
O Governo regional dos Açores, através de uma nota enviada pela Secretaria Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, anunciou o culminar de um processo de planeamento participado para a intervenção na emblemática Fábrica do Álcool, na Lagoa. O projeto, desenvolvido em parceria com a Secção Regional dos Açores da Ordem dos Arquitetos, resulta de uma auscultação alargada à comunidade e a entidades técnicas e científicas, visando transformar o imóvel num complexo funcional e identitário.
Durante a sessão de apresentação no auditório do Nonagon, na cidade da Lagoa, o secretário regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, Duarte Freitas, sublinhou a importância do envolvimento coletivo, afirmando que as suas primeiras palavras seriam de “profundo agradecimento pela forma comprometida e profissional como este processo se desenvolveu”.
A proposta agora validada incorpora os contributos recolhidos em visitas e debates públicos, assegurando que o futuro do edificado respeita o seu valor histórico. Segundo Duarte Freitas, o documento final “acomoda as principais preocupações e objetivos expressos, preservando a memória, reforçando a identidade e projetando a refuncionalidade do espaço”, reforçando que a fábrica “foi e é um marco icónico e será agora tudo aquilo que queiramos que seja”.
Para além da preservação da memória industrial, a visão estratégica prevê a criação de um mercado de produtores locais, oficinas criativas e espaços de coworking, bem como um pavilhão multiusos apto a acolher concertos e eventos desportivos. O relatório define ainda a inclusão de uma componente museológica e de uma unidade hoteleira com classificação superior a quatro estrelas, complementada por restauração e cafetaria.
O presidente da Câmara da Lagoa, Frederico Sousa, congratulou-se com a solução apresentada, afirmando que “a mesma resulta da boa articulação e concertação institucional entre a Câmara Municipal de Lagoa e o Governo Regional dos Açores”. O autarca considera este um passo decisivo para um projeto “já muito ansiado pela população lagoense”, defendendo que o relatório final revela “coragem e estratégia na definição dos usos a dar ao espaço”. Frederico Sousa acredita que estão reunidas as condições para que os procedimentos de contratação pública avancem ainda este ano, destacando a complementaridade desta obra com a futura Requalificação da Frente Marítima da Cidade de Lagoa, que aguarda aprovação de candidatura ao PO2030.
A urgência da intervenção é, contudo, uma prioridade técnica, uma vez que o relatório alerta para o risco de degradação irreversível caso não sejam adotadas medidas a curto prazo ao nível das coberturas e da consolidação estrutural. Com a base estratégica definida, o executivo açoriano avançará para um procedimento concursal que une as vertentes de projeto, obra e gestão. O governante Duarte Freitas classificou esta etapa como “um procedimento ambicioso e pioneiro na região”, reiterando o compromisso de transformar o complexo numa “alavanca de desenvolvimento para a Lagoa, para São Miguel e para a região”, garantindo uma gestão célere, sustentável e orientada para o interesse público.

O Município da Lagoa, na ilha de São Miguel, foi apontado como um exemplo e referência no relatório “Estado da Educação 2024”, publicado recentemente pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), anunciou esta sexta-feira, 19 de dezembro, a Câmara Municipal.
O documento destaca a autarquia lagoense pela implementação de políticas educativas territorializadas e colaborativas no âmbito do processo de descentralização de competências em Portugal, sublinhando que a gestão local tem permitido repensar o papel do ensino no desenvolvimento dos territórios.
De acordo com o capitulo intitulado “As Autarquias e a Transformação da Escola e da Educação”, o sucesso do modelo na Lagoa assenta numa cultura de cooperação entre a Câmara Municipal, os estabelecimentos de ensino, as famílias e os parceiros locais. O CNE indica que estas práticas, inspiradas no conceito de “Cidades Educadoras”, permitem que a aprendizagem ocorra em múltiplos contextos, integrando associações e empresas num ecossistema educativo que extravasa o espaço físico da escola.
O relatório detalha ainda que a estratégia adotada promove a coesão social através da valorização da formação docente e da integração da identidade e tradições locais nos processos educativos. Para o Conselho Nacional de Educação, esta governação partilhada entre o poder central e o local torna o sistema de ensino mais flexível e capaz de se adaptar aos desafios contemporâneos.
Em reação aos dados do relatório, a vereadora da Educação da Câmara da Lagoa, Albertina Oliveira, afirmou que este reconhecimento reforça a aposta do município numa cultura de corresponsabilização. Segundo a autarca, o documento demonstra que a transformação da educação é viável quando a comunidade assume um papel ativo e partilhado no processo de aprendizagem.