Ensino à distância provocou casos pontuais de ‘cyberbullying’ nos Açores

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A secretária regional da Educação, Sofia Ribeiro, admitiu hoje que o reforço do ensino à distância nos Açores, no período de confinamento da pandemia da covid-19, originou “casos pontuais” de ‘cyberbullying’, que acabaram investigados pela Polícia Judiciária.

“O ensino à distância trouxe-nos algumas situações muito pontuais de assédio a alunos”, reconheceu a governante, durante uma audição parlamentar na Comissão de Assuntos Sociais, adiantando que um dos casos levou uma escola da região “a fazer queixa na Polícia Judiciária, porque havia um aluno que estava a ser assediado para que lhe extorquissem dinheiro”.

Sofia Ribeiro lembrou que está a decorrer uma campanha junto dos estabelecimentos de ensino da região, que alerta para o “uso seguro da internet”, e manifestou concordância com a proposta apresentada pelos deputados do PSD e do PPM, que defende a criação de um Plano Regional de Prevenção e Combate ao ‘Bullying’ e ‘Cyberbullying’ nos Açores.

“Não obstante haja muito trabalho que esteja a ser feito pelas nossas escolas, nós efetivamente não temos um plano regional de prevenção do ‘bullying’ e do ‘cyberbullying’, e achamos que faz toda a pertinência termos uma dinâmica própria e não apenas estarmos a trabalhar na decorrência das ações que estão a ser feitas pelo Ministério da Educação”, sublinhou.

Maria Rosário Figueiredo, da Federação de Associações de Pais e Encarregados de Educação dos Açores, também ouvida pelos deputados, entende porém que a proposta apresentada pelo PSD e pelo PPM é “demasiado vaga” e necessita de incluir “verbas” e “medidas concretas” para poder funcionar com sucesso.

“Temos de criar uma estratégia quer para o ‘bullying’, quer para o ‘cyberbullying’, mas uma estratégia com medidas efetivas e com a afetação de recursos que é exigido”, advertiu Maria do Rosário Figueiredo.

No seu entender, essa estratégia poderá não funcionar da igual forma em todas as escolas da região, uma vez que as “ilhas mais pequenas” do arquipélago têm carência de recursos humanos especializados nesta área de prevenção contra comportamentos de risco.

“Obviamente que não funcionará da mesma maneira na ilha de São Miguel, como funcionará na ilha de Santa Maria, porque nem temos técnicos suficientes na área da psiquiatria e da pedopsiquiatria nestas ilhas mais pequenas”, lembrou esta responsável pelas associações de pais da região.

Maria do Rosário Figueiredo traçou também o perfil dos alunos que podem estar ou vir a sofrer de ‘bullying’ ou ‘cyberbullying’ nas escolas da região: “geralmente é uma criança que não socializa tão facilmente, é uma criança que tem já alguma problemática e esses são os alvos mais fáceis e são esses que não temos que identificar e ajudar”.

De acordo com os dados divulgados na Comissão de Assuntos Sociais pelo superintendente que coordena a PSP nos Açores, Luís Viana, foram registados no arquipélago 34 ocorrências de ofensas corporais a jovens, durante o ano de 2021, a maioria delas em ambiente escolar, e 20 casos de injúrias e ameaças.

Lusa/ DL

Categorias: Educação

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