
João Vieira Paim
A Ferraria, desde que se deixaram de grandes obras (aliás, ilegais), tem estado muito melhor, mesmo com o desaparecimento, nos temporais, de algumas escadas mal posicionadas. O interior está estabilizado e até proporcionou o aparecimento de uma comunidade de pequenos meros — que chegaram a ser 35 com 2 até 30 cm de comprimento — que tem servido de berçário daquela espécie ameaçada, à medida que saem e vão repovoando a área à volta.
O serviço de nadadores-salvadores, com pessoas excelentes, tem sido também uma mais valia impedindo alguns afoitos da maré turística de se suicidarem em aventuras fora da poça. O problema é assim claramente, como em quase tudo aliás, o excesso de turistas; as manadas que lá caem no verão, mas cada vez menos, felizmente, no resto do ano.
No mais recente evento de queda de pedras, ficaram lá retidos 30 carros e 100 pessoas. Acho que todos dessa origem, a avaliar pelas preocupações dos OCS sobre quem ia pagar os carros de aluguer de substituição.
A Ferraria é um lugar bonito, mas é um lugar muito perigoso, e isso devia ser avisado mais claramente. O local onde houve a derrocada tinha sofrido (e digo “sofrido” com intenção) uma intervenção recente que, basta olhar, para ver que era mais cosmética que proteção. Não ponho as fotografias que tirei para não ocupar muito espaço agora mas, no limite do que caiu, o revestimento era muito, muito estreito e serviu para criar uma bolha mais perigosa ainda.
Fosse como fosse é, como disse acima, um lugar perigoso onde vai sempre haver derrocadas quando chover muito ou as asneiras o proporcionarem. O trabalho do operador de escavadora que lá esteve foi muito bom, porque, com parte das pedras que caíram criou uma barreira que protege quem passa. Mas passar a pé é claramente mais perigoso: basta um pequeno calhau com 4 ou 5 quilos que caia e acerte na pessoa para poder até provocar-lhe a morte.
O corte da estrada é ilegal porque, para começar, é jurisdição da AMN e Polícia Marítima. Não sei quem se lembrou disso, mas era um sonho do Governo Regional e dos “pastores da manada turística”, que se atreveram a instalar barreiras que, felizmente, nunca tentaram utilizar.
A Ferraria é, e sempre tem sido, um local de tratamento para diversas doenças e sintomas — por alguma razão se chamavam termas. E um grupo grande de habitantes de S. Miguel e não só, eu incluído, ainda o consideramos assim, o que agora foi interrompido porque é óbvio que muitas dessas pessoas não estão em condições de fazer a descida e subida a pé, que é claramente um brinde à manada, porque eles tem todo o tempo do mundo. Como em outros locais de S. Miguel, é uma maneira de afastar os Açorianos de um bem natural que lhes pertence, ainda não dando lucros fabulosos e corruptos como nesses locais que todos conhecemos; mas a intenção de fundo, se o permitirmos, é essa. Também quem esteve a trabalhar o dia todo não vai certamente ter tempo de o fazer para exercer um direito que é seu: de acesso ao mar e a um local que também é seu.
“As praias em Portugal são públicas, portanto, não pode ser vedado em nenhumas condições o acesso às praias”, disse Maria da Graça Carvalho, enquanto anunciava uma inspeção no concelho de Grândola, na costa alentejana, no sul do país. A inspeção vai ser feita por várias entidades como a Agência Portuguesa do Ambiente e a Autoridade Marítima para verificar se “todas as leis estão a ser cumpridas”. “Não há praias privadas em Portugal e qualquer tentativa de limitar ou dificultar o livre acesso da população às praias será identificada”, acrescentou a ministra na praia de Carcavelos, perto de Lisboa
Que diferença de comportamento e defesa das pessoas e são do mesmo partido. Portanto, o que a entidade que montou aquelas barreiras (seja o Governo Regional, a CMPD a quem pertencem as peças ou outra qualquer) deve fazer rapidamente é retirá-las antes que lhes aconteça o mesmo que à outra no tempo das obras dos 4 milhões estourados na Ferraria. O pouco que ainda funciona é mantido a custo pelos excelentes trabalhadores das Termas. E antes que entre uma queixa-crime no DIAP por usurpação de funções, atentado à saúde pública e violação do direito absoluto de acesso ao mar.
Se querem proteger a sua manada turística, designem o parque do miradouro de 800.000 euros — ainda se admiram de a Autonomia e o Governo Regional estarem em falência técnica — só para turistas; e o de baixo fica para os Açorianos e residentes em geral, gente habituada a fajãs, derrocadas e tudo que implica viver nos Açores.
PS – Para além de nós todos e com maior peso pessoal, as Termas foram forçadas a fechar pela não reparação da bomba de água da piscina pelo Governo e falta de clientes vários. Empregos valiosos perderam-se.

