{"id":157581,"date":"2025-07-10T15:47:08","date_gmt":"2025-07-10T15:47:08","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodalagoa.pt\/?p=157581"},"modified":"2025-07-10T15:50:15","modified_gmt":"2025-07-10T15:50:15","slug":"projeto-terras-do-cha-da-nova-vida-a-antiga-escola-da-lombinha-da-maia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodalagoa.pt\/es\/projeto-terras-do-cha-da-nova-vida-a-antiga-escola-da-lombinha-da-maia\/","title":{"rendered":"Projeto Terras do Ch\u00e1 d\u00e1 nova vida \u00e0 antiga escola da Lombinha da Maia"},"content":{"rendered":"<h3 class=\"wp-block-heading\">Edif\u00edcio do Estado Novo foi transformado numa incubadora cultural. Os visitantes s\u00e3o levados numa viagem no tempo at\u00e9 aos anos 50, 60 ou 70 do s\u00e9culo XX. O dia a dia do comum a\u00e7oriano \u00e9 vis\u00edvel em todas as salas<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"640\" src=\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/terras-do-cha-acacio-mateus.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-157582\" srcset=\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/terras-do-cha-acacio-mateus.jpg 960w, https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/terras-do-cha-acacio-mateus-300x200.jpg 300w, https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/terras-do-cha-acacio-mateus-768x512.jpg 768w, https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/terras-do-cha-acacio-mateus-18x12.jpg 18w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sup>Locais e turistas v\u00e3o descobrindo a Incubadora Cultural Terras do Ch\u00e1 <mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">\u00a9 AC\u00c1CIO MATEUS<\/mark><\/sup><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<p>A fachada n\u00e3o engana. A antiga escola prim\u00e1ria da Lombinha da Maia foi constru\u00edda durante o per\u00edodo ditatorial do Estado Novo (1941-1969) e o primeiro sinal da divis\u00e3o entre rapazes e raparigas salta \u00e0 vista mal se entra no edif\u00edcio do Plano dos Centen\u00e1rios: duas portas lado a lado que encaminhavam os alunos para salas diferentes. Os rapazes entravam por uma e as raparigas por outra, sem se misturarem.<\/p>\n<p>No presente, as portas l\u00e1 permanecem, mas a segrega\u00e7\u00e3o deu lugar a um espa\u00e7o de partilha, de conhecimento e de lazer. A escola da Lombinha da Maia foi reabilitada para nela ser instalado o projeto Terras do Ch\u00e1, uma incubadora cultural que tamb\u00e9m \u00e9 um museu pois, no primeiro andar, existe muito para ver e descobrir.<\/p>\n<p>Acomodada num edif\u00edcio do Plano dos Centen\u00e1rios, a incubadora cultural Terras de Ch\u00e1 \u00e9 titulada pela Casa do Povo da Maia, conta com curadoria do Museu Carlos Machado e o apoio da F\u00e1brica de Ch\u00e1 da Gorreana. A transforma\u00e7\u00e3o realizada permitiu unir tradi\u00e7\u00e3o, cultura e inova\u00e7\u00e3o num \u00fanico espa\u00e7o.<br \/>Ao entrar no edif\u00edcio, \u00e0 direita, uma imagem forte: a fotografia de um casal nas lides de casa, mormente na cozinha. A pobreza n\u00e3o passa despercebida aos olhares, registada na altura por Laudalino da Ponte Pacheco, fot\u00f3grafo que marca presen\u00e7a constante ao longo do edif\u00edcio atrav\u00e9s de outras fotografias que fazem os visitantes recuar no tempo.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed entra-se num mundo de descobertas. No r\u00e9s-do-ch\u00e3o foi recriada a antiga mercearia a\u00e7oriana, com m\u00f3veis de madeira e produtos a granel. Aqui tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel degustar produtos regionais como o ch\u00e1, queijadas de queijo de cabra, de ab\u00f3bora ou batata-doce, mel ou pimenta da terra, receitas ancestrais que transportam os visitantes atrav\u00e9s do palato.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o s\u00f3 de doces se faz o sucesso da incubadora. Desde o frango assado aos bifinhos de porco \u00e0 regional, passando pelo bacalhau frito aos chicharros com molho de vil\u00e3o, qualquer pessoa pode encomendar refei\u00e7\u00f5es para <i>take-away<\/i>. Assim se faz a nova vida da antiga escola da Lombinha da Maia.<\/p>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Primeiro andar com hist\u00f3ria<\/strong><\/h3>\n\n\n<p>A subida ao primeiro \u00e9 ladeada por fragmentos da hist\u00f3ria. Os alguidares de barro, as peneiras, os boi\u00f5es de salgar carne, as vassouras de milho e at\u00e9 a r\u00e9plica de um cafu\u00e3o fazem os visitantes recuar at\u00e9 aos 50, 60 ou 70 do s\u00e9culo XX, quando a matan\u00e7a do porco era uma festa de fam\u00edlia, quando se secavam chicharros-caneco dentro de casa pendurados em canas ou vimes. Quando os jornais serviam de papel de parede. Quando um saco de pl\u00e1stico substitu\u00eda o vidro nas portas. Quando os ch\u00e3os eram de terra batida. Quando at\u00e9 as casas mais pobres eram feitas de palha.<\/p>\n<p>Trata-se do Espa\u00e7o de Mem\u00f3ria com Cinema porque tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel assistir a um v\u00eddeo com cerca de vinte minutos que mostra a az\u00e1fama coletiva da matan\u00e7a do porco. Tudo isto alicer\u00e7ado no Laborat\u00f3rio de Salvaguarda da Gastronomia Tradicional que estuda as receitas a\u00e7orianas e garante que a culin\u00e1ria tradicional seja perpetuada pelas gera\u00e7\u00f5es vindouras.<br \/>\u00c9 tamb\u00e9m no primeiro andar que se encontra uma exposi\u00e7\u00e3o de fotografia de Laudalino da Ponte<\/p>\n<p>Pacheco, fot\u00f3grafo da Maia que registou o quotidiano da freguesia durante cerca de quarenta anos em mais de 150 mil imagens.<\/p>\n<p>Depois da segrega\u00e7\u00e3o durante o Estado Novo, a visita termina numa mesa comunit\u00e1ria que convida \u00e0 degusta\u00e7\u00e3o dos sabores da terra, ao conv\u00edvio e \u00e0 troca de impress\u00f5es. \u00c9 tamb\u00e9m local de partilha entre locais e muitos turistas que, devagarinho, v\u00e3o descobrindo a Incubadora Cultural Terras do Ch\u00e1.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Edif\u00edcio do Estado Novo foi transformado numa incubadora cultural. 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