
Maria João Pereira
Farmacêutica
O tabagismo é o principal risco evitável para inúmeras doenças e a principal causa de morte prematura. Mesmo com toda a evidência científica disponível, continua a fazer parte do estilo de vida de muitas pessoas. E porquê? Porque provoca dependência física e psicológica. Os responsáveis por essa dependência são, entre outros, a nicotina e as nitrosaminas, componentes tóxicos e cancerígenos.
O consumo de tabaco é, assim, um hábito nocivo que não só prejudica a nossa saúde em diversos aspetos – físicos, emocionais e sociais – como a saúde daqueles que nos rodeiam, uma vez que a inalação do fumo do cigarro exalado afeta também os fumadores passivos.
O tabaco é um fator de risco para inúmeras doenças, nomeadamente:
Para além disso, o consumo de tabaco provoca alterações do paladar e do olfato, tosse e dificuldade respiratória, diminuição da capacidade de oxigenação, aumento do cansaço, úlceras gástricas, envelhecimento precoce e pele seca, entre muitos outros efeitos.
No foro psicológico, o consumo de tabaco intensifica a necessidade de fumar como forma de acalmar a ansiedade, criando um ciclo de falso alívio, breve e repetidamente seguido pela vontade de fumar.
Os benefícios? São desconhecidos.
Curiosamente, por ser considerado um ato social, faz com que os fumadores se sintam integrados num grupo. Chega mesmo a ser irónico como fazer uma pausa para fumar é, muitas vezes, mais aceite do que fazer uma pausa para respirar e organizar as ideias.
Uma boa resolução de Ano Novo seria, seriamente, a cessação tabágica, que traz consigo inúmeros benefícios: maior nível de energia, melhor capacidade de oxigenação, melhoria do bem-estar geral, mais saúde e vitalidade, melhoria do sistema imunitário, recuperação do paladar e olfato e entre muitos outros.
Apesar de ser um processo exigente, existem várias estratégias para deixar de fumar: consultas de cessação tabágica, fármacos, apoio psicológico, terapia comportamental e alteração do estilo de vida. A cessação pode ser abrupta ou gradual – o mais importante é tomar a decisão e mantê-la. A ajuda médica personalizada pode ser determinante no percurso.
Uma das estratégias existentes passa por definir o dia em que vai deixar de fumar, informar as pessoas próximas e cumprir – repetindo o ciclo as vezes que forem necessárias.
El ambiente em que nos encontramos também pode facilitar ou dificultar a mudança de comportamento. Evitar espaços com fumo, locais associados ao consumo ou situações que o incentivem pode ser particularmente útil numa fase inicial.
Deixar de fumar não é uma questão de falta de força de vontade, mas sim de enfrentar uma dependência real. Cada tentativa conta, mesmo as que parecem falhar. O mais importante é não desistir de si. Com apoio, informação e tempo, é possível quebrar este ciclo e recuperar saúde, liberdade e qualidade de vida. Nunca é tarde para recomeçar. Nunca é tarde para cuidarmos da nossa saúde.