
A Universidade dos Açores (UAc) promove, no próximo dia 13 de maio de 2026, entre as 08h30 e as 10h30, uma aula aberta dedicada à intervenção psicossocial com sobreviventes de violência doméstica e consumos de substâncias aditivas. O evento, que terá lugar no Anfiteatro D.007, em Ponta Delgada, assume-se como um momento de partilha de conhecimento internacional, contando com a participação de duas conceituadas académicas da Lakehead University, no Canadá.
Segundo nota de imprensa enviada pela instituição de ensino superior, a iniciativa é organizada no âmbito da unidade curricular de “Intervenção em Contextos de Exclusão”, lecionada pelo Professor Doutor Eduardo Marques, que será o moderador da sessão.
A presença das docentes Susan Scott e Angela Hovey permitirá uma análise comparativa e profunda sobre o funcionamento das casas de abrigo em Ontário, no Canadá, onde as estruturas de apoio a mulheres e crianças em situação de risco integram práticas inovadoras de redução de danos. A Prof.ª Doutora Susan Scott, especialista em Serviço Social com vasta experiência em políticas públicas, e a Prof.ª Doutora Angela Hovey, com percurso clínico focado em trauma e violência, apresentarão resultados de investigação que demonstram como estas estratégias podem diminuir as barreiras no acesso a serviços essenciais. O foco recairá sobre o “Quadro de Redução de Danos”, uma ferramenta que ajuda as instituições a criar ambientes mais seguros e inclusivos para sobreviventes que, simultaneamente, enfrentam desafios relacionados com o consumo de substâncias.
Para além da vertente técnica e clínica, a aula aberta abordará a interdependência entre o bem-estar humano e o meio envolvente, alinhando-se com os princípios do eco serviço social. De acordo com a organização, esta abordagem valoriza soluções sustentáveis e o impacto do ambiente no apoio a populações vulneráveis, uma reflexão que se torna particularmente relevante para a realidade açoriana e para os profissionais que atuam no terreno.
A sessão, que conta com a colaboração do projeto Trans-Lighthouses, é aberta não só a estudantes e investigadores, mas a toda a comunidade, convidando o público em geral a participar no debate sobre um tema de elevada sensibilidade e importância social.

Paula Catarina Andrade
Assistente Social
Cédula Profissional n.º 01018
Exmo. Sr. Deputado José Pacheco,
Na qualidade de Assistente Social, com mais de 25 anos de exercício profissional, sinto-me na obrigação de reagir às suas recentes declarações sobre o papel dos Assistentes Sociais nas escolas.
A afirmação de que “é um erro disfarçado de solução” é, convenhamos, digna de registo: revela um desconhecimento absoluto da profissão e, ouso dizer, do mundo real. Os Assistentes Sociais são, de facto, parte da solução para problemas que, talvez por distração, passam despercebidos à vista de alguns críticos de ocasião. Recordo que estamos a falar de uma profissão centenária em Portugal, com um percurso consolidado, regulamentado e reconhecido na proteção social e na defesa dos direitos das pessoas.
Permita-me começar por um ponto simples, mas elucidativo: a ideia de que poderíamos estar “com receio de perder o emprego”. Se algum dia o trabalho do Assistente Social deixasse de ser necessário, isso significaria que a pobreza, as desigualdades, a violência, a falta de habitação, as dependências, o abandono e a exclusão social deixariam de existir. Nesse dia, não haverá motivo para preocupação profissional; haveria, sim, uma conquista civilizacional extraordinária. Infelizmente, estamos ainda muito longe desse cenário na nossa Região.
A sua declaração evidencia uma compreensão limitada e um desconhecimento completo da nossa intervenção. Atuamos sobretudo na prevenção, capacitação e garantia de direitos fundamentais, e não apenas na remediação de problemas, como se o mundo fosse tão simples quanto um tweet de 280 caracteres. Trabalhamos para evitar ruturas, antecipar riscos e promover trajetórias de vida dignas e equilibradas, missão que não cabe em slogans populistas.
