
O alerta do Papa Leão XIV sobre os perigos da Inteligência Artificial, lançado na mensagem para o 60.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, reflete um receio global perante uma tecnologia que, embora inovadora, carece ainda de regulamentação e tem um impacto profundo no jornalismo e na vida quotidiana. A análise é de Clife Botelho, diretor do Diário da Lagoa, que em declarações à agência Igreja Açores sublinhou a urgência de reforçar a literacia mediática e preservar o humanismo na comunicação social. Para o diretor, a mensagem do Papa ecoa o “medo do desconhecido”, uma reação natural do ser humano perante algo que evolui de forma tão rápida e imprevisível, sublinhando que a voz do Pontífice é um alerta relevante não apenas para a comunidade católica, mas para toda a sociedade civil.
No campo da comunicação social, Clife Botelho sublinha que a Inteligência Artificial (IA) já é uma realidade incontornável e pode ser uma aliada nas redações, nomeadamente em tarefas técnicas como a transcrição de entrevistas ou a organização de dados, permitindo uma gestão de tempo mais eficiente. No entanto, o diretor do Diário da Lagoa deixa um aviso: a tecnologia deve ser encarada estritamente como um instrumento e “nunca como um substituto do jornalista”. O grande risco, aponta, reside na tentação de alguns órgãos de comunicação optarem por conteúdos gerados integralmente por algoritmos, o que sacrificaria a ética, o espírito crítico e a autenticidade que definem o bom jornalismo.
Um dos perigos mais prementes identificados pelo responsável é a proliferação desenfreada de notícias falsas e de plataformas digitais que sobrevivem à custa de “cliques” e publicidade enganosa. Neste ecossistema, torna-se cada vez mais difícil para o cidadão comum distinguir a informação verificada de conteúdos manipulados. Clife Botelho recorda casos mediáticos de imagens geradas por IA que enganaram milhões de utilizadores em todo o mundo, alertando para o facto de que esta confusão generalizada leva a que as pessoas comecem a duvidar de tudo, incluindo do jornalismo sério e credível que se faz nas comunidades locais.
A situação agrava-se com a dependência dos dispositivos móveis para o consumo de notícias. Segundo o diretor do Diário da Lagoa, sem uma base sólida de literacia mediática, os cidadãos ficam vulneráveis a manobras de desinformação e boatos que se espalham instantaneamente nas redes sociais. Por esta razão, Clife Botelho defende que a educação para os media deve ser uma prioridade nas escolas, começando desde os primeiros anos de escolaridade. O objetivo é capacitar as novas gerações para o escrutínio das fontes e para a distinção clara entre factos verificáveis e opiniões infundadas ou discursos de ódio.
Clife Botelho destaca ainda a importância do apelo do Papa para a preservação de “vozes e rostos humanos”. Num futuro onde pivôs virtuais e vozes sintéticas podem simular a presença humana, a questão da autenticidade torna-se central. O diretor sublinha que a perda do lado humano na comunicação não é apenas uma perda profissional, mas um risco para a própria democracia. Além disso, aponta o dedo ao papel dos algoritmos que alimentam a polarização social, criando “bolhas” onde as pessoas apenas recebem conteúdos que reforçam os seus preconceitos, impedindo o diálogo e o contraditório.
Apesar deste cenário desafiante, Clife Botelho evita adotar uma visão catastrofista, acreditando que a regulamentação será o caminho inevitável. Aponta a União Europeia como um exemplo de onde o debate legislativo já começou e reforça o papel vital das entidades reguladoras em Portugal. Para o responsável do Diário da Lagoa, o jornalismo de proximidade tem agora uma responsabilidade redobrada: ser o porto de abrigo da verdade num mar de conteúdos artificiais. “O jornalismo tem de reafirmar a sua utilidade essencial: a verificação dos factos”, conclui, reforçando que a mensagem papal é, acima de tudo, um convite à ética e à defesa de uma comunicação humana num mundo digitalizado.

Clife Botelho
Diretor do Diário da Lagoa
No mês em que celebra 11 anos de edição impressa, o Diário da Lagoa prepara-se para regressar à sua essência local. Esta decisão marca o fim de uma viagem e um retorno à missão original, a de ser um registo de memórias e da identidade do concelho.
