
O Continente Modelo Lagoa está diferente. Depois de quase um ano de obras de remodelação, a loja apresenta-se agora com uma nova imagem, mais moderna e com uma área de vendas aumentada em cerca de 40%. Com mais 500m² em loja e um investimento a rondar os cinco milhões de euros, o Continente Modelo Lagoa está renovado e entre as novidades destaca-se a inauguração do primeiro restaurante com refeições quentes nas lojas Continente, em São Miguel, com capacidade para cerca de sessenta lugares sentados.
“O novo Continente é uma loja moderna com corredores largos, mais desafogada e moderna. A restauração é a grande novidade onde temos o nosso primeiro restaurante na ilha com sessenta lugares sentados. Na área de frescos tentamos dar uma visibilidade muito boa e moderna à área de frutas e legumes. A padaria também tem sempre pão quente e a rodar”, explicou Carlos Filipe Medeiros, administrador executivo da Bensaúde Distribuição.
A comida é confecionada localmente em parceria com a Kairós (organização sem fins lucrativos que promove a inclusão social e o desenvolvimento comunitário nos Açores). “A Bensaúde Distribuição não são só hipermercados, mas um conjunto de várias valências. Também temos parcerias em vigor que nos têm permitido reduzir as importações e, reduzindo as importações, reduzimos a pegada ecológica”, acrescentou.
A área de frescos centraliza e expõe as frutas e os legumes. A zona da padaria tem uma variedade alargada de pão e pastelaria conservados em casulo, onde os clientes escolhem e retiram os seus produtos. Há fornadas de pão quente de hora a hora. As áreas de peixaria, charcutaria e talho também foram ampliadas, apresentando uma significativa melhoria na gama de produtos. “Apostamos na marca ‘Sabe Açores’ com produtos premium. O objetivo não é massificar”, apontou Carlos Filipe Medeiros.

Prestes a completar 24 anos a 30 de novembro próximo, a loja Continente Modelo Lagoa prepara-se para dar um salto qualitativo para o futuro. As obras de remodelação que tiveram lugar ao longo dos últimos meses foram apenas o primeiro de dois passos.
O administrador executivo levantou um pouco a ponta do véu: “Queremos fazer aqui algo muito interessante. Queremos criar mais negócio, mais serviços disponíveis para os lagoenses e para quem passa na Lagoa. Dividimos o negócio em duas fases: a primeira é esta que permitiu a ampliação em mais 500m²; a segunda é a que vamos avançar a partir do segundo semestre deste ano para construir um centro comercial com várias valências e oferecermos um produto completo”.
Através dessa aposta, o Continente Modelo Lagoa cria mais emprego. “Evidentemente. Esta remodelação já permitiu criar mais cinco postos de trabalho, mas a ampliação prevista vai criar muito mais emprego”, confirmou.
Carlos Filipe Medeiros deixou também uma palavra de reconhecimento aos clientes e aos funcionários. “Quero agradecer aos nossos clientes porque foi um processo penoso em algumas alturas. Nunca quisemos fechar a loja e as vendas assim o confirmaram porque nunca baixaram mais do que 10%. As pessoas compravam muito aqui. Quanto à equipa… a equipa é fenomenal! Aguentou desde o verão passado com obras, pós, barulhos, limpezas diárias, mas sempre feliz e contente. Tivemos colaboradores com mais de vinte anos de casa a fazer noitadas para ajudar em tudo o que era possível e sempre contentes”, reconheceu.
A finalizar, um desabafo em jeito de elogio: “Quem trabalha aqui, sente-se bem! Seja na área de cliente que é aquela que toda a gente vê, seja na segurança alimentar ou nos armazéns, tudo está impecável. Renovamos as áreas de convivência para que todos se sintam bem”.