É importante esclarecer: qualquer pessoa, em qualquer momento da sua vida, inclusive V. Exa., pode necessitar da intervenção de um Assistente Social. Esta não é uma profissão “para os outros”; é uma profissão ao serviço de todos. Estamos presentes em escolas, hospitais, empresas, autarquias, tribunais, instituições sociais e no setor privado, garantindo respostas integradas e eficazes. Intervimos em áreas como educação, habitação, saúde, emprego, proteção social e reintegração, sempre com foco na dignidade humana e na justiça social.
No contexto educativo, a nossa intervenção é estratégica e estrutural. Numa Região com níveis preocupantes de abandono escolar precoce e insucesso educativo, as equipas multidisciplinares, compostas por psicólogos, assistentes sociais, professores e a comunidade educativa, são essenciais para compreender contextos familiares, sinalizar riscos, prevenir negligência ou abuso e criar condições para o sucesso escolar. Este trabalho conjunto não é acessório; é vital.
Ainda assim, os Assistentes Sociais nunca foram uma aposta consistente das políticas públicas regionais no setor da Educação ao longo de 50 anos de Autonomia Regional. A presença nas escolas tem sido residual. Trata-se de um erro estratégico, se se quiser usar linguagem técnica, ou de uma negligência, se se optar por linguagem quotidiana.
Também não podemos ignorar o impacto concreto de políticas sociais como o Rendimento Social de Inserção (RSI). Esta medida foi e continua a ser um verdadeiro elevador social: permite a jovens prosseguir estudos, completar formação superior e a famílias estabilizar a vida doméstica. Para quem insiste em olhar apenas para números frios, recordo que, em 2026, o RSI representa aproximadamente 0,4 % da despesa total do Orçamento do Estado, uma fração muito reduzida face ao total da despesa pública, mas com um retorno social gigantesco. Poucas políticas públicas conseguem impactar de forma tão direta e transformadora. Ignorar isto seria, portanto, não apenas um erro político e social, mas também um exercício de flagrante insensibilidade estatística.
Preocupa-me, igualmente, o discurso que desvaloriza o conhecimento, simplifica problemas complexos e, em alguns casos, alimenta narrativas que promovem a divisão, o ressentimento e a estigmatização dos mais vulneráveis. A nossa Região tem um ativo extraordinário: as suas pessoas, açorianos e açorianas que todos os dias acreditam que a política serve para resolver problemas reais, e não para gerar manchetes provocatórias.
Outro ativo incontornável é a Universidade dos Açores, que há mais de 25 anos forma Assistentes Sociais com elevado rigor científico e técnico, fortalecendo o setor social e contribuindo decisivamente para a construção de respostas robustas. Desvalorizar o Assistente Social é também desvalorizar o percurso coletivo da academia no desenvolvimento regional.
A desinformação contida nas suas declarações, quando amplificada publicamente, tem consequências reais. Reforça estigmas, preconceitos e fragiliza respostas que deveriam ser fortalecidas. Se existe uma preocupação genuína com desigualdades e injustiças sociais, o debate deve ser conduzido com responsabilidade, evidência e respeito por quem intervém no terreno e não com slogans dignos de coluna de opinião de café.
O exercício profissional do Assistente Social rege-se por um Código Deontológico exigente, assente na dignidade humana, justiça social, equidade e defesa intransigente dos direitos. A nossa intervenção não se orienta por agendas políticas nem por narrativas simplistas; é técnica, fundamentada, eticamente comprometida e centrada nas pessoas.
Não tememos o escrutínio, ele faz parte da nossa prática profissional. O que não podemos tolerar é a desinformação que descredibiliza uma profissão cuja missão é garantir que ninguém fica para trás.
O essencial é o seguinte: antes de opinar, importa conhecer. Quando falamos de pessoas, desigualdades e direitos, a responsabilidade não diminui; ela aumenta.
Em jeito de sugestão, antes de se aventurar em novos diagnósticos sobre profissões centenárias, sugiro que se dedique a conhecer o terreno, ouvir quem intervém e compreender os desafios reais, e não apenas a lançar declarações provocatórias.