Em 2023, iniciámos uma experiência de expansão, procurando novos caminhos e públicos fora das cinco freguesias da Lagoa. O objetivo era claro: assegurar a sustentabilidade. Tínhamos a ambição de ir além, de ser o diário que contava outras histórias, de outros lugares, ilhas e da nossa diáspora. Essa jornada, no entanto, serviu para uma importante lição. Embora tenhamos conquistado novos leitores, o título do jornal continuou a ser um obstáculo. A resistência ao nome “Diário da Lagoa” dificultou a fidelização e angariação de anunciantes fora do concelho, comprometendo a sustentabilidade. Sem capacidade para crescer, a experiência, afinal, levou-nos a uma conclusão: o futuro está nas nossas raízes.
É tempo de voltar ao ponto de partida. Por isso as edições em papel deste ano têm regressado, gradualmente, ao espaço geográfico da Lagoa, dando razão aos que defendem uma matriz mais local. A tendência atual revela esse caminho, por isso esta edição será a última em modo de viagem. A intenção nesta é promover o debate, abalar estruturas de pensamento ao revelar uma realidade que a maioria do público desconhece.
Este retorno, porém, só será possível com o apoio da comunidade que nos lê. É nos leitores que depositamos esperança. Onde houver leitores, há instituições, entidades e empresas, especialmente na Lagoa, onde apelamos para que valorizem e apoiem as páginas que lhes dão voz e visibilidade. O Diário da Lagoa é património e a sua preservação é responsabilidade de todos e não pode recair somente nos ombros de uma família ou de uma editora, nem sujeitar-se ao risco de ficar refém de grupos de interesse ou económicos. O jornalismo não é um negócio, caso contrário arrisca-se a servir agendas obscuras. Dirigimo-nos, por isso, também ao Governo dos Açores: a prometida publicidade institucional é vital para a sobrevivência de jornais, revistas e rádios. Até agora, em 2025, não passa de uma promessa. Entretanto, os jornais têm revelado que só conseguem subsistir com uma base de apoios públicos, sejam locais, regionais ou nacionais, que reconheçam a importância do jornalismo na salvaguarda da democracia e da liberdade. Quem discorda, desafio que contribua ou que prove o contrário. Atrevo-me a afirmar que quem defende que o setor público não deve apoiar os media desconhece os valores que nutrem a missão daqueles que são, atualmente e na maioria, “heróis precários”. Os apoios aos media privados cumprem critérios de elegibilidade, tal como os existentes para outros setores. Neste sentido, tal como já acontece noutros lugares da Europa, o Governo regional criou um programa de apoios, o “SIM – Sistema de Incentivos aos Media Privados dos Açores”, uma versão melhorada do antigo “Promedia”. Foi devolvida a esperança e adiou-se a extinção de alguns projetos, mas falta aplicar uma distribuição mais justa da publicidade que foi prometida e anunciada. Até lá, continuamos a correr contra o relógio.
El Diário da Lagoa acabou com um vazio de 77 anos ao devolver à Lagoa um jornal. O seu percurso tem sido marcado por sacrifícios — alguns ainda desconhecidos do público — e, por vezes, também pela falta de reconhecimento. Na segunda edição do “Encontro dos Açores para o Mundo”, que se realizará este mês, iremos distinguir o fundador do jornal e a Tipografia Esperança, que, juntos, devolveram um jornal ao concelho. Talvez o jornalismo, ao cumprir a sua função, incomode, mas temos esperança que a sua importância venha a ser compreendida.
Passados onze anos, enfrentamos o mesmo desafio, por isso o local escolhido é simbólico: OVGA – Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores. A imprensa continua em ebulição, a ser condicionada, é preciso repensar os modelos de sustentabilidade e o jornalismo. Ainda está por provar que o mecenato seja a solução e cada vez mais é o espírito de comunidade, a força conjunta dos leitores e o poder do Estado a decidir quem se salva. Segundo um relatório da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, em 15 anos, a imprensa registada em Portugal reduziu-se em 40%. O número de publicações periódicas passou de 2971 em 2010 para 1675 em 2024. O setor dos media está em crise há quase duas décadas.
