{"id":9832,"date":"2014-10-03T11:00:47","date_gmt":"2014-10-03T11:00:47","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodalagoa.pt\/?p=9832"},"modified":"2025-09-27T21:45:35","modified_gmt":"2025-09-27T21:45:35","slug":"os-bispos-de-angra-e-ilhas-dos-acores-parte-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodalagoa.pt\/es\/os-bispos-de-angra-e-ilhas-dos-acores-parte-2\/","title":{"rendered":"Os Bispos de Angra e Ilhas dos A\u00e7ores:  D. Manuel de Almada (1564 \u2013 1567)"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image is-style-rounded\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Miguel-Amaral.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-103586\"\/><figcaption><strong>Jos\u00e9 Amaral<\/strong><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Foi o 4.\u00ba bispo de Angra, tendo governado a diocese de 1564 a 1567. Durante a crise da sucess\u00e3o que se seguiu \u00e0 morte do cardeal-rei D. Henrique foi um dos poucos prelados que apoiou o Prior do Crato.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Manuel de Almada nasceu em Lisboa, destinado \u00e0 vida sacerdotal, foi ordenado padre muito cedo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">O padre Manuel de Almada foi doutor em C\u00e2nones pela Universidade de Coimbra, tendo exercido diversos cargos eclesi\u00e1sticos, entre os quais o de Desembargador dos Agravos, chantre da S\u00e9 de Lisboa, inquisidor e deputado da Mesa da Consci\u00eancia e conservador das Ordens Militares. Foi tamb\u00e9m governador da Rela\u00e7\u00e3o do Porto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Foi capel\u00e3o-mor de D. Catarina de \u00c1ustria, vi\u00fava do rei D. Jo\u00e3o III de Portugal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Em 1564 o cardeal Henrique de \u00c9vora, regente em nome do rei D. Sebasti\u00e3o de Portugal, apresentou Manuel de Almada para prelado da Diocese de Angra, no qual foi confirmado pela Santa S\u00e9. Sagrado bispo, D. Manuel de Almada tomou posse da sua diocese por procura\u00e7\u00e3o, nunca nela entrando. Governou por meio de uma junta por ele nomeada e composta de tr\u00eas membros do cabido.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Ao ser feito confessor da rainha renunciou ao bispado de Angra a 26 de Setembro de 1567, tendo antes tentado que o a\u00e7oriano Dr. Gaspar Frutuoso aceitasse o governo da diocese como vig\u00e1rio geral, o que n\u00e3o conseguiu.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Durante este episcopado come\u00e7aram a ter aplica\u00e7\u00e3o nos A\u00e7ores as decis\u00f5es do Conc\u00edlio de Trento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">*********************************************************************************<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>D. Nuno Alvares Pereira (1568-1570)<\/strong><\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\"> Foi o 5.\u00ba bispo da Diocese de Angra, tendo-a governado de 1568 a 1570. Era doutor em C\u00e2nones pela Universidade de Coimbra e fora visitador do bispado de Angra em 1542 e do Arcebispado de Lisboa no tempo do cardeal-infante D. Henrique.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Durante o seu curto governo, este prelado dedicou-se \u00e0 causa da constru\u00e7\u00e3o de uma nova catedral que substitu\u00edsse a acanhada igreja de S\u00e3o Salvador, que fora elevada a S\u00e9 com a cria\u00e7\u00e3o da diocese de Angra em 1534, e por conseguir melhores condi\u00e7\u00f5es de sustenta\u00e7\u00e3o para o clero das ilhas, face \u00e0 limita\u00e7\u00e3o das c\u00f4ngruas que ent\u00e3o auferiam.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Outra a\u00e7\u00e3o a que se dedicou foi \u00e0 dignifica\u00e7\u00e3o do culto divino na ent\u00e3o jovem s\u00e9 angrense, conseguindo o aumento do seu n\u00famero de c\u00f3negos e capel\u00e3es e contratando os primeiros mo\u00e7os do coro, aos quais dava uma vestimenta vermelha.