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Infeções urinárias e ginecológicas no verão: como prevenir?

Maria João Pereira
Farmacêutica

O verão traz consigo os dias mais longos e a vontade de aproveitá-los ao máximo. Porém, também aumenta a probabilidade de desenvolvermos infeções bacterianas e/ou fúngicas na região genital.

São três as principais infeções que se destacam nesta altura do ano – e são frequentemente confundidas entre si: a infeção urinária (causada por bactérias), a candidíase (de origem fúngica) e a vaginose bacteriana (também originada por bactérias).

A infeção urinária – designada de cistite quando só afeta a bexiga, ou pielonefrite se atinge os rins- é provocada por bactérias que proliferam no nosso trato urinário, provenientes, por norma, da flora intestinal. Os principais sintomas são o ardor ao urinar, vontade frequente de urinar, dor na zona inferior do abdómen e, por vezes, sangue na urina (hematúria).

A candidíase é causada pela proliferação excessiva do fungo Candida, naturalmente presente no nosso organismo. Provoca comichão intensa, ardor, vermelhidão e um corrimento esbranquiçado e espesso, semelhante a leite coalhado.

Já a vaginose bacteriana resulta de um desequilíbrio da flora vaginal que permite o crescimento anormal de determinadas bactérias, originando sintomas como um corrimento aguado, acinzentado ou esbranquiçado com um odor característico a peixe.

O desenvolvimento dessas infeções no verão dá-se devido a vários fatores, como o aumento da humidade na zona íntima (quer pela maior sudação ou pela permanência com os fatos de banho molhados), uso de roupas justas e tecidos sintéticos, ingestão insuficiente de água e maior contacto com água contaminada (piscinas e praias).

Estas infeções quando detetadas e tratadas a tempo são de rápida resolução. Porém, quando negligenciadas ou não corretamente tratadas, podem desenvolver quadros clínicos mais complicados. Aos primeiros sintomas é essencial procurar ajuda, quer junto de um médico ou numa farmácia.

A prevenção é sempre a melhor forma de atuar, quer se trate de um homem ou de uma mulher:

  • Aumentar a ingestão de água;

  • Usar roupa íntima de algodão sempre que possível;

  • Não adiar as idas à casa de banho;

  • Trocar o fato de banho molhado assim que possível;

  • Evitar lavagens excessivas da zona íntima;

  • Lavar a zona íntima com produtos adequados ao pH da mesma;

  • Urinar após as relações sexuais.

Manter bons hábitos de higiene íntima (não apenas no verão), estar atento aos sinais do corpo e procurar ajuda aquando da deteção dos primeiros sintomas são essenciais para evitar consequências mais sérias.

Aproveitar o verão com saúde e sem complicações é possível – basta adotar pequenos cuidados no nosso dia a dia que são essenciais para evitar complicações.

Cuidar do nosso bem-estar é também uma forma de desfrutar melhor os dias quentes e solarengos que o verão nos proporciona.

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