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Greve dos Jornalistas: há um mês gritaram os que dão voz a toda a sociedade

Mais de 70 pessoas, entre jornalistas e apoiantes, estiveram em concentração em Ponta Delgada, no dia da greve geral dos jornalistas que registou uma adesão, na região, de 42 por cento. Quiseram chamar à atenção para a deterioração das condições de trabalho da classe profissional. O Diário da Lagoa esteve a ouvir alguns jornalistas

No dia 14 de março concentraram-se mais de 70 pessoas, entre jornalistas e apoiantes, no Jardim Antero de Quental em Ponta Delgada © MARIANA ROVOREDO/ DL

“Povo, escuta, jornalistas estão na luta” e “a liberdade não se escreve sem jornalistas” foram algumas das frases que se “gritavam” na concentração, no Jardim Antero de Quental, em Ponta Delgada, em dia de greve geral dos jornalistas: a única nos últimos 40 anos. Na cidade açoriana, 14 de março foi um dia de sol, o que por sua vez contrasta com a “névoa” que paira sobre o setor do jornalismo.

Jornalistas e apoiantes apelavam à atenção da sociedade civil para os baixos salários, precariedade, sobrecarga laboral, horas extraordinárias não remuneradas, entre tantos outros problemas que afetam a classe. De acordo com o sindicato, a crise no jornalismo é um problema de toda a sociedade.

O Diário da Lagoa (DL) esteve a ouvir e a dar voz aos jornalistas presentes na concentração para conhecer os seus problemas e reivindicações.

Marta Silva, presidente da Direção Regional dos Açores do Sindicato dos Jornalistas que discursava na concentração, disse: “As pessoas têm de perceber que a informação só faz sentido se for de qualidade, de confiança e credível, e isso só se consegue com órgãos de comunicação fortes. O problema reside, principalmente, na questão do financiamento.”

“Não faltam razões para fazermos greve,” diz Nuno Martins Neves, que vestia uma t-shirt com um dos motes da greve: “a liberdade não se escreve sem jornalismo.” O jornalista do Açoriano Oriental explicava que “as condições do nosso trabalho têm se deteriorado nos últimos anos e agravaram-se com a inflação, em que, à conta de não termos aumentos salariais, estamos a perder poder de compra”.

O jornalista aponta ainda os casos de profissionais que recebem abaixo do salário mínimo: “temos pessoas com salários muito baixos e sei que nos outros órgãos de comunicação social (OCS) há pessoas a ganhar abaixo do salário mínimo, pessoas com vínculos laborais muito precários, falsos recibos verdes”.

Inês Linhares Dias, da Antena 1 Açores, com a mesma frase ao peito, considera por sua vez que “é preciso que as pessoas percebam que a deterioração da qualidade do jornalismo está também intimamente ligada à deterioração das condições de trabalho e laborais dos jornalistas”. A jovem jornalista defende que “damos vozes a tantas lutas, está na hora de ouvirem a nossa voz também”.

Inês Linhares Dias, que faz também parte da direção regional do Sindicato dos Jornalistas, descreve a situação de muitos profissionais do setor: “sei o que nos passa pela cabeça quando o dinheiro não estica, quando as horas se esgotam no trabalho e sobra muito pouco para o resto, quando nos deitamos na cama a pensar no trabalho e não vemos esse esforço reconhecido. Continuamos a fazer isto por paixão, mas é preciso que seja mais do que isso. É um trabalho que já não compensa há muitos anos, mas é preciso reverter isso”, considera.

Precários, sobrecarregados e mal pagos

Marta Silva (à esq.) é presidente da Direção Regional dos Açores do Sindicato dos Jornalistas © MARIANA ROVOREDO/ DL

À conjuntura dos baixos salários, acrescentam-se as redações depauperadas, o que resulta na sobrecarga dos poucos jornalistas a exercer funções: “estamos com redações muito reduzidas para o que seria necessário para fazermos um trabalho de qualidade, de informar as pessoas,” expõe Nuno Martins Neves, que “todos os dias” se sente sobrecarregado. “Tentamos tocar muitos instrumentos e somos uma banda muito pequena, e, quando assim é, muitas vezes temos de sacrificar muitas coisas. A primeira que sai sacrificada é a família, a segunda é a nossa saúde, seja física ou mental, com as horas extra que trabalhamos e que quase nunca são recompensadas monetariamente. Portanto, claro que me sinto cansado. São situações que não matam à primeira, mas vão moendo”, lamenta o jornalista.

Também Inês Linhares Dias o sente na pele: “como sou jornalista precária, muitas vezes o que acontece é que aqueles horários que outras pessoas não querem fazer – os noturnos, os fins de semana – são os que são feitos pelos jornalistas precários, a quem não é preciso pagar horas extraordinárias e horas noturnas. Por trabalhar à peça, é muito difícil rejeitar um trabalho, sentimo-nos sobrecarregados”.