Nuno Costa Santos
Escritor e argumentista
Tive afortunado acesso ao original, recém-adquirido por um coleccionador micaelense, de uma carta de Antero de Quental para José Bensaúde, destacado industrial açoriano com importante inclinação para as artes e para a cultura, de quem era muito amigo desde cedo. Tão amigo que foi em sua casa que viveu entre finais de Agosto de 1891 e 11 de Setembro de 1891, o dia da sua dramática morte com esperança ao fundo.
A carta revela o conhecimento que Antero manifestava por aquilo em que de melhor se destacavam povos que não os peninsulares. Aí, o poeta e intelectual português, a propósito de uma questão colocada por Bensaúde sobre a educação dos filhos – foi pai de Alfredo, Joaquim, Ester e Raúl -, discorre sobre as virtudes do ensino na Alemanha, que, a seu ver, suplantavam, de modo inequívoco, as do ensino francês, inglês e americano. A sofisticação alemã quer em ciência quer em moralidade são destacadas – tal como a combinação, sempre fundamental mas muitas vezes descurada, entre a instrucção teórica e a prática. A dado passo, escreve, no seu modo assertivo e absoluto de ser: “Os métodos alemães têm outra profundidade, e é por excelência a Alemanha o país da pedagogia”. (Noutra carta, que encontrei no volume primeiro das cartas, editado pela Universidade dos Açores, dirá que a Suíça, pedagogicamente, oferece iguais garantias de qualidade). Promete que em breve esclarecerá José sobre quais eram, na altura, os melhores colégios e que, para o edifício da compilação, contaria com o conselho dos alemães mais instruídos a residir em Lisboa. Um trabalho de casa feito com a generosidade que se dedica aos melhores amigos.
Para aferir sobre a forma como o fundador da Fábrica de Tabaco Micaelense, figura reconhecidamente crente e empenhada numa ideia de desenvolvimento cultural e social das comunidades, acolheu os conselhos de Quental em relação ao destino escolar da descendência, basta referir que Alfredo, o seu filho mais velho, viajou, com 16 anos, para a Alemanha com o objectivo de prosseguir os estudos. Primeiro, estudou em escolas particulares e, depois, entrou para a Escola Técnica Superior de Hanover, onde veio a terminar, em 1879, o curso de engenharia. Mais algumas notas curriculares que ajudam a desvendar um percurso académico notável. Em 1881, concluiu o doutoramento em Mineralogia na Universidade de Gottingen e, após uma passagem por Espanha, foi trabalhar para Lisboa, cidade na qual, em 1884, se tornou docente de Mineralogia no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa.
Depois de, em 1892, ter publicado uma muito crítica – e, por isso mesmo, refutada e ignorada – proposta de reforma do ensino tecnológico em Portugal, em 1911, Alfredo Bensaúde concretizou um projecto ambicioso e determinante para o futuro do país, imaginado e realizado tendo como referência as escolas alemãs onde se formou: o da criação do Instituto Superior Técnico. Foi ele que, já em plena República, fundou o Técnico, como é conhecido, e foi ele o seu primeiro director.
Ao passar os olhos por esta carta, em privilegiada versão original, fiquei, então, a saber que o “génio que era um santo”, referência central da sua geração, magnífico inspirador do pensamento português, agitador bem preparado e utópico de ideais e consciências, também contribuiu à sua maneira, com um conselho dado a um amigo que o requereu, para o crescimento concreto, prático, da educação em Portugal. O nome deste homem-mito, intransigentemente pelo progresso, irredutivelmente sonhador de um país outro, mais exigente e ambicioso, está nas primeiras linhas da História da fundação e do desenvolvimento do nosso ensino técnico e tecnológico. Sem a sua pista, José não teria enviado Alfredo para as instituições que, assumidamente, o inspiraram a criar aquela que, hoje, é a maior escola portuguesa de Engenharia, Arquitectura, Ciência e Tecnologia e uma das mais prestigiadas instituições de Engenharia na Europa. Mais um motivo de gratidão para com Antero.