
Álvaro Borges
Os Estados Unidos da América e Israel lançaram mão de uma intervenção em território iraniano, configurando uma flagrante violação grosseira do Direito Internacional.
Os objetivos da guerra, que foram variando para Donald Trump ao longo dos dias, não foram alcançados. Assistimos a uma “trégua” de duas semanas de guerra. Será esta pausa uma ilusão?
Em junho de 2025, Trump declarou que os EUA tinham obliterado as principais instalações nucleares do Irão e que dificilmente a República Islâmica teria condições de construir armas nucleares. Hoje, é claro para todos que o programa nuclear foi atrasado, mas nunca eliminado. Julgamos que o Irão tem capacidade suficiente para construir centrifugadoras de enriquecimento de urânio, cuja localização se desconhece. Procurar ou resgatar cerca de 440 quilos de urânio enriquecido através de forças especiais terrestres israelo-americanas é entrar num terreno complexo, irrealista e desfasado da realidade. Desta forma, é extremamente difícil que o eixo EUA-Israel consiga somente através da força aérea sonegar este objetivo nuclear do Irão.
Além disso, a eliminação e a degradação total do programa de mísseis balísticos do Irão foi outro objetivo fundamental para os EUA. Trump tem afirmado que cerca de 90% dos mísseis e lançadores do Irão foram eliminados, e que drones e fábricas estão muito reduzidos. Apesar de reconhecermos que houve danos operacionais significativos, nomeadamente em instalações de produção e locais de armazenamento, erradicar o conhecimento técnico e científico é navegar numa fantasia. Entendemos que a indústria iraniana está em posição, embora com forte limitação e degradação grave, de voltar a longo prazo à sua capacidade de produzir o seu arsenal, visto que estes mísseis balísticos não são importados.
Quanto ao grande objetivo de eliminar a marinha e a força aérea do Irão, em boa verdade os Estados Unidos e Israel detêm superioridade aérea nos céus do Irão, mas não detêm a exclusividade desse espaço aéreo. Exemplo disso foi o incidente do abate de um avião F15 americano pelas forças iranianas. Este objetivo é talvez aquele que os EUA e Israel alcançaram.
A mudança de regime iraniano não funcionou. O impacto que teve em segmentos da sociedade não resultou, embora tenha eliminado grande parte de estruturas militares de topo. O supremo líder do Irão foi morto e substituído pelo seu filho Mojtaba Khamenei.
Donald Trump, na sua retórica e ultimato para que o Irão abrisse o estreito de Ormuz ou “toda uma civilização morreria”, conseguiu uma trégua de duas semanas profundamente ambígua.
Entretanto, apesar de uma trégua periclitante alcançada, e dos ataques de Israel ao Líbano contra o grupo Hezbollah, podemos ver que o estreito de Ormuz continua sob forte influência iraniana e fechado ainda em grande parte à navegação. As últimas informações apontam que o Irão poderá permitir a passagem de um máximo de 15 embarcações por dia através do estreito de Ormuz, segundo a agência de notícias estatal russa TASS, citando uma fonte iraniana não identificada, tal a ser verdade “é uma gota no meio do oceano” Ainda assim, e embora ainda não confirmado, o Irão poderá querer impor uma taxa de passagem no estreito.
Entretanto, o grande ponto de tensão continua a ser o estreito de Ormuz. A circulação do petróleo mundial permanece condicionada, com profundas restrições, limites de passagem e possíveis taxas impostas pelo Irão. Um corredor vital transformado num instrumento político e económico com uma enorme pressão permanente.
Quais foram afinal as vantagens desta intervenção? A leitura imediata aponta-nos para um cenário ambíguo: um golpe estratégico para Donald Trump. Um estreito antes aberto, agora instável e intermitente. Mercados em convulsão. E uma sensação crescente de que o controlo da situação é mais frágil do que parecia.
Resta-nos as conversações entre os intervenientes. Que não haja colapso. Não podemos prever o que sairá destas conversações, que têm o Paquistão como um dos maiores ativos para o fim do conflito e a reabertura do estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20 % de todo o petróleo do mundo.