Desconhecemos ainda o que o futuro nos reserva e sabemos que não nos limitamos a páginas impressas, mas continuamos e insistimos, talvez, por pura carolice. É certo que a estrutura do jornal pode ser repensada, porém, caso não se reúna a viabilidade, o papel passará a ser algo do passado e, portanto, um testemunho do nosso percurso em bibliotecas e nos lares de quem colecionou cada edição. Este é um dilema que surge a cada final de ano. E, na prática, do ano de 2014 a 2025, terão sido publicadas 141 edições mensais, das quais 136 foram em papel e cinco ficaram pelo formato digital, em PDF. Já no nosso sítio online, foram publicados mais de 20 mil artigos. O que nos leva a questionar se o amanhã será apenas digital ou se devemos continuar a acreditar que o papel ainda faz sentido se for usado numa periodicidade que permita informar e registar sem pressa, de forma sustentável, económica e ambientalmente.
Seja como for, já lá vão 11 anos de edição impressa e estamos orgulhosos pela resiliência alcançada, por isso daqui até ao final do ano, iremos definir o futuro e o próximo Encontro no OVGA será o ponto de partida e local de debate por excelência. Independentemente das conclusões, tudo faremos para continuar a dar voz às “notícias que contam”. Mas não depende só de nós. Afinal, “a liberdade não se escreve sem jornalismo”.

Clife Botelho
Caros leitores e amigos que nos acompanham, vou contar-vos mais um pouco sobre nós. Hoje escrevo sem cargos, apenas como a pessoa que sou, porque nunca se tratou de estatuto.
Quando se fala no ambiente de um jornal, temos a tendência a imaginar uma redação cheia de secretárias com papéis, jornais amontoados, computadores e, claro, jornalistas, editores e o diretor. Hoje venho esclarecer que não é este o caso na maioria da imprensa local e regional em Portugal, muito menos na Região Autónoma dos Açores. Na nossa região, a maioria das redações não tem mais do que um ou dois redatores, exceto em três ou quatro jornais de referência. A maioria são como nós nesta página.
O Diário da Lagoa (DL), como sabem, é um dos projetos que temos em mãos na nossa editora, título adquirido ao seu fundador no final de 2019. Já se passaram quase seis anos e, atualmente, a edição online e diária do nosso jornal é composta pelas categorias Atualidade, Reportaje, Entrevista, Opinión, Podcasts e Edición impresa. Além destas, temos os Cuadernos, com mais algumas subcategorias. O DL é, por isso, um jornal diário online, e também em papel através deste mensário, onde procuramos trabalhar os conteúdos num jornalismo mais lento e intemporal, com uma categorização simplificada. Para uma editora com apenas dois profissionais, manter estas categorias atualizadas e publicar dois mensários é um grande desafio, pois o nosso trabalho não se limita ao único periódico, no formato jornal, que existe na Lagoa. Trabalhamos em vários projetos pelos quais dividimos esse mesmo tempo. Ou seja, para sermos sustentáveis, temos de diversificar, comportarmo-nos como uma editora e não como um jornal. E mesmo assim, por exemplo, já não publicamos um podcast há mais de um ano, porque depois das experiências iniciais chegámos à conclusão de que só devíamos continuar após adquirir material de som e edição adequados. Poupar para este investimento demora tempo, pois não nascemos acima da classe média. Para chegar até aqui foi necessário adquirir formação, trabalhar e poupar, fazer sacrifícios e a tudo isto juntar muita dedicação.
Por conseguinte, depois de todo o nosso percurso, o site do DL está preparado e desenhado para a dinâmica de um jornal moderno. Algumas experiências estão publicadas e têm o seu valor enquanto conteúdo, embora tenham sido gravações básicas no caso dos áudios. Mas acreditamos que com os recursos certos passará a ser uma aposta regular. Até lá, não podemos dar realce à demora, pois o jornalismo, para ter qualidade, deve ser feito sem pressas. Do mesmo modo, não podemos esquecer que a nossa editora, composta pelos mesmos dois redatores e alguns colaboradores freelancers, tem ainda o privilégio de apoiar o atual único jornal do concelho de Vila Franca do Campo. Por isso, temos colaboradores da Informação, verdadeiros amigos, que nos apoiam em ambas as redações, bem como os colunistas e cronistas, que, todos juntos e connosco, alimentam a edição diária online e as edições mensais em papel de ambas as publicações. Eu coordeno e tomo decisões todos os dias, enquanto diretor da editora e jornal lagoense. A Sara Sousa Oliveira assegura a linha editorial enquanto editora executiva deste mesmo projeto jornalístico. E toda a equipa de freelancers trabalha connosco a partir das suas casas, no tempo que lhes sobra após chegarem dos seus empregos, e na nossa estimada “redação virtual”. E, depois, ainda temos o Marketing e Publicidade, parte fundamental que cabe atualmente a quem esteve sempre do nosso lado, a Catarina Teixeira.
