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“Os Açores têm que estar abertos à riqueza, que é sinónimo de mais autonomia”

José Bettencourt é o diretor do Centro Internacional de Negócios e Investimentos dos Açores © DL

José Miguel Bettencourt nasceu no Porto, tem ligação familiar à Lagoa, mas vive entre Lisboa e os Açores. Ao Diário da Lagoa (DL) começa por contar que “vem quase todas as semanas” ao arquipélago, enquanto se descreve como uma pessoa que “sente os Açores no sangue” e tem muito orgulho em ser açoriano e lagoense.

É diretor do Centro Internacional de Negócios e Investimentos dos Açores (CINIDA), sediado em Ponta Delgada, uma instituição privada que surge da necessidade de “cuidar de tudo aquilo que é o investimento para os Açores” e que foi inaugurada no final de fevereiro passado. Passados cinco meses depois da inauguração oficial, o responsável relembra que o arquipélago açoriano foi a primeira região do mundo a ter um certificado de sustentabilidade e que, por isso, devemos ter presente que  “os Açores são aquilo que os açorianos ajudarem a fazer”.

O facto da região em 2022 ter recebido 2,5 milhões de turistas e visitantes, leva-o a salientar, igualmente, que se trata de um número superior em “12 vezes mais face à população de 246 mil habitantes”, enquanto aponta que em 2023 a expetativa é ultrapassar os três milhões. A região deve “aproveitar o facto de sermos, também nós, uma referência de turismo sustentável”, remata, sem hesitar.

Neste sentido, o CINIDA com sede na maior cidade dos Açores, assume-se como um “apoio especial àquilo que são as empresas açorianas”, esclarece José Bettencourt, enquanto defende que “os empresários açorianos têm de virar a página”, apelando para que sejam cumpridos “os pilares básicos da autonomia”.

“Os Açores têm que estar abertos à riqueza, que é sinónimo de mais autonomia. Quanto mais riqueza vemos nos Açores, mais autónomos nós vamos ser”, esclarece, referindo que é urgente a região entender a necessidade de ser recetiva a “novos investimentos internacionais e nacionais”.

Para José Miguel Bettencourt, abrir portas ao investimento internacional é sinónimo de melhoria das condições de vida. “Aquilo que nós vemos quando há investimento, em todo o sítio do mundo, é que os locais beneficiam desse investimento”, diz.

O responsável pelo Centro de Investimentos considera, também, que atualmente a região está “numa fase de transição” e que é imperativo que os empresários açorianos não fiquem à espera de “um compromisso do Governo regional ou de alguém a tentar ajudar as empresas a ter lucro”, reiterando que “não têm que ser projetadas para a subsídio-dependência”.

O CINIDA posiciona-se dessa forma como a entidade açoriana especializada para receber todos aqueles que queiram investir nos Açores e agilizar esse investimento.

O diretor, com raízes lagoenses, defende ainda que as grandes empresas dos Açores que “beneficiaram do desenvolvimento”, devem agora assumir “a responsabilidade de se internacionalizarem” para trazer “riqueza e gerar mais valia”. “Chegou a hora delas próprias ajudarem a modernizar a economia dos Açores”, sublinha.

Quanto à Lagoa, José Bettencourt refere que pela centralidade geográfica na ilha, “tem um papel fundamental”, justificando que conhece a Lagoa “desde sempre”, bem como “o espírito que os lagoenses têm quando têm algum horizonte”. José Bettencourt reitera, acrescentando, que conhece 12 parques tecnológicos em Portugal e que “o Nonagon tem todas as condições e é neste momento a melhor infraestrutura que o país tem” mas que “está adormecida no tempo, porque não cuidou da sua internacionalização, porque é preciso repensar se as empresas que estão neste momento no Nonagon associadas, têm interesse ou não para os Açores”.

Questionado quanto ao futuro do Nonagon, garante que “só se pode projetar o futuro com uma missão internacional”, enquanto que em relação ao próprio Tecnoparque, onde se insere a infraestrutura,  “toda aquela área tem que também ser internacionalizada e tem de ser repensada”. 

Em julho o Diário da Lagoa noticiava que a “Lagoa quer centro comercial no Tecnoparque” e, por isso, José Bettencourt acrescenta que “a abertura do centro comercial é uma muito boa iniciativa com o incentivo de dinamizar, requalificar e valorizar todo aquele espaço e a própria Lagoa, mas tem que ser pensado sobretudo, também, com o foco nos empresários nacionais e internacionais”. 

“Se existir um novo centro comercial há uma nova realidade, há uma nova forma de ver e encarar São Miguel. É um polo atrativo de investimento de pessoas e de turistas”, aponta.

Quanto aos projetos que estão a surgir para a Lagoa, o responsável pelo Centro de Investimentos afirma que têm que passar por um “maior estudo de viabilidade, com visão de futuro e que possam permitir o acolhimento imediato por parte da autarquia e um maior investimento na promoção do destino Lagoa, e em promover também a perspetiva tecnológica”, defende.

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Clife Botelho

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