Ana Paula Santos, jornalista na Antena 1 Açores, trabalha no setor há mais de 30 anos, mas há 15 que não progride na carreira. “Isto é precariedade. Além disso, na maioria dos OCS, o pagamento de horas extraordinárias não existe, os horários são flexíveis sem que isso seja reconhecido do ponto de vista financeiro. Entre os licenciados, os jornalistas são os mais mal pagos. A cada dia que passa, a profissão está cada vez menos aliciante” denuncia, em dia de greve geral.

A profissional compara o passado e o presente do setor e refere que falta tempo para fazer um trabalho de qualidade. “Se não temos tempo para aprofundar as coisas, faz-se uma análise superficial e isso não é jornalismo. Até isto está a retroceder. Também está a retroceder a integração dos novos elementos nas redações. O jornalismo está com uma superficialidade que tem de mudar”, defende Ana Paula Santos.

Mariana Lucas Furtado, jornalista com apenas 23 anos, explica que escolheu a área porque era o que gostava de fazer, apesar de as condições não serem as mais atrativas. “Quando estava a estudar, já sabia que as condições que ia encontrar no mundo de trabalho não seriam as ideais, à partida. Mesmo assim persisti, gosto muito daquilo que faço e não me imagino a fazer outra coisa. Não é isso que está em causa. Só que é certo que trabalhamos muitas horas e não há nada que as compense, que são dedicadas à profissão, em detrimento da família, da vida pessoal e social. É essa a parte mais difícil de conjugar”, conta.

“Ter vivido nos Estados Unidos da América e no tempo de Salazar moldou-me para ultrapassar obstáculos”

Para o músico e promotor de eventos, Luís Gil Bettencourt, falta um sentido de comunidade e união nos Açores. Ao DL, faz a retrospetiva de uma carreira dedicada à música

Luís Gil Bettencourt, 67 anos, nasceu na Terceira e está no mundo da música desde criança © ACÁCIO MATEUS

Nascido numa família de músicos que tocava para os americanos na Base das Lajes, na Terceira, Luís Gil Bettencourt desde cedo teve um instrumento nas mãos. É músico, compositor e mantém atividade na organização de eventos há já largos anos. Não acredita em dons nem em inspirações.

Numa conversa com o Diário da Lagoa, no hotel onde ficou hospedado na sua visita a São Miguel, em março, Luís Gil Bettencourt conta sobre como as suas experiências de vida o moldaram enquanto pessoa. A imigração, nos anos 70, para os Estados Unidos. O retorno à sua terra, na década de 80. Explica a sua ligação a São Miguel, uma ilha que também chama de casa. Fala sobre o passado, o presente e um pouco sobre o futuro. Prefere não avançar informações sobre o próximo Atlantis – Concert for Earth, mas faz um balanço da primeira edição do festival que aconteceu em 2022 junto à lagoa das Sete Cidades. 

DL: Como surgiu o gosto pela música na sua vida?
O gosto não acontece. São influências que vamos recebendo ao longo da vida. A minha família está ligada à música desde sempre. A minha avó era pianista, o meu pai era multi instrumentista, e depois foram contratados pelos americanos, para criar uma banda na Base das Lajes, onde nasci. Fomos ouvindo os sons. Felizmente tive a sorte de ouvir sempre boa música, fui crescendo e educando o ouvido. Não acredito em dons nem em inspiração.

DL: Desde muito cedo teve um instrumento nas mãos…
Eles estavam à minha volta. Comecei a tocar piano aos quatro anos. Pelos cinco, queria tocar violão. Uma irmã minha estava a aprender a tocar e tinha um papel com acordes. Um dia, ela deixou cair aquele papel, agarrei-o e comecei a aprender sozinho. Até hoje foi assim: sozinho, sempre a amarrar com aquilo até dizer chega. Pelos seis anos, comecei a tocar em grupos de baile.

DL: Como se define? Quem é Luís Gil Bettencourt?
Estou com quase 68 anos, e é difícil, em poucos segundos, uma pessoa fazer uma análise a si própria. Sou teimoso, no sentido de querer. Sou atrevido, no sentido de arriscar. Sou persistente, no sentido de ultrapassar. Ter vivido nos Estados Unidos da América, e no tempo de Salazar moldou-me para ultrapassar obstáculos. Nada estava à mão de semear. É claro que toda esta escola, ainda por cima a dos Estados Unidos, onde não há subsídios, moldou-me no sentido de querer ver as coisas com um palmo de distância, e ver para lá do horizonte, e, de forma equilibrada, fazer coisas que possam servir o meio onde vives. Acredito muito em trabalhar para a comunidade, daí ter criado a Maré de Agosto, ter sido mentor do auditório na Praia da Vitória, e outros festivais e projetos.

