{"id":150259,"date":"2025-03-04T15:51:29","date_gmt":"2025-03-04T15:51:29","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodalagoa.pt\/?p=150259"},"modified":"2025-09-27T21:55:01","modified_gmt":"2025-09-27T21:55:01","slug":"limas-malassadas-e-dancas-dos-cadarcos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodalagoa.pt\/es\/limas-malassadas-e-dancas-dos-cadarcos\/","title":{"rendered":"Limas, malassadas e dan\u00e7as dos cadar\u00e7os"},"content":{"rendered":"

O proj\u00e9til passou de rasp\u00e3o por cima da minha cabe\u00e7a e espapa\u00e7ou-se na janela do r\u00e9s-do-ch\u00e3o, num tilintar de estilha\u00e7os de vidro sobre a cal\u00e7ada. Do outro lado da rua, no andar de cima, uma cortina a bambinar e gargalhadas abafadas denunciavam a origem do m\u00edssil.<\/p>\n

Foi assim, espantado e assustado, que a dona da casa me apanhou ao abrir de repente a porta da sua casa.<\/p>\n

– Ah, dem\u00f3nios d\u2019um corisco, que j\u00e1 me partiram um vidro. Quem \u00e9 que agora mo vai pagar, hein? – gritou, afogueada, lan\u00e7ando olhares furiosos para os dois lados da rua.<\/p>\n

Atrapalhado, balbuciei uma desculpa envergonhada, dizendo-lhe que ia num mandado quando me atiraram uma lima.<\/p>\n

– Ai sim!? Hei-de descobrir quem foi. E se tiveres provocado a coisa, n\u00e3o te livras de umas boas rabadas, que eu j\u00e1 falo com a tua m\u00e3e.<\/p>\n

Ainda hoje estou para saber quem foi o autor ou autora da brincadeira carnavalesca que me p\u00f4s o cora\u00e7\u00e3o aos pulos e me deixou numa situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o desconfort\u00e1vel.<\/p>\n

Tudo aconteceu na semana antes do Carnaval, nos meados dos anos 1960. Naquela tarde, dirigia-me tranquilamente \u00e0 loja do Sr Jos\u00e9 Borges, no Largo do Chafariz, para lhe entregar uma caixa grande de f\u00f3sforos, cheia de sementes de laranja-de-umbigo. A minha av\u00f3 In\u00eas conseguia ganhar uns trocos \u2013 a gente dizia serrinhas ou serrilhas – com este ‘neg\u00f3cio’ anual, que n\u00e3o lhe dava quase trabalho nenhum, bastando apenas guardar as sementes, deix\u00e1-las secar e mandar-me lev\u00e1-las \u00e0 dita loja.<\/p>\n

Passar por certas ruas nas v\u00e9speras do Carnaval era, por vezes, uma verdadeira aventura digna de registo. A rapaziada corria o risco de ser bombardeada por jatos de \u00e1gua disparados de pistolas, seringas ou at\u00e9 mesmo de um simples balde. No entanto, havia armas ainda mais requintadas.<\/p>\n

Havia rapazes que, durante semanas, montavam verdadeiras linhas de produ\u00e7\u00e3o de limas-de-cheiro, prontas para serem arremessadas contra qualquer coisa que se movesse \u00e0 frente de suas casas. Trabalhavam na cozinha, \u00e0s escondidas dos pais, bem cientes de que eles n\u00e3o aprovariam alguns dos ingredientes que enchiam aquelas pequenas esferas de divers\u00e3o e travessura.<\/p>\n

Primeiro, conseguiam cera, derretiam-na cuidadosamente e vertiam-na em formas de alum\u00ednio que lembravam pi\u00f5es. Ap\u00f3s arrefecer, desenformavam as limas e, pelo buraco do bico, enchiam-nas com todo o tipo de l\u00edquidos poss\u00edveis e imagin\u00e1veis. Sim, \u2018isso\u2019 tamb\u00e9m. Imaginem o resultado de um arremesso certeiro e os efeitos colaterais. Quantas bulhas, quantas brigas, quantas rabadas \u00e0 pala destas brincadeiras carnavalescas, que nada tinham a ver com as dan\u00e7as de cadar\u00e7os de que o meu av\u00f4 Jo\u00e3o tanto me falava.<\/p>\n