Com consideração institucional,

A cidade da Lagoa, na ilha de São Miguel, passou a acolher a sede do Núcleo Territorial dos Açores da Ordem dos Assistentes Sociais, num passo estratégico para a afirmação desta classe profissional no arquipélago açoriano. O momento solene foi assinalado pelo descerramento de uma placa comemorativa pelo presidente da Câmara Municipal da Lagoa, Frederico Sousa, que se fez acompanhar pela presidente do respetivo Núcleo, Paula Andrade. Segundo a nota de imprensa enviada pela autarquia lagoense, a instalação desta estrutura no concelho simboliza um compromisso reforçado com a proximidade e o fortalecimento das respostas sociais em todas as ilhas, unindo profissionais e entidades locais em torno da promoção da justiça social.
A cerimónia, que reuniu diversos representantes da Ordem, especialistas da área e figuras da comunidade local, coincidiu com as celebrações do Dia Mundial do Serviço Social. Durante a sua intervenção, Frederico Sousa sublinhou que “a presença do Núcleo Territorial dos Açores da Ordem dos Assistentes Sociais representa um passo significativo no reforço das redes de cooperação e no reconhecimento do trabalho fundamental desenvolvido pelos assistentes sociais junto das comunidades”. O autarca aproveitou o momento para vincar a identidade da Lagoa como um território que privilegia a inclusão, afirmando que “num concelho que valoriza a coesão social e o apoio às pessoas, é com grande satisfação que a Lagoa acolheu este momento, reafirmando o compromisso do município com iniciativas que promovem uma sociedade mais justa, solidária e inclusiva”.
Com esta nova centralidade, a Ordem dos Assistentes Sociais pretende consolidar a sua estrutura de apoio na Região Autónoma, garantindo uma rede mais robusta e presente no quotidiano dos cidadãos.

A Universidade dos Açores (UAc) recebe no campus de Ponta Delgada, entre os dias 16 e 20 de março, uma delegação do Hospital AZ Monica, de Antuérpia, na Bélgica, no âmbito do programa europeu Erasmus+. O grupo é constituído por profissionais de neurologia e neuropsicologia, que acompanham 18 doentes com quadros clínicos de lesão cerebral adquirida, para uma experiência que cruza a saúde, a ciência e o património natural da ilha de São Miguel.
Segundo nota enviada ao Diário da Lagoa, o projeto insere-se nas atividades do Curso de Serviço Social e visa avaliar cientificamente o impacto de terapias de imersão na natureza no bem-estar psicofisiológico e na recuperação cognitiva dos participantes. O programa inclui abordagens como Forest Mind e Forest Bathing (conhecidos como banhos de floresta), Blue Mind (terapia do oceano) e técnicas de Mindfulness. O objetivo é demonstrar o potencial das paisagens açorianas como ferramentas sustentáveis de promoção da saúde e qualidade de vida.
A iniciativa é coordenada pelo professor e investigador Eduardo Marques, especialista em serviço social eco-social, e pretende afirmar o papel do serviço social clínico na criação de respostas que integrem a saúde mental e o contacto com o meio ambiente. Além da componente terapêutica, o projeto visa posicionar os Açores como um território de eleição para o Turismo de Saúde e Bem-estar, articulando a inovação social com a valorização do território.
A receção institucional terá lugar esta segunda-feira, 16 de março, pelas 10h00, no Anfiteatro VIII da Universidade dos Açores, em Ponta Delgada. O evento de boas-vindas contará com um microconcerto de relaxamento pelo músico Neo One Eon, do projeto Lava Butterfly, radicado nas Furnas, além de momentos de poesia e atividades de Mindfulness nos jardins da academia açoriana. Ao longo da semana, os doentes e profissionais belgas realizarão sessões práticas em contexto natural e visitas a locais emblemáticos da ilha para consolidar a ligação entre pessoa e paisagem.

