Fechados em casa!!! Como sobreviver piscologicamente ao Covid-19

Foto: DR

No passado dia 18 de março foi decretado estado de emergência nacional, medida que nos obriga a ficar em casa, ou melhor, a sair o mínimo possível e em condições específicas.
Se para alguns, esta medida foi vista como um tempo de “férias” ou de descanso, passado alguns dias já todos sentimos que esta é uma tarefa difícil e o entusiasmo das supostas “férias” ficou pelo caminho. Efetivamente, foi-nos imposto um grande desafio a nível psicológico. Permanecer em casa fechado, para quem vive num espaço pequeno; com crianças ou adolescentes; quando se padece de problemas de saúde psicológica grave, como o autismo; de qualquer perturbação física ou mental, como o pânico, é muito exigente.
A Ordem dos Psicólogos Portugueses está atenta a este enorme desafio e deixa-lhe aqui alguns conselhos para viver em situação de isolamento, sem e com crianças.

• Mantenha-se informado mas limite a sua exposição às notícias, para não aumentar a sua ansiedade e preocupação. Todos os dias, às 16h00 a RTP-A transmite informação “verdadeira” sobre a situação nos Açores.

• Mantenha o contacto com amigos e familiares. Falar com pessoas de quem gosta e de quem confia é uma das melhores formas de reduzir a ansiedade. Aproveite as tecnologias para falar “cara a cara” através de videochamadas, use as redes sociais, mail, telefone ou crie grupos no Messenger.

• Realize atividades que goste. Leia um livro, veja filmes (preferencialmente que o façam rir), cuide das suas plantas, borde, envolva-se em qualquer atividade que lhe dê prazer e tranquilidade.

• Mantenha as suas rotinas e atividades. Levante-se à hora habitual, vista-se e faça as refeições a horas. Se está a fazer teletrabalho escolha um lugar tranquilo e peça para não o incomodarem.

• Faça exercício físico e tenha uma alimentação equilibrada. Dance, faça uma caminhada (é possível até 2 pessoas) ou siga vídeos no YouTube. Prefira alimentos saudáveis que lhe fazem sentir bem e irão melhorar a sua aparência.

• Mantenha-se esperançoso e confiante que tudo vai correr bem. Fale com amigos e se possível com profissionais. Confie nas suas capacidades para lidar com situações adversas e recorra às estratégias que costumam resultar consigo em situações difíceis.
Se estiver em isolamento com crianças, este desafio poderá ser particularmente exigente. As crianças podem sentir-se tristes, com medo, confusas com a alteração das rotinas diárias e com saudades dos amigos. Podem fazer mais “birras” e mostrar-se mais dependentes, irritáveis e terem dificuldade em adormecer. Neste caso:
• Aceite que existirão conflitos e “birras”. Seja compreensivo e paciente perante estes comportamentos e tente resolvê-los rapidamente para ganhar maior controle sobre a situação

• Dê-lhes oportunidade para expressarem os seus sentimentos e receios. Explique-lhes o que se passa e tranquilize-as utilizando linguagem apropriada à idade. Se adequado, use os seus heróis preferidos para lhes dar força para lidarem com a situação.

• Procure manter as actividades diárias habituais, nomeadamente a hora das refeições e de ir dormir, proporcionando-lhes espaço para brincar.

• Encare a situação de isolamento como uma oportunidade de passarem mais tempo juntos e realizarem actividades em conjunto. Seja criativo e procure fazer atividades divertidas para si e para elas. Lembre-se que “rir é o melhor remédio”.

• Limite o tempo de televisão. Aproveitem para realizar actividades para as quais não costumam ter tempo: jogos de tabuleiro, desenhos, leitura, cozinhar.

• No caso de ter crianças em idade escolar, verifique se o professor lhes enviou informação de estudo ou trabalhos.

Por último, MUITO IMPORTANTE, tire algum tempo por dia para descansar e fazer aquilo que gosta. Havendo mais de um adulto em casa, podem fazer isto à vez. Se está sozinho, aproveite o tempo em que as crianças estão a dormir ou a fazer alguma atividade. Lembre-se que para cuidar deles terá também de cuidar de si.

M. Luz Melo, Presidente da Delegação Regional dos Açores da Ordem dos Psicólogos Portugueses

(Artigo de opinião publicado na edição digital de abril de 2020)

Categorias: Opinião

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