Ao fim e ao cabo, é ser um cidadão o mais completo possível e olhar para quem nos rodeia, porque não vivemos sozinhos. Cada vez mais, devíamos olhar uns para os outros dessa forma. Nos Açores, falta-nos o sentido de comunidade, na minha opinião. Demos um salto muito grande, do nada para o mundo, e não soubemos interpretar economicamente a moeda. Há uma aculturação desequilibrada e isso incomoda-me um pouco. Deram-nos muitas ferramentas e não nos ensinaram a trabalhar com elas. Vivemos no mundo das redes sociais, onde tudo temos e nada nos chega. Nos anos 70, em Boston, queríamos que o mundo nos conhecesse. Hoje, o mundo conhece-nos, mas não tem tempo para nós. Sou uma pessoa comum, como outra qualquer.

O músico emigrou com a família para os Estados Unidos da América, com apenas 15 anos © ACÁCIO MATEUS

DL: Qual é a sua ligação a São Miguel?
Aqui, mais do que nas outras ilhas, notava-se muito as classes. Havia uma divisão muito grande e acho que isso moldou a população aqui. De início, senti as pessoas um pouco fechadas, o que é natural, mas quando se abrem é para o resto da vida. É um povo que se mexe. São empreendedores, atrevidos, aventureiros. Criei amizades aqui muito cedo. É uma ilha mágica, embora sinta, com muita pena, que perdemos Ponta Delgada e já não é tão nossa como era. Quem é de cá já não pode passear e usufruir tanto da cidade como fazíamos no passado. Mas não é razão para desistir.

DL: Como foi a experiência de emigrar para os Estados Unidos, em 1971, quando tinha apenas 15 anos?
Já todos falávamos inglês, tocávamos música em inglês, tínhamos televisão e a rádio americana. A Praia da Vitória tinha uma realidade muito diferente do resto do país. Tocamos para os americanos, na Base das Lajes, numa média de duas a três noites por semana. Claro que na América houve coisas menos saudáveis. Sentíamos alguma descriminação da comunidade irlandesa, mas era um país em que sabíamos que se querias, conseguias. Foi o que fizemos, enquanto família. Trabalhávamos uns para os outros. Queríamos que um de nós chegasse algures. Os irmãos mais velhos foram “pavimentando a estrada”, e o mais novo é que dá o salto, mas ele também trabalhou muito para isso.

“Há cheiros, horizontes, mares e pessoas que não esquecemos.
Depois, quer-se também trazer um pouco dos Estados Unidos.
Queres ajudar, com as tuas ideias, e foi o que fiz, com o festival Maré de Agosto.
Não o criei pela música, mas para o desenvolvimento da ilha.”

Luís Gil Bettencourt

DL: Na década de 80 volta aos Açores.
Vim cá passar um fim de semana e fiquei. Quando se sai com 15 anos não é como não se conhecesse isto. Um miúdo com 10, 11 anos, a viver a vida que vivia aqui, não era para qualquer um. Entrava no barco, ia tocar para o Faial, para São Miguel. Isso fez-me crescer bastante. Há cheiros, horizontes, mares e pessoas que não esquecemos. Depois, quer-se também trazer um pouco dos Estados Unidos. Queres ajudar, com as tuas ideias, e foi o que fiz, com o festival Maré de Agosto. Não o criei pela música, mas para o desenvolvimento da ilha.

DL: Nos Açores tem organizado uma diversidade de eventos. Está satisfeito com o trabalho que tem desenvolvido cá?
A Maré de Agosto vai fazer 40 anos, nem é um caso de satisfação, é uma certa alegria. Costumo dizer que a Maré de Agosto e o Carnaval da Terceira são dos bons exemplos de que a cultura pode ser um motor de arranque para a economia local. A Maré de Agosto tem um problema que é acontecer só uma vez por ano. Era importante que durante o ano se fizesse outras coisas, e há essa tentativa.
Os Açores têm de ser promovidos de uma forma única, no meu ver. As outras ilhas precisam das ilhas grandes. Não se pode levar tudo para São Miguel ou para a Terceira. Tem de haver um equilíbrio. Temos de olhar uns pelos outros.

DL: Que projetos tem agora entre mãos?
Eu e a minha filha Maria Bettencourt estivemos em Los Angeles, no outro dia, para ver um novo técnico de gravação e produtor para ela. Também tenho o festival Atlantis. Há outras coisas que gostaria de fazer, em termos de documentários e um pequeno estudo sobre a nossa emigração nos Estados Unidos e no Canadá, por exemplo.

Primeira edição do Atlantis: balanço positivo e público exemplar

DL: Está a residir na Terceira. Viaja muito em trabalho?
Tem de ser. Venho a São Miguel muita vez, por causa do festival das Sete Cidades, o Atlantis.

