{"id":13830,"date":"2015-02-03T19:31:55","date_gmt":"2015-02-03T20:31:55","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodalagoa.pt\/?p=13830"},"modified":"2015-02-03T19:31:55","modified_gmt":"2015-02-03T20:31:55","slug":"anda-ouvir-um-caso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodalagoa.pt\/en\/anda-ouvir-um-caso\/","title":{"rendered":"Anda ouvir um caso"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-11018\" src=\"http:\/\/diariodalagoa.pt\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/Teresa-Viveiros-educa\u00e7\u00e3o-cultura-cronicas.jpg\" alt=\"Teresa-Viveiros-educa\u00e7\u00e3o-cultura-cronicas\" width=\"720\" height=\"380\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">H\u00e1 n\u00e3o muito tempo atr\u00e1s, e muitas vezes ap\u00f3s o momento de reza em fam\u00edlia, havia o h\u00e1bito das gentes se juntarem para ouvir e contar \u201cum caso\u201d. Eram ser\u00f5es em que todos tinham lugar, para escutarem e\/ou narrarem esta forma de literatura oral que, muitas vezes, se fazia acompanhar por outros afazeres, como o amarrar o milho, os trabalhos de costura, o fiar a l\u00e3, permitindo aligeirar as tarefas. Chegada a noite, sentavam-se todos num capacho, acendia-se o candeeiro a petr\u00f3leo e, com a luz baixinha, dava-se in\u00edcio ao contar que podia ser na pr\u00f3pria casa, na do vizinho, ou mesmo \u00e0 porta da rua.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Movida pelo anseio de aprofundar este costume, andei de gravador na m\u00e3o por cinco concelhos da ilha, com o prop\u00f3sito de conhecer alguns dos ditos \u201ccasos\u201d e a sua envolv\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Nem sempre a recolha foi f\u00e1cil; tratando-se de mem\u00f3rias recuadas, estas v\u00e3o perecendo com o tempo, havendo dificuldades no relato completo de um caso. Mas, se havia dificuldade em narr\u00e1-los na sua totalidade, esta era compensada com a mem\u00f3ria viva do contexto em que surgiam, das personagens que lhe davam vida e de como tudo se iniciava.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O momento come\u00e7ava com o pedido por parte de algu\u00e9m \u201cConta-me um caso\u201dou por iniciativa do contador \u201cAnda ouvir um caso\u201d, bastava que algu\u00e9m \u201ctivesse um caso na cabe\u00e7a\u201d. Nestes momentos, imperava a quietude e a escuta atenta para entrar no mundo do maravilhoso com express\u00f5es como \u201cEra uma vez\u201d, \u201cHavia\u201d e \u201cH\u00e1 muito tempo\u201d. Quando o caso assentava em factos ver\u00eddicos, as palavras de partida j\u00e1 eram distintas: iniciavam-se com \u201cNaquele Tempo\u201d, \u201cA minha m\u00e3e contava\u201d, \u201cNo tempo da minha cria\u00e7\u00e3o\u201d. O caso seguia com uma narrativa quase sempre improvisada, onde muitas vezes se dava continuidade \u00e0 hist\u00f3ria com \u201c\u00d4 depois, \u00f4 depois e \u00f4 depois\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Surgiam, ent\u00e3o, casos de almas penadas, que podiam ser da terra e inofensivas, como o caso do poeta Virg\u00edlio Oliveira, que \u201cmesmo depois de morrer, passeava pelas ruas da Achada com a sua malinha preta\u201d, referiu Albertina Sousa, natural daquela freguesia. Outras almas vinham para amedrontar, n\u00e3o s\u00f3 os personagens da hist\u00f3ria, como tamb\u00e9m quem ouvia: \u201ca gente ficava cheias de medo e ainda hoje sou medrosa dessas coisas\u201d, como relatou Maria Martins, natural da Lagoa. Na oralidade destas inven\u00e7\u00f5es, entravam tamb\u00e9m as feiticeiras, as figuras encantadas e acontecia tamb\u00e9m alguns objetos e elementos serem humanizados, como era o caso do vento. Havia tamb\u00e9m aqueles casos mais jocosos, cheios de humor e que traziam alegria, sobretudo em noites de inverno chuvosas. O contador, h\u00e1bil em arrancar gargalhadas \u201cdizia aquilo com aquela alegria que a gente todos se ria, era casos de rir\u201d, lembra-se Maria Moura, tamb\u00e9m da Lagoa. Nestes, satirizavam-se cren\u00e7as, como a das almas penadas e pretendia-se, atrav\u00e9s do humor, cumprir uma fun\u00e7\u00e3o moralizadora.