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Interessou-se pela constru\u00e7\u00e3o de novos templos e pela repara\u00e7\u00e3o das primitivas igrejas constru\u00eddas durante a fase inicial do povoamento, para tal criando as f\u00e1bricas administrativas das igrejas paroquiais. Teve de extinguir, por uma provis\u00e3o, a reparti\u00e7\u00e3o dos encargos nas obras nas igrejas paroquiais entre os gastos feitos nas capelas-mores paroquiais, que cabiam ao rei como gr\u00e3o-mestre da Ordem de Cristo a quem fora doada a administra\u00e7\u00e3o religiosa, e o resto, a suportar pelo povo e pelos capit\u00e3es do donat\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Conseguiu tamb\u00e9m que o gr\u00e3o-mestre da Ordem de Cristo (o rei) delegasse no bispo a nomea\u00e7\u00e3o dos isto \u00e9 dos cargos eclesi\u00e1sticos que lhe pertenciam, fazendo doa\u00e7\u00e3o aos bispos do direito de nomear os cl\u00e9rigos para as dignidades que n\u00e3o tivessem anexado o of\u00edcio de pregador. A partir da\u00ed todos os benef\u00edcios, assim curados como simples, passaram a ser providos por oposi\u00e7\u00e3o e editais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Ainda durante o governo deste prelado chegaram a Angra os primeiros padres da Companhia de Jesus, os quais se instalaram nas casas sitas junto \u00e0 ermida de Nossa Senhora das Neves \u00e0 Rocha, que ent\u00e3o pertenciam ao capit\u00e3o-mor Jo\u00e3o da Silva do Canto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Coube a este prelado decidir o conflito de nulidade de votos e perp\u00e9tua clausura interposto por Ant\u00f3nia dos Anjos, abadessa do Mosteiro das Chagas da ent\u00e3o vila da Praia, ao tempo uma causa que apaixonou a popula\u00e7\u00e3o da ilha Terceira. No ano de 1568 foi deferido, com o apoio do bispo, o requerimento da C\u00e2mara de Angra feito no ano de 1557 para se fazer uma nova s\u00e9.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Os esfor\u00e7os que D. Nuno \u00c1lvares Pereira desenvolveu em prol da nova s\u00e9 s\u00f3 foram coroados de \u00eaxito p\u00f3stumo, pois faleceu a 20 de Agosto de 1570, a escassos tr\u00eas meses do lan\u00e7amento da obra. Foi o segundo bispo a ser sepultado na capela-mor da S\u00e9 Velha de Angra.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">*********************************************************************************<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>D. Gaspar de Faria (1571-1576)<\/strong><\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\"> Foi o 6.\u00ba bispo de Angra, tendo governado a diocese entre 1571 e 1576. Era cl\u00e9rigo do h\u00e1bito de S\u00e3o Pedro, doutor em Sagrados C\u00e2nones pela Universidade de Coimbra, sendo, \u00e0 data da sua apresenta\u00e7\u00e3o para o bispado de Angra, vig\u00e1rio-geral do Arcebispado de Lisboa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Ap\u00f3s ser confirmado bispo de Angra, deu entrada na sua diocese no ano de 1572. Entre as suas primeiras a\u00e7\u00f5es conta-se a cria\u00e7\u00e3o das vigarias correspondentes \u00e0s atuais freguesias de S\u00e3o Pedro e de S\u00e3o Bento da cidade de Angra.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Foi um dos primeiros prelados angrenses a visitar as ilhas pertencentes \u00e0 diocese, havendo not\u00edcia de que celebrou missa pontifical na Matriz de S\u00e3o Sebasti\u00e3o da cidade de Ponta Delgada. Tamb\u00e9m se lhe atribui a cria\u00e7\u00e3o, por volta de 1576, da freguesia de S\u00e3o Pedro da Ribeira Seca, nos sub\u00farbios da ent\u00e3o vila da Ribeira Grande.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">H\u00e1 not\u00edcia de ter celebrado Pontifical Solene na igreja paroquial do Esp\u00edrito Santo da freguesia da Vila Nova em dia de Pentecostes, sinal de que aquela povoa\u00e7\u00e3o do Ramo Grande j\u00e1 era no s\u00e9culo XVI o centro do culto do Divino Esp\u00edrito Santo na ilha Terceira.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Obteve alvar\u00e1 r\u00e9gio de D. Jo\u00e3o III de Portugal, datado de 4 de Setembro de 1572, para que as c\u00f4ngruas do clero terceirense fossem pagas duas partes em trigo e uma em dinheiro e nas restantes ilhas metade em trigo e metade em dinheiro. Neste alvar\u00e1 avalia-se o trigo a 3$300 r\u00e9is o moio, o que prova a sua abund\u00e2ncia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Alegando a frescura dos ares e a qualidade das \u00e1guas, este prelado habitou por muito tempo numa sua quinta sita nas margens da Ribeira dos Moinhos, na freguesia da Agualva, na costa norte da ilha Terceira. Esta quinta ainda ostenta na frontaria as armas episcopais, existindo a tradi\u00e7\u00e3o de que o bispo nela teria enterrado uma \u00abgrande baixela de prata e algum dinheiro\u00bb, ao que parece j\u00e1 recuperada por ulteriores propriet\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Faleceu repentinamente quando se encontrava na S\u00e9 de Angra. Foi enterrado naquele templo, junto do altar do Sant\u00edssimo Sacramento, da parte da Ep\u00edstola.