
A Universidade dos Açores (UAc) promove, no próximo dia 13 de maio de 2026, entre as 08h30 e as 10h30, uma aula aberta dedicada à intervenção psicossocial com sobreviventes de violência doméstica e consumos de substâncias aditivas. O evento, que terá lugar no Anfiteatro D.007, em Ponta Delgada, assume-se como um momento de partilha de conhecimento internacional, contando com a participação de duas conceituadas académicas da Lakehead University, no Canadá.
Segundo nota de imprensa enviada pela instituição de ensino superior, a iniciativa é organizada no âmbito da unidade curricular de “Intervenção em Contextos de Exclusão”, lecionada pelo Professor Doutor Eduardo Marques, que será o moderador da sessão.
A presença das docentes Susan Scott e Angela Hovey permitirá uma análise comparativa e profunda sobre o funcionamento das casas de abrigo em Ontário, no Canadá, onde as estruturas de apoio a mulheres e crianças em situação de risco integram práticas inovadoras de redução de danos. A Prof.ª Doutora Susan Scott, especialista em Serviço Social com vasta experiência em políticas públicas, e a Prof.ª Doutora Angela Hovey, com percurso clínico focado em trauma e violência, apresentarão resultados de investigação que demonstram como estas estratégias podem diminuir as barreiras no acesso a serviços essenciais. O foco recairá sobre o “Quadro de Redução de Danos”, uma ferramenta que ajuda as instituições a criar ambientes mais seguros e inclusivos para sobreviventes que, simultaneamente, enfrentam desafios relacionados com o consumo de substâncias.
Para além da vertente técnica e clínica, a aula aberta abordará a interdependência entre o bem-estar humano e o meio envolvente, alinhando-se com os princípios do eco serviço social. De acordo com a organização, esta abordagem valoriza soluções sustentáveis e o impacto do ambiente no apoio a populações vulneráveis, uma reflexão que se torna particularmente relevante para a realidade açoriana e para os profissionais que atuam no terreno.
A sessão, que conta com a colaboração do projeto Trans-Lighthouses, é aberta não só a estudantes e investigadores, mas a toda a comunidade, convidando o público em geral a participar no debate sobre um tema de elevada sensibilidade e importância social.

O Núcleo de Estudantes de Relações Públicas e Comunicação (NURP) da Universidade dos Açores assinalou o seu 20.º aniversário com uma visita ao Parlamento Europeu, em Bruxelas. Segundo nota de imprensa enviada pela organização à redação do Diário da Lagoa, esta deslocação concretiza uma ambição traçada desde a génese do projeto, permitindo a uma comitiva composta por membros do núcleo e alunos convidados uma imersão direta nos bastidores do poder legislativo europeu. A viagem, que surge num momento de maturidade da organização, foi viabilizada através de um convite endereçado pelo eurodeputado André Franqueira Rodrigues.
Para o presidente do NURP, Vítor Rigueira, a passagem pela capital da União Europeia reveste-se de um simbolismo profundo para a história do grupo. “Celebrar 20 anos em Bruxelas é o culminar de um projeto sonhado desde a nossa fundação. Esta oportunidade, gentilmente viabilizada pelo Eurodeputado André Franqueira Rodrigues, permitiu-nos elevar o prestígio da nossa organização e oferecer-nos uma visão privilegiada sobre o futuro da Europa”, destaca o dirigente. A agenda da comitiva não se esgotou no hemiciclo, incluindo passagens pelo Museu da Segunda Guerra Mundial e uma exploração do património histórico de Bruxelas, elementos que reforçaram a componente formativa da missão.
O impacto da experiência entre os jovens participantes foi notório, com vários estudantes a sublinharem a importância de conhecer in loco os mecanismos de decisão que moldam o continente. Julia Félix descreveu a vivência como uma “visão renovada” da cidadania, enquanto Hulda Duarte classificou a observação do funcionamento da União Europeia como algo que “se deveria ver pelo menos uma vez na vida”. No plano académico, Daniela Costa reforçou que conhecer um espaço tão central para a política internacional foi “incrível” e enriquecedor. Mesmo para quem não estuda política diretamente, como é o caso de Julia Belo, a visita permitiu “ver ao vivo artigos históricos que estudamos na sala de aula”, provando a transversalidade desta iniciativa.
A componente histórica, particularmente a visita ao museu, mereceu elogios rasgados de Roena Medeiros e Laura Medeiros, que destacaram a forma envolvente como a história da Europa é ali retratada. Por sua vez, Edna Ferreira salientou o privilégio que esta oportunidade representa para os jovens açorianos, dada a descontinuidade territorial. O balanço final, partilhado por Maria Silva, fundiu a aprendizagem institucional com o espírito de grupo, fator essencial no associativismo. Após o sucesso desta missão em Bruxelas, o NURP já olha para o futuro com novas metas, mantendo a ambição de visitar brevemente a Assembleia da República e a Assembleia Legislativa Regional dos Açores, reforçando o seu papel de ponte entre a juventude e os centros de decisão política.