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Os casos eram contados sobretudo com a finalidade de entretenimento &#8211; para Maria Costa (do Nordeste) permitiam \u201ca noite ficar mais curta\u201d \u2013 e, n\u00e3o raras as vezes, tinham uma vertente educativa associada. Cumpriam a fun\u00e7\u00e3o de perpetuarem as mem\u00f3rias coletivas sociais e familiares, ao relatarem \u201ccasos\u201d da terra e\/ou de pessoas da fam\u00edlia, eram guardadores de mem\u00f3rias orais, costumes, tradi\u00e7\u00f5es e de c\u00f3digos lingu\u00edsticos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Nem a todos cabia o papel do contador, era necess\u00e1rio ser detentor de determinadas carater\u00edsticas. Normalmente, este era mais velho do que os ouvintes e era visto como uma pessoa sabedora. Mesmo em casos em que era analfabeto, tratava-se de algu\u00e9m com sabedoria, experi\u00eancia de vida, e sabia contar com vivacidade e eloqu\u00eancia. As palavras de Lu\u00eds Val\u00e9rio, natural do Nordeste, permitem-nos aceder quer \u00e0s qualidades do contador, quer \u00e0 import\u00e2ncia que os relatos tinham para quem os ouvia: \u201chavia um vizinho que sabia inventar t\u00e3o bem est\u00f3rias. Era uma coisa formid\u00e1vel. A gente n\u00e3o conhecia nada, n\u00e3o sabia nada, e depois vinha aquele homem a contar aquelas est\u00f3rias inventadas. Ele tinha muita gra\u00e7a\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Esta forma de passar a noite, em tempos em que \u201cn\u00e3o havia luz, n\u00e3o havia nada para a gente se entreter, era os casos, era as cartas\u201d, deixa um sentimento saudosista em quem a vivenciou, sendo mencionado como \u201crico tempo\u201d e \u201cera uma folia\u201d. E se passados largos anos da escuta destes casos, os sentimentos que estas mem\u00f3rias evocam s\u00e3o de ternura, saudade e alegria, aquando daqueles tempos, o sentimento n\u00e3o diferia. Havia quem gostasse tanto daqueles momentos, que pretendia alargar a sua dura\u00e7\u00e3o. Fa\u00e7o uso das palavras de Maria Teixeira \u201cquem ia contar os casos era uma tia, a gente gostava tanto daqueles casos que escondia-lhe o xaile para ela n\u00e3o se ir embora\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A narrativa oral \u00e9 das mais antigas formas de comunica\u00e7\u00e3o do Homem. Ao longo da nossa hist\u00f3ria assumiu um papel preponderante para a transmiss\u00e3o de saberes, de tradi\u00e7\u00f5es, de formas de pensar e atuar, permitindo a continuidade dos tra\u00e7os culturais de diferentes povos. Sobretudo para quem vive num meio insular, as lendas, os contos e os \u201ccasos\u201d assumem uma primordial import\u00e2ncia para aceder \u00e0 nossa identidade. A UNESCO \u201cveio chamar a aten\u00e7\u00e3o que uma express\u00e3o do Patrim\u00f3nio Cultural Imaterial \u00e9 t\u00e3o importante como um edif\u00edcio hist\u00f3rico, procurando ultrapassar a ideia de menoriza\u00e7\u00e3o que, muitas vezes a dita \u00abcultura popular\u00bb esteve sujeita no passado\u201d (Carvalho, A. 2011: 164). O tempo passa, as mem\u00f3rias perdem-se, importa que nos preocupemos com o que guardam os antigos, como \u00e9 usual referir, estes aut\u00eanticos documentos vivos que abrigam uma parte importante do nosso patrim\u00f3nio imaterial.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Teresa Vieiros<\/em><\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 n\u00e3o muito tempo atr\u00e1s, e muitas vezes ap\u00f3s o momento de reza em fam\u00edlia, havia o h\u00e1bito das gentes se juntarem para ouvir e contar \u201cum caso\u201d. 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