Já no jornal da Vila Franca, o centenário A Crença, publicado apenas em papel, o padre José Borges, seu diretor, coordena uma equipa da qual a Sara e eu fazemos parte. A colaboração tem-nos ensinado muito, torna os dois jornais mais fortes e sustentáveis. O que muitos leitores não sabem é que este é um trabalho de muita responsabilidade e que requer espírito de equipa – na maioria voluntários – com muito trabalho feito à distância, mas unidos nos valores que os projetos representam.
Em suma, sem todos aqueles que colaboram, o nosso trabalho seria mais difícil, por isso nunca me canso de realçar a nossa gratidão. Quando se faz o que se gosta e se trabalha com amigos, o que importa é ter o essencial para se viver e ser feliz.
No final de tudo isto, ainda lutamos, nos bastidores, contra pressões, interesses dos mais variados, e tentativas de influência para nos tentar condicionar. O jornalismo é, por isso, uma profissão de grandes desafios, que testa a resiliência e a audácia. É lutar até às últimas consequências, pelos anos que forem necessários, mesmo que no final nos reste apenas um lápis gasto e uma folha de papel. É certo que há dias em que paramos para pensar: o que nos leva a continuar? Não era mais fácil desistir? Sim, mas parar é morrer e, nesta vida – que é sagrada –, temos o dever de fazer a diferença. Este é o nosso contributo, que sem o apoio familiar, de amigos e leitores seria impossível. A verdade é que temos uma base sólida e inabalável nesse campo, porque antes de um jornal, somos uma editora de pessoas para pessoas.
Subscrever, ler, partilhar o que vamos publicando nos jornais que escrevemos é acreditar connosco que todo este esforço é em prol de valores como a Liberdade, a Democracia e, também, no direito de sermos felizes a fazer o que mais gostamos. Não importa onde escrevemos, com que título ou em que lugar, mas sim que continuemos a escrever. Por tudo e a todos os que nos acompanham e apoiam das mais variadas formas, entregamos, assim, a nossa gratidão através de cada página.

Clife Botelho
Diretor do Diário da Lagoa
O Diário da Lagoa celebra onze anos e inicia um novo capítulo da sua história. Primeiro surgiu como órgão de comunicação social no seu sítio na internet, depois, em outubro do mesmo ano, ganhou dimensão com o lançamento da edição impressa. E passaram-se onze anos de páginas com todos aqueles que passaram por esta casa. Por conseguinte, nesta nova fase decidimos finalizar as experiências desenvolvidas ao longo dos últimos anos em que se implementaram novas perspetivas, diferentes estratégias na procura de alcançar a sustentabilidade. Acima de tudo serviu para ganharmos consciência do que pretendemos para o futuro. Para registo, ficam as edições que se publicaram nesse período, que, para quem estuda jornalismo, podem ser objeto de análise entre o antes, o durante e o depois. Porém, a partir daqui, assumimos o desafio na certeza do que realmente vale a pena.
E se a editora que criei há cinco anos é, desde então, detentora do Diário da Lagoa, confesso que, por outro lado, num jornal com mais de uma década de vida, há decisões difíceis que são feitas de coragem, espírito de sacrifício e focadas num dos mais elementares valores: a liberdade de decidir o nosso percurso. O objetivo será sempre levar aos leitores, através de projetos únicos, as notícias que contam. Entendo, portanto, que é tempo de abraçar a convicção de que nos devemos apoiar numa equipa editorial mais experiente no que ao jornalismo diz respeito. Conto por isso, nas próximas edições, com colaboradores que, além de gostarem do que fazem, são sobretudo amigos na essência da palavra, pois qualquer publicação só se constroi com pessoas que se valorizam mutuamente, respeitam a essência do que se cria, cientes do compromisso para com o estatuto editorial.