No coração do Atlântico, onde o verde das criptomérias toca o cinzento das rochas vulcânicas, um grupo de cidadãos belgas percorre trilhos que são, simultaneamente, caminhos físicos e rotas de introspecção. O que os traz aos Açores não é o turismo convencional de contemplação, mas sim um projeto científico e terapêutico pioneiro que une a Universidade dos Açores ao hospital belga AZ Monica. Sob o conceito de Forest Mind (Floresta Consciente), este programa de terapias da natureza está a transformar a forma como pacientes com lesões cerebrais, burnout e traumas graves encaram o seu processo de recuperação.
O mentor desta iniciativa, o professor Eduardo Marques, da Universidade dos Açores descreve a semana como muito mais do que um intercâmbio académico. “Nós temos um momento de conexão humana, de interculturalidade”, afirma. “Temos aqui um grupo de doentes que vieram de um hospital belga aos Açores para um programa de reconexão com a natureza e terapias para encontrarem caminhos e estratégias para aumentar o seu bem-estar psicológico”.

A escolha dos Açores não foi um acaso geográfico, mas uma decisão clínica. Greet Dierckx, neuropsicóloga belga que trabalha com doentes com lesões cerebrais, explica a importância de tirar os pacientes do ambiente hospitalar. “É muito importante para eles aprenderem ferramentas para manter o cérebro o mais saudável e forte possível. A terapia baseada na natureza é um método muito forte para manter o corpo e o cérebro saudáveis”, refere a especialista.
Greet sublinha ainda que o mau tempo que assolou o arquipélago durante a semana acabou por ser uma ferramenta terapêutica inesperada: “A vida é desafiante. E esta semana foi muito desafiante em relação ao tempo. Mas aprendemos muito. Quando se faz em grupo, é ainda mais forte porque trocamos experiências e conhecimentos”, afirma.
Para os participantes, os exercícios serviram como espelhos das suas próprias vidas. Ann Willems, que se juntou ao projeto inspirada por uma amiga, utilizou elementos naturais para desenhar a sua “linha da vida”. Para ela, a natureza trouxe uma clareza necessária: “Isto representa-me. São lembretes para mim própria de que, na vida, temos de vir primeiro. Tens de estar saudável, forte e aterrada. Se estiveres segura, tudo o resto interage e a vida torna-se uma harmonia”, considera.
Essa mesma busca por harmonia é partilhada por Nadia Makrache, uma empresária que enfrentou dois episódios de burnout. Para Nadia, a surpresa foi a eficácia das dinâmicas: “tornou-nos criativos, tornou-nos calmos. Estávamos conscientes. Foi bom conectar com os locais e outras pessoas novas, sinto-me leve por partilhar”.”