A Universidade dos Açores e a Ordem dos Assistentes Sociais unem-se, no próximo dia 17 de março, para assinalar o Dia Mundial do Serviço Social com um programa dedicado à reflexão sobre a justiça social e o papel da regulação profissional. Segundo uma nota enviada pela organização, as comemorações arrancam pelas 14h00 no Auditório VIII da academia açoriana, em Ponta Delgada, com uma aula aberta sob o mote “Serviço Social nos Açores: Co-construir uma sociedade mais justa e o papel da regulação profissional”. A iniciativa pretende reunir estudantes e profissionais para debater os desafios da profissão na defesa dos direitos humanos e na coesão comunitária.
A sessão de abertura do evento contará com a participação da representante da ordem dos assistentes sociais para os açores, da diretora da licenciatura em serviço social da universidade e da presidente do núcleo de estudantes da mesma área. O programa inclui uma conferência sobre a construção de sociedades plurais e um painel de reflexão focado na responsabilidade pública e na ética da intervenção social, contando com a presença de representantes regionais e nacionais da ordem. O tema deste ano, “Co-Construir Esperança e Harmonia”, sublinha a importância da ação coletiva e da solidariedade na resposta às necessidades das populações mais vulneráveis do arquipélago.
O programa comemorativo terá um momento de especial relevo na sede do concelho da Lagoa, pelas 17h30, com o descerramento da placa do núcleo territorial dos açores da ordem dos assistentes sociais. Este ato simbólico marca a afirmação institucional da profissão na região e o encerramento das atividades contará com um porto de honra oferecido pelo presidente da câmara municipal da lagoa. A participação em todas as atividades é livre e aberta ao público em geral, sendo particularmente dirigida a quem atua ou estuda na área social.

Um tear é uma máquina de tecer, onde com pequenas tramas se fazem tecidos. No Centro de Intervenção “TEAR” – Transformar, Educar, Acolher, Reabilitar, localizado na freguesia de Santa Cruz, na Lagoa, não se tecem roupas ou mantas mas tecem-se competências e emoções para fortalecer os tecidos mais frágeis da sociedade.
“O TEAR funciona naquele edifício, que nós temos ali em frente à câmara da Lagoa. As entidades, algumas estão de segunda a sexta, outras não. As pessoas podem dirigir-se aqui presencialmente, ou por contato, ou por referenciação” começa por explicar Graça Costa, vereadora da câmara da Lagoa, com os pelouros da Ação Social e Saúde. No mesmo espaço, encontram-se várias instituições: a Associação Novo Dia, a Arrisca – Associação Regional de Reabilitação e Integração Sociocultural dos Açores, a APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima e a Kairós.
O Diário da Lagoa esteve à conversa com os responsáveis de três destas quatro instituições no edifício dos Paços do Concelho junto com a vereadora Graça Costa.
“ Só os técnicos podem atender as pessoas naquele local e é uma forma também de dar uma resposta descentralizada e de proximidade às pessoas”, destaca a autarca.
Uma vez por mês, os responsáveis das várias instituições que formam o TEAR, reúnem-se para fazer um balanço da rede. “ Acho que é sempre muito importante quando juntamos o grupo e nestas reuniões mensais vão surgindo várias ideias, várias propostas e também fazemos diagnóstico das necessidades”, sublinha Silvia Branco, da APAV.
“A APAV tem uma abrangência maior, não só no público-alvo, mas também nos tipos de crime. Fazemos apoio a vítimas de crimes patrimoniais, furtos ou abusos, ofensas à integridade física, violência sexual, ou seja, o nosso leque de intervenção é muito abrangente. O fato de nós termos aqui um espaço físico aqui na Lagoa permite-nos chegar a mais pessoas aqui do concelho de Lagoa. Este serviço de proximidade elimina barreiras geográficas”, considera Silvia Branco. A responsável indica que há cada vez mais pessoas a recorrer aos serviços da APAV: “qualitativamente, nós temos cada vez mais pessoas a solicitarem o nosso apoio. As pessoas estão cada vez mais informadas. Por isso, este registo de aumento é importante e significa que uma pessoa informada pode, efetivamente, fazer valer aqueles que são os seus direitos”.
