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Informação ecológica

Maria Chaves Martins
Licenciada em Direito

A relação entre jornalismo e sustentabilidade ganha cada vez mais espaço na atual conjuntura de emergência climática, aumentando o volume do alerta para as alterações climáticas. Pois, o jornalismo, enquanto importante veículo de conhecimento e literacia da população, é responsável por disseminar informação produto de trabalho de investigação, despertando consciências, promovendo a construção de opiniões, criando debate e fortalecendo a democracia.

É incontestável a importância do jornalismo como parceiro no combate à crise climática, norteado pelas diretrizes da justiça social, cultura de prevenção de riscos e desastres climáticos e fiscalização do poder, expondo atitudes que privilegiam poucos à custa do interesse comum e contrários ao estado de emergência climática.

Essa atitude fortalece a cidadania e a capacidade de ação dos sujeitos sociais, fomentando uma relativa inquietude que mobiliza o combate aos contribuintes da aceleração do aquecimento global, reivindicando a responsabilização dos decisores.

Os jornalistas oferecem informações que alertam para riscos e danos ecológicos, possibilitando a sua compreensão, servindo de interlocutores entre a comunidade científica, decisores das políticas públicas, agentes económicos e a sociedade em geral. Esses profissionais tornam percetível linguagem técnica e, por vezes, inacessível à larga maioria, sem prejuízo de alertar para a marginalização de grupos e de interesses específicos contrários aos comunitários.

Esse papel incentiva a população a participar na tomada de decisões estratégicas para o clima, incrementando a democracia climática participativa, pressionando os decisores e agentes económicos na adoção de comportamentos ambientalmente responsáveis.

Por isso, os jornalistas, sobretudo os que denunciam a inação dos governos no combate climático, enfrentam situações de perigo e violência dirigidas por entidades públicas e privadas, pois são alvo de assédio, online e offline, processos judiciais, ameaças, entre outras formas de violência que visam constranger a sua liberdade e atuação.

Dados recentes da UNESCO demonstram que cerca de 70% dos jornalistas que narram a crise climática ou desenvolvem investigação ambiental sobre segurança alimentar, consumo, energia, desflorestação, poluição, agropecuária, etc, sofrem alguma forma de violência. Para o efeito, os jornalistas admitem já se terem autocensurado, limitando a informação que é transmitida como forma de salvaguarda pessoal.

O jornalismo tem uma missão crítica na promoção da sustentabilidade. Porquanto, ao tornar visíveis os impactos das ações humanas e as possíveis soluções, ajuda a sociedade a tomar decisões conscientes e informadas, exigindo responsabilidade de governos e empresas.

Daí que a transição digital dos jornais seja igualmente importante para aumentar a rapidez e alcance da informação, disseminando informações ambientais urgentes. A par disso, potencia a interatividade com os leitores: dados abertos, mapas interativos e imagens de satélite. Juntos, formam uma discussão que envolve sustentabilidade, tecnologia e o futuro da comunicação.

Todavia, é de evitar o “greenwashing jornalístico”, fomentando práticas que não são realmente sustentáveis, e combater algoritmos que privilegiam apenas entretenimento em vez de assuntos ambientais.

A transição, parcial e conciliada, do jornalismo do papel para o digital deve ser vista como um passo rumo à sustentabilidade, num mundo caracterizada pela rápida mudança.

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