{"id":151109,"date":"2025-04-03T17:29:22","date_gmt":"2025-04-03T17:29:22","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodalagoa.pt\/?p=151109"},"modified":"2025-09-27T21:50:51","modified_gmt":"2025-09-27T21:50:51","slug":"um-breve-dialogo-com-pedro-chagas-freitas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodalagoa.pt\/es\/um-breve-dialogo-com-pedro-chagas-freitas\/","title":{"rendered":"Um breve di\u00e1logo com Pedro Chagas Freitas"},"content":{"rendered":"<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"639\" src=\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/pedro-chagas-freitas-c-goncalo-delgado.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-151110\" srcset=\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/pedro-chagas-freitas-c-goncalo-delgado.jpeg 960w, https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/pedro-chagas-freitas-c-goncalo-delgado-300x200.jpeg 300w, https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/pedro-chagas-freitas-c-goncalo-delgado-768x511.jpeg 768w, https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/pedro-chagas-freitas-c-goncalo-delgado-18x12.jpeg 18w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sup><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">\u00a9 GON\u00c7ALO DELGADO<\/mark><\/sup><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<p><strong>Quem sou eu?<\/strong><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><br \/><\/span>Sou um exagero ambulante. Como pessoa, sou o caos organizado pelo amor, uma tempestade que se acalma quando encontra um olhar sincero. Como escritor, sou a tentativa de transformar esse caos em palavras que respirem, que gritem, que amem. Escrevo porque s\u00f3 assim me sinto inteiro. H\u00e1 quem viva a vida a tentar sobreviver; eu escrevo para tentar viver melhor. A minha escrita \u00e9 um reflexo do que sou: imperfeito, apaixonado, intenso. Quero que cada palavra minha fa\u00e7a algu\u00e9m sentir, mesmo que seja raiva, porque pior do que sentir algo \u00e9 n\u00e3o sentir nada.<\/p>\n<p><strong>O que o Benjamin me ensinou?<\/strong><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><br \/><\/span>Ensinou-me que o amor n\u00e3o precisa de explica\u00e7\u00e3o. Que ser pai \u00e9 desaprender a viver sozinho, porque, a partir do momento em que nasce um filho, j\u00e1 n\u00e3o existimos apenas para n\u00f3s. Ele ensinou-me que a vida \u00e9 feita de detalhes pequenos que, no fundo, s\u00e3o enormes. Que um sorriso pode salvar um dia inteiro. Que um abra\u00e7o pode ser casa. Que o tempo passa depressa demais e que estar presente \u00e9 a \u00fanica forma de realmente viver. Com ele aprendi a amar de forma incondicional, a aceitar que o erro faz parte do crescimento e que amar algu\u00e9m \u00e9 desejar que seja sempre maior do que n\u00f3s.<\/p>\n<p><strong>Como surgiu a escrita?<\/strong><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><br \/><\/span>Surgiu como tudo o que \u00e9 inevit\u00e1vel: sem aviso. Eu era um mi\u00fado que se encantava pelas palavras, que descobria na literatura uma forma de fugir e, ao mesmo tempo, de me encontrar. Sempre escrevi para tentar compreender a vida, para tentar organizar o caos dentro de mim. Inspiro-me na vida, que \u00e9 o maior livro j\u00e1 escrito. Nos olhares que se cruzam sem se verem. Nos amores que nascem sem se entenderem. Nas dores que ningu\u00e9m v\u00ea, mas que est\u00e3o l\u00e1. Escrevo porque, se n\u00e3o escrevesse, sentiria que n\u00e3o estava a viver por completo.<\/p>\n<p><strong>Como lido com cr\u00edticas?<\/strong><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><br \/><\/span>Mal, como qualquer ser humano. D\u00f3i sempre saber que algu\u00e9m n\u00e3o gostou do que escrevemos, porque cada palavra que coloco no papel vem de mim. Mas aprendi que as opini\u00f5es s\u00e3o como os ventos: algumas ajudam a navegar, outras apenas fazem barulho. Nem todas merecem ser escutadas. Algumas s\u00e3o construtivas e ajudam-me a crescer; outras s\u00e3o apenas \u00f3dio disfar\u00e7ado. N\u00e3o posso escrever para agradar a todos, porque, se o fizesse, deixaria de escrever para mim. E a \u00fanica forma de ser verdadeiro \u00e9 escrever sem medo, aceitando que nunca vamos ser un\u00e2nimes \u2013 e ainda bem.