Para aqueles que lidam com sequelas físicas e neurológicas graves, a floresta ofereceu uma nova perspetiva sobre as suas capacidades. Romelia Schwarzkechel viajou como guia de uma amiga que sofreu um acidente de carro com danos cerebrais, mas acabou por se envolver profundamente no processo. “É uma jornada, claro. Tivemos a natureza bela e todo o tipo de novos exercícios como usar binóculos para testemunhar a natureza de uma forma diferente e ver como o cérebro responde ao olhar fisicamente de uma maneira distinta”, explica.
Helene Van Der Linden sofreu uma hemorragia cerebral há um ano e meio. Admite que inicialmente hesitou em participar por não querer estar num “grupo de doentes”. Contudo, a experiência mudou a sua visão: “como podem ver, não somos realmente um grupo de doentes. São apenas pessoas a encontrar uma nova forma de viver depois do que aconteceu.” Helene confessa preferir as atividades físicas: “a surpresa da natureza aqui é algo que gosto muito. Sinto que não temos apenas as quatro estações num dia, mas todos os tipos de natureza do mundo num só lugar. Parece a Escócia depois parece o Havai”, diz, referindo-se aos Açores.
A eficácia da terapia mede-se pelo que os pacientes levam na bagagem de volta para a Bélgica. Peter Plusquin, que sofre de sintomas como “nevoeiro cerebral” e falta de concentração, encontrou nos Açores uma forma de ressignificar a sua condição. “A natureza desta ilha ajuda-nos a relacionarmo-nos connosco próprios. É como uma selva, mas uma selva fresca”, descreve. Peter leva consigo âncoras mentais dos exercícios realizados: “encontrei quatro ou cinco recursos que posso usar para me sentir melhor, são elementos-chave que nunca esquecerei. Ainda tenho os mesmos sintomas, mas acho que tenho mais formas de me relacionar com eles”.

O professor Eduardo Marques acredita que este é apenas o início de um caminho que pode transformar a região num destino de Turismo de Saúde e Bem-Estar. “Podemos utilizar a natureza, um recurso que temos espalhado por todas as ilhas, como um ativo importante em providenciar novas estratégias ao nível da saúde”, defende.
Mais do que isso, o projeto redefine o papel do assistente social moderno: “o assistente social pode assumir também uma função de terapeuta. Eu dispo-me do meu papel enquanto professor e assumo enquanto assistente social terapeuta, conduzindo sessões indutoras de renascimento individual”.
Embora o caminho seja novo e possa gerar desconfiança, Eduardo Marques é categórico: “os resultados provam que esta experiência está a ser extremamente positiva e gratificante”. Nos Açores, entre a névoa e o verde absoluto, provou-se que a natureza não é apenas um cenário, mas poderá ser uma parte essencial da cura humana.