Temos muitas dúvidas sobre a exequibilidade destas conversações, uma trégua frágil e periclitante.
Será que o ego de Benjamin Netanyahu e Donald Trump não vai prevalecer? Temos muitas dúvidas.
A única certeza é que quem sofre com isto tudo são as pessoas, os mais frágeis, os inocentes.

José Estêvão de Melo
Engenheiro Informático
Os números da operação Páscoa 2026 são desoladores: 20 mortos, 53 feridos graves e 845 feridos ligeiros, distribuídos por um total de 2.602 acidentes. Em termos de fiscalização, foram controlados mais de 52.000 condutores.
Analisando os dados dos últimos cinco anos, a partir de 2022 e excluindo o período anterior marcado pela distorção da pandemia, o número médio de mortos por operação é de 9,4, enquanto os feridos graves se situam nos 39 e os acidentes nos 1.915.

Apesar da subida gradual em praticamente todos os indicadores, 2026 não é apenas mais um ano pior. É um ano fora da escala. E isso exige mais do que uma reação imediata. Exige análise. Não deve ser descartado como um simples outlier, nem usado como pretexto para respostas automáticas de eficácia duvidosa, como o aumento indiscriminado de multas.
A primeira conclusão é desconfortável. O aumento da fiscalização não apresenta um impacto direto e mensurável na redução de acidentes, mortos ou feridos. Mas isso não significa que a fiscalização não funcione. Significa que pode não estar a ser aplicada onde mais importa.
Entre as estradas com maior sinistralidade em Portugal, o padrão repete-se com consistência. A A5, que liga Lisboa a Cascais, e o IC19, entre Lisboa e Sintra, surgem regularmente entre as vias com mais acidentes e concentram também uma parte significativa da fiscalização, pela densidade de tráfego e facilidade logística. Ainda assim, apesar do elevado número de ocorrências, trata-se sobretudo de acidentes menos letais. Já em estradas nacionais como a EN125, no Algarve, o cenário é diferente. Há menor presença de fiscalização contínua e maior gravidade nos acidentes. Os dados globais ajudam a clarificar esta diferença. As estradas nacionais representam cerca de 20% dos acidentes, mas concentram mais de 30% das vítimas mortais. O resultado é um desalinhamento difícil de ignorar. Fiscaliza-se com maior intensidade onde há mais circulação, mas é fora desses eixos que os acidentes tendem a ser mais fatais.
Se cruzarmos volume de tráfego com sinistralidade, o contraste torna-se ainda mais evidente. Em vias como o IC19, com tráfego médio diário acima dos 90.000 veículos, ou a A5, que frequentemente ultrapassa os 60.000, o número absoluto de acidentes é elevado, mas a letalidade relativa mantém-se baixa. Já em estradas nacionais como a EN125, com volumes tipicamente entre 10.000 e 30.000 veículos por dia, a proporção de acidentes graves e mortais é significativamente superior. Os dados agregados confirmam este padrão. As estradas nacionais concentram cerca de 20% dos acidentes, mas mais de 30% das mortes, enquanto as autoestradas, apesar de suportarem a maior fatia do tráfego, apresentam uma taxa de mortalidade bastante inferior. Traduzindo isto num indicador simples, mortes por mil milhões de veículos, o risco em estradas nacionais pode ser duas a três vezes superior ao das autoestradas. O problema não está apenas onde se conduz mais, mas onde cada quilómetro percorrido tem maior probabilidade de terminar mal.
Esta leitura é necessariamente superficial. Cruza dados disponíveis, mas não esgota a complexidade do problema. Ainda assim, é suficiente para pôr em causa uma conclusão cómoda. A de que mais multas ou mais fiscalização, em termos absolutos, são por si só a solução. Os números sugerem o contrário. Fiscaliza-se mais, sanciona-se mais, e nem por isso o risco diminui onde mais importa. O problema não parece estar na quantidade, mas na forma. Não é apenas fiscalizar mais, é fiscalizar melhor, onde o risco é efetivamente maior e com critérios que tenham impacto real no comportamento. E é, sobretudo, intervir nas condições em que se conduz. Melhor sinalização, desenho de vias mais consistente e gestão de tráfego mais inteligente. Sem isso, continuaremos a medir esforço, mas não necessariamente resultados.