<\/p>\n<p><strong>Sobre &#8220;O Hospital de Alfaces&#8221;<\/strong><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><br \/><\/span>\u00c9 um livro sobre o que nos salva. Sobre o absurdo e o essencial. Sobre o que parece estranho, mas \u00e9 profundamente humano. \u00c9 uma viagem ao improv\u00e1vel, mas que, no fundo, \u00e9 muito mais real do que parece. Fala de um hospital onde a cura acontece de formas inesperadas, onde a esperan\u00e7a se veste de surpresa. Foi um dos livros que mais me desafiaram a escrever, porque me obrigou a questionar tudo aquilo que damos por garantido. No fundo, \u00e9 um livro sobre o que significa realmente estar vivo \u2013 e o que estamos dispostos a fazer para continuar a estar.<\/p>\n<p><strong>Ser escritor \u00e9 ser intenso<\/strong><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><br \/><\/span>Sempre. Porque escrever \u00e9 arrancar o cora\u00e7\u00e3o e coloc\u00e1-lo em cada palavra. Sem intensidade, a escrita \u00e9 um corpo sem alma. Ser escritor \u00e9 viver em extremos: ou se sente tudo, ou n\u00e3o se sente nada. Escrevo com todas as c\u00e9lulas do meu corpo, porque n\u00e3o sei fazer de outra forma. Cada texto \u00e9 um mergulho sem saber se h\u00e1 \u00e1gua. Cada livro \u00e9 um grito que espero que algu\u00e9m escute. Escrever \u00e9 sentir tudo ao mesmo tempo e tentar transformar isso em algo que fa\u00e7a sentido. \u00c9 loucura, \u00e9 amor, \u00e9 necessidade. Ser escritor \u00e9 ser vivo em dobro.<\/p>\n<p><strong>O efeito dos meus livros nas pessoas<\/strong><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><br \/><\/span>Saber que um livro meu aproxima pessoas \u00e9 um dos maiores presentes que posso receber. A escrita \u00e9 um abra\u00e7o em forma de palavras. \u00c9 uma ponte entre quem l\u00ea e quem sente. Saber que &#8220;Prometo Falhar&#8221; serviu para fortalecer a vossa amizade enche-me de gratid\u00e3o. A literatura tem esse poder incr\u00edvel: faz-nos sentir menos sozinhos. E, no fundo, todos escrevemos \u2013 e lemos \u2013 para isso: para nos encontrarmos no outro. Obrigado por partilhares essa hist\u00f3ria comigo.<\/p>\n<p><strong>Os meus emojis para si.<\/strong><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><br \/><\/span>Porque palavras \u00e0s vezes s\u00e3o demasiado pequenas. Um emoji pode ser um afago, um &#8220;estou aqui&#8221;. E estou. Mesmo sem saber quem \u00e9s, soube que as palavras precisavam de um toque extra, de um sinal silencioso de que eram para ti. Porque escrever n\u00e3o \u00e9 apenas colocar palavras no mundo \u2013 \u00e9 fazer com que algu\u00e9m se sinta visto. E se, de alguma forma, esses emojis foram um empurr\u00e3o, fico feliz. Talvez a literatura seja isso: um conjunto de pequenos empurr\u00f5es na dire\u00e7\u00e3o certa.<\/p>\n<p><strong>A nova gera\u00e7\u00e3o e a escrita<\/strong><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><br \/><\/span>Escrevem como vivem: intensamente, com urg\u00eancia, com sangue. E isso \u00e9 maravilhoso. A literatura precisa sempre de novas feridas e novas curas. Vejo uma gera\u00e7\u00e3o que j\u00e1 n\u00e3o tem medo de se expor, que n\u00e3o quer apenas contar hist\u00f3rias, mas senti-las. Isso faz-me acreditar que a escrita nunca vai morrer, porque enquanto houver quem queira transformar dor em arte, a literatura continuar\u00e1 a respirar. Cada \u00e9poca tem os seus escritores, e cada escritor tem o seu tempo. O importante \u00e9 continuar a escrever, a arriscar, a encontrar novas formas de fazer com que as palavras nos salvem.<\/p>\n<p><strong>O meu futuro<\/strong><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><br \/><\/span>Continuar a escrever. Continuar a amar. Continuar a falhar. Porque \u00e9 falhando que prometo continuar. O futuro, para mim, \u00e9 um livro que ainda n\u00e3o escrevi. Sei que quero continuar a ser algu\u00e9m que acredita no poder das palavras, que n\u00e3o tem medo de errar, que vive com intensidade. Quero escrever hist\u00f3rias que fa\u00e7am algu\u00e9m sentir-se menos sozinho, que sirvam de abrigo, de espelho, de impulso. N\u00e3o sei onde estarei amanh\u00e3, mas sei que estarei sempre onde a escrita me levar. Enquanto houver algo para contar, eu estarei aqui.