DL: O balanço da primeira edição do festival Atlantis, que aconteceu em 2022, foi positivo?
Sim, tinha de ser. Não havia outra forma de resultar. Já temos experiência nestas coisas, eu no lado de cá e o meu irmão Nuno Bettencourt pelo mundo. Sabíamos perfeitamente o que tínhamos de fazer. Tivemos um público impressionante, exemplar. Penso que 90 por cento do festival foi público de cá.

Não queremos fazer à moda de lá, nem à moda de cá. Queremos fazer de uma forma que possa, de alguma forma, ir ao encontro da população, dos músicos e ir ao encontro da nossa intenção, que se prende com a questão ambiental. 

Na primeira edição, o público foi de forma saudável. Alguns aspetos que eram muito importantes era as pessoas poderem ir ao festival num horário saudável e praticar um preço acessível à família. Depois, naquela beleza, ouvir música à luz do dia, que é algo que devíamos fazer mais cá. Os Açores são para ser vistos de dia e não de noite.

Letras Lavadas promove Festa do Livro de 18 a 24 de abril

letras lavadas 2024
© LETRAS LAVADAS

Pelo segundo ano consecutivo, a livraria Letras Lavadas, em Ponta Delgada, realiza a Festa do Livro. Entre os dias 18 e 24 de Abril, muitos serão os eventos ligados à cultura e à literatura a decorrer naquela livraria, segundo nota de imprensa da Letras Lavadas. Iniciativa tem o intuito de assinalar o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, que se celebra a 23 de Abril, mas também a efeméride dos 50 anos do 25 de Abril.

No primeiro dia da programação, 18 de Abril, pelas 10h30, a livraria vai receber Rui de Faria para ministrar uma sessão sobre os Contos Clássicos e Populares. De tarde, pelas 15h00, o grupo Palavras Sentidas e alguns alunos da Escola Secundária Antero de Quental vão dinamizar um sarau poético dedicado a Antero de Quental, sendo aquele dia o do nascimento do poeta. O evento contará com um momento musical de Luís Senra.

Segundo o mesmo comunicado, no dia 19, a manhã será dedicada aos mais pequenos, estando em agenda, pelas 10h30, uma hora do conto para creches e pré-escolares, dinamizada por Paula Pereira, aluna do curso Técnicas de Acção Educativa, da Escola Básica e Secundária Armando Côrtes-Rodrigues. De tarde, às 14h30, as professoras Patrícia Bettencourt e Raquel Félix, coordenadores da Biblioteca Escolar da Escola Básica Integrada de Vila de Capelas, desenvolverão uma atividade ligada à ciência e às letras, através de experiências a realizar na ocasião com alunos.

Pelas 18h00, decorrerá uma sessão do Clube de Leitura da Letras Lavadas, com moderação da escritora Malvina Sousa, na qual se abordará o mais recente livro de Pedro Almeida Maia, de nome “A força das sentenças”. Este livro tem agora uma nova edição da Cultura Editora, a qual será apresentada na ocasião,
pelo que contaremos com a presença do escritor. A primeira edição pertenceu à editora Onyva e este texto mereceu o Prémio Literário Manuel Teixeira Gomes em 2023.

A 20 de Abril, pelas 10h30, os mais pequenos e as suas famílias poderão desfrutar de um momento de hora do conto, seguido de um ateliê de artes plásticas com a Associação Boneca de Trapos. Pelas 17h00, será a vez de Álvaro Curia, autor da Editorial Presença, apresentar o seu primeiro livro “Os filhos da chuva”, naquela livraria. O livro será apresentado por Patrícia Carreiro e contará com a contribuição de João Pedro Garcia para falar sobre o autor e sobre o seu projeto de literatura.

No dia 22, os eventos começam de tarde, pelas 14h30, com um ateliê de criação de histórias e de motivação para a literatura infantil, dirigido por Carla Cabral, Presidente da Associação Boneca de Trapos. Este evento é dirigido a quem trabalha directamente com crianças ou a alunos que se estejam a formar nessa área. Já no final do dia, pelas 18h00, decorrerá a apresentação do livro “Uma varanda sobre Tóquio”, de David Lopes, editado pela Avenida da Liberdade Editores. O livro será apresentado pelo Presidente do Governo Regional dos Açores, José Bolieiro, de acordo com a nota da Letras Lavadas.

A 23 de Abril, Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, a livraria recebe às 10h30, o ator Mário Sousa que, através de um monólogo teatral dinamizado, assinalará, também, a data de nascimento e morte de William Shakespeare, a qual se celebra no mesmo dia. O monólogo terá por base a obra de Shakespeare. Pelas 14h30, o escritor Aníbal Pires dinamizará um painel sobre “A invenção da escrita e do papel”, com base no livro “O infinito num junco”, de Irene Vallejo, editado pela Bertrand.