Luysa Pereira nasceu na ilha Terceira, no seio de uma família açoriana, e desde cedo nutriu uma ligação profunda à natureza e ao mar. Foi essa paixão que fez com que, aos 18 anos, embarcasse para Lisboa onde iniciou o percurso académico e onde concluiu a primeira licenciatura em Medicina Osteopática.
Mais tarde, alargou a formação académica à área da Engenharia do Ambiente e da Saúde, procurando “sempre compreender o ser humano numa perspetiva onde corpo, mente e ambiente se interligam”, explicou, procurando, ao longo do percurso profissional, “aliar a prática à investigação, à formação e à valorização do património termal dos Açores”.
Paralelamente, criou e implementou nos Açores dois projetos pioneiros a nível mundial: o baby spa termal, dedicado ao uso da água termal adaptada para o tratamento da pele e para a promoção do relaxamento; e o spa termal capilar, que utiliza os constituintes minerais da água com indicações específicas para a saúde capilar, ambos nas Termas da Ribeira Grande.
Para além disso, atualmente encontra-se em “fase de conclusão um terceiro projeto inovador, em curso nas Termas do Carapacho, que se distingue pela utilização de três águas termais diferentes no mesmo balneário, explorando a diversidade e complementaridade das suas propriedades”.
O termalismo, como facilmente se conclui, mais do que um negócio, é a paixão de Luysa Pereira. “O termalismo é uma paixão que me move todos os dias. É o reflexo de tudo aquilo em que acredito: a prevenção, o tratamento, a valorização do ambiente, o turismo sustentável, a transversalidade entre áreas científicas e culturais, a história, a identidade e as potencialidades únicas das nossas águas. Cada fonte termal conta uma história, cada água é única. E é essa narrativa, que junta ciência e cultura, que me apaixona e me inspira a investir nesta área com tanta dedicação”, disse.
É esta paixão que a faz percorrer várias ilhas dos Açores, desde São Miguel ao Faial, passando pela Graciosa, ilhas onde tem vindo a reabilitar termas e a devolver-lhes à sua essência do ponto de vista termal, associando-as também ao turismo. E é aqui que entra outra questão: por que motivos as termas foram caindo em desuso?
“O termalismo, tal como muitos outros setores, viveu ciclos de auge e de esquecimento. No passado, os espaços termais eram pontos de encontro social, locais de tratamento e até símbolos de prestígio. Com o avanço da medicina convencional e a mudança dos hábitos sociais, muitos desses espaços foram caindo em desuso, perdendo a vitalidade que outrora tiveram. E Portugal tem um dos maiores legados históricos termais, muitas vezes pioneiro, como é exemplo o hospital termal, o balneário das Caldas da Rainha. Nos Açores, e a par da nossa vasta história termal, temos assistido a um crescimento assinalável nos últimos anos, sobretudo pelo modelo de balneoterapia simples ao ar livre, que atrai visitantes que procuram experiências autênticas e ligadas à natureza. Acredito que o segredo para a revitalização do termalismo passa por reinventá-lo, integrando-o nas novas tendências mundiais de wellbeing e turismo de saúde, sem nunca esquecer a tradição e a autenticidade das nossas águas. O termalismo clássico, com as suas utilidades terapêuticas comprovadas, consegue ser perfeitamente integrado nestes novos conceitos ligados à prevenção e ao bem-estar. Para isso, torna-se essencial um posicionamento de comunicação adequado, capaz de transmitir às pessoas o verdadeiro valor das nossas águas termais, tanto no plano científico como na experiência cultural e turística”, apontou.

Há dez anos ligadas ao ramo do termalismo, Luysa Pereira não tem dúvidas de que existe ainda um longo caminho a percorrer. “O termalismo faz parte da minha vida há mais de dez anos e tenho plena convicção de que continuará a ser uma das minhas maiores missões. O objetivo é revitalizar o nosso património termal regional, respeitando a sua história, mas também inovando com novas valências e produtos que acrescentem valor. Promovendo saúde, prevenindo doenças, e promovendo também bem-estar e lazer”. E fazer isto em ilhas diferentes obriga a um esforço redobrado e planeamento atempado, o que “nunca é tarefa fácil” porque “ser açoriano é carregar uma resiliência quase inata, moldada pela condição de ser ilhéu e pelos desafios que isso acarreta. O maior deles são, sem dúvida, as viagens, sobretudo no inverno, onde o clima instável muitas vezes condiciona os planos. Mas acredito que é precisamente esta adaptação constante que nos torna mais criativos e mais persistentes”, acrescentou.

O edifício das Termas das Caldeiras vai abrir a partir de 20 de julho, após obras de remodelação levadas a cabo pela concessionária. O anúncio foi feito por Alexandre Gaudêncio, presidente da câmara municipal da Ribeira Grande, durante uma visita à conclusão dos trabalhos naquele espaço.
Um “baby spa”, tratamento capilar e sete espaços individuais para tratamentos com água termal, são algumas das novidades, bem como a melhoria de condições do tanque exterior, segundo a autarquia.
A certificação das águas e o uso para fins medicinais são objetivos pretendidos nesta nova concessão e que deverão estar concluídos nos próximos dois anos, lê-se na mesma nota.
As termas das Caldeiras são também conhecidos por banhos da Coroa e começaram a ser utilizadas no século XVII para cura de moléstias, registando-se uma crescente procura no século seguinte em virtude das propriedades curativas das águas vulcânicas.
“A Ribeira Grande tem inúmeros potencialidades, com especial destaque para o termalismo. Conseguimos dar vida a um espaço que esteve fechado durante cerca de 30 anos e que provou ser uma mais valia para todos.”, referiu o autarca.
A Câmara Municipal, proprietária do imóvel datado de 1811, recuperou aquele espaço, tendo o vencedor da concessão o reaberto em 2017. Em 2023 a autarquia abriu um novo concurso para concessão tendo a empresa Verde Similar vencido o mesmo.
“Após a adjudicação da concessão, a concessionária procedeu a obras de recuperação do espaço, dotando-o de melhores condições e aumentando o leque de serviços. Esperamos que tenha muito sucesso e que continue a ser uma mais valia para o concelho.”, disse o autarca.