
Os Açores registaram cerca de 25 mil praticantes federados em 2024, mais concretamente 24.872, distribuídos por 42 modalidades desportivas, informou esta segunda-feira, 15 de dezembro, a Secretaria Regional da Educação, Cultura e Desporto, através da Direção Regional do Desporto (DRD).
Trata-se do valor mais elevado de toda a série histórica, representando um acréscimo de 230 praticantes face a 2023, crescimento esse influenciado sobretudo pelo aumento no género feminino (+225).
Segundo o comunicado, a distribuição por ilhas evidencia a diversidade e abrangência do sistema desportivo regional: São Miguel concentra 50,2% dos praticantes; Terceira, 25,4%; Faial, 6,9%; Pico, 6,5%; Santa Maria, 3,8%; São Jorge, 3,6%; Graciosa, 2,0%; Flores, 1,3%; e Corvo, 0,3%.
As ilhas com maior diversidade competitiva continuam a ser São Miguel, com 36 modalidades, Terceira, com 31, e Faial, com 21. Em termos de participação por género, a componente masculina representa 66,63% dos praticantes, enquanto a participação feminina atinge 33,37%, mantendo uma tendência de crescimento sustentado. Os escalões de formação continuam a ser predominantes, reunindo 74,37% dos atletas federados, o que corresponde a cerca de 18.498 jovens em atividade desportiva regular.
As taxas de participação desportiva voltam a atingir valores de referência no contexto nacional. A taxa de participação absoluta situa-se em 10,52%, o valor mais alto de sempre e o terceiro ano consecutivo acima dos 10%. Já a taxa de participação potencial (população entre os seis e os 34 anos) ascende a 31,15%, igualmente o valor mais elevado de toda a série histórica, reforçando o forte impacto do sistema desportivo regional e a expressiva adesão da população açoriana ao desporto federado.
No que respeita aos agentes desportivos não praticantes, os Açores contabilizam em 2024 um total de 1.166 treinadores, 1.194 árbitros e juízes e 1.041 dirigentes federados, mantendo-se uma evolução progressiva que demonstra o alargamento da base de suporte técnico, organizativo e formativo na região.
Com a divulgação destes dados, a DRD salienta que “reafirma o compromisso de promover um desenvolvimento desportivo cada vez mais estruturado, inclusivo e sustentável, baseado em informação rigorosa e atualizada”.

Ana Jorge
Deputada PSD/Açores
Os Açores destacam-se. E fazem-no com mérito próprio. O mais recente Índice Sintético de Desenvolvimento Regional (ISDR 2023), publicado pelo Instituto Nacional de Estatística, confirma o que muitos já sabem: a Região Autónoma dos Açores apresenta um desempenho acima da média nacional na dimensão da qualidade ambiental. No total das 26 sub-regiões, a Região Autónoma dos Açores posiciona-se em 2.º lugar. Mas mais do que um feito estatístico, este é o reflexo de uma estratégia consistente que faz da sustentabilidade uma prioridade — não apenas retórica, mas governativa.
Esta distinção ambiental não é o resultado inevitável da geografia ou do isolamento: é fruto de políticas públicas progressistas, seguindo a visão estratégica do XIV Governo Regional. Medidas como a reestruturação dos Centros de Processamento de Resíduos para valorização dos biorresíduos, os investimentos em zonas de compostagem, e o funcionamento do Sistema de Depósito de Embalagens, que já permitiu recolher mais de 20 milhões de unidades, traduzem-se em impactos reais, mensuráveis e benéficos para todos.
Não estamos perante ações isoladas. A Região assumiu-se como território-laboratório de soluções ambientais para o espaço europeu e atlântico. Projetos como o MAC TEXTIL, para a reciclagem de resíduos têxteis, ou o CircularOcean, que combate o lixo marinho em áreas portuárias, demonstram uma vocação clara para a inovação ambiental e para a liderança em redes de cooperação internacional — em particular, na Macaronésia.
É talvez no combate às alterações climáticas que mais se evidencia o salto qualitativo. O programa LIFE IP CLIMAZ, com cerca de 20 milhões de euros de investimento alocados, congrega departamentos governamentais e parceiros em torno de uma resposta integrada e científica aos desafios climáticos. A isto juntam-se a criação do Observatório Climático do Atlântico, a modernização do Observatório da Montanha do Pico, os sistemas de alerta em bacias hidrográficas e a revisão do Plano Estratégico de Gestão de Resíduos (PEPGRA 20+), ferramentas modernas ao serviço da prevenção, da adaptação e da mitigação.
O Programa do XIV Governo Regional dos Açores elevou a sustentabilidade a pilar estruturante da governação. A Agenda para a Economia Circular, a capacitação do setor da construção para práticas sustentáveis, a criação de redes ecológicas e o incentivo à mobilidade suave são mais do que intenções: são alicerces para um novo modelo de desenvolvimento. Uma economia verde que aposta nos recursos naturais e que posiciona os Açores e Portugal no mundo, com ambição e responsabilidade.