O Pavilhão Professor Jorge Amaral, no lugar dos Remédios, volta a ser o epicentro do desporto regional este sábado, dia 11 de abril. Coincidindo com as celebrações do feriado municipal, o recinto acolhe o Torneio de Judo Cidade da Lagoa, uma organização do Judo Clube da Lagoa (Judolag) que conta com o apoio direto da autarquia lagoense e da Associação de Judo do Arquipélago dos Açores. Segundo nota de imprensa enviada pela autarquia lagoense, a prova mobilizará mais de 150 pessoas, entre atletas, técnicos e equipas de arbitragem, consolidando o judo como uma das modalidades com maior expressão e número de praticantes no concelho.
A competição, que cumpre a sua quarta edição consecutiva naquele pavilhão, terá lugar durante o período da manhã e será dividida em três momentos distintos de acordo com as idades dos judocas. O primeiro grupo a entrar no tatami será composto pelos atletas nascidos a partir de 2017, seguindo-se o escalão dos jovens nascidos entre 2014 e 2017. O encerramento das competições caberá aos atletas nascidos a partir de 2013, englobando escalões que vão desde os benjamins aos juniores. O evento culminará com a entrega de troféus, cerimónia que contará com a presença do vice-presidente da Câmara Municipal da Lagoa, Nelson Santos.
A edição de 2026 traz consigo uma novidade de relevo na vertente da inclusão: a participação de atletas de desporto adaptado, provenientes do clube anfitrião e da Academia de Judo Samurai. No total, marcarão presença quatro emblemas da ilha de São Miguel: o Judolag, o Judo Clube de Ponta Delgada, o Clube de Judo da Ribeira Grande e a Academia de Judo Samurai. Esta iniciativa surge num momento de particular reconhecimento para o concelho, que foi recentemente galardoado com o título nacional de “Destino Desportivo do Ano”, prémio que distingue a estratégia local de valorização da atividade física e o papel fundamental de eventos desta natureza na dinamização da economia e comunidade do lugar dos Remédios.

O Museu Carlos Machado inaugura, no próximo dia 15 de abril, às 18h00, no Núcleo de Santo André, a instalação artística “DAS CINZAS — Catástrofe e adaptação nos Açores”. A exposição é da autoria do artista norte-americano Champ Turner e resulta de um processo de investigação que cruza artes visuais, geografia humana e história ambiental, baseando-se em pesquisa de arquivo, coleções museológicas e práticas artísticas. Segundo a nota de imprensa enviada pelo Museu, o projeto propõe uma profunda reflexão sobre a memória das catástrofes naturais que marcaram o arquipélago e os subsequentes processos de adaptação das suas populações.
A exposição estrutura-se em seis momentos cruciais da história dos Açores, abrangendo eventos como sismos, erupções vulcânicas e crises agrícolas que, ao longo de cinco séculos, moldaram a paisagem física, social e cultural das ilhas. No centro de “DAS CINZAS” está um diálogo dinâmico entre peças do acervo do Museu Carlos Machado, incluindo objetos históricos, espécimes e fotografias da coleção, e obras originais criadas por Champ Turner, que exploram disciplinas como a escultura, o desenho, a cartografia artística e o vídeo. A instalação ficará patente no Núcleo de Santo André até ao mês de junho de 2026.
Integrada nas comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, que este ano se foca no tema “Património vivo: resposta de emergência em contextos de conflitos e desastres”, realizar-se-á, no dia 18 de abril, às 14h30, uma visita guiada conduzida pelo próprio artista. Esta iniciativa é de entrada livre, mediante a aquisição do bilhete do museu. Champ Turner, nascido em Austin, Texas, em 2001, é artista visual e investigador, licenciado com distinção pela Brown University em Artes Visuais e Assuntos Internacionais e Públicos. É bolseiro da Fulbright Portugal e a sua prática artística foca-se nas relações entre paisagem, memória e transformação ambiental, tendo já apresentado o seu trabalho em exposições individuais e sido reconhecido com prémios e distinções.