Pelas 18h00, Susana Almeida Rodrigues apresentará “A Flock in the Tickle of the Wind”, a versão em inglês do seu livro “Um Bando nas Cócegas do Vento”, editado pela Letras Lavadas e traduzido por Chrys Chrystello. O evento contará com a presença de Pedro Paulo Câmara para a apresentação.

No último dia, 24 de Abril, a Festa do Livro assinalará os 50 anos do 25 de Abril em Portugal, com um painel dirigido por Teófilo Braga, com o tema “Os que viveram Salazar”, dedicado aos que viveram a época Salazarista e que, por isso, poderão gostar de partilhar experiências e memórias daquele tempo.

Às 16h00, a professora Ana Gil vai abordar o tema da censura na literatura, com o painel “Os livros e a censura: ontem e hoje”, fazendo- se acompanhar de um grupo de jovens estudantes universitários.

Para fechar o programa, pelas 18h00, Aida Baptista apresentará o seu mais recente livro, de nome “As bicicletas de Toronto”, da editora Alma Letra, o qual será apresentado pelo jornalista Sidónio Bettencourt.

De acordo com a Letras Lavadas, “assim se cumprirá mais uma semana dedicado ao livro na Livraria Letras Lavadas, em Ponta Delgada, a qual celebra, este ano, cinco anos de existência”.

Todas as sessões são abertas ao público, sendo certo que as inscrições/presenças são limitadas. Os interessados podem inscrever-se entrando em contacto com a livraria.

Ponta Delgada recebe quarta edição do Festival Internacional de Tunas

Festival é organizado pela Tuna Académica da Universidade dos Açores e conta com a participação de mais de 200 estudantes de Portugal continental e do arquipélago açoriano

© DL

A Tuna Académica da Universidade dos Açores (TAUA) organiza a quarta edição do Inventio – Festival Internacional de Tunas nos próximos dias 19 e 20 de abril, anunciou a tuna açoriana em nota de imprensa enviada às redações. Trata-se da quarta edição e conta com a participação de mais de 200 estudantes de Portugal continental e do arquipélago dos Açores.

Segundo a tuna académica, o Inventio soma já três edições, realizadas em 2010, 2014 e 2020, e “é um evento que pretende celebrar e divulgar a cultura e música das tunas, bem como promover o intercâmbio entre tunas provenientes de diversos pontos do país.”

O festival será dividido em dois momentos: a Noite de Serenatas, a 19 de abril, pelas 21 horas na igreja do Colégio dos Jesuítas, e o espetáculo principal, no dia 20 pelas 16 horas na Aula Magna da Universidade dos Açores.

Esta edição do Inventio conta com a participação de quatro tunas a concurso, vindas de Leiria e Lisboa: a Fortuna – Tuna Académica da Nova SBE, a Tuna Económicas – Tuna do ISEG, a Tum´Acanénica – Tuna Mista da ESECS e a TMIST – Tuna Mista do IST. Quanto às tunas da Universidade dos Açores, participam extraconcurso a Enf´in Tuna – Tuna Mista da Escola Superior de Enfermagem da Universidade dos Açores e os Tunídeos – Tuna Masculina da Universidade dos Açores.

São convidados especiais do Inventio a Associação Tradições e o artista TICOSI, sendo a apresentação do certame a cargo do jovem comediante JARC. A Noite de Serenatas tem entrada gratuita e dispensa a aquisição de bilhete. Contudo, a tuna refere que o espetáculo de sábado terá o custo de cinco euros.

Artesãs lagoenses do projeto “Novos Bonecreiros” em intercâmbio em Barcelos

© CM LAGOA

As artesãs Cidália Costa e Rafaela Cabral do projeto «Novos Bonecreiros» realizaram um intercâmbio, nos dias 6 e 7 de abril, na Casa da Criatividade em Barcelos, segundo nota de imprensa da Câmara Municipal da Lagoa. As lagoenses foram acompanhadas pelo artesão e mestre bonecreiro da Lagoa, João Arruda.

As artesãs tiveram oportunidade de aprender novas técnicas e trocar conhecimentos com os artesões que pertencem à rota do figurado de Barcelos, Carlos Alberto Coelho Dias, Eduardo “Pias” & Maria Jesus “Pias” e Moisés e Vítor Baraça, mais conhecidos como “Irmãos Baraça”, segundo comunicado.

O Figurado de Barcelos é uma arte que se constitui como uma das maiores produções tradicionais de Portugal, em virtude da relevância que o trabalho no barro adquiriu ao longo dos séculos. Barcelos foi o primeiro concelho a certificar esta expressão popular artística, de acordo com a nota.