Quem recorre aos serviços da associação são sobretudo mulheres, vítimas de violência doméstica. “Maioritariamente são vítimas de violência doméstica, aquilo que nós sentimos é que as vítimas dão o primeiro passo ou alguém dá por elas. Nós sabemos que o crime de violência doméstica é um crime que toca na esfera privada das pessoas, é um crime que é difícil denunciar.Toda a situação tem um impacto, a nível psicológico, muito negativo. Mas, como também diziam aqui há pouco, a partir do momento em que conseguimos estabelecer uma relação de empatia, de confiança, vamos dando passos pequeninos”, acredita a responsável.
O crime de violência doméstica é um crime público. “Todos nós temos esta obrigação de denunciar, mas a nós importa que a vítima, a nível psicológico, esteja bem, para que depois possa, efetivamente, dar início ao processo. E, a nível emocional, nem sempre as vítimas, no primeiro momento, estão capazes para o fazer”, alerta Silvia Branco. O que a APAV faz é “capacitar” as vítimas a prosseguir com as queixas “não só a nível psicológico, mas a nível de informação”.
Numa outra esfera de ação situa-se a Associação Novo Dia. “Nós temos aqui [na Lagoa] a equipa de Saúde na Rua, tal como também já existe em outros concelhos. A equipa começou em outubro e é constituída por um psicólogo, que sou eu, um enfermeiro e assistente social”, começa por explicar Alexandre Soares, da Novo Dia. Interage na exclusão social, ajudando quem vive na rua. “Podem ser pessoas que atualmente têm consumos e pretendem mantê-los. Pessoas que se encontram sem abrigo ou pessoas que estão à procura de tratamento “, sublinha o psicólogo. Alexandre Soares diz que “a Lagoa tem sido bastante desafiante” porque “somos uma equipa que vai ao encontro das pessoas, não ficamos à espera”. E para isso é preciso estabelecer vínculo com quem está na rua. Saem de quarta a sexta-feira: “Vamos nós comunicar e vamos conversar com as pessoas. Realmente é grande a diferença do dia-a-dia, porque nós vamos ao encontro das pessoas. Apesar de termos alguns momentos em que estamos aqui à guarda, mas a grande parte do nosso trabalho é sempre feito no terreno” destaca o responsável. “No início as pessoas ficam sempre um bocadinho desconfiadas, pensam que nós somos da polícia. Mas depois que começamos a estabelecer uma relação com os nossos utentes, as coisas realmente vão evoluindo. Os próprios utentes passam a palavra uns aos outros e realmente conseguimos ter aqui uma grande confiança, tal como já temos nos outros concelhos”, diz.
Numa espécie de fim da linha, está a Bio Kairós. A Kairós é uma cooperativa de incubação de economia solidária. A linha Bio, como o próprio nome indica, cultiva e produz produtos hortícolas e frutícolas biológicos, tendo uma das plantações na zona da Malaca, no Cabouco. Cada funcionário é devidamente remunerado e os produtos são de venda ao público e até chegam a hotéis de várias estrelas.“Promovermos a agricultura biológica e a integração e inserção de pessoas, essencialmente com doença e deficiência mental” explica Raquel Vargas, responsável pela Bio Kairós. “As pessoas que lá chegam têm de ter alguma estabilidade enquanto funcionários, mas para chegar a funcionários existe um percurso. E aí entra também esta parceria com a câmara municipal. Nós acabamos por ser privilegiados porque todas as equipas têm de intervir, desde a equipa da câmara, da Arrisca, do Novo Dia, a APAV, para depois eles chegarem à Bio Kairós com alguma estabilidade para que eles possam ver o retorno daquele esforço que tem vindo a ser feito por eles”, destaca a responsável.
Para isso, é preciso conseguir integrar, em quem tem mais dificuldades, rotinas simples como saber cumprir um horário laboral ou andar de autocarro. “O nosso trabalho é muito prático, é trabalhar muito a pessoa, precisamos muito uns dos outros. Esse projeto [TEAR] acho que é fundamental e muito necessário para que nós consigamos trabalhar um bocadinho melhor uns com os outros”, considera Raquel Vargas. Contribuir para a autonomia das pessoas, com maiores dificuldades, é um dos principais objetivos da cooperativa de economia solidária.