O Campo de São Francisco, em Ponta Delgada, transformou-se no passado fim de semana num centro dinâmico de promoção do bem-estar com a realização do evento “PDL + Saúde”. A iniciativa, organizada pela Câmara Municipal de Ponta Delgada, assinalou o Dia Mundial da Saúde e da Atividade Física, atraindo cerca de uma centena de participantes logo durante o período da manhã. Segundo nota de imprensa enviada pela autarquia, o evento contou com a presença da vereadora com a tutela da área social, Cristina do Canto Tavares, e do vice-presidente do município, Pedro Furtado, que acompanharam de perto as atividades destinadas a todas as faixas etárias.
Para Cristina do Canto Tavares, o sucesso da adesão reflete uma mudança de hábitos na população, referindo que “este número demonstra uma crescente consciência da importância destas atividades para o bem-estar da população”. A vereadora sublinhou que a autarquia tem mantido um esforço contínuo na promoção de estilos de vida saudáveis, com um programa anual que inclui aulas gratuitas de yoga, treino funcional no Pavilhão Carlos Silveira e sessões de atividade física especificamente dirigidas à população sénior nos centros de convívio do concelho.
O programa do “PDL + Saúde” primou pela diversidade, oferecendo desde aulas de zumba, pilates e crossfit até sessões de danças urbanas e hip hop, incentivando o movimento ao ar livre. Paralelamente à vertente desportiva, a vertente clínica ocupou um lugar de destaque no “Espaço Saúde – Tenda”. Neste local, foram realizados rastreios gratuitos à tensão arterial, visão, saúde oral e índice de massa corporal, além de sensibilizações focadas na saúde mental e no rastreio de monóxido de carbono. A iniciativa contou ainda com mostras de produtos biológicos e sessões de showcooking, integrando a nutrição no conceito de saúde holística.
A realização desta jornada reforça igualmente a posição de Ponta Delgada na Rede Portuguesa de Municípios Saudáveis. Apesar de a saúde não ser uma competência direta dos municípios, Cristina do Canto Tavares destacou a responsabilidade social da autarquia: “Assumimos como missão promover a literacia e a consciência em saúde, através de parcerias relevantes”. Para a concretização do evento, o município contou com a colaboração de diversas entidades, entre as quais a USISM, a Clínica de São Gonçalo, o Hospital do Divino Espírito Santo e várias associações locais, consolidando uma rede de apoio à saúde de proximidade na maior cidade da ilha de São Miguel.

O grupo parlamentar do PS-Açores alertou para o atraso na publicação do Decreto Regulamentar Regional de Execução do Orçamento de 2026, uma situação que, passados mais de três meses sobre o início do ano económico, pode comprometer a aplicação plena e atempada das políticas públicas na região.
Para o vice-presidente da bancada socialista, Carlos Silva, “este atraso levanta dúvidas ao cumprimento e à capacidade do governo regional em assegurar uma execução eficaz do orçamento aprovado, criando incerteza nos serviços e entidades públicas”.
O socialista recorda que a lei é clara ao determinar que o governo deve garantir as condições para que o orçamento entre em execução no início do ano, através da aprovação dos instrumentos regulamentares necessários, algo que, até à data, não aconteceu.
“Não estamos perante uma questão meramente formal. A ausência deste diploma pode traduzir-se numa execução tardia ou condicionada de medidas essenciais para os açorianos”, sublinhou.
Nesse sentido, o PS-Açores quer saber por que motivo o diploma ainda não foi publicado, quando prevê o governo fazê-lo e que consequências práticas esta ausência já teve no funcionamento da administração regional.
Os socialistas pretendem ainda perceber que orientações têm sido seguidas pelos serviços públicos na ausência deste enquadramento legal e se foram emitidas instruções internas para colmatar esta falha.
Para Carlos Silva, é fundamental garantir que “este atraso não venha a comprometer investimentos e respostas que são essenciais para a vida das famílias e das empresas açorianas”, exigindo ao governo regional transparência e responsabilidade na execução do orçamento de 2026.

