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Cuidados de Saúde Primários na Lagoa: Avanços e Desafios

Luís Duarte
Fisioterapeuta

Os Cuidados de Saúde Primários constituem, na maioria dos países, o primeiro contato da pessoa com o Sistema de Saúde. Eles fornecem cuidados centrados no indivíduo e na família, bem como orientados para a comunidade, com o intuito de prevenir, curar ou aliviar doenças comuns e incapacidades, e ainda promover a saúde. Esses cuidados são fundamentais para a construção de um Sistema de Saúde robusto, orientado para a eficácia, eficiência e equidade, e são amplamente reconhecidos por estarem associados a um melhor acesso aos serviços de saúde, melhores resultados em saúde e a uma diminuição das hospitalizações e do uso de serviços de urgência.

Na cidade da Lagoa, decorreu recentemente a transição de Unidade de Saúde para a tipologia de Centro de Saúde, uma mudança concretizada pelo atual Governo Regional, em resposta a uma antiga reivindicação da comunidade local. Mas o que representa, na prática, essa transformação para os lagoenses? A elevação a Centro de Saúde traduz-se num acesso mais amplo e diversificado a cuidados de saúde, superando as limitações associadas às Unidades de Saúde. No caso da Lagoa, esta mudança veio acompanhada de uma remodelação das instalações, da inclusão de novos serviços e de melhorias operacionais, com o objetivo de assegurar um atendimento mais célere e abrangente. Entre as principais novidades, destaca-se a implementação do Serviço de Atendimento Complementar (SAC), que amplia a capacidade de resposta médica e garante um horário de funcionamento mais alargado.

A iniciativa do Governo Regional em investir na melhoria dos cuidados de saúde constitui uma medida positiva e necessária para a região. No entanto, para que os serviços prestados correspondam efetivamente às necessidades da população local, é fundamental implementar, a nível local, um mecanismo contínuo de diagnóstico e monitorização dessas necessidades. Esse processo deve incluir não apenas a recolha e análise de dados estatísticos que permitam traçar um perfil de saúde local – essencial para garantir que as intervenções sejam eficazes e sustentáveis –, mas também a promoção de uma auscultação ativa e permanente da população.

É crucial estabelecer canais de contacto direto com os cidadãos, através de encontros nas freguesias, assembleias comunitárias ou outras formas de participação pública. O objetivo é compreender, de forma concreta, as barreiras ao acesso aos cuidados de saúde e como melhorá-las.

Embora o Centro de Saúde da Lagoa tenha sido recentemente implementado, há serviços que necessitam de serem incluídos num futuro muito próximo. Um exemplo evidente é a ausência do serviço de fisioterapia – tanto em regime de ambulatório como domiciliário –, cuja disponibilidade é fundamental para garantir a funcionalidade e a qualidade de vida de muitos residentes da Lagoa.

A construção de um Sistema de Saúde mais próximo, eficaz e centrado nas pessoas requer uma avaliação contínua das necessidades locais, da capacidade de adaptar os serviços à realidade da população e da presença de gestores dinâmicos e inovadores à frente das instituições de saúde. Essa responsabilidade deve ser sempre compartilhada entre o Serviço Regional de Saúde e a Autarquia Local.