Consórcio desenvolve sistema que permite aumentar a rentabilidade da pesca

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A SOLVIT – Innovation on Telecomunicatios, empresa com sede nos Açores, apresentou recentemente o projeto Custodian – Sensory Network Platform for Sustainable Fishing. É um projeto que resulta de um consórcio internacional liderado pela SOLVIT, em parceria com o AIR Centre, o TERINOV, a Lotaçor, a Docapesca, o Instituto Superior de Engenharia de Lisboa, a UAVISION e a Universidade Técnica Nacional da Noruega (NTNU), financiado pelo Programa Crescimento Azul dos EEA Grants.

O projeto CUSTODIAN pretende desenvolver um sistema inovador que irá permitir proteger o ambiente marinho da poluição por plástico, preservar os recursos marinhos, através de uma gestão a longo prazo, e aumentar o rendimento dos pescadores sem exceder o esforço de pesca.

Este sistema está a ser desenvolvido em parceria com associações de pesca locais e regionais, pescadores, investigadores e empresas, num esforço coletivo que pretende promover a digitalização marítima, uma melhor gestão dos recursos e o desenvolvimento sustentável.

O equipamento de pesca perdido no mar é uma preocupante questão global. Para além de, na sua composição conter plástico, por vezes o equipamento danifica o fundo do mar, mesmo quando perdido, poluindo e desgastando desnecessariamente os ecossistemas e continuando a “pescar”.

A perda deste equipamento no oceano leva a uma diminuição dos rendimentos dos pescadores. No caso de Portugal, um estudo estima que a indústria da pesca despende 10% do seu orçamento anual em esforços para localizar, reparar, ou substituir o equipamento de pesca perdido.

O equipamento de pesca abandonado, perdido ou descartado (ALDFG) é estimado mundialmente em 5,7% de todas as redes de pesca, 8,6% de todas as armadilhas e 29% de todas as linhas. Os atuais sistemas de seguimento deste equipamento são caros, pouco práticos e a informação não é partilhada com autoridades para efeitos de segurança ou gestão de recursos.

O sistema em desenvolvimento utiliza uma tecnologia de baixo custo com base em IoT (Internet das Coisas) e LoRaWAN (Long Range Wide Area Network), podendo até integrar outras tecnologias de comunicação.

Segundo Nuno Cota, CEO da SOLVIT, “o objetivo é a criação de condições para que as embarcações possam receber, a cada instante, a localização das artes de pesca, assim como receber outra informação como avisos e alertas personalizados, incluindo derivas de posição do equipamento; condições do mar; mensagens bidirecionais de terra-mar como por exemplo para fornecer aos pescadores uma visão remota em tempo real dos mercados de peixe, permitindo-lhes escolher o porto que maximiza o rendimento para a pescaria atual ou, ainda, preparar a logística nas docas para otimizar recursos e aumentar eficiência logística. O conhecimento da localização do equipamento de pesca vai diminuir a sua perda e apoiar na sua recuperação. O sistema vai ainda permitir um aumento no lucro operacional líquido dos pescadores, devido à redução das perdas de equipamentos, e não a um aumento na captura, assim como outras vantagens para todos os envolvidos no sistema.”

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