Paula Catarina Andrade
Assistente Social
Cédula Profissional n.º 01018
Exmo. Sr. Deputado José Pacheco,
Na qualidade de Assistente Social, com mais de 25 anos de exercício profissional, sinto-me na obrigação de reagir às suas recentes declarações sobre o papel dos Assistentes Sociais nas escolas.
A afirmação de que “é um erro disfarçado de solução” é, convenhamos, digna de registo: revela um desconhecimento absoluto da profissão e, ouso dizer, do mundo real. Os Assistentes Sociais são, de facto, parte da solução para problemas que, talvez por distração, passam despercebidos à vista de alguns críticos de ocasião. Recordo que estamos a falar de uma profissão centenária em Portugal, com um percurso consolidado, regulamentado e reconhecido na proteção social e na defesa dos direitos das pessoas.
Permita-me começar por um ponto simples, mas elucidativo: a ideia de que poderíamos estar “com receio de perder o emprego”. Se algum dia o trabalho do Assistente Social deixasse de ser necessário, isso significaria que a pobreza, as desigualdades, a violência, a falta de habitação, as dependências, o abandono e a exclusão social deixariam de existir. Nesse dia, não haverá motivo para preocupação profissional; haveria, sim, uma conquista civilizacional extraordinária. Infelizmente, estamos ainda muito longe desse cenário na nossa Região.
A sua declaração evidencia uma compreensão limitada e um desconhecimento completo da nossa intervenção. Atuamos sobretudo na prevenção, capacitação e garantia de direitos fundamentais, e não apenas na remediação de problemas, como se o mundo fosse tão simples quanto um tweet de 280 caracteres. Trabalhamos para evitar ruturas, antecipar riscos e promover trajetórias de vida dignas e equilibradas, missão que não cabe em slogans populistas.
É importante esclarecer: qualquer pessoa, em qualquer momento da sua vida, inclusive V. Exa., pode necessitar da intervenção de um Assistente Social. Esta não é uma profissão “para os outros”; é uma profissão ao serviço de todos. Estamos presentes em escolas, hospitais, empresas, autarquias, tribunais, instituições sociais e no setor privado, garantindo respostas integradas e eficazes. Intervimos em áreas como educação, habitação, saúde, emprego, proteção social e reintegração, sempre com foco na dignidade humana e na justiça social.
No contexto educativo, a nossa intervenção é estratégica e estrutural. Numa Região com níveis preocupantes de abandono escolar precoce e insucesso educativo, as equipas multidisciplinares, compostas por psicólogos, assistentes sociais, professores e a comunidade educativa, são essenciais para compreender contextos familiares, sinalizar riscos, prevenir negligência ou abuso e criar condições para o sucesso escolar. Este trabalho conjunto não é acessório; é vital.
Ainda assim, os Assistentes Sociais nunca foram uma aposta consistente das políticas públicas regionais no setor da Educação ao longo de 50 anos de Autonomia Regional. A presença nas escolas tem sido residual. Trata-se de um erro estratégico, se se quiser usar linguagem técnica, ou de uma negligência, se se optar por linguagem quotidiana.
Também não podemos ignorar o impacto concreto de políticas sociais como o Rendimento Social de Inserção (RSI). Esta medida foi e continua a ser um verdadeiro elevador social: permite a jovens prosseguir estudos, completar formação superior e a famílias estabilizar a vida doméstica. Para quem insiste em olhar apenas para números frios, recordo que, em 2026, o RSI representa aproximadamente 0,4 % da despesa total do Orçamento do Estado, uma fração muito reduzida face ao total da despesa pública, mas com um retorno social gigantesco. Poucas políticas públicas conseguem impactar de forma tão direta e transformadora. Ignorar isto seria, portanto, não apenas um erro político e social, mas também um exercício de flagrante insensibilidade estatística.
Preocupa-me, igualmente, o discurso que desvaloriza o conhecimento, simplifica problemas complexos e, em alguns casos, alimenta narrativas que promovem a divisão, o ressentimento e a estigmatização dos mais vulneráveis. A nossa Região tem um ativo extraordinário: as suas pessoas, açorianos e açorianas que todos os dias acreditam que a política serve para resolver problemas reais, e não para gerar manchetes provocatórias.
Outro ativo incontornável é a Universidade dos Açores, que há mais de 25 anos forma Assistentes Sociais com elevado rigor científico e técnico, fortalecendo o setor social e contribuindo decisivamente para a construção de respostas robustas. Desvalorizar o Assistente Social é também desvalorizar o percurso coletivo da academia no desenvolvimento regional.
A desinformação contida nas suas declarações, quando amplificada publicamente, tem consequências reais. Reforça estigmas, preconceitos e fragiliza respostas que deveriam ser fortalecidas. Se existe uma preocupação genuína com desigualdades e injustiças sociais, o debate deve ser conduzido com responsabilidade, evidência e respeito por quem intervém no terreno e não com slogans dignos de coluna de opinião de café.
O exercício profissional do Assistente Social rege-se por um Código Deontológico exigente, assente na dignidade humana, justiça social, equidade e defesa intransigente dos direitos. A nossa intervenção não se orienta por agendas políticas nem por narrativas simplistas; é técnica, fundamentada, eticamente comprometida e centrada nas pessoas.
Não tememos o escrutínio, ele faz parte da nossa prática profissional. O que não podemos tolerar é a desinformação que descredibiliza uma profissão cuja missão é garantir que ninguém fica para trás.
O essencial é o seguinte: antes de opinar, importa conhecer. Quando falamos de pessoas, desigualdades e direitos, a responsabilidade não diminui; ela aumenta.
Em jeito de sugestão, antes de se aventurar em novos diagnósticos sobre profissões centenárias, sugiro que se dedique a conhecer o terreno, ouvir quem intervém e compreender os desafios reais, e não apenas a lançar declarações provocatórias.
Com consideração institucional,