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">*********************************************************************************<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>D. Pedro de Castilho (1578 &#8211; 1583)<\/strong><\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\"> Foi o 7.\u00ba bispo da Diocese de Angra, governando-a de 1578 a 1583, depois bispo de Leiria e por duas vezes vice-rei de Portugal durante o reinado de Filipe III de Espanha.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">O bispo D. Pedro de Castilho nasceu em Coimbra, seguiu a carreira das letras na Universidade de Coimbra, e depois de ser Mestre de Arte (1562), principiou a estudar teologia. Mais tarde mudou de faculdade, cursando a Faculdade de C\u00e2nones, onde se formou em Teologia e C\u00e2nones, de que fez exame privado, licenciando-se mais tarde (1572) nesta \u00faltima mat\u00e9ria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Ordenado sacerdote, foi prior da igreja de S\u00e3o Salvador de \u00cdlhavo e beneficiado da igreja de Santo Andr\u00e9 de Celorico de Basto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Por merc\u00ea do cardeal D. Henrique foi nomeado deputado do Santo Of\u00edcio em Coimbra, onde iniciou fun\u00e7\u00f5es a 16 de Fevereiro de 1575, e logo de seguida feito visitador da diocese de Coimbra quando nela era bispo D. Manuel de Meneses.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>A) A\u00e7\u00e3o na Diocese de Angra<\/strong><\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\"> Foi proposto 7.\u00ba bispo de Angra por el-rei D. Sebasti\u00e3o e confirmado pelo Papa Greg\u00f3rio XIII, pela bula Gratiae divinae premium, de 4 de Julho de 1578. Sagrado bispo, partiu naquele ano para os A\u00e7ores, s\u00f3 tomando, contudo, posse da Diocese em data posterior a 18 de Janeiro de 1579.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Na sua a\u00e7\u00e3o pastoral, o bispo D. Pedro de Castilho mostrou-se zeloso na reforma dos costumes e grande observador dos ditames conciliares tridentinos. Criou na ilha de S\u00e3o Miguel a freguesia de S\u00e3o Jos\u00e9, na cidade de Ponta Delgada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Foi tamb\u00e9m este bispo quem ordenou que se fizesse o sum\u00e1rio dos milagres da vener\u00e1vel Margarida de Chaves, que intitulava mulher de prodigiosa vida, que havia falecido em odor de santidade na ilha S\u00e3o Miguel no ano de 1575.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Foram desde cedo p\u00fablicas e not\u00f3rias as disputas e conflitos deste bispo com o corregedor Cipri\u00e3o de Figueiredo, que se agudizaram sobremaneira com as perturba\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que se seguiram \u00e0 morte do Cardeal D. Henrique. Essas disputas for\u00e7aram o bispo D. Pedro de Castilho, partid\u00e1rio ostensivo de Filipe II de Espanha, a deixar a cidade de Angra, afeta ao Prior do Crato.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Foi assim refugiar-se em S\u00e3o Miguel, evitando as amea\u00e7as do corregedor Cipri\u00e3o de Figueiredo e aos \u00f3dios populares que a sua op\u00e7\u00e3o pelo rei castelhano lhe tinham concitado na Terceira.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Na ilha de S\u00e3o Miguel a presen\u00e7a do bispo foi instrumental na aclama\u00e7\u00e3o de Filipe II e na rejei\u00e7\u00e3o do apoio a D. Ant\u00f3nio. Por a\u00e7\u00e3o do bispo, coadjuvado pelo capit\u00e3o donat\u00e1rio daquela ilha, foi jurada obedi\u00eancia a Filipe II e quando a armada francesa ao servi\u00e7o de D. Ant\u00f3nio tentou submeter a ilha em Julho de 1582, o castelo de S\u00e3o Br\u00e1s resistiu, for\u00e7ando um desembarque hostil.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Ap\u00f3s a batalha naval de Vila Franca, D. Pedro de Castilho foi recebido com todas as honras a bordo do gale\u00e3o S\u00e3o Martinho, a capitania de D. \u00c1lvaro de Baz\u00e1n, tendo partido para Lisboa a bordo da armada castelhana quando esta regressou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">B) <strong>Falecimento e sepultura<\/strong><\/span><br \/><span style=\"color: #000000;\"> D. Pedro de Castilho morreu em Lisboa a 31 de Mar\u00e7o de 1613, estando sepultado numa capela por si fundada na igreja do Convento de S\u00e3o Domingos de Lisboa.<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Foi o 4.\u00ba bispo de Angra, tendo governado a diocese de 1564 a 1567. 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