“Aquilo que fazemos com a prática agrícola é ensinar muito a relação com o outro, o respeito pelos colegas, perceber que é respeitado. As pessoas muitas vezes chegam lá e acham que estão sempre a fazer pouco deles, acham que a gente dizer para cumprir uma tarefa é fazer pouco. Fazemo-los perceber que todos fazemos o mesmo”, explica a responsável da Bio Kairós. “Não estamos a falar de pessoas que é fácil a intervenção, são pessoas que nunca foram aceites e fazermos ver que eles valem alguma coisa e que são válidos, não é fácil. Portanto, realmente, ter esse conjunto de pessoas que intervêm é muito bom, a Kairós neste momento é privilegiada”, considera.
O TEAR tem diferentes horários de acordo com as diferentes associações que lá estão.

Gabinete de Apoio à Vítima de Lagoa
Horário de Atendimento: Terça-feira e sexta-feira das 09h00 às 12h30.
E-mail: apav.lagoa@apav.pt | Telefone: 296 24 99 88
Situação de exclusão social, a dormir na Rua?
Equipa de Saúde da Novo Dia
Horário de Atendimento: De Segunda-feira a Sexta-feira das 09h00 às 16h30.
E-mail : saudenarualagoa@novodia.org | Telefone: 296 24 99 85
A consumir drogas ou álcool, precisa de apoio?
Marque o atendimento com a equipa da ARRISCA
Email: arrisca.pdl@gmail.com | Telefone: 296 281 658

Nádia Franco, estudante da licenciatura em Serviço Social, foi a grande vencedora do Prémio de Mérito de Ingresso na Universidade dos Açores. A distinção destina-se a reconhecer o melhor desempenho académico entre os alunos residentes no concelho da Lagoa, na ilha de São Miguel, Açores.
A entrega do prémio ocorreu esta quarta-feira, 4 de março, durante a cerimónia do 27.º aniversário da Fundação Gaspar Frutuoso, realizada no campus universitário.
O galardão, no valor global de 1.000,00 euros, resulta de uma parceria entre a autarquia lagoense e a fundação. O montante é atribuído ao estudante que, após concluir o ensino secundário na região, obtenha a nota de candidatura mais alta no concurso nacional de acesso ao ensino superior.
Para a vereadora Albertina Oliveira, presente no ato oficial, este reconhecimento é um estímulo fundamental ao sucesso escolar. A autarca sublinhou a importância de valorizar o esforço individual como um motor de desenvolvimento para o concelho.
Este prémio integra-se numa estratégia municipal de apoio à educação mais abrangente. Para o ano letivo de 2024/2025, a Câmara Municipal da Lagoa investiu cerca de 70.000,00 euros em bolsas de estudo.
No total, foram atribuídas 100 bolsas a estudantes do concelho: 60 destinadas a alunos deslocados e 30 bolsas de mérito, reforçando o compromisso da autarquia com a continuidade do percurso académico dos jovens lagoenses.

Márcia Pimentel
Recentemente, em entrevista a um canal denominado “CHEGA às 9”, o candidato do CHEGA à Câmara Municipal de Ponta Delgada – José Pacheco – proferiu declarações que, para além de ofensivas, revelam um profundo desconhecimento acerca do trabalho e missão do serviço social, ao afirmar que “as assistentes sociais gostam de manter a pobreza porque já desistiram da profissão” e “para não se aborrecerem dão subsídios”.
O candidato, que tem por hábito atacar diversas classes trabalhadoras, como já se verificou com docentes, médicos e jornalistas, não só insulta diretamente centenas de profissionais competentes e dedicados, como, também, denigre a formação de excelência ministrada pela Universidade dos Açores, que anualmente habilita profissionais para o exercício das suas funções, na esfera do Serviço Social e não só.