O Projeto Novos Bonecreiros foi criado com o objetivo de perpetuar uma tradição cultural identitária lagoense, a arte bonecreira. Consiste numa formação com vários módulos, aberta a toda a comunidade, mas que dá prioridade a residentes no concelho de Lagoa. A formação é ministrada pelo artesão lagoense e mestre bonecreiro João Arruda, no convento de Santo António. O projeto também integra a formação em contexto escolar, e já abrangeu uma média de 400 alunos, de todas as Escolas Básicas Integradas e da Escola Secundária de Lagoa.

Após a implementação do projeto Novos Bonecreiros, foram inscritos seis novos artesãos, apresentando, atualmente, o concelho 11 bonecreiros, ainda de acordo com o comunicado da câmara.

Estudo prévio das obras da freguesia Remédios da Bretanha concluído

© CM PONTA DELGADA

Já se encontra concluída a primeira fase do projeto para garantir a execução de obras na rua da Covilhã, freguesia dos Remédios da Bretanha, que foi afetada pelas grandes enxurradas dos últimos meses, anunciou a Câmara Municipal de Ponta Delgada, no âmbito da visita de Marco Resendes, vereador com o pelouro das Obras da Câmara, à freguesia afetada.

Segundo o vereador, “está em causa a reabilitação de uma estrada que tem de ser feita com a máxima e total segurança para a população ali residente, bem como para a circulação de viaturas que ali se faz”.

“Acompanhamos esta situação desde o seu início, que ocorreu devido às fortes tempestades, pelo que imediatamente contratámos uma equipa de projetistas que já concluiu a primeira fase do projeto [estudo prévio], encontrando-se o mesmo presentemente na Direção Regional de Ordenamento do Território e Recursos Hídricos para parecer”, refere Marco Resendes.

De acordo com o vereador, “não basta descarregar naquele local uns camiões de terra. É necessário muito mais do que isso para garantir a segurança absoluta na utilização daquela estrada”, sublinhando que “dada a especificidade e o carácter urgente da situação, a estimativa é a de que, cumpridos os procedimentos legais relativos ao projeto e contratação da empresa, as obras na rua da Covilhã possam iniciar-se o quanto antes. Estamos a trabalhar com todo a força para acudir a esta situação”.

No encontro de trabalho, Marco Resendes deslocou-se igualmente à Chã dos Remédios e à Chã da Lomba dos Carvalhos, “tendo dado nota das ações em curso para que também estas zonas deixem de ficar comprometidas pelo efeito das chuvas torrenciais”, segundo o comunicado da autarquia.

O vereador garante que a autarquia está a “tomar todas as medidas necessárias para intervir, de forma eficaz, nos pontos mais críticos. Da concretização de estudos hidrológicos, geológicos e geotécnicos, à contratação de projetos, tudo está a ser assegurado para repor a normalidade na freguesia e salvaguardar a segurança da população”.

Emigrantes do Nordeste leiloam camisola de Cristiano Ronaldo

© CM NORDESTE

O presidente da Câmara Municipal do Nordeste, António Miguel Soares, marcou presença em mais um encontro de nordestenses emigrados no Canadá, mais propriamente em Ontário, evento organizado por uma comissão local empenhada em estreitar laços entre a comunidade nordestense.

Acompanhado pelo vice-presidente, Marco Mourão, o autarca enalteceu a presença de mais de três centenas de pessoas no convívio e sublinhou a importância de “eventos como este, quer para estreitar a amizade e o convívio entre a comunidade nordestense, quer para possibilitar o apoio a instituições locais”.

António Miguel Soares “agradeceu os esforços desenvolvidos pela comissão organizadora do Canadá para voltar a realizar o encontro” e elogiou a adesão das pessoas no apoio a instituições de solidariedade social do concelho através dos donativos efetuados.

Para além disso, foi realizado um leilão da camisola de Cristiano Ronaldo usada na final da Liga do Campeões, no estádio da Luz, em 2014, entre o Real Madrid e o Atlético de Madrid, oferecida por um anónimo e cuja receita reverteu para o apoio a crianças doentes na província de Ontário.

Da comissão organizadora fazem parte uma equipa de nordestenses, constituída por Otília Prazeres, natural da freguesia da Algarvia, Fátima Bento (Achadinha), Francisco Borges (São Pedro Nordestinho) e Norberto Medeiros e António Sousa (Lomba da Fazenda).

A caminho do passado

Henrique Pacheco
Jurista

A Europa, um pouco como todo o mundo ocidental, está em degradação e será muito diferente, para pior, nas próximas décadas. A sua cultura, isto é, as ideias e valores que brotaram neste continente durante o Iluminismo e que foram aprofundadas naquilo que se apelidou de “projeto europeu”, com a criação da União Europeia, encontra-se em crise. A dificuldade dos atuais líderes em governar sociedades cada vez mais complexas, num clima de instabilidade, acentuou o descontentamento das populações e abriu caminho para o regresso a um passado de negrume.