– Na minha juventude, – contava ele, com um brilho nost\u00e1lgico nos olhos -, homens e mulheres dan\u00e7avam \u00e0 volta de um mastro plantado numa rua ou numa pra\u00e7a, enrolando e desenrolando fitas de v\u00e1rias cores, tudo ao som de uma charanga ou de uma tuna. Era uma folia que unia todos. \u00c9 uma pena que essas dan\u00e7as dos cadar\u00e7os tenham desaparecido, gostava que as tivesses visto para entenderes como nos divert\u00edamos. N\u00e3o era como agora, com essas vossas brincadeiras sem tarelo. Agora s\u00f3 sabeis atirar limas que magoam, enjoam que tresandam, e depois ningu\u00e9m assume, ningu\u00e9m sabe quem atirou. Naquele tempo, a alegria era limpa, sem deixar rastros de rancor ou mau cheiro. E como se isso n\u00e3o vos baste, andais ainda para a\u00ed a rebentar bombinhas e a atirar bichas-de-rabiar, rastilhos e outras coisas perigosas. Dizem por a\u00ed que um rapazinho ficou sem um dedo por causa de uma bombinha de Carnaval, e que outro ficou com uma perna cheia de queimaduras porque um rastilho lhe entrou pela cal\u00e7a acima…<\/p>\n

Mal podia ele imaginar que, d\u00e9cadas depois, essas dan\u00e7as tradicionais seriam resgatadas e recriadas por diversos grupos culturais, como um da Ribeira das Tainhas, mantendo viva a mem\u00f3ria de uma \u00e9poca em que a alegria do Carnaval era feita de m\u00fasica, cores e harmonia, sem deixar marcas de dor ou destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n

Entretanto, a minha m\u00e3e afadigava-se no preparo das malassadas. Tudo feito \u00e0 m\u00e3o, j\u00e1 que, naquela \u00e9poca, os recursos eram escassos. A massa, cuidadosamente amassada com farinha, leite, manteiga, ovos, fermento, sal e a\u00e7\u00facar, repousava durante a noite para levedar. Na manh\u00e3 seguinte, ela era estendida, frita em \u00f3leo quente e colocada numa panela, pronta para ser devorada. Fofinhas e fresquinhas, as malassadas desapareciam num instante. \u00c9ramos t\u00e3o gulosos que com\u00edamos como se n\u00e3o houvesse amanh\u00e3, embora as pontadas de azia fossem o pre\u00e7o inevit\u00e1vel a pagar por tamanha voracidade. Que saudades imensas desses tempos! E que pena n\u00e3o ter podido visitar a Ribeira Ch\u00e3 durante o seu festival anual de malassadas. Imagino o aroma doce e reconfortante das malassadas fresquinhas a pairar no ar, o burburinho alegre das pessoas reunidas\u2026<\/p>\n

A minha madrinha Julieta e a minha av\u00f3 In\u00eas tinham uma predile\u00e7\u00e3o especial pelas fatias douradas. Como o nosso quintal era comum, eu era um p\u00eandulo, indo e vindo entre as duas cozinhas, atra\u00eddo pelos aromas que cada uma delas exalava. E assim flu\u00edam os dias naturalmente: do dia dos amigos ao dia das amigas, do dia dos compadres ao dia das comadres, do domingo magro ao domingo gordo, at\u00e9 chegar ao dia do Entrudo. Era uma sequ\u00eancia de celebra\u00e7\u00f5es que enchiam o cora\u00e7\u00e3o da rapaziada de uma alegria pura e despreocupada, feita de pequenos prazeres e tradi\u00e7\u00f5es que se repetiam, ano ap\u00f3s ano, como um ritual sagrado.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"

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