A Universidade dos Açores (UAc) recebe no campus de Ponta Delgada, entre os dias 16 e 20 de março, uma delegação do Hospital AZ Monica, de Antuérpia, na Bélgica, no âmbito do programa europeu Erasmus+. O grupo é constituído por profissionais de neurologia e neuropsicologia, que acompanham 18 doentes com quadros clínicos de lesão cerebral adquirida, para uma experiência que cruza a saúde, a ciência e o património natural da ilha de São Miguel.
Segundo nota enviada ao Diário da Lagoa, o projeto insere-se nas atividades do Curso de Serviço Social e visa avaliar cientificamente o impacto de terapias de imersão na natureza no bem-estar psicofisiológico e na recuperação cognitiva dos participantes. O programa inclui abordagens como Forest Mind e Forest Bathing (conhecidos como banhos de floresta), Blue Mind (terapia do oceano) e técnicas de Mindfulness. O objetivo é demonstrar o potencial das paisagens açorianas como ferramentas sustentáveis de promoção da saúde e qualidade de vida.
A iniciativa é coordenada pelo professor e investigador Eduardo Marques, especialista em serviço social eco-social, e pretende afirmar o papel do serviço social clínico na criação de respostas que integrem a saúde mental e o contacto com o meio ambiente. Além da componente terapêutica, o projeto visa posicionar os Açores como um território de eleição para o Turismo de Saúde e Bem-estar, articulando a inovação social com a valorização do território.
A receção institucional terá lugar esta segunda-feira, 16 de março, pelas 10h00, no Anfiteatro VIII da Universidade dos Açores, em Ponta Delgada. O evento de boas-vindas contará com um microconcerto de relaxamento pelo músico Neo One Eon, do projeto Lava Butterfly, radicado nas Furnas, além de momentos de poesia e atividades de Mindfulness nos jardins da academia açoriana. Ao longo da semana, os doentes e profissionais belgas realizarão sessões práticas em contexto natural e visitas a locais emblemáticos da ilha para consolidar a ligação entre pessoa e paisagem.

A Universidade dos Açores e a Ordem dos Assistentes Sociais unem-se, no próximo dia 17 de março, para assinalar o Dia Mundial do Serviço Social com um programa dedicado à reflexão sobre a justiça social e o papel da regulação profissional. Segundo uma nota enviada pela organização, as comemorações arrancam pelas 14h00 no Auditório VIII da academia açoriana, em Ponta Delgada, com uma aula aberta sob o mote “Serviço Social nos Açores: Co-construir uma sociedade mais justa e o papel da regulação profissional”. A iniciativa pretende reunir estudantes e profissionais para debater os desafios da profissão na defesa dos direitos humanos e na coesão comunitária.
A sessão de abertura do evento contará com a participação da representante da ordem dos assistentes sociais para os açores, da diretora da licenciatura em serviço social da universidade e da presidente do núcleo de estudantes da mesma área. O programa inclui uma conferência sobre a construção de sociedades plurais e um painel de reflexão focado na responsabilidade pública e na ética da intervenção social, contando com a presença de representantes regionais e nacionais da ordem. O tema deste ano, “Co-Construir Esperança e Harmonia”, sublinha a importância da ação coletiva e da solidariedade na resposta às necessidades das populações mais vulneráveis do arquipélago.
O programa comemorativo terá um momento de especial relevo na sede do concelho da Lagoa, pelas 17h30, com o descerramento da placa do núcleo territorial dos açores da ordem dos assistentes sociais. Este ato simbólico marca a afirmação institucional da profissão na região e o encerramento das atividades contará com um porto de honra oferecido pelo presidente da câmara municipal da lagoa. A participação em todas as atividades é livre e aberta ao público em geral, sendo particularmente dirigida a quem atua ou estuda na área social.

O Coliseu Micaelense, na cidade de Ponta Delgada, prepara-se para receber, nos próximos dias 20 e 21 de março de 2026, a edição XXV do El Açor – Festival Internacional de Tunas. Organizado pelos Tunídeos – Tuna Masculina da Universidade dos Açores, o festival celebra o seu vigésimo quinto aniversário, reforçando um percurso que, desde o ano 2000, une gerações de estudantes e atrai grupos de vários pontos de Portugal e do estrangeiro.
Segundo nota enviada ao nosso jornal pelos Tunídeos, esta edição comemorativa contará com a participação de seis tunas a concurso, quatro tunas da casa e dois convidados especiais, num programa que, segundo a organização, promete fundir a tradição académica com a elevada qualidade musical que caracteriza o certame. A mística do festival será assegurada pelos Cavaleiros da Távola de Queijos que, desde a vigésima edição, assumem a condução do espetáculo, mantendo vivo o legado de humor e irreverência que outrora pertenceu aos Tunalhos.
Entre os momentos mais aguardados pelo público, que já ultrapassou a barreira dos 12 mil espetadores ao longo das últimas duas décadas, destaca-se a habitual exibição da curta-metragem produzida e interpretada pelos Tunídeos, peça que serve de prelúdio à sua atuação de encerramento do festival.
A organização sublinha ainda que o evento não se esgota no palco do Coliseu, prolongando-se por quatro dias de intensa atividade social na ilha de São Miguel, desde as festas de receção às tunas participantes até ao tradicional almoço de convívio que marca o fecho das celebrações.
Para chegar à diáspora açoriana, o festival manterá a sua aposta na transmissão via livestream através do canal oficial do grupo no YouTube, assegurando que o aniversário de prata do El Açor seja partilhado globalmente.

