os seus seis irmãos viviam com os pais, Flora de Jesus Rego Quintanilha e Francisco Furtado Simas, numa casa da rua da Cruz, em Água D’Alto. Júlia namorava um rapaz da terra chamado José que ambicionava emigrar para a América, nem que fosse num barco baleeiro. De tronco robusto e mãos calejadas do rude trabalho nas terras da freguesia, meteu-se num desses barcos baleeiros que na torna viagem da faina nas ilhas do ocidente, passou em São Miguel. Júlia ficou vendo passar os dias, esperando notícias. Se tivesse sucesso, conseguisse trabalho e casa na Califórnia, José viria casar à ilha e levá-la para a América. O tempo foi passando e Júlia não tinha notícias de José. Na verdade, só escreveu a Júlia quase um ano depois, mas esta nunca receberia nem a primeira nem as cartas seguintes. Embora tardias, as que iam chegando, a irmã Maria José, a responsável da casa por ir aos correios levantar a correspondência, não as entregou à Júlia. A demora de José em escrever explica-se dado a América estar a recuperar da “depressão económica” e ele, nesses tempos difíceis, não ter encontrado trabalho. Um dia, sem forças e com fome, desfaleceu e caiu à entrada dum “farm” de. O proprietário recolheu-o, e deu-lhe trabalho. Alguns meses depois, já com trabalho e casa onde ficar, tratou de escrever a Júlia várias cartas que nunca tiveram resposta. Passaram-se alguns anos e, entretanto, Júlia sem notícias, pensara que José, ou tinha morrido ou casado na Califórnia. Apareceu então Mariano de Lima, emigrante nas Bermudas, de regresso a Água D’Alto que lhe pediu namoro, e, depois, casamento. Júlia aceitou. Maria José escreve a José para a Califórnia dando conta de que Júlia, sua irmã, se tinha casado, mas que ele não ficasse triste, porque na verdade quem sempre mais gostara dele fora ela – a Maria José. José fica desiludido, mas, atribui ao destino o facto de não poder casar com Júlia. Por isso, depois de pensar algum tempo, decidiu mandar buscar Maria José para a Califórnia. Com ela se casou e teve cinco filhas.

Júlia acreditou em Maria José quando esta lhe disse que José desistira dela, até porque agora já pensava apenas no seu Mariano de Lima. Júlia Furtado Simas e Mariano de Lima, meus avós, tiveram dois filhos, Victorino Furtado Lima e Maria Lia Lima, minha mãe. No início de 1950, meus avós mudaram-se de Água D’Alto para uma propriedade com casa na Galera, em Água de Pau. Foi aí que meu pai conheceu minha mãe, e se casaram a 30 de novembro desse ano.

No início de 1990, Mabel e Adelina, duas das filhas de tia Maria José vêm de Kerman (Fresno), Califórnia, à ilha para conhecerem os primos em São Miguel. Por coincidência, o táxi que as trazia do aeroporto, parou na frente do nosso supermercado A Cova da Onça. Depararam com minha mãe e perguntaram-lhe se sabia onde vivia sua prima Maria Lia, porque traziam indicação para perguntar por ela, em Água de Pau. Adivinhem a alegria deste reencontro!

Todos, primos e primas, recordamos a história, que lhes contei apenas, depois da tia avó Maria José Furtado Simas ter falecido. Todos estamos felizes porque, se assim não tivesse acontecido, não estaríamos cá para a contar.

Estudantes da Escola Básica de Água de Pau premiados em concurso de ilustração

© D.R.

Três grupos de estudantes da Escola Básica Integrada de Água de Pau foram distinguidos no “Concurso de Ilustração – Desenhar pela Democracia 2024” e premiados com um workshop de Serigrafia que teve lugar a 3 de abril, nas Oficinas de São Miguel.

