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Caiaques em festa no São João

A marina de Vila Franca do Campo voltou a animar-se com os caiaques da vila, atraindo muitos espectadores à tradicional Regata do São João. Para os residentes, foi o reviver de uma tradição que esteve interrompida muitos anos, mas que agora volta a animar as águas da marina e canal do ilhéu. Para os visitantes, muitos deles turistas, foi o contacto direto com uma celebração popular, tipicamente vilafranquense

Viragem de boia: os caiaques ‘Estrela’ com Paulo Martins, ‘Mondego’ com André e Tomás Carreiro e ‘Bar da Praia’ com Rui Dias e Pedro Monteiro © CNVFC

Na linha de partida estiveram 13 caiaques para uma regata muito animada no trajeto tradicional entre o Cais do Tagarete, Ilhéu e regresso. O tempo estava propício; mar calmo, sem vento e temperatura amena.

Dado o sinal de partida, distanciaram-se as embarcações mais competitivas em calorosa disputa. Para os restantes, o espírito de festa dominou, num quase passeio a celebrar a tradição.

No animado vai e volta ganhou a equipa Moisés Bolarinho/Emanuel Santos, no caiaque ‘Venho para Espiar II’, logo seguidos de Virgínio Ponte/André Arruda, no ‘Corpo Santo#21’. Em mistos, a vitória foi para a equipa de pai & filho, André e Tomás Carreiro no caiaque Mondego’, logo seguidos de Ana Rita Amador/Mário Vasconcelos no ‘Falcão do Mar’.

Para os vilafranquenses que desceram ao cais a apoiar os seus caiaques favoritos o evento foi tempo de recordar memórias e peripécias de juventude. Mas para os visitantes, sobretudo os estrangeiros, foi uma tarde de descoberta do “caiaque da vila”, um barco tradicional praticamente desconhecido, que nos últimos anos tem vindo a ser estudado e reativado, depois de cerca de 30 anos em desuso.

Participação do Clube Náutico da Lagoa

Rui Dias e Pedro Monteiro, no caiaque “Bar da Praia”, numa boa prestação do Clube Náutico de Lagoa © D.R.

Entre o grupo da frente na regata estiveram sempre duas equipas do Clube Náutico da Lagoa. Ambas revelando-se muito rápidas, tanto na geral como na classe mista. Rui Dias/Pedro Monteiro no caiaque ‘Bar da Praia’ e Ana Rita Amador/Mário Vasconcelos no ‘Falcão do Mar’, demonstraram uma grande consistência, tanto física, como técnica e estratégica, o que deixa antever que melhores resultados esperam estes canoístas, caso invistam na maior habituação ao caiaque tradicional. Mesmo assim, Ana Rita Amador/Mário Vasconcelos no ‘Falcão do Mar’ conseguiram prata nesta primeira competição com o caiaque da vila.

Ana Rita Amador e Mário Vasconcelhos no “Falcão do Mar” trouxeram prata para o Clube Náutico de Lagoa © D.R.

A participação lagoense foi muito aplaudida em Vila Franca, sendo acarinhada a cooperação entre as organizações náuticas dos dois concelhos. Mas mais do que parcerias pontuais, há o propósito de estreitar a cooperação na divulgação do caiaque da vila de modo que, também na Lagoa, se recupere a tradição marítima, tanto de competição como de lazer, que nos anos setenta animava a Baía do Porto dos Carneiros.

Motivados por esta proximidade de tradição e liderança de Rui Dias, já se começam a recuperar caiaques tradicionais na Lagoa. Pode mesmo acontecer este ano, pela primeira vez, um passeio de caiaque tradicional organizado conjuntamente pelas agremiações náuticas da Lagoa e de Vila Franca.

Classe Regional do Caiaque da Vila


A cooperação entre associações náuticas regionais é uma alavanca fundamental na promoção do caiaque da vila, embarcação tradicional de lazer que já teve expressão também em Sta. Maria e na Terceira. Neste sentido, os Amigos do Caiaque e a Associação Regional de Canoagem (ARCA), têm vindo a desenvolver trabalho para o estabelecimento da Classe Regional do Caiaque da Vila, um projeto que visa desenvolver e alargar à Região a vertente competitiva do caiaque tradicional. Este ano, a Regata do S. João já fez parte do calendário de provas da ARCA e antecipa-se o progressivo alargamento às outras ilhas.

O projecto de recuperação do caiaque da vila inclui ainda outras duas componentes fundamentais: O lazer e o turismo/património. Neste sentido de promoção alargada, ultima-se a constituição da Confraria do Caiaque da Vila para finais de agosto.

O caiaque da vila é um barco tradicional em madeira que remonta ao ‘tempo da laranja’. Trazido por ingleses em 1880, o caiaque evoluiu adaptando-se às nossas águas, materiais e técnicas de construção, adquirindo uma silhueta típica que alegra o Canal do Ilhéu.

Pedro Bicudo

 

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