O trabalho faz-se aqui, a partir da Lagoa, nos Açores, para o mundo enquanto faz sentido, porque no dia que perder força, terá cumprido o seu propósito e será o momento de aceitar que “nada se perde, tudo se transforma”. Porventura, acredito que haverá espaço para nos reinventarmos perante as adversidades que devemos encarar como oportunidades para evoluirmos. E, nesta jornada além da primeira década, avistam-se novos obstáculos — especialmente quando o jornalismo incomoda ou marca a diferença —, porém tudo aquilo que tentar derrubar a nossa paz e consciência, verá, a seu tempo, a força do impacto da verdade e dos factos. Assim, de cabeça erguida, a luta é diária e intensa, mas o que nos alimenta a alma, naquilo que somos, é infinito. Contudo, ainda no presente, estamos de regresso à redação virtual, pois optamos por trabalhar novamente a partir de casa, unidos pelas novas tecnologias que nos permitem continuar a desenvolver o sonho que se torna realidade a cada dia. Do mesmo modo, no que considero um privilégio, continuamos a contar igualmente com a centenária tipografia A Crença, sede do jornal com o mesmo nome, onde paginamos todo o conteúdo que é publicado em papel. Trata-se do espaço onde a Lagoa e a Vila Franca do Campo conjugam esforços em prol de um bem maior. É, assim, que unidos pela convicção de que é possível defender a liberdade e a democracia, que damos voz a valores que nos inspiram, apesar da insularidade que nos separa do mundo, para juntos superarmos os desafios com dedicação, persistência e resiliência, na certeza de que estamos a trilhar um caminho feito de esperança.
Resta-me, por fim, agradecer a todos os que nos acompanham, colaboram, apoiam e leem: obrigado por continuarem a acreditar em nós. E, por ser um momento de transição, desejo a todos os nossos leitores, um bom ano e boas leituras.

Clife Botelho
Diretor do Diário da Lagoa
O Diário da Lagoa (DL) ao longo de dez anos de existência tem trilhado um percurso que resulta da dedicação e do esforço de quem contribuiu para construir este projeto.
Trata-se de um jornal que foi fundado por um picoense e que, apesar do título, não se resume à sua geografia: “as notícias que contam. A partir da Lagoa, nos Açores, para o mundo”. São notícias da Lagoa e não só, pois há toda uma realidade circundante que é preciso igualmente fazer chegar à Lagoa e vice-versa. Somos, também, Açores. E se já tivemos lagoenses no comando, há três anos e meio que estou eu, que embora residente e com família neste concelho, nasci numa freguesia na costa norte muitas vezes esquecida, talvez por coexistir com outras 23 freguesias, num concelho que, ao contrário da Lagoa, é excessivamente grande. Olho, por isso, a Lagoa com outros olhos, sendo esta a casa que escolhi para viver.
Já aqui, na mais jovem cidade açoriana e no único jornal do concelho, jornalistas, colaboradores, leitores, anunciantes, parceiros, todos juntos formam uma verdadeira comunidade que muito tem contribuído ao longo de uma década na defesa de valores mais elevados. Ler o DL é procurar conteúdo que se quer diferente, é acreditar que o jornalismo de proximidade está vivo e recomenda-se.
Com uma edição diária online, em diariodalagoa.pt, e um mensário em papel — publicado também no formato digital para chegar mais longe —, muito se registou da Lagoa, da ilha de São Miguel e, também, da nossa região, como se de um diário se tratasse. E muito mais há a escrever.
O jornal atravessou fases diferentes, tempos difíceis também, mas mantém o foco e o seu propósito inicial. Sem querer agradar a todos, pois sabemos que o jornalismo cumpre a sua função quando incomoda, numa região em que o jornalismo quando investiga encontra dificuldades e condicionalismos. Mas continuamos na luta pela liberdade e na defesa da democracia, porque o jornalismo é também ser a voz daqueles que de outro modo não seriam ouvidos, questionar e marcar a diferença, para garantir a democracia e a liberdade.
E se nas redes sociais já ultrapassamos os 20 mil seguidores, que a muito custo fomos convencendo que valia a pena nos acompanhar, no papel, este ano distribuímos mais 12 mil exemplares marcando presença em todos os concelhos da ilha. E somos nós, uma equipa de resilientes, que percorremos cada quilómetro, cada rua, cada concelho. Nesta última edição deste ano, agradecemos aos nossos leitores por nos fazerem acreditar que vale a pena. Sem esquecer que um dia perguntaram-me: “para que serve o Diário da Lagoa?”. Fiquei em silêncio, pois a resposta é dada todos os dias com a dedicação e a motivação que nos leva a dizer: somos gratos a todos que acreditam no nosso valor.