Como estudante-trabalhadora e futura assistente social, não posso compactuar com o silêncio perante mais este ataque gratuito e injusto, pois o Serviço social é uma profissão baseada em princípios éticos, técnicos e científicos. Algo que não abunda pelos lados do partido, pelo qual o senhor se candidata.
Formamo-nos para compreender e atuar sobre as causas estruturais da pobreza e da inclusão, e não para perpetuá-las. Atribuir às assistentes sociais a intenção de “manter a pobreza” é no mínimo, uma afronta à verdade e um desrespeito à realidade do trabalho diário de todos os profissionais que dão o seu melhor, aprendendo com os projetos que concretizam e aperfeiçoando as suas competências.
A pobreza não se combate com frases de efeito ou culpabilizando as suas vitimas. Muito menos com a estigmatização e exclusão de pessoas, em situações de vulnerabilidade.
Combate-se, sim, com políticas publicas sólidas, acesso a emprego digno, habitação, saúde, educação e, sobretudo, com profissionais qualificados a atuar no terreno. Ao contrário do que é afirmado pelo candidato, os assistentes sociais não distribuem ”subsídios” por comodismo ou facilitismo. Executam medidas previstas na Lei, integradas em programas de apoio social, que visam responder às necessidades urgentes, criando condições para a autonomia futura das pessoas.
O discurso do candidato José Pacheco simplifica uma questão complexa e, pior, espalha um estigma perigoso: o de que quem está em situação de vulnerabilidade, é preguiçoso ou dependente por escolha. Tal narrativa (uma velha teoria da idade média) não apenas desumaniza os cidadãos em dificuldades, como também mina o respeito e a confiança na profissão que luta pela dignidade dessas pessoas.
Preocupa-me o silencio institucional que se seguiu a estas declarações. Não houve, até ao momento, uma resposta pública contundente da parte das entidades que deveriam defender o bom nome e a credibilidade do serviço social. O perigo de deixar estas afirmações passarem impunes é a contribuição para a normalização do preconceito, corroendo a base da solidariedade social.
Enquanto futura assistente social, estudando para uma licenciatura, na Universidade dos Açores, deixo claro que não desistimos da nossa profissão, persistimos porque acreditamos que cada vida merece dignidade e oportunidade.
Não “mantemos a pobreza”. Combatemos diariamente as suas causa e consequências, muitas vezes com recursos limitados e em contextos adversos.
Não aceitamos que discursos populistas transformem o trabalho sério e ético de uma profissão e que essa seja alvo de desinformação e desprezo.
A sociedade merece conhecer a verdade sobre o Serviço Social. E nós, estudantes e profissionais, merecemos respeito. Não é apenas a nossa reputação que esta em causa, mas a própria luta contra a desigualdade e a justiça social.

Foi diretora regional do Emprego e Qualificação Profissional entre 2016 e 2020. Atualmente,
é presidente da delegação Açores da Associação dos Profissionais de Serviço Social. É também professora na Universidade dos Açores (UAc), na licenciatura de Serviço Social, técnica superior especialista e tem em mãos vários projetos sociais.
Paula Andrade, nascida a 5 de junho de 1976, natural da freguesia Nossa Senhora do Rosário, na Lagoa, conta ao Diário da Lagoa (DL) a história da sua vida e o trabalho que tem desenvolvido na área do Serviço Social.
Foi numa fase familiar difícil que a lagoense teve o primeiro contacto com o Serviço Social, quando o seu pai teve um problema de saúde muito grave. “Eu tinha 11 anos e ele 35. Ficou numa situação de perigo de vida. Depois teve de fazer o processo todo de novo, aprender a falar, a andar e isso tem uma ligação à minha vida e ao Serviço Social”, recorda Paula Andrade. Nessa altura, com os pais ausentes, teve de cuidar do irmão, que tinha seis anos. “Acho que já sou uma cuidadora por natureza”, sente.