O deputado da Iniciativa Liberal (IL) no Parlamento dos Açores, Nuno Barata, solicitou o agendamento de uma interpelação ao governo regional para debater um tema que considera “absolutamente estratégico para o futuro dos Açores”: a preparação do próximo quadro financeiro plurianual da União Europeia para o período 2028-2034.
Reconhecendo que os fundos europeus “foram importantes” para a melhoria da qualidade de vida nas ilhas açorianas, ao longo das últimas duas décadas e meia, o parlamentar liberal não deixa, porém, de sublinhar que “os muitos milhões de euros que estiveram ao dispor das sucessivas governações regionais não foram suficientes para transformar estruturalmente a economia dos Açores”.
Ora, perante as notícias que chegam de Bruxelas sobre a proposta de orçamento da União Europeia para os próximos seis anos, apresentada pela Comissão Europeia e em negociação com os Estados-membros, Nuno Barata entende que “importa os açorianos estarem a par das negociações e diligências que a região está a desenvolver”.
“Este tema é absolutamente estratégico para o futuro dos Açores. A proposta apresentada pela Comissão Europeia levanta questões profundas sobre o futuro da política de coesão, sobre o papel das regiões e sobre a forma como os fundos europeus serão distribuídos e geridos e nada se sabe sobre a forma como o governo regional está a preparar-se para defender os Açores no quadro das políticas públicas europeias”, afirmou o deputado da IL.

O presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), Luís Garcia, anunciou o lançamento do concurso de fotografia “50 Anos de Autonomia”, uma iniciativa que resulta de uma parceria entre o Parlamento açoriano e a Associação de Fotógrafos Amadores dos Açores (AFAA), com o objetivo de “valorizar a identidade açoriana, a memória coletiva e o percurso democrático do arquipélago”.
A iniciativa, integrada nas comemorações do cinquentenário da Autonomia, “pretende celebrar o caminho feito ao longo de cinco décadas na Região, valorizando a forma como os açorianos se veem a si próprios e ao seu território, através da arte e da criatividade”, afirmou o presidente do Parlamento durante a assinatura do protocolo de cooperação entre a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores e a Associação de Fotógrafos Amadores dos Açores (AFAA).
As candidaturas, abertas a todos os fotógrafos, amadores e profissionais, residentes ou não nos Açores, abrem na próxima segunda-feira, dia 13 de abril e decorrem até 31 de agosto de 2026. Sob o tema “Ser Açores”, o concurso convida os participantes a explorar uma identidade moldada pelo mar, pelo isolamento e pela resiliência, desafiando-os a refletir sobre o passado, a interpretar o presente e imaginar o futuro da autonomia açoriana.
Cada participante poderá submeter até quatro fotografias, sem restrições quanto às técnicas utilizadas, devendo os trabalhos refletir adequação ao tema proposto, impacto visual, qualidade técnica, composição e mensagem. O júri será composto pelo fotojornalista da SIC, Rui Caria e pelos fotógrafos independentes Luís Godinho e Pepe Brix, em representação da AFAA e, em representação da ALRAA, Hélio Silveira e Isabel Nolasco, ambos fotógrafos amadores e técnicos superiores da ALRAA.
A exposição resultante do concurso terá carácter itinerante e será composta por uma seleção de vinte fotografias, sendo atribuídos três prémios monetários aos trabalhos vencedores. A inauguração da exposição e a apresentação dos resultados terão lugar no dia 20 de outubro, no átrio da Assembleia Legislativa, na cidade da Horta, ilha do Faial.
O regulamento completo estará disponível a partir do dia 13 de abril no site oficial da Assembleia Legislativa, em www.alra.pt, bem como nas redes sociais da ALRAA e da AFAA.

O presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, recebeu esta manhã, no Palácio de Santana, o vice-presidente executivo da Comissão Europeia para a Coesão e Reformas, Raffaele Fitto. A audiência de apresentação de cumprimentos, inserida numa deslocação oficial a Portugal que contempla Lisboa e o arquipélago, foca-se no diálogo sobre o futuro da política de coesão e na estratégia europeia para as Regiões Ultraperiféricas (RUP). Segundo nota enviada à redação pela Presidência do Governo Regional, este encontro assume uma importância crítica por ocorrer num momento determinante para a definição do próximo Quadro Financeiro Plurianual, que ditará os apoios europeus aos Açores nos próximos anos.