Durante o recente debate parlamentar levado a cabo no Plenário de julho sobre a coesão económica e social, alguns tentaram desvalorizar estes progressos, continuando a mirrar numa senda corrosiva o rumo que os Açores tomam sob a governação de José Manuel Bolieiro, talvez porque os dados incomodam. Talvez porque é mais fácil negar do que construir. Mas a verdade impõe-se, os Açores estão melhor do que estavam. E isso não se deve a sorte, nem a ciclos, deve-se a trabalho, a visão e a uma governação que enfrentou problemas com soluções, com coragem e visão.
A qualidade ambiental que se alcançou, como se constata nesta publicação do INE, não é um símbolo, é uma vantagem competitiva, é um motor de futuro, é um estímulo para trabalhar, continuar a trabalhar pelos Açores, que se quer exemplo de ambição e progresso usando-a como motor de futuro. É motivação para continuar a investir numa educação e sensibilização ambiental fundamental para uma cidadania ativa e exigente.
O futuro da Região passa pela criação de inovação, fomentando a formação e a criação desemprego qualificado. Não basta manter o que já alcançámos é necessário um trabalho contínuo, mobilizando os instrumentos e o conhecimento dos Açores, sob a liderança de quem tem ambição, visão e trabalha para o bem legítimo de todos os açorianos – o Governo de José Manuel Bolieiro. É tempo de usar esta base sólida para dar continuidade a um ciclo de desenvolvimento, justo, inovador, verdadeiramente sustentável e coeso.
Neste tempo em que os dados confirmam os avanços, a desconfiança e a inveja são matéria inútil. Precisamos, isso sim, de confiança, iniciativa e união, para transformar resultados em conquistas duradouras, posicionando os Açores como exemplo de coesão, de ambição e de progresso.

Carlos Caetano Martins
Dirigente Iniciativa Liberal – Açores
Aplicar políticas económicas sem dados estatísticos é como tentar pilotar um avião sem apoio cartográfico: podemos ir seguindo algumas tendências com base na nossa intuição, mas, no final, apenas nos guiamos pela linha de vista.
Na Iniciativa Liberal, gostamos de nos guiar por números de fontes oficiais como o SREA, o INE ou o EUROSTAT e, a partir daí, definir um plano e as políticas que melhor se enquadrem em cada contexto.
É por este motivo que acreditamos que estas instituições devem primar pela isenção e pela disponibilização de dados atualizados e em bruto, permitindo uma interpretação livre por terceiros. Caso contrário, ficamos dependentes dos resumos de informações que o governo decide divulgar — numa versão moderna do clássico orwelliano 1984.
A título de exemplo, ainda este mês de fevereiro, surgiram notícias de que o salário médio regional ilíquido nos Açores, em 2024, foi de 1.742,00€. Os mais incautos poderão pensar que metade dos açorianos aufere esse montante. No entanto, apenas com recurso à mediana ou a séries de dados por intervalo conseguimos perceber qual o valor auferido por metade dos açorianos. Num mundo em que a economia muda à velocidade de uma publicação de Trump, a ausência de dados críticos como a mediana salarial prejudica qualquer análise e avaliação das políticas públicas e dos resultados obtidos.
Pois bem, apesar de termos valores da média salarial para 2024 nas bases de dados do INE e do SREA, a verdade é que, desde dezembro de 2022, a mediana salarial não é publicada. Nessa data, os valores líquidos para o salário médio na RAA eram de 1.273,71€, enquanto a mediana era de apenas 938,51€ e o terceiro quartil situava-se nos 1.208,60€. Isto significa que metade dos açorianos ganhava menos de 938,51€ e que 75% da população auferia menos 65,11€ do que a média salarial. E como será em 2024? Não sabemos, porque não há dados estatísticos disponíveis.
Numa época em que enfrentamos uma crise habitacional sem precedentes, como podemos perceber o que são preços acessíveis à compra de habitação e a respetiva taxa de esforço das famílias, se não sabemos o que 50% ou 75% da população aufere? E, na mesma linha de pensamento, como podemos identificar o Índice de Gini, avaliar o impacto da inflação ou perceber se os aumentos salariais estão a acompanhar as necessidades da população?
Se o SREA e o INE conseguem calcular médias salariais, é evidente que têm acesso aos dados para calcular medianas — o que nos leva a questionar o motivo para a sua não publicação. Será um lapso, desorganização ou simplesmente falta de prioridade? No final, a imagem que passa é a de uma estratégia política para controlar a narrativa e evitar críticas que exponham as falhas governativas, deixando a oposição sem ferramentas para contestar os discursos oficiais.
Nas palavras do saudoso Alexandre Soares dos Santos, filantropo e fundador da Pordata, «não há maior defesa contra a manipulação nem arma mais eficaz contra as propagandas e ilusões do que o poder dos dados rigorosos e independentes.» E acrescentava que «se o conhecimento não pode ter limites, também o autoconhecimento de um país os não tem.»
Sem dados, não há análise séria — apenas propaganda. Uma região que não mede corretamente os seus problemas está condenada a nunca os resolver. Se o governo esconde ou negligencia dados essenciais, como podemos confiar que as suas decisões são baseadas na realidade e não apenas numa estratégia de comunicação populista?