Após muita luta na reabilitação e a família se reerguer desta fase, o pai de Paula Andrade montou o seu negócio: uma lavandaria na Lagoa. Foi a esse negócio a que toda a família se dedicou. “Antes de ir para a escola, levantava-me às 4 horas da manhã para passar a roupa a ferro. Tínhamos que ser nós, era um negócio de família pequenino e não tínhamos capacidade para contratar”, explica a lagoense.
No entanto, o pequeno negócio familiar foi ganhando dimensão. “Eu também fui ganhando idade e essa ligação ao hospital durante a doença do meu pai despertou-me o Serviço Social”, realça Paula Andrade.
Por outro lado, foi também nos seus pais que a ex-diretora regional do Emprego e Qualificação Profissional se inspirou: “Os meus pais sempre ajudaram muito toda a gente e sempre foram uma referência.”
Paula Andrade sempre viveu na freguesia que a viu nascer, com exceção dos cinco anos, entre 1994 e 1999, em que realizou a licenciatura em Serviço Social, no Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa.
Desde 2001 que está ligada à área do emprego. Entre 2012 e 2016, foi chefe de divisão dos Programas de Emprego, na Direção Regional do Emprego e Qualificação Profissional. Entre 2016 e 2020 esteve como diretora regional do Emprego e Qualificação Profissional. Desde 2021, é técnica superior especialista na Secretaria Regional da Juventude, Qualificação Profissional e Emprego.
“O meu estágio de licenciatura foi na área do emprego. Era uma área em que não tinha interesse, mas agora quase que faz parte do meu ADN”, considera Paula Andrade. “Gosto muito de olhar, estudar a população, perceber quem entra no centro de emprego, de onde é que vem”.
Na área da educação, desde 2004 que Paula Andrade é orientadora de estágios da licenciatura em Serviço Social e, há três, professora nesse mesmo curso.
Paralelamente a estes trabalhos, a lagoense está ligada à área social, participando em diversas instituições. Em 2015 assumiu a presidência da Delegação Açores da Associação de Profissionais de Serviço Social, tendo feito parte das direções anteriores. No entanto, em 2016 cessou a função, mas regressou depois, estando agora no terceiro ano de mandato como presidente da delegação. Desde o ano passado que está na direção do Banco Alimentar.
O que reserva o futuro? Paula Andrade diz querer envolver-se num projeto que seja capaz de mudar as gerações mais jovens. “A minha grande aposta seria a juventude. A juventude precisa de um impulso, de determinados apoios, de outras infraestruturas. Uma sociedade faz-se com desenvolvimento económico, mas não se faz sem pessoas e os nossos jovens é que são o futuro da região”, entende a lagoense.
O projeto “Laços de Ajuda” consiste em proporcionar a doentes oncológicos um “kit motivacional”, composto por um saco reutilizável, garrafa de água, boné, caderno, bola anti-stress, livros, produtos de dermocosmética, entre outros artigos, bem como um “QR code” onde as pessoas terão acesso a informações sobre os seus direitos, como apoios sociais. Para as crianças, o kit contém um estojo mais didático.
Foi desenvolvido pela turma do segundo ano da licenciatura de Serviço Social da UAc, desafiada pela delegação dos Açores da Associação dos Assistentes Sociais.
“A doença não olha a classes, nem meios, nem estratos sociais. Esta doença, de um modo particular, é bastante devastadora na vida das pessoas”, lamenta a presidente da delegação dos Açores, Paula Andrade.
The kit pretende dar mais um “estímulo emocional”. Foi pensado para as “pessoas e em como isto pode contribuir para o seu bem estar. É quase como uma luz ao fundo do tunel”, explica ao nosso jornal.
Em agosto, setenta e cinco kits foram entregues ao Serviço Social do Hospital do Divino Espírito Santo, para serem oferecidos a alguns dos doentes.
Segundo Paula Andrade, “se esta rede se alargasse e atraísse outras pessoas, poderíamos ir mais além com esta iniciativa”, salientando que futuros projetos não se restringiriam à doença oncológica. “Sabemos que há outras doenças e outras situações de fragilidade social, ao nível da deficiência, doenças degenerativas. A ideia está lançada”.