O projeto que envolve o trilho da Janela do Inferno entrou numa fase crucial de avaliação. Num grupo de discussão recente, que decorreu no mês passado, na Universidade dos Açores, parceiros locais e especialistas reuniram-se para analisar o progresso do projeto sob diversas dimensões — governança, economia, ambiente, sociedade e cultura — utilizando uma metodologia partilhada com outros países europeus, como Bélgica e Alemanha.
Segundo Eduardo Marques, responsável pelo Translight Houses, este grupo focal funciona como uma “câmara de ressonância” do que foi alcançado até agora. O objetivo é recolher dados comparáveis que permitam à Comissão Europeia delinear políticas públicas alinhadas com o conceito de Soluções Baseadas na Natureza (SBN). “Estamos aqui para celebrar o nosso compromisso com os territórios e o bem-estar das pessoas, num respeito profundo pela natureza”, afirmou o docente, sublinhando que a Lagoa é um dos “pilotos” cujos resultados servirão de bitola para o futuro da sustentabilidade urbana na Europa.
Um dos pontos altos do encontro foi a intervenção de Roberto Medeiros, que trouxe luz sobre a toponímia local. Ao contrário do que o nome “Janela do Inferno” possa sugerir, a origem está profundamente ligada à engenharia hidráulica micaelense do século XIX. O antigo vereador municipal, Roberto Medeiros, explicou que o termo “Janelas”, utilizado comumente entre os habitantes de Água de Pau, refere-se aos vãos dos imponentes aquedutos que transportavam água para a antiga Fábrica do Álcool da Lagoa e, mais tarde, para o abastecimento público de Ponta Delgada. O “Inferno” seria uma alusão à imponência das ravinas e à força da natureza no local. “A Vila de Água de Pau é a única no país com quatro fontenários a correr 24 horas por dia há mais de cem anos”, destacou Medeiros, reforçando o valor estratégico e histórico deste património hídrico onde ainda se podem observar espécies como os tritões.

Apesar do valor paisagístico, os parceiros do projeto apontam desafios práticos. Ana Rita Matias, investigadora do projeto, mencionou a importância do trabalho de campo e da proximidade com os lavradores mas notou alguma “desconexão entre o que se pretende e o que se faz”. Já Rita Patarra, do Expolab, destacou que o maior ganho são as relações estabelecidas, embora a escassez de tempo e recursos humanos sejam limitações reais.
Pedro Gouveia, da Kairós, trouxe uma reflexão crítica sobre o impacto real na comunidade. O retorno local relativamente ao Lugar dos Remédios, apesar de próximo do trilho muito visitado, ainda beneficia pouco do investimento público realizado; preservação versus uso: o desafio de usar o recurso sem o degradar (notando que o avistamento de tritões tem diminuído) e a necessidade de combater o “défice de contacto com a natureza” das crianças através de aprendizagem in loco.
O consenso do grupo é que o final deste projeto deve ser, na verdade, um ponto de partida. A meta agora é garantir que o sistema de governança facilite a gestão deste trilho que, antes de ser uma “solução baseada na natureza”, já era parte integrante da identidade e da sobrevivência da população da Lagoa.
O projeto “Translight Houses, Para além do verde: Faróis de soluções transformadoras baseadas na natureza para comunidades inclusivas” trata-se de um projeto de investigação à escala europeia e que, nos Açores, é liderado pela Universidade dos Açores em consórcio com outras entidades locais e com um único local a estudar: os Remédios da Lagoa, mais concretamente, tudo o que inclui e envolve o trilho da Janela do Inferno, localizado naquele lugar lagoense, para onde são atraídos, diariamente, centenas de turistas, em época alta.
Em junho de 2025, Eduardo Marques explicava quais os principais objetivos deste projeto pioneiro nos Açores. “A ideia é perceber como é que um ativo, um recurso importante, a «Rota da Água – Janela do Inferno», pode alavancar um processo de uma relação mais positiva com o trilho de forma a que também que a comunidade pudesse ter benefícios dessa relação com o trilho”, justifica. O responsável acrescenta que se pretende “transformar o trilho numa solução baseada na natureza para um turismo sustentável”. Nós podemos inspirar-nos na natureza e no seu funcionamento para resolver problemas sociais complexos”. E dá exemplos: “como é que se resolve problemas de desemprego, como é que nos podemos inspirar, basear na natureza para resolver problemas de emprego versus desemprego, como podemos melhorar a saúde — temos soluções desde os anos 60 implementadas no Japão que são os parques de terapias da natureza que reduzem o stress, reduzem a tensão arterial — portanto, podemos utilizar a natureza para nos curar, para ser integrada nos sistemas de saúde, podemos integrar a natureza como dimensão da arte e cultura”.

