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O poder da leitura

Cláudia Ferreira
Escritora e biblioterapeuta

Ler é atravessar um portal, rumo a outra dimensão, desbravando novos caminhos que vão além do mundo real. As personagens ganham vida e os cenários se desenham na mente de quem lê, dando início a uma jornada rica, na qual até as emoções afloram como se fossem experiências reais.

Transformar a leitura num hábito é urgente e necessário desde a infância, tendo um valor incalculável para o resto da vida. A leitura e a escrita são práticas sociais fundamentais para o desenvolvimento da cognição humana. Para a maioria das crianças a leitura é vista como algo aborrecido, exigindo paciência, tempo e concentração, mas é um hábito que deverá ser incutido, porque a criança que lê e que desenvolve o gosto pela leitura, será um adulto instruído e consciente da realidade que o circunda.

Por sua vez, quem não lê, é obrigado a acreditar no mundo que lhe é apresentado. A leitura afasta o indivíduo do senso comum, permitindo um olhar crítico sobre os factos, assumindo uma postura questionadora.

Não é à toa que a censura aos livros e à leitura faz parte dos mecanismos de manutenção do poder político autoritário, sendo a mais forte arma que os regimes totalitários utilizam desde a Antiguidade, para impedir a propagação de ideias que possam colocar em dúvida a organização do poder e o seu direito sobre a sociedade.

Se a leitura não pode ser desaprendida, o recurso mais apropriado para impedir a sua circulação é limitar o seu alcance, no qual a invasão de bibliotecas e o uso de classificação do que poderia ou não ser lido passou a ser uma característica efetiva.

Dos vários benefícios do hábito da leitura, realço um que já remonta às civilizações egípcia, grega e romana, o reconhecimento do valor terapêutico da leitura. No Antigo Egito as bibliotecas faziam parte dos templos, intitulando-se «a Casa da Vida». Há, também, informações de que o recurso ao poder terapêutico dos livros floresceu durante o período da Primeira Guerra Mundial, quando foram criadas bibliotecas nos hospitais de campanha. Culturalmente e mentalmente somos na maioria o resultado do que lemos, onde segundo Cassandra Clare, é sempre preciso ter cuidado com os livros e o que está dentro deles, pois as palavras conseguem nos mudar.