
DL: Como é que correu a exposição do Diário da Lagoa nos EUA?
A exposição correu de forma extremamente positiva e com grande impacto junto da comunidade luso-americana. A exposição “Diário da Lagoa – 11 anos de Jornalismo e Desafios” teve o seu momento mais marcante no dia 5 de dezembro, pelas 18h00, na Portugalia Marketplace, em Fall River, coincidindo com a inauguração do Presépio da Lagoa.
Este espaço emblemático, reconhecido como verdadeiro ponto de encontro da comunidade portuguesa, recebeu importantes dignitários, entre os quais o presidente da Casa dos Açores em Fall River, o cônsul de Portugal em New Bedford e representantes das sete cidades irmãs de Lagoa nos EUA: Fall River, New Bedford, Rehoboth, Fairhaven, Dartmouth, Taunton (Massachusetts) e Bristol (Rhode Island).
Marcaram também presença muitos lagoenses, emigrantes, amigos e clientes da Portugalia, bem como o artesão-bonecreiro do Museu da Lagoa, cuja deslocação foi assegurada pela SATA Air Açores. A Câmara Municipal de Lagoa esteve representada não só por este artesão, João Arruda, como ainda por uma exposição complementar constituída por seis painéis, integrando figuras moldadas pelo próprio, numa mostra sobre a História da Arte inspirada em artistas internacionais.
DL: Que feedback teve das pessoas que visitaram a exposição?
The feedback foi profundamente emotivo e muito gratificante. A exposição despertou especial interesse entre aqueles que se reconheceram nas crónicas expostas, muitas delas dedicadas a familiares já falecidos, mas ainda muito presentes na memória dos imigrantes.
Houve reencontros inesperados de primos, amigos e vizinhos que não se viam há décadas. Muitos visitantes fotografavam-se diante da exposição, alguns visivelmente emocionados, com lágrimas nos olhos.
Importa ainda destacar que a exposição esteve igualmente patente na Biblioteca da Casa da Saudade, em New Bedford, em simultâneo com o Presépio da Lagoa. Nesse espaço, continua a atrair sobretudo os imigrantes mais antigos, que frequentam também o Centro de Assistência ao Imigrante, instalado no mesmo edifício.
DL: Que histórias pode partilhar sobre esta sua última viagem aos EUA?
Cada deslocação aos Estados Unidos é sempre marcada por reencontros com emigrantes que não via há décadas, alguns há mais de 50 anos. Abordam-me com orgulho, dizendo que são da Lagoa ou da vila e freguesias do concelho.
Tiram fotografias junto aos presépios e às exposições, e muitos fazem questão de levar os seus patrões americanos para mostrar o que se produz culturalmente na sua terra de origem. Alguns, de forma carinhosa, passaram mesmo a chamar-me “Roberto, o senhor dos presépios da Lagoa”.
DL: Tem ideia de quantas pessoas já visitaram os seus presépios e a própria exposição?
É impossível apresentar um número exato, mas desde a inauguração até ao meu regresso a São Miguel, no dia 13, alguns milhares de pessoas já tinham visitado os presépios e a exposição do Diário da Lagoa, registando momentos em fotografias com familiares e amigos.
DL: Quantos presépios seus estão expostos nos EUA?
Atualmente existem duas grandes exposições de presépios nos Estados Unidos: Uma, na Portugalia Marketplace, em Fall River, com cerca de 500 figuras de barro; outra, na Biblioteca Casa da Saudade, em New Bedford, com cerca de 700 figuras.
DL: Porque é que continua a expor nos EUA?
Porque é um compromisso profundo e duradouro com a comunidade luso-americana, assumido desde 1999, inicialmente enquanto vereador da Cultura da Câmara Municipal de Lagoa até 2009.
A partir de 2010 até 2025, esta missão prosseguiu por minha iniciativa própria, a pedido da própria comunidade, formalizada através de um protocolo de colaboração cultural, assinado por 54 instituições luso-americanas, garantindo a continuidade da realização dos Presépios da Lagoa nos EUA.
DL: Vai continuar a expor os seus presépios nos EUA?
Sem dúvida. Desde 2014, o Presépio da Lagoa está patente na Portugalia Marketplace, em Fall River, onde ganhou uma dimensão muito significativa, atraindo milhares de visitantes todos os anos.
A família Fernando Benevides detém hoje a “Embaixada do Presépio da Lagoa nos EUA”, tornando a Portugalia um verdadeiro espaço de representação cultural lagoense.
Porque, onde houver um Presépio da Lagoa na América, haverá sempre um pedaço da Lagoa, da sua memória, da sua cultura e da alma lagoense.