<\/p>\n<p>Poderia descrever um tanto sobre o Pedro, ou poderia ser s\u00f3 mais um Pedro, mas nunca ser\u00e1 um resumo. O Pedro, al\u00e9m de escritor e orador, foi dos muito poucos que me deu conforto na escrita e, s\u00f3 por isso, tem todo o meu respeito e admira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A humanidade que \u00e9 escassa em muitos, transborda no Pedro.<\/p>\n<p>Obrigada Pedro.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cronista do Di\u00e1rio da Lagoa, Beatriz Moreira da Silva, conversou com o escritor Pedro Chagas Freitas e partilha hoje connosco a ess\u00eancia desse di\u00e1logo.<\/p>","protected":false},"author":2,"featured_media":151110,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[12],"tags":[193,754,2644,2645],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v20.10 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Um breve di\u00e1logo com Pedro Chagas Freitas - Di\u00e1rio da Lagoa<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"A cronista do Di\u00e1rio da Lagoa, Beatriz Moreira da Silva, conversou com o escritor Pedro Chagas Freitas e partilha hoje connosco a ess\u00eancia desse di\u00e1logo.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/es\/um-breve-dialogo-com-pedro-chagas-freitas\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Um breve di\u00e1logo com Pedro Chagas Freitas - Di\u00e1rio da Lagoa\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"A cronista do Di\u00e1rio da Lagoa, Beatriz Moreira da Silva, conversou com o escritor Pedro Chagas Freitas e partilha hoje connosco a ess\u00eancia desse di\u00e1logo.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/es\/um-breve-dialogo-com-pedro-chagas-freitas\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Di\u00e1rio da Lagoa\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2025-04-03T17:29:22+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2025-09-27T21:50:51+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/pedro-chagas-freitas-c-goncalo-delgado.jpeg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"960\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"639\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Di\u00e1rio da Lagoa\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Di\u00e1rio da Lagoa\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tiempo de lectura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"6 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/um-breve-dialogo-com-pedro-chagas-freitas\/\",\"url\":\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/um-breve-dialogo-com-pedro-chagas-freitas\/\",\"name\":\"Um breve di\u00e1logo com Pedro Chagas Freitas - Di\u00e1rio da Lagoa\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/#website\"},\"datePublished\":\"2025-04-03T17:29:22+00:00\",\"dateModified\":\"2025-09-27T21:50:51+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/#\/schema\/person\/1615a002370e8857b6f972834bc43ece\"},\"description\":\"A cronista do Di\u00e1rio da Lagoa, Beatriz Moreira da Silva, conversou com o escritor Pedro Chagas Freitas e partilha hoje connosco a ess\u00eancia desse di\u00e1logo.\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/um-breve-dialogo-com-pedro-chagas-freitas\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"es\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/um-breve-dialogo-com-pedro-chagas-freitas\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/um-breve-dialogo-com-pedro-chagas-freitas\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Um breve di\u00e1logo com Pedro Chagas Freitas\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/#website\",\"url\":\"https:\/\/diariodalagoa.pt\/\",\"name\":\"Di\u00e1rio da Lagoa\",\"description\":\"Di\u00e1rio da Lagoa. 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