Em Água de Pau. Os passeios domingueiros de carroça!

Roberto Medeiros

Os passeios de carroça e charrete proporcionavam antigamente uma verdadeira viagem no tempo num percurso entre a Vila de Água de Pau e as Furnas. Mas mesmo que fosse entre a Praça de Água de Pau e a Amoreirinha, ao Valongo, à Caloura, Galera, Cerco ou ao Castelo, não deixava de ser sempre um passeio de arromba, porque o melhor era mesmo sair de casa e juntarem-se a pessoas que gostavam de boa companhia e pronto… O resto, que é como quem diz, a comidinha ao ar livre alimentava o corpo enquanto a alma ganhava alento com os acordes da guitarra da Dona Leonor e o violão de meu pai, o jovem Manuel Egídio de Medeiros.

© D.R.

Corria o ano de 1934 e, se nem, se sonhava ainda com uma guerra que vinha aí, tão pouco lhes vinha à memória a última, pois já ia longe. Por isso mesmo é que aproveitavam, com certeza, a vida de forma despreocupada e davam tempo ao tempo enquanto tempo havia.

O Doutor Larroque e a Dona Maria Pia, iam na sua charrete coberta e puxada pelo seu “guardion”. António Inácio Vieira e Dona Leonor seguiram na sua carroça puxada pelo “jacob”. Meu pai ia com estes últimos. A comitiva ia distribuída pelos dois veículos. Assim que chegavam ao destino, davam descanso às bestas, libertando-as e pondo-as a pastar num terreno algures.

De vez em quando, olho para a guitarra antiga que está nesta foto, recordo-a na minha casa, e ocorre-me as histórias que meu pai contava, durante os serões em que nos mostrava estas fotos antigas da família.

Dizia-me ele que na altura (1934) estava a trabalhar por pouco tempo na “Casa Vieira” — um estabelecimento comercial de Mercearia e Líquidos — na categoria de caixeiro. Na verdade, ele andava a preparar-se para abrir, com o padrinho Jacinto Inácio, o seu estabelecimento comercial A Cova da Onça, na Praça da República. E assim foi. Em Março de 1936 abriu a sua loja de Mercearia, Ferragens e Quinquilharias.

Ironia do destino, desde que meu pai abriu a sua Cova da Onça, pouco mais tocou violão e por isso quando eu nasci nem violão existia… agora a viola, ainda hoje existe… mas caladinha, na minha casa. Foi-me oferecida pelo primo António. Eu não toco… mas conto a sua história a quem quiser ouvir… já se sabe & bem entendido!

Categorias: Opinião

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