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Como era antigamente? Iluminação pública e luz elétrica

Sandra Monteiro

 

Nos primeiros anos do século XX, com a iluminação elétrica pretendia-se garantir bem-estar e qualidade de vida às populações, permitindo o desfrutar de um espaço em período noturno, prevenindo a criminalidade, embelezando áreas e monumentos, valorizando prédios e paisagens, orientando percursos e permitindo o melhor aproveitamento de áreas de lazer. Por outro lado, favorecia o comércio, o turismo, a atividade cultural, bem como o desenvolvimento social e económico da população.

A iluminação pública era uma das competências da Câmara Municipal da Lagoa. Na ata da sessão ordinária de 4 de março de 1911, o Presidente informou que o contrato da iluminação pública, celebrado em 1904 entre a Câmara e o concessionário, abrangia um total de 150 lâmpadas para a Vila e Água de Pau mas, quando se fez a sua distribuição, verificou-se que eram insuficientes então, em sessão de 15 outubro de 1904, deliberou aumentar o número de lâmpadas e procedeu-se à sua instalação.

Em 1914, surgiu uma grande discussão numa reunião extraordinária sobre a importância da iluminação pública a luz elétrica. Referiu-se que a Câmara deveria dar o seu parecer se consideraria ou não de utilidade pública as instalações elétricas existentes e, depois de discutido o assunto, foi decidido que era de grande proveito para o Concelho, pois a luz elétrica era o melhor dos sistemas de iluminação, em vez da deficiente, perigosa e excessivamente incómoda luz de petróleo. A Câmara acrescentou que a empresa fornecedora podia e devia dispor, para o público, de luz mais barata estendendo assim, este melhoramento aos menos favorecidos, já que todos os mecanismos da empresa eram movidos a água, achando, por isso, que as tarifas máximas em vigor eram inaceitáveis. Avaliou-se o fornecimento e concluiu-se que as instalações elétricas, no concelho, satisfaziam as exigências do fornecimento de energia, tanto para a iluminação pública, como para a particular. No entanto, destacaram-se os problemas pontuais como o mau tempo e os fortes vendavais frequentes na ilha, dando-se interrupções de corrente por os fios se tocarem ou por postes derrubados pela violência dos temporais. Contudo, como a empresa fazia todo o possível para evitar tais interrupções, estas eram cada vez mais raras.

Nesta mesma reunião, observou-se os benefícios da eletricidade para a atividade industrial do concelho, apesar do queixume dos industriais sobre o preço excessivo desta energia. De igual modo, o comércio lucrara com o estabelecimento da luz elétrica, ficando ao abrigo do perigo de incêndios e de explosões que oferecia o petróleo e o gás, como igualmente lucrou a higiene pública pois o fumo repugnante do petróleo e o cheiro nauseabundo do gás era prejudicial à saúde.

Todavia, a eletricidade ainda gerava alguns descontentamentos. Um deles era a questão da segurança, pois as linhas não se encontravam devidamente resguardadas e faltando-lhes proteção, no crescimento de ruas e no atravessamento de quintais e casas. Outro problema, continuamente apresentado, era o preço da eletricidade. António Cordeiro, gerente da Empresa de Eletricidade e Gás de Ponta Delgada, concessionário do fornecimento da iluminação pública a luz elétrica do concelho, acordava, por vezes, o preço da iluminação pública que tinha de ser elevado de acordo com a lei. Tomando-se por base o preço mensal de 5$34 porque era fornecida a particulares, cada lâmpada elétrica de 16 velas, sendo de 170 o número de lâmpadas elétricas de 16 velas da iluminação pública do concelho, este tinha de pagar anualmente, à dita empresa 5.574$96, a começar a 1 Janeiro 1928, isto é, 50% a menos do que era vendida a particulares. Em 1930, o mesmo gerente compareceu na Câmara da Lagoa e disse que, tendo terminado o prazo estabelecido para o fornecimento da iluminação pública do concelho a luz elétrica, propunha uma renovação do mesmo contrato por mais 15 anos, tornando-o extensivo ao fornecimento de energia aos particulares, para iluminação, força motriz e aquecimento. Apresentou várias condições, entre elas que o número de lâmpadas a empregar na iluminação pública fosse de 242 lâmpadas de 16 velas, 7 lâmpadas de 25 velas, 4 lâmpadas de 50 velas, 1 lâmpadas com 100 velas que seriam colocadas nos sítios que fossem fixados pela Câmara. No contrato estabelecido, competia à Empresa a aquisição e conservação de todos os aparelhos e o fornecimento do material para a produção de energia elétrica, bem assim como a montagem da rede de distribuição, ficando a cargo da Câmara apenas a substituição das lâmpadas empregadas na iluminação pública, anilhas, suportes e abat-jours.

A iluminação elétrica chegou também ao interior dos edifícios, sendo feita a referência às escolas de Instrução Pública, através dos ofícios enviados pelos professores, para que ficasse paga a despesa da iluminação, dos cursos noturnos, tão importantes para alfabetizar a população lagoense. A título de exemplo, a professora oficial da escola do sexo feminino de Água de Pau, D. Beatriz Augusta da Costa, pediu que lhe fosse dispensada a luz necessária para continuar a lecionar, até julho, seis alunos que propunha para exame do primeiro grau. Outro caso foi o da professora oficial da escola mista de Instrução Primária da Ribeira Chã, Francelina Olímpia de Medeiros Paiva, que remeteu a conta da despesa com a iluminação do curso noturno, a seu cargo, durante o ano letivo que havia findado.

Em conclusão, na imagem, um pouco mais recente do que os dados descritos, podem-se ver fios elétricos e candeeiros na fachada da Igreja.

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