Efetivamente, após a Segunda Guerra Mundial, no meio de uma Europa devastada, a racionalidade, a liberdade, a igualdade e a tolerância ganharam eco nas ideias de cooperação entre nações. Atualmente, mais do que um espaço de integração económica, a União Europeia é uma unidade política, social e cultural que visa promover a paz e a solidariedade entre os Estados-membros, além de defender valores fundamentais como a democracia, os direitos humanos e o Estado de direito. Este quadro axiológico encontra-se ameaçado pelo discurso populista e o medo instala- se cada vez mais nas pessoas.

Num ano de eleições europeias, o debate público é invadido por temas que apontam, realmente, para essa inversão do rumo das coisas. A paz deu lugar a uma nova guerra e os países voltaram a acentuar os seus gastos com armamento. Paulo Portas acabou com o serviço militar obrigatório, mas as nossas chefias militares defendem o seu regresso. Tenho dúvidas de que este retrocesso tenha bons resultados, do ponto de vista de uma defesa nacional mais eficaz. Para além de um maior custo económico – que poderia ser gasto para melhor equipamento e formação dos atuais quadros militares, tornando a carreira militar mais atrativa – esta medida levanta questões de consciência e viola direitos individuais, pois força o cidadão a servir contra a sua vontade. Para já, os partidos opõem-se à sua reintrodução, à exceção do Chega, que admitiu que a questão “merece ser estudada”.

O partido de André Ventura, é bom lembrar, encontra-se inserido numa aliança de diversos partidos nacionalistas e de extrema-direita: o Partido Identidade e Democracia. Este espaço político-partidário tem sido o principal responsável, desde 2014, pela promoção de valores antidemocráticos, xenófobos, racistas e irracionais, de recusa do projeto europeu, ou seja, diametralmente opostos àqueles que nos têm trazido progresso. Propostas como a castração química, a prisão perpétua e a teoria da substituição (disseminada pelo autor francês Renaud Camus) são apanágio destes partidos e a forma como têm ganho apoiantes reflete a deterioração cultural que vivemos.

A pouco mais de dois meses de sermos novamente chamados às urnas, este é o momento de todos os europeístas convictos substituirem o medo pela confiança, a demagogia pela pedagogia e criarem esperança numa sociedade próspera, sem ódios, onde todos têm lugar e um papel a desempenhar. Não será fácil e todos sabemos que o populismo irá continuar a alimentar-se de alguns episódios menos felizes da nossa vida coletiva, porém, enquanto houver estrada em direção a um horizonte iluminado, devemos recusar atalhos que só terminam na escuridão.

Cabe aos partidos políticos tradicionais e moderados, nomeadamente os do arco da governação, orientarem o povo nesse caminho longo e trabalhoso, combatendo a desinformação, a descrença e o domínio da emoção sobre a razão.

Custa-me ver que estamos a virar as costas ao futuro, pois como disse Roy T. Bennett “O passado é um lugar de referência, não um lugar de residência; o passado é um lugar para aprendermos, não para vivermos”.

Presidente da autarquia da Lagoa enaltece investimentos no concelho e pressiona Governo regional em dia de feriado municipal

Lagoa assinala hoje o 502.º aniversário de elevação a vila e sede de concelho e o 12.º aniversário de elevação a cidade. Autarca lagoense alerta que ainda há algumas questões que “devem ser resolvidas com o Governo regional”

© CM LAGOA

No âmbito do feriado municipal da Lagoa, celebrado esta quinta-feira, 11 de abril, em nota de imprensa enviada às redações pela autarquia lagoense, a presidente da Câmara da Lagoa, Cristina Calisto, diz reconhecer a importância do momento e destaca alguns investimentos autárquicos, enquanto diz que ainda existem algumas questões que “devem ser resolvidas com o Governo Regional”.

Cristina Calisto aproveita o dia em que se assinala o 502.º aniversário de elevação da Lagoa a vila e sede de concelho e o 12.º aniversário de elevação a cidade, para fazer um balanço das ações realizadas pelo executivo lagoense.

“Não tenho dúvidas que, pelo trabalho que a Câmara Municipal de Lagoa tem executado será uma cidade ainda mais desenvolvida, próspera e promissora no futuro”, refere a autarca lagoense, acrescentando que “na última década, assistimos a um notório crescimento e desenvolvimento da Lagoa, que continua a ganhar contornos de cidade e de um concelho em pleno progresso, numa trajetória de execução de investimentos, de equilíbrio orçamental, sem esquecer nenhuma das cinco freguesias”.