A visita é o culminar de um esforço diplomático iniciado no final de 2025, em Bruxelas, durante o High-Level Outermost Regions Forum, onde Bolieiro convidou formalmente o comissário europeu a visitar a Região. Para o líder do executivo açoriano, a presença de Fitto é um sinal de proximidade institucional. “Recebemos esta visita com grande apreço, pela atenção e compromisso que revela para com os Açores”, afirmou o presidente do Governo, que classificou o responsável europeu como “um verdadeiro aliado das Regiões Ultraperiféricas” e conhecedor profundo das especificidades e dos desafios que estes territórios enfrentam na atual fase de transição europeia.
Após a audiência inicial, a agenda prosseguiu com uma reunião de trabalho alargada a vários membros do Governo dos Açores, dedicada à apresentação da visão regional sobre as políticas e instrumentos financeiros da União Europeia. O programa da tarde reserva uma componente prática de visita ao terreno, com passagens pelo conjunto habitacional Trás-os-Mosteiros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), e pelo Ecoparque da Ilha de São Miguel (MUSAMI), projeto cofinanciado pelo FEDER.
José Manuel Bolieiro sublinhou que este contacto direto com as obras permite evidenciar “o impacto concreto das políticas europeias na vida dos açorianos”, reforçando a necessidade de uma política de coesão forte e ajustada à realidade insular. O governante expressou ainda o seu reconhecimento pela disponibilidade de Raffaele Fitto em regressar futuramente para uma visita mais alargada a outras ilhas do arquipélago.

O piloto açoriano Pedro Câmara Jr. deu um passo decisivo na sua carreira desportiva ao realizar o primeiro teste oficial com a equipa The Racing Factory, marcando também o seu contacto inicial com o Peugeot 208 Rally4. Segundo nota de imprensa enviada à redação do Diário da Lagoa, esta sessão de trabalho serviu de preparação para a ambiciosa estreia do jovem talento no Campeonato de Portugal de Ralis (CPR), permitindo uma integração direta numa das estruturas de maior relevo no panorama do automobilismo nacional.
O ensaio, focado na afinação do carro e na evolução técnica do piloto, contou com o apoio de engenharia especializada, algo que Câmara Jr. considera fundamental nesta fase: “Foi um grande dia. Ter do meu lado uma equipa e um engenheiro deste nível faz uma grande diferença na minha evolução”, destacou o piloto, sublinhando que o dia foi, acima de tudo, de aprendizagem e progresso no setup da viatura.
A jornada de testes não foi isenta de dificuldades, com o clima a impor desafios extra que acabaram por valorizar a experiência. O piloto enfrentou um cenário de lama, chuva e nevoeiro, condições que, embora rigorosas, foram vistas como uma oportunidade de crescimento. “As condições estavam bastante difíceis, o que acabou por tornar o teste ainda mais desafiante, mas também mais enriquecedor”, explicou Pedro Câmara Jr. Durante a sessão, o jovem teve ainda o privilégio de partilhar a pista e conhecimentos com Armindo Araújo, o pluricampeão nacional de ralis, cuja presença descreveu como uma ajuda preciosa no seu processo de maturação competitiva.
Com os olhos postos na próxima semana, o foco da equipa vira-se agora para o Rali Terras d’Aboboreira, a prova que assinala o arranque do Nacional. Pedro Câmara Jr. assume uma postura de humildade e realismo, definindo como meta principal a conclusão das provas para acumular a experiência necessária em estradas continentais. “Quero estar a um bom nível, mas a competir apenas comigo próprio. O importante é terminar os ralis, fazer quilómetros e sentir-me cada vez mais confortável com tudo”, afirmou. Antes de partir para este novo capítulo, o piloto fez questão de agradecer à equipa, aos patrocinadores e, de forma especial, à sua família, reforçando que o apoio dos pais tem sido o pilar que lhe permite continuar a lutar pelo sonho no desporto motorizado.