As ilustrações dos grupos “25” (composto por Ana Rebelo e Letícia Raposo), “Livres” (Manuel Sousa e Letícia Raposo) e “Plantamos Liberdade” (Bruno Raposo e Matias Rebelo) serão reproduzidas em t-shirts que serão usadas na marcha performativa “Assembleia em Movimento – Transmalhar pela Democracia”, que pretende celebrar os 50 anos da Democracia em Portugal, na cidade de Ponta Delgada, no dia 25 de abril.

Os trabalhos/ilustrações selecionados respondem, do ponto de vista artístico e pessoal, às questões: “O que é/o que representa para ti a Democracia?”, “Para que serve a Democracia?”, e “Que futuro desejas para a Democracia?”.

O concurso foi promovido pela Anda&Fala – Associação Cultural, no final de março, e foi direcionado a jovens residentes em São Miguel, entre os 14 e os 25 anos, no âmbito do projeto de educação pela arte Transmalhar.

Na avaliação das candidaturas, a Comissão de Apreciação composta por Lívia Diniz (diretora artística da Marcha), dois elementos representantes da Anda&Fala – Associação Cultural e dois elementos representantes das Oficinas de São Miguel teve em atenção a adequação ao tema proposto (Democracia), o mérito artístico e a viabilidade de execução do projeto em impressão serigráfica, segundo nota de imprensa da Anda&Fala.

Orgulho Pauense. A casa do Capitão-mor de Água de Pau

Roberto Medeiros

Antigo solar do Capitão-mor da Vila de Água de Pau, João Policarpo Botelho Arruda. A construção de uma casa com esse porte em Água de Pau, leva-nos a pensar nos grandes desta Vila, quando foi sede de concelho de 1515 a 1853, sete anos antes da Lagoa ter sido também elevada a concelho em 1522.

© D.R.

Homens grandes e patriotas viveram, caminharam pelas ruas desta Vila e armaram-se cavaleiros, indo defender Portugal nas lutas contra os infiéis inimigos mouros em terras longínquas da pátria. Regressando em 1525 trouxeram «louvores e méritos» que se lhes foram dados pelo rei de Portugal. Não os querendo para si, ofereceram-nos à sua Igreja. Ainda hoje vemos esse registo no brasão que em cima a imagem da Senhora dos Anjos, no altar da capela principal da igreja. Igreja, capelas, ermidas e solares são parte do legado patrimonial que os grandes da Vila de Água de Pau nos deixaram. Devemos por isso, honrar aqueles que nos legaram tanto e importante património, estendendo-lhes um tapete à frente de cada um dos edifícios históricos — em sua memória — como forma de respeito e agradecimento.

A Casa do Povo aqui instalada neste nobre edifício e a Junta de Freguesia na antiga Casa da Estrela, no Largo do Santiago, já o estão fazendo há já alguns anos. Todos os que vivem em casas apalaçadas e históricas, como esta, nesta Vila de Água de Pau, deviam fazer o mesmo ou pedir apoio às entidades autárquicas, para pelo menos no dia 15 de Agosto poderem estender também o seu tapete de flores com a dignidade que os nossos «Grandes de Água de Pau» merecem.

Quem ama o seu passado, reconhece o presente e acredita no futuro e a Vila de Água de Pau tem um passado histórico que todos os pauenses devem se orgulhar.

Halloween na EBI de Água de Pau

EBIAguaPau_Halloween

Os alunos do 2º e 3ºciclos da EBI de Água de Pau participaram, no dia 31 de outubro, num Peddy Paper relativo ao Halloween.

A investigação e pesquisa sobre o tema, a audição da canção “Thriller” de Michael Jackson e a construção de figuras típicas – bruxas, feiticeiros, abóboras, fantasmas…- foram algumas das atividades desenvolvidas.    

Em grupos de tês elementos, 20 equipas envolveram-se numa competição que, através da promoção do espírito de inter-ajuda e cooperação, da criatividade e da originalidade, contribuiu para aprofundar os conhecimentos dos alunos relativos à celebração do dia das bruxas – – Hallowen – nos países anglo-saxónicos.

DL/EBI Agua de Pau

(Leia a noticia completa na edição impressa de dezembro).