A autarca afirma, no entanto, que “existem algumas questões que devem ser resolvidas com o Governo Regional”, tais como: “a reabilitação da antiga Fábrica do Álcool; a reorganização do Porto dos Carneiros; a ampliação da rede de creches e ATL’S do concelho; a criação de um pontão na Baía de Santa Cruz; o aumento da capacidade de utentes no Lar de Santo António; a criação de um Centro de Dia e Lar de Idosos na vila de Água de Pau; a construção de uma Residência de Cuidados Continuados; o alargamento da rede de serviços de apoio domiciliário; a abertura de um Centro de Dia na freguesia de Santa Cruz e a recuperação da falésia da Rocha Quebrada”.

Quando aos investimentos feitos pela autarquia na Lagoa, Cristina Calisto elenca que nos últimos dois anos de mandato, de 96 medidas propostas já se encontram concluídas 50, sendo que outras 23 já estão em curso, perfazendo um total de 72 por cento executadas ou em curso.

A presidente refere vários investimentos que têm sido executados em diferentes áreas, “como é o caso da requalificação da frente marítima da cidade” e realça os investimentos na área social, na educação e na habitação, enquanto salienta “o pacote aprovado de 16 medidas para mitigação dos efeitos da inflação.”

Cristina Calisto faz referência, também, à melhoria da rede viária do concelho, mais precisamente à criação de novas zonas de estacionamento e de novas vias rodoviárias, “em todas as freguesias”.

No que diz respeito à inovação, ciência e tecnologia, “a Câmara Municipal encontra-se a encetar todas as diligências que favoreça o crescimento do Tecnoparque, bem como criar as condições para atrair novas empresas de tecnologias e de inovação”, explica a autarca.

Em consórcio com o Núcleo de Empresários da Lagoa, no projeto “Lagoa Digital”, a autarca diz que foi “um dos poucos municípios aprovados a nível nacional à candidatura aos “Bairros Comerciais Digitais”, apoiado pelo PRR, que já corresponde ao ponto de partida para a implementação da segunda fase do Lagoa Smart City.”

Na área do turismo, fala no futuro, referindo que se pretende “melhorar a zona balnear do Cerco, na Caloura, o Complexo Municipal de Piscinas e prolongar o Passeio Marítimo até à Baía de Santa Cruz, onde foi finalizado o edifício de apoio à zona balnear”.

Em termos de investimentos privados na área do turismo, destaca a construção do Hotel Hilton, que “colocará a Lagoa perante um novo momento histórico em termos turísticos, a par de outras unidades hoteleiras de referência, que surgiram e que irão surgir em breve no concelho”.

No desporto, realça o investimento autárquico na construção do Pavilhão Professor Jorge Amaral, nos Remédios, bem como o Projeto Náutica 0, realizado em parceria com a Escola Secundária de Lagoa e o Clube Náutico de Lagoa.

Cristina Calisto lembra, ainda, os investimentos na cultura, nomeadamente na reformulação de todos os núcleos museológicos e na abertura do Auditório Ferreira da Silva, em Água de Pau, há muito reivindicado pela população, “para além do apoio financeiro do município às suas várias instituições culturais.”

A instalação da Assembleia Municipal Jovem, o lançamento do Cartão Jovem Municipal, assim como o Orçamento Participativo Jovem, são os exemplos mencionados na área da juventude.

Quanto ao futuro, a autarca sublinha a área do ambiente, em que o objetivo passa por “continuar a formar, incentivar e promover a sustentabilidade ambiental”, e salienta que o concelho da Lagoa é “o que mais recicla em São Miguel.”

Judolag recebe votos de congratulação da autarquia da Lagoa

© CM LAGOA

O Judo Clube de Lagoa (Judolag) recebeu dois votos de congratulação da Câmara da Lagoa, anunciou esta quinta-feira, 11 de abril, a autarquia. Os votos foram aprovados em reunião de câmara e entregue numa cerimónia que teve lugar no salão nobre do edifício dos Paços do Concelho.

A presidente da Câmara da Lagoa, Cristina Calisto, em comunicado, refere que este reconhecimento reflete “o excelente trabalho de formação que este clube tem desempenhado”.

Segundo a nota de imprensa enviada ao jornal pela autarquia, o primeiro voto trata-se do reconhecimento pelo importante papel organizativo com o Torneio Cidade de Lagoa, que decorreu recentemente no Pavilhão Professor Jorge Amaral, e que foi, até à data, o torneio mais participado de sempre nos Açores, merecendo rasgados elogios por parte dos participantes.

O segundo voto de congratulação é referente ao reconhecimento pelas prestações do clube lagoense no Campeonato Regional de Judo de Cadetes, no Campeonato Regional de Judo e no Open Central, que tiveram lugar no passado mês de janeiro.