A exposição dos 11 anos do lançamento da edição impressa do Diário da Lagoa (DL) que esteve patente no mês de outubro no Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores (OVGA), na cidade da Lagoa, foi visitada por 425 pessoas, segundo dados recolhidos pelo OVGA.
A seleção de capas e páginas soltas do DL dos últimos 11 anos está agora na Escola Secundária de Lagoa desde o primeiro dia de novembro e podem ser visitadas pelos alunos e comunidade educativa escolar durante o horário de funcionamento da escola.
A exposição vai também rumar aos Estados Unidos da América através do cronista mais antigo com presença regular no DL, Roberto Medeiros, que irá expor a seleção de primeiras páginas dos jornais dos últimos 11 anos no Portugalia MarketPlace, em Fall River, e também na Biblioteca da Casa da Saudade, em New Bedford, Massachussets.
Nessa mesma mostra serão ainda integradas igualmente todas as crónicas que Roberto Medeiros escreveu até à data, perfazendo um total de 83 páginas.

Pensar, questionar e falar sobre o jornalismo local foi um dos motes do “II Encontro Dos Açores para o Mundo” que pretendeu assinalar o 11º aniversário da edição impressa do Diário da Lagoa (DL). O evento realizou-se no OVGA – Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores no passado dia 4 de outubro e contou com a presença de mais de três dezenas de pessoas. Como convidados, Catarina Rodrigues, professora e investigadora de Ciências da Comunicação na Universidade dos Açores, Eduardo Marques, professor e investigador na área de Serviço Social na Universidade dos Açores, Roberto Medeiros, cronista do DL e Clife Botelho, diretor do DL, numa conversa moderada pelo jornalista e escritor Ígor Lopes.
“Este jornal é serviço público e como serviço público está a trabalhar para o bem comum, para a educação, para uma cidadania informada, está a trabalhar para aumentar a literacia. Quanto é que custa ter uma população desinformada, uma população que não vota, que não participa, uma população com baixos níveis de literacia?”, questionou Eduardo Marques. O docente entende que “deveria haver um outro olhar por parte dos políticos e das políticas públicas sobre esta necessidade deste jornalismo de base cidadã que está aqui para promover o bem comum, para educar, para ajudar as pessoas a terem uma leitura do mundo”.

O diretor do DL, Clife Botelho, para além de concordar que “é preciso mais apoios do Governo regional” para os órgãos de comunicação social da região, diz que “há uma proximidade muito grande que as pessoas só encontram em jornais deste tipo. A comunidade dá vida a estes jornais”.
Já a docente e investigadora Catarina Rodrigues alertou para o perigo dos desertos de notícias: “os meus colegas, através de um estudo, constataram que metade dos concelhos do país estavam em vias de ser considerados desertos de notícias. Ou seja, é um número muito significativo, preocupante, não tendo nenhum meio de comunicação que os represente, nomeadamente em termos de escrutínio, com informação relevante, proximidade com as comunidades. Esse espaço que fica deserto acaba por ser ocupado por outras formas de comunicação nas redes sociais, que não obedecem de todo as normas éticas e deontológicas do jornalismo que são fundamentais do ponto de vista da profissão e da aproximação à comunidade e no âmbito de uma cidadania ativa”.

O cronista mais antigo do DL, Roberto Medeiros, contou que quando começou a escrever “para o Diário da Lagoa, a minha primeira rubrica era sobre a Voz do Passado, em que contava a História. Ninguém pode prever o futuro sem estudar o passado. Depois de ler todos os 13 jornais que a Lagoa já teve [o DL é o décimo quarto], comecei a trazer para as páginas do Diário da Lagoa aquilo que tinha lido que tinha sido importante”.
Esta sessão comemorativa dos 11 anos do DL ficou ainda marcada pela homenagem ao fundador do jornal, Norberto Luís, que por razões pessoais e familiares não pôde estar presente, bem como à tipografia Esperança, que foi o primeiro local onde foi impresso o DL. Roberto Medeiros também foi homenageado com a compilação de todas as suas crónicas em formato A3, entregues ao autor.
A sessão também serviu para inaugurar a exposição do DL com as principais capas do jornal dos últimos 11 anos, uma exposição que será itinerante por várias instituições do concelho e depois rumará à diáspora açoriana, nos Estados Unidos da América.

A sessão foi registada em áudio, clique em play para ouvir.