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PSD Lagoa crítica gestão da autarquia na requalificação da Baía de Santa Cruz

© DL

O PSD Lagoa, em nota de imprensa enviada às redações, lamentou esta terça-feira, 9 de abril, o que diz ser “o avultado valor gasto pela Câmara Municipal em projetos para a Baía de Santa Cruz”. Os social-democratas acusam a autarquia lagoense de “mais propaganda, numa requalificação sem fim à vista”.

No comunicado que fizeram chegar às redações, os social-democratas referem que a “gestão socialista da autarquia” ignora a realidade e “a exigência de um pensamento estratégico para todo o concelho”.

“O atual executivo camarário deve explicar a diferença deste projeto em relação ao que a senhora presidente apresentou em 2017, em plena campanha eleitoral, ou mesmo ao projeto apresentado ainda pelo seu antecessor”, afirma a comissão política social-democrata. O PSD local pede, por isso, que se esclareça se o projeto “não foi realizado devido à Covid-19 ou porque o não estava de acordo com o Plano Diretor Municipal”.

Desafiando, ainda, a autarquia, a comissão política social-democrata afirma que o executivo deve “prestar contas à população sobre os projetos anteriores e garantir que os recursos públicos sejam utilizados de forma eficiente e transparente”, enquanto acusa a autarquia de exigir ao Governo regional “a construção de um pontão, mesmo sem conhecer qualquer estudo de viabilidade”.

Para o PSD Lagoa, “o projeto socialista está esgotado” e, além das críticas à gestão da requalificação da Baía de Santa Cruz, acusam ainda a Câmara Municipal de se focar “quase exclusivamente” na requalificação urbanística do Tecnoparque.

“Acontece que a Lagoa e os lagoenses não vivem exclusivamente do Tecnoparque, e de tudo o que lá é construído, em terrenos oferecidos a preço de saldo”, acrescentam os social-democratas, enquanto reivindicam a “urgência de um novo plano de desenvolvimento para futuro do concelho”.

Vencedores e vencidos

Alexandra Manes

Findo este processo eleitoral, às legislativas nacionais, há, sem sombras para dúvidas, duas figuras que se destacam pelos resultados obtidos: André Ventura e Rui Tavares.

André Ventura pela subida exponencial no número de votos e pelos 48 deputados/as eleitos/as e Rui Tavares pelo aumento significativo de deputados/as conseguido, tendo passado de representação a grupo parlamentar, situando-se bem próximo do número conseguido pelo BE, por exemplo.

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, na minha perspetiva, o maior derrotado da noite terá sido Luís Montenegro, pois não conseguiu o pretendido, nem tão pouco um aumento considerável de votos. Aliás, não conseguiu descolar-se verdadeiramente do conseguido pelo seu antecessor, Rui Rio, e sem CDS e PPM teria conseguido ainda menos.

Montenegro tem uma tarefa difícil pela frente, pois já percebeu que sem o apoio do chega não consegue governar. Ele sabe o dilema. Disse que “não é não” e caso retroceda na palavra terá traindo o seu eleitorado, tal como sabe que com o apoio e as cedências ao chega, o governo desmorona em meses.

Nem Montenegro sabe como vai convencer a máquina e as “forças vivas” do PSD de que é capaz de formar o “governo estável” que lhes promete. É que os apoios têm de ser recompensados, pois não há almoços grátis e Roma não paga a traidores.

A ingerência de Marcelo Rebelo de Sousa foi um erro crasso. Escolheu um lado e em dia de reflexão interveio, enviou uma mensagem encapotada e não o devia! O povo, a quem se fartou de beijocar, não lhe perdoará!

No fim da noite de domingo, Marcelo meteu-se no carro e foi para casa. Não quis falar à RTP. A golpada não lhe saiu bem. Fica com o Montenegro ao colo, mas vai ter que puxar por todo o seu engenho para descobrir o que fazer com o Chega. Foi um jogo de azar.

Por outro lado, Pedro Nuno Santos proferiu um bom discurso, assumindo o papel de líder da oposição, não atacando, nem ostracizando o eleitorado do chega, referindo que não há um milhão de portugueses racistas e xenófobos. Também não acredito que haja um milhão, mas ontem percebeu-se que há claramente quem se identifique com a ideologia que o chega preconiza.

O Bloco de Esquerda manteve o seu grupo parlamentar, tendo elegido três deputadas e dois deputados, dos quais destaco Marisa Matias pelo um trabalho de excelência feito no Parlamento Europeu, conhecedora de dossiers importantíssimos no que aos Direitos Humanos diz respeito. Uma mais-valia ao parlamento nacional, sem dúvidas.

Estou certa de que o BE, embora sem ter alcançado o resultado desejado, continuará a defender intransigentemente o Estado Social e a justiça social.

Relativamente aos deputados eleitos pelos Açores, a única novidade é a entrada de um deputado do chega que já deixou bem claro o que irá fazer no parlamento: gritar! Nada de novo, portanto.

Agora, mesmo ainda faltando conhecer os resultados dos círculos exteriores a Portugal e que poderão alterar o cenário, é hora de uma profunda reflexão interna, nos partidos de Esquerda.

Nunca a Esquerda baixou os braços ou virou as costas ao seu país. Não será agora!