
Esta época tem sido muito favorável para o Santa Clara, que regressa agora à elite do futebol português. Após despromoção em 2023, a equipa açoriana voltou agora à Primeira Liga, e sagrou-se campeã da Liga 2, a 19 de maio, com vitória por 2-0, no Estádio de São Miguel, frente ao União de Leiria.
À conversa com o Diário da Lagoa (DL) Clemente Raimundo, diretor técnico dos encarnados de Ponta Delgada, explica que se trata de uma época “muito positiva, com um grande grupo de trabalho, uma verdadeira família e um lote de jogadores com muita qualidade. Quando temos jogadores com qualidade as coisas ficam mais fáceis, pois fomos a melhor equipa do campeonato e os justos vencedores da Segunda Liga”.
Os encarnados de Ponta Delgada fecharam o campeonato com 73 pontos e deixam o Nacional da Madeira em segundo, com 71 pontos. É a segunda vez que Santa Clara ergue a taça, tendo o primeiro título de campeão da Liga 2 sido conquistado na época 2000/01.
Segundo o diretor técnico, natural de Santa Cruz, Lagoa, e ex-jogador do clube, a equipa de Ponta Delgada “vai construir uma equipa forte para fazer um campeonato tranquilo na Primeira Liga”, com a ajuda de Bruno Vicintin que, segundo o diretor, “foi provavelmente o melhor que aconteceu ao Santa Clara nos últimos dois anos. O futebol açoriano deve-lhe muito por aquilo que tem feito, por isso não tenho dúvidas que o Santa Clara vai crescer muito. Bruno Vicentini tem um projeto fantástico para o clube e para os Açores”, realça Clemente Raimundo.
A época foi positiva e igualmente difícil, considera. “Foi preciso muita união mas tínhamos um espírito de grupo muito bom e os nossos adversários obrigaram-nos a ter que somar muitos pontos, pois talvez este tenha sido o ano da Segunda Liga em que foram necessários mais pontos para se subir de divisão”. O clube quebrou também alguns dos seus recordes, sofrendo apenas 19 golos. “Foi uma época fantástica”.
Clemente salienta também o trabalho do treinador Vasco Matos: “Desde que o mister chegou, que passou uma mensagem muito forte de disciplina e de união e isso foi fundamental para os momentos mais difíceis durante a época, sendo que no final fomos felizes”. Para o diretor técnico, “é fácil trabalhar com o mister Vasco Matos, porque é uma pessoa muito organizada e disciplinada e ao trabalhar todos em conjunto tem corrido muito bem”.
Questionado se o facto de a região ter um clube na Primeira Liga pode fazer sonhar uma criança que queira ser jogador de futebol, Clemente Raimundo explica que em apenas 240 mil pessoas que os Açores têm em população, é difícil encontrar um jogador de futebol. “Claro que é importante ter na equipa jogadores açorianos, mas é necessário ter qualidade para chegar a este patamar”, considera.
No entanto, contrapõe o diretor técnico, “hoje é muito mais fácil para um açoriano ser jogador de futebol do que no meu tempo, porque até aos 23 anos tem agora a oportunidade para se afirmar sem sair dos Açores, isto se jogar na Liga Revelação ou no Campeonato de Portugal”.
Segundo Clemente Raimundo, que refere o projeto de formação do clube, “é normal que muitos não consigam, mas os melhores têm aqui uma oportunidade para conseguir. É preciso acreditar e ter muita confiança em si, pois com o projeto de formação do Santa Clara estamos a valorizar o atleta açoriano e não tenho dúvidas que no futuro vamos ter mais jogadores açorianos com qualidade”.