
Clife Botelho
Caros leitores e amigos que nos acompanham, vou contar-vos mais um pouco sobre nós. Hoje escrevo sem cargos, apenas como a pessoa que sou, porque nunca se tratou de estatuto.
Quando se fala no ambiente de um jornal, temos a tendência a imaginar uma redação cheia de secretárias com papéis, jornais amontoados, computadores e, claro, jornalistas, editores e o diretor. Hoje venho esclarecer que não é este o caso na maioria da imprensa local e regional em Portugal, muito menos na Região Autónoma dos Açores. Na nossa região, a maioria das redações não tem mais do que um ou dois redatores, exceto em três ou quatro jornais de referência. A maioria são como nós nesta página.
O Diário da Lagoa (DL), como sabem, é um dos projetos que temos em mãos na nossa editora, título adquirido ao seu fundador no final de 2019. Já se passaram quase seis anos e, atualmente, a edição online e diária do nosso jornal é composta pelas categorias Atualidade, Reportaje, Entrevista, Opinión, Podcasts e Edición impresa. Além destas, temos os Cuadernos, com mais algumas subcategorias. O DL é, por isso, um jornal diário online, e também em papel através deste mensário, onde procuramos trabalhar os conteúdos num jornalismo mais lento e intemporal, com uma categorização simplificada. Para uma editora com apenas dois profissionais, manter estas categorias atualizadas e publicar dois mensários é um grande desafio, pois o nosso trabalho não se limita ao único periódico, no formato jornal, que existe na Lagoa. Trabalhamos em vários projetos pelos quais dividimos esse mesmo tempo. Ou seja, para sermos sustentáveis, temos de diversificar, comportarmo-nos como uma editora e não como um jornal. E mesmo assim, por exemplo, já não publicamos um podcast há mais de um ano, porque depois das experiências iniciais chegámos à conclusão de que só devíamos continuar após adquirir material de som e edição adequados. Poupar para este investimento demora tempo, pois não nascemos acima da classe média. Para chegar até aqui foi necessário adquirir formação, trabalhar e poupar, fazer sacrifícios e a tudo isto juntar muita dedicação.
Por conseguinte, depois de todo o nosso percurso, o site do DL está preparado e desenhado para a dinâmica de um jornal moderno. Algumas experiências estão publicadas e têm o seu valor enquanto conteúdo, embora tenham sido gravações básicas no caso dos áudios. Mas acreditamos que com os recursos certos passará a ser uma aposta regular. Até lá, não podemos dar realce à demora, pois o jornalismo, para ter qualidade, deve ser feito sem pressas. Do mesmo modo, não podemos esquecer que a nossa editora, composta pelos mesmos dois redatores e alguns colaboradores freelancers, tem ainda o privilégio de apoiar o atual único jornal do concelho de Vila Franca do Campo. Por isso, temos colaboradores da Informação, verdadeiros amigos, que nos apoiam em ambas as redações, bem como os colunistas e cronistas, que, todos juntos e connosco, alimentam a edição diária online e as edições mensais em papel de ambas as publicações. Eu coordeno e tomo decisões todos os dias, enquanto diretor da editora e jornal lagoense. A Sara Sousa Oliveira assegura a linha editorial enquanto editora executiva deste mesmo projeto jornalístico. E toda a equipa de freelancers trabalha connosco a partir das suas casas, no tempo que lhes sobra após chegarem dos seus empregos, e na nossa estimada “redação virtual”. E, depois, ainda temos o Marketing e Publicidade, parte fundamental que cabe atualmente a quem esteve sempre do nosso lado, a Catarina Teixeira.
Já no jornal da Vila Franca, o centenário A Crença, publicado apenas em papel, o padre José Borges, seu diretor, coordena uma equipa da qual a Sara e eu fazemos parte. A colaboração tem-nos ensinado muito, torna os dois jornais mais fortes e sustentáveis. O que muitos leitores não sabem é que este é um trabalho de muita responsabilidade e que requer espírito de equipa – na maioria voluntários – com muito trabalho feito à distância, mas unidos nos valores que os projetos representam.
Em suma, sem todos aqueles que colaboram, o nosso trabalho seria mais difícil, por isso nunca me canso de realçar a nossa gratidão. Quando se faz o que se gosta e se trabalha com amigos, o que importa é ter o essencial para se viver e ser feliz.
No final de tudo isto, ainda lutamos, nos bastidores, contra pressões, interesses dos mais variados, e tentativas de influência para nos tentar condicionar. O jornalismo é, por isso, uma profissão de grandes desafios, que testa a resiliência e a audácia. É lutar até às últimas consequências, pelos anos que forem necessários, mesmo que no final nos reste apenas um lápis gasto e uma folha de papel. É certo que há dias em que paramos para pensar: o que nos leva a continuar? Não era mais fácil desistir? Sim, mas parar é morrer e, nesta vida – que é sagrada –, temos o dever de fazer a diferença. Este é o nosso contributo, que sem o apoio familiar, de amigos e leitores seria impossível. A verdade é que temos uma base sólida e inabalável nesse campo, porque antes de um jornal, somos uma editora de pessoas para pessoas.
Subscrever, ler, partilhar o que vamos publicando nos jornais que escrevemos é acreditar connosco que todo este esforço é em prol de valores como a Liberdade, a Democracia e, também, no direito de sermos felizes a fazer o que mais gostamos. Não importa onde escrevemos, com que título ou em que lugar, mas sim que continuemos a escrever. Por tudo e a todos os que nos acompanham e apoiam das mais variadas formas, entregamos, assim, a nossa gratidão através de cada página.
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