Nádia Franco, estudante da licenciatura em Serviço Social, foi a grande vencedora do Prémio de Mérito de Ingresso na Universidade dos Açores. A distinção destina-se a reconhecer o melhor desempenho académico entre os alunos residentes no concelho da Lagoa, na ilha de São Miguel, Açores.
A entrega do prémio ocorreu esta quarta-feira, 4 de março, durante a cerimónia do 27.º aniversário da Fundação Gaspar Frutuoso, realizada no campus universitário.
O galardão, no valor global de 1.000,00 euros, resulta de uma parceria entre a autarquia lagoense e a fundação. O montante é atribuído ao estudante que, após concluir o ensino secundário na região, obtenha a nota de candidatura mais alta no concurso nacional de acesso ao ensino superior.
Para a vereadora Albertina Oliveira, presente no ato oficial, este reconhecimento é um estímulo fundamental ao sucesso escolar. A autarca sublinhou a importância de valorizar o esforço individual como um motor de desenvolvimento para o concelho.
Este prémio integra-se numa estratégia municipal de apoio à educação mais abrangente. Para o ano letivo de 2024/2025, a Câmara Municipal da Lagoa investiu cerca de 70.000,00 euros em bolsas de estudo.
No total, foram atribuídas 100 bolsas a estudantes do concelho: 60 destinadas a alunos deslocados e 30 bolsas de mérito, reforçando o compromisso da autarquia com a continuidade do percurso académico dos jovens lagoenses.

A Faculdade de Economia e Gestão da Universidade dos Açores (UAc) promove esta quarta-feira, 5 de março, a lição de jubilação do Professor Doutor Mário Fortuna. Sob o tema “Meio Século de Economia Açoriana em Autonomia: Avanços e Desafios”, a conferência terá lugar entre as 16h30 e as 18h00, no anfiteatro IX do campus de Ponta Delgada.
Segundo a nota de imprensa enviada pela faculdade, o evento marca o encerramento formal da atividade docente de uma das figuras mais proeminentes da academia regional. A sessão celebra uma carreira dedicada ao ensino, à investigação, à gestão universitária e à intervenção cívica.
Doutorado pelo Boston College (EUA) e Professor Catedrático desde 2004, Mário Fortuna consolidou um percurso que incluiu passagens por instituições internacionais de referência e a formação de sucessivas gerações de economistas. Fora do meio académico, o docente exerceu o cargo de secretário regional da Economia, em 1990, e liderou o Secretariado Regional da Ordem dos Economistas, bem como a Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada.
Na Universidade dos Açores, o seu contributo foi estruturante. Desempenhou funções de relevo como presidente do Conselho Científico e diretor do departamento de Economia e Gestão, tendo sido uma peça fundamental na criação e reestruturação de cursos de licenciatura, mestrado e doutoramento que afirmaram a instituição nas áreas do turismo e da gestão.
Para além da vertente académica, a lição de jubilação reflete a experiência de quem acompanhou a economia açoriana a partir de diferentes prismas, incluindo a governação pública. O debate que se segue à lição contará com a presença do presidente da Faculdade de Economia e Gestão, João Teixeira, sendo aberto a estudantes, docentes e ao público em geral.
A sessão tem entrada livre e não requer inscrição prévia. Haverá ainda a entrega de certificados de participação aos interessados, naquele que será um momento de homenagem e de reflexão sobre o percurso económico do arquipélago nas últimas cinco décadas.