“É preciso defender a democracia e a democracia só se defende com a Educação”

Dezenas de profissionais ligados à Educação debateram na Lagoa questões essenciais para o futuro das atuais e novas gerações

Auditório do Nonagon recebeu, durante dois dias, o Encontro Regional para Comunidades Educativas promovido pela Escola Básica Integrada de Lagoa © CML

Educação inclusiva, onde cabem todos, foi a marca principal do Encontro Regional para as Comunidades Educativas que a Lagoa acolheu nos dias 3 e 4 de maio, no auditório do Nonagon, na freguesia de Nossa Senhora do Rosário. 

O presidente da EBI de Lagoa, Manuel Rodrigues, no seu discurso, questionou sobre “o que seria a educação sem mais uma mudança?”, acrescentando que “como profissionais da Educação, temos de acreditar na mudança, temos de acreditar que é possível, pois a própria educação é um constante processo de remodelação, em cada dia, em cada espaço de relação com a criança ou com o aluno. Somos todos diferentes, precisamos de desafios desiguais”. O responsável defendeu que “não vimos aqui vender a banha da cobra. Não acreditamos que vamos ter mais recursos humanos, até porque não os há. Não acreditamos em fórmulas mágicas, nem em soluções milagrosas para a resolução dos nossos problemas. Mas, trabalhando juntos, em prol dos nossos alunos, temos de acreditar que o todo é mais do que a soma das partes.”

O objetivo do encontro, segundo a organização a cargo da EBI de Lagoa, visou “facultar um espaço conjunto de reflexão que reforce e entusiasme as comunidades educativas a serem verdadeiros exemplos de inclusão e participação”. O evento contou com uma abordagem integrada de várias áreas da Educação através da participação de vários especialistas a nível regional e nacional, bem como com a presença da secretária regional da Educação, Sofia Ribeiro, e da presidente da câmara da Lagoa, Cristina Calisto.

Na ocasião, a autarca lagoense referiu que “a Educação é um dos setores mais importantes para o desenvolvimento de uma sociedade, ao qual se colocam cada vez mais exigências e se impõem novas metodologias que requerem, não só atenção dos professores, mas também das entidades governamentais”.

“É, por isso, dever dos governos garantir um sistema educativo adequado à realidade e que pugne pelo sucesso escolar de todos, sem exceção. Deve ser um trabalho inclusivo e que seja de todos e chegue a todos”, destacou a presidente da câmara municipal de Lagoa, Cristina Calisto.

Após o final do encontro, e em declarações ao Diário da Lagoa (DL), Manuel Rodrigues, presidente do conselho executivo da EBI de Lagoa, referiu que o balanço foi “extremamente positivo” e que a avaliação efetuada pelos presentes o demonstrou, revelando que muitos [dos participantes] pediram que o evento venha a ter uma segunda edição.

“Uma vez que esta foi a primeira edição, toda a gente pediu que começássemos a pensar numa segunda edição”, avançou ao DL o responsável pela organização, evidenciando que “conseguimos trabalhar a dimensão ética, os princípios e os valores da Educação inclusiva, mas também conseguimos ter a oportunidade da partilha de práticas educativas que poderão ser exemplos a implementar no próximo ano letivo”, salientou Manuel Rodrigues.

Questionado se há mais a fazer na Educação, o presidente do conselho executivo respondeu que, “muito, todos os dias”. Argumentou que “muita gente se queixa que a Educação está sempre em mudança, mas a mudança anda sempre de mãos dadas com a Educação nas salas de aula. Todos os dias temos pessoas diferentes que exigem respostas diferentes, porque o que nós temos mais em comum é a diferença”.

 a mudança anda sempre de mãos dadas
com a Educação nas salas de aula.
Todos os dias temos pessoas diferentes
que exigem respostas diferentes,
porque o que nós temos mais em comum
é a diferença”

Como organizador, o responsável pela escola lagoense, salientou que está “muito satisfeito, com a sensação de dever cumprido” e que “foi formidável para quem organizou. Julgo que também para quem participou, e é esta simbiose que nos dá alento para continuar nas salas de aula a fazer aquilo que sabemos em prol das nossas crianças.”

Depois da conferência da tarde de 4 de maio, o evento conjugou ainda a temática “Boas Práticas na Educação”, promovida pela câmara da Lagoa, sendo esta uma iniciativa que contou com a participação de Helena Marujo, professora no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, da Universidade de Lisboa, e de Ariana Cosme, professora na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, da Universidade do Porto.

Abordado pelo DL, o coordenador de Educação e Cultura da câmara da Lagoa, Igor França, salienta que “a Educação e a Cultura integram os cinco temas que escolhemos para a celebração dos 500 anos da Lagoa, que são transversais e, também, porque nós temos a clara consciência de que não há democracia, não há sociedade livre se a população não for culta, instruída e educada. Se for isso tudo, é, também, crítica, e a democracia exige crítica — no sentido positivo, evidentemente.”

“Por outro lado, gostava de realçar a humanização das relações na Educação, porque nós estamos a caminhar para sociedades que são tecnologicamente acrescentadas e diversificadas” referindo que todas essas dimensões desumanizam as relações e “nós somos animais sociais e a Educação não pode abdicar disso”, conclui o coordenador.

“Tenho esperança no futuro, nos avanços tecnológicos, mas, também, não tenho dúvida nenhuma de que é preciso estabelecer certos limites, mas insisto que é preciso defender a democracia e a democracia só se defende com a Educação”.

Clife Botelho

Categorias: Reportagem

Deixe o seu comentário