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“Aula de fora” traz pessoas inspiradoras para dentro da sala de aula

Construir pontes entre o que está fora e dentro da escola. É este o principal objetivo da iniciativa de uma única professora que já fez com que centenas de alunos se pudessem inspirar por quem tem muito a contar

Malvina Sousa, natural da Lagoa, é a autora e criadora da “Aula de fora” © D.R.

“Existe a “Aula Aberta”, mas eu quis fazer diferente”, começa por contar Malvina Sousa, professora há 20 anos, natural do concelho da Lagoa. É ela a mãe, autora e criadora da “Aula de fora”. A ideia surgiu há praticamente uma década e já foi colocada em prática nas  várias turmas a quem deu já aulas, nas diferentes escolas da ilha de São Miguel, por onde já passou. 

A última “Aula de Fora” aconteceu na Escola Básica e Secundária Armando Côrtes-Rodrigues, em Vila Franca do Campo, no passado dia 5 de junho. Contou com os testemunhos de Fernando Sousa, geólogo, engenheiro geotécnico e antigo diretor regional da Agricultura dos Açores, Vera Loução, cabeleireira, e da jornalista que escreve esta reportagem.

Mas o que é esta “aula de fora” promovida e organizada pela professora Malvina Sousa? A própria explica ao Diário da Lagoa (DL): “é uma iniciativa criada e pensada por mim para que os miúdos tenham testemunhos inspiradores do dia-a-dia. Sabemos que os miúdos nessas idades [9.º ano] têm alguma dificuldade em olhar para o futuro e depois desistem à primeira coisa que acontece”. Para cativar e mostrar com testemunhos reais, na primeira pessoa, como são diferentes profissionais ou até mesmo condições físicas, durante uma manhã, geralmente, os alunos ouvem e podem questionar os convidados que Malvina escolhe para falarem de si e dos seus percursos de vida. “Tenho trazido aqui várias pessoas com problemas às vezes muito graves que contam a sua história. Só a título de exemplo, já trouxe uma senhora que começou a perder a visão aos sete anos e conseguiu tirar um curso universitário, veio um senhor que tem graves problemas motores e que participa em corridas de bicicletas, ganhando imensos prémios. Tento sempre trazer histórias bastante inspiradoras para eles pensarem «Se eles conseguem, eu também consigo», diz.

Malvina Sousa não tem dúvidas de que o contacto direto que os seus alunos têm com o mercado de trabalho, através dos testemunhos que traz à escola, ajudam-os a não desistir e até a decidir que caminho os pode interessar no futuro.    

“Em todas as escolas eu tento fazer com que, pelo menos uma vez por período, os miúdos tenham acesso a essas aulas. Tento reunir sempre o máximo de miúdos que consigo, apesar de às vezes não ser fácil, pois envolve falar com colegas e mexer nas aulas dos colegas”, explica a docente.
Durante meia hora ou, no limite, uma hora, cada orador convidado fala do seu percurso profissional e de vida aos alunos. A professora lagoense responsável pela iniciativa conta que também costuma convidar os próprios encarregados de educação para falarem dos seus percursos. “O objetivo é que eles [alunos] se sintam inspirados pela comunidade e que nada é impossível. É a mensagem que nós queremos transmitir, aliás, é uma mensagem que eu tento transmitir todos os dias na escola aos miúdos. Faças o que fizeres, marca a diferença, não como profissional mas também como pessoa porque nunca vais ser bom profissional se não fores boa pessoa”, conclui a professora que, sempre que pode, lança pontes entre o ensino e o mundo do trabalho.

